domingo, 20 de dezembro de 2009

48. Famílias Sato/Sato e Yokoyama*

1. Ascendência da coautora Junko Sato Prado
O casal Koshiti e Fuziko Sato - pais da coautora Junko Sato Prado
Acervo de família
Junko Sato, (佐藤 - 順子 / Sato Junko) descende dos imigrantes japoneses Koshiti Sato e Fuziko Sato, ele de Akita - norte do Japão e ela de Fukushima, província de Hiroshima.
Kohichi, também grafado em português como Koishiti, nasceu de Sanosuke Sato e senhora Sato Sato, e Fuziko [ou Fujiko] nascida de Massuichi Sato e dona Tsune Sato, sendo a senhora Tsune da tradicional família Yokoyama, de Fukushima.
Pretende-se, pela tradição familiar, que alguns dos ascendentes de Tsune Sato tenham sido Samurais e, com a extinção da classe, dedicaram-se à tecelagem, com bastante sucesso.
Sato, nome ou sobrenome, não se sabe o significado original, talvez relacionado com lugar ou região de neblina em norte do Japão, conhecido nas lendas por volta do ano 622 quando o Clã Soga, por Emishi e Iruga, usurpou o trono imperial e fez acontecer violenta perseguição aos inimigos que se refugiaram nas regiões inóspitas do norte japonês, formando um vilarejo escondido nas terras da neve para dali formar famílias identificadas pelos nomes correspondentes aos locais estabelecidos e afazeres.

2. Origens da família Sato
Kohichi - idade de 13 anos, em trajes tópicos,
quando de sua chegada ao Brasil em 1927
Foto de passaporte - acervo de família
A família Sato surge historicamente no Japão de 1159, quando nos campos de batalha destaca-se Sato Tsugunobu que salva Yoshitsune, o irmão mais novo de Yoritomo, líder guerreiro dos Minamoto, vinculado à família Fujiwara (Bujinkan: Períodos Históricos do Japão). 
O ato de bravura coloca a família em destaque quando Yoritomo passa a ser o ditador e criador do 'Shogunato', período que viu surgir a Classe Samurai contando com alguns membros da família Sato.
Estrategicamente o clã 'Fujiwara' conquistou domínios no Japão norte, centro e sul, dividindo-se a família em quatro clãs poderosos, chefiados por quatro irmãos, três deles governando a maioria do Japão do Norte e o outro mais ao centro e sul, todos se revezando nas principais funções do Império japonês, casando suas filhas com herdeiros da família imperial, para assim se tornarem consagrados senhores da corte, na política de regências, pois quando morto o Imperador o príncipe herdeiro assumia e, se menor, tinha um Fujiwara por sessho [regente] até sua maioridade. Mais adiante adotaram o kampaku [regente do Imperador adulto], mas a história japonesa não nos interessa aqui, tão somente que desde o século VIII se tem a ascensão da família Fujiwara, a partir do norte do Japão atual, desde logo vinculada à família imperial, estabelecendo o sistema dominial bastante próximo ao feudalismo e vassalagem do mundo europeu.
O expansionismo Fujiwara chegou à Ilha de Honshu, protegido por Samurais, e trocaram o estilo guerreiro e se tornaram os embaixadores do Japão. Era o período da efervescência cultural, e o estudo familiar fez-se obrigatório a todos que cercavam diretamente aquele clã, que já se destacava dos irmãos do Norte. Foi nessa época que 'Sato' tornou-se 'Sa - ajudar ou dedicar [dedicado] e To - sinônimo de uma leguminosa das glicínias', cujo kandi está ligado ao clã 'Fujiwara' - Fuji = (também) glicínia e Wara = campo (Revista made in Japan, 100 sobrenomes japoneses, 2007: nº 116 de maio/2007).  
Se Fujiwara era o dono dos campos das glicínias, Sato faz lembrar alguém dedicado ao plantio do gênero das glicínias, ou seja, agricultor ou horticultor, desde os primeiros tempos quando o Japão ainda se formava.
Com o fim da classe Samurai, alguns membros da ascendência Sato estavam contados entre as principais famílias da província de Hiroshima, mas algum acontecimento no primeiro quartel do século XX fez com que alguns descendentes Sato deixassem Hiroshima, rumo ao Brasil, entre 1929 / 1930, no auge das imigrações japonesas de 1928 a 1935. Deveriam permanecer dez anos ausentes do Japão.
Para os críticos a imigração japonesa [do sul] fazia parte do plano japonês em 'subjugar o mundo' por meio de agentes infiltrados em diversos países, todavia incerto se isto partiu mesmo de radicais japoneses ou em razões de divergências entre grupos de culturas diferentes dentro do arquipélago, rivalidades advindas desde os tempos de guerras tribais e de conquistas. Uma coisa ou outra isto refletiu negativamente sobre os imigrantes durante o curso da segunda guerra mundial.

3. Dos tantos Sato o histórico de dois ramos no Brasil
Dona Fuziko Sato chegou ao Brasil com os seus pais em 1929, idade de onze anos, no navio Hawaii Maru, indo para a região de Ribeirão Preto, Sarandi - SP, somente mais tarde a conhecer Koshiti, também Sato - do norte do Japão, que chegou ao Brasil em 1927, no navio Hawaii Maru, com quatorze anos de idade, acompanhando sua irmã e o cunhado, conforme documentos de um e outro no Serviço de Imigração do Estado de São Paulo.
Os Sato do norte japonês vieram para o Brasil atraídos pelo sonho de uma vida melhor, como os demais imigrantes, amealhar fortuna e regressar ao Japão.
Casados, Kohichi e Fuziko residiram em Araçatuba, Marilia, Assis e, finalmente, Santa Cruz do Rio Pardo.
* Colaborou neste capítulo, Adele Cristiane Nagasaki Prado.