domingo, 20 de dezembro de 2009

40. As primeiras grandes fazendas produtoras

1. A partir do Pardo 'santacruzense'
Cafezal - Fazenda Mandaguahy, outrora em território de SCRPardo
-Foto de Guilherme Gaensly, acervo de Eduardo Gerodetti-

-cópia da internet-
Antonio Viotti, por tempos residente em Santa Cruz do Rio Pardo, era formado em Agrimensura, Geodésia e Estradas, com registro na Secretaria da Agricultura, Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo (O Contemporaneo, Ano II nº 65).
O Vale do Pardo assim denominado para a maior parte do município santacruzense, por onde o Pardo "com o seu afluente Turvo, aberto de leste a oeste, é, por sua posição que o torna preferido para as comunicações do Vale do Tietê com o baixo-Paranapanema, uma das regiões mais importantes." (Aloísio de Almeida, janeiro/março 1960: 221 volume 246), cuja agricultura diversificada além de forte a criação de porcos.
As produções agrícolas e as criações para vendas, bovinos e suínos, eram antes encaminhados ao porto fluvial de Salto Grande, pelo Rio Paranapanema no qual igualmente utilizado o porto de Tibagi com destinos ao Paraná, Mato Grosso e sertão paulista, e o de Lençóis [Paulista] para embarques pelo rio Tietê ou vendas diretas aos monçoeiros.
A partir de 1876, grande parte das produções era levada para embarque em Rio Claro - com a inauguração em 1875 da estrada de ferro [Companhia Paulista]. Depois, a partir de 1896 a condução melhor era pela via férrea a partir de Cerqueira Cesar onde estacionada a gare Sorocabana, e a partir de 1903 como opção de envio para outros centros consumidores, as cargas também podiam ser embarcadas por Agudos, onde os ramais férreos - Sorocabana/Ituana e Paulista.
Aloísio Almeida, pelos relatórios de Edmundo Krug, menciona vendas de suínos em Agudos, naqueles tempos de 1903 (Vol. 246: 165-239 – janeiro / março 1960), referência ao município de São Pedro do Turvo, porém de resto toda a região, inclusa Santa Cruz do Rio Pardo, onde, segundo J. Amandio Sobral "(...) a engorda de gado suino póde fazer a prosperidade d'aquella zona e, entre nós, um concorrente da América do Norte no fornecimento de productos do gado suino." (Correio do Sertão, Ano I nº 47).
Santa Cruz era o celeiro produtor do centro sudoeste paulista com a policultura e as grandes fazendas de gados, além das criações de porcos quando, em 1887, José Custódio de Souza investiu na primeira lavoura de café, em Santa Clara, região que tornou-se mais conhecida por Clarínia, e o Custódio foi seguido por outros investidores.
Em Santa Cruz de 1893 a cafeicultura já provocava a sobrevalorização das terras potencialmente agricultáveis, a enquadrar-se no que diz Pedro Paulo de Andrade, "Aliados à especulação imobiliária estavam os investidores das linhas férreas. No final do séc. XIX, com o capitalismo já mundializado, a expansão das linhas férreas se apresentava como geradora de grandes oportunidades de negócios." (Andrade, 2006: 110). Se os trilhos ainda não estavam presentes, o projeto aprovado que previa para Santa Cruz o entroncamento de ferrovias fez fixar valores elevados para suas terras.
O autor Adriano Campanhole, em sua História da Fundação de Assis (1985: 153) menciona fontes, transcreve e aponta valores das terras no Vale Paranapanema,e menciona informatico que a Igreja era atenta ao assunto:
—"A venda de terras é um negócio lucrativo nesta região. Nos sertões de Campos Novos, onde as posses têm notável extensão, o preço das terras legitimadas varia de 3$000 a 5$000 por alqueire (2,40 hectares), não sendo beneficiadas, caso em que ascende ao preço de 15$000 ou 25$000 nos sítios mais próximos do povoado." (ACMSP - Autos de Ereções de patrimônio e Capelas, Vol. VI, 6-2-27 apud Campanhole, 1985: 153).— 
Para as terras do Pardo e do Turvo, são apontados os valores de alqueires de terras para município de Santa Cruz do Rio Pardo e adjacências:
—"Nos vales do Turvo e do Pardo, onde a população é mais condensada, o valor das terras varia entre 15$000 e 70$000 o alqueire. Nas manchas de terra roxa, onde a cultura do cafeeiro é possível, como no Rio Novo, Fartura, Rio Verde, Espírito Santo da Boa Vista, oscila entre 20$000 e 75$000. Em São Sebastião do Tijuco Preto o preço mínimo das terras é de 20$000, e ainda menos, se encerra campos." (CGGSP, 1890: 36, também referenciado por Campanholi, 1985: 153 - notas 2).—
Antes da Guerra com o Paraguai era pouco a moeda circulante, menos de 30 mil contos de réis, mas cresceu nos anos pós-guerra para chegar à casa dos 195.000. Pensou-se numa estabilização com o advento da república, mas ocorreu exatamente o contrário, com a entrada de dinheiro estrangeiro, principalmente da Inglaterra, para se chegar em 800 mil contos de réis.
Afirmou Monbeig que: 
—"Vinha a calhar essa abundância, pois daí resultava uma disponibilidade de capitais até então desconhecida e indispensável ao equipamento das novas fazendas. (...). Desse conjunto de fatos, resultava um clima favorável à exploração de terras novas. A plantação saía a baixo custo, a venda do produto era remunerada, era fácil obter capitais. Tudo infundia confiança." (Monbeig, 1984: 108).—
A euforia desencadeou frenética especulação imobiliária na região do Pardo mais que em outros lugares, lembrando, por Monbeig (Op.cit: 105), "Desde o seu início, a marcha para o oeste foi um episódio de expansão da civilização capitalista, surgida nas duas margens do Atlântico. Ambas não cessaram de ser solidárias."
Santa Cruz do Rio Pardo entrou no século XX já próximo ao quinquagésimo ano de existência, posto o seu princípio por volta de 1851, quando sentinela avançada do sertão, ponto de apoio aos entradistas mineiros, local de pouso e indicativa de caminhos a seguir; era o grande empório do sertão centro sudoeste paulista e do norte pioneiro paranaense.
O processo de desenvolvimento histórico econômico santacruzense, complementar ao século findo (XIX), deslumbrava-se para progresso ainda maior: 
—"Esta localidade por sua collocação e condições topographicas, offerece margem para uma grande cidade. É bastante dizer que ella ha de ser fatalmente e em futuro proximo quanto à sua producção, mais do que o Ribeirão Preto, além de outros motivos, por estar talhada para constituir o centro agricola da zona pela superioridade de seus terrenos." (Correio do Sertão, Ano I nº 49).—

2. Qualidade ideal do solo
Santa Cruz no princípio do século XX era o centro vital da economia regional:
—"O municipio de Santa Cruz do Rio Pardo é um dos mais futurosos do Estado, pela fertilidade de suas terras, quenbão tem inveja às melhores de outros municipios d'este mesmo Estado. Não tem a sua agricultura tomado grande desenvolvimento pela circumstancia de não estar o municpio ainda servido por estrada ferrea, a qual estacionou em Cerqueira Cesar, no meio de uma zona de valor agricola insignificante e não tem caminhado mais umas leguas para attingir uma zona de bellissimas terras, onde a lavoura se desenvolveria logo rapidamente, pela commodidade do transporte rapido e facil de uma estrada de ferro, quando funccionando regularmente."—
—"Ainda assim, algumas propriedades agricolas notaveis se encontram já no municipio, e uma d'elas merece a honra de ser reputada uma das melhores montadas no Estado: é a fazenda do sr. Henrique da Cunha Bueno."—
—"O municipio está todo na bacia do Paranapanema e mais denominadamente na do Rio Pardo, tributario d'aquelle. É nas proximidades do Paranapanema que se encontram as terras de maior aptidão agricola, e o districto chamado da Ilha Grande é afamado pela fertilidade de suas terras."——"Todas as terras do municpio se distinguem pelas grandes producções de cereaes, chegando a producção de milho a ser extraordinaria, de 400 e mais por 1, muitas vezes."—
—"As terras são ao geral virgens, dispondo, por isso, de uma boa camada de humus, parte do qual vae interessar ás culturas, porque a outra parte é destruida pelas queimas, e é a que se acha á superficie do solo."—
—"Todas as terras estão cobertas: no geral de matta virgem, e, na falta d'esta, de bons mattos que a substituem. Nas mattas encontram-se principalmente, de madeiras de construcções, peróbas, cedro e óleo, em arvores de estatura gigantesca, verdadeiros colossos do reino vegetal. Como padrão de boa terra não falta o páo d'alho, a bitola pela qual os lavradores se regulam para determinar a qualidade de um terreno."—
—"A superficie do municipio é toda accidentada, mas estes accidentes não são bruscos, e consistem em vastos e frescos valles, quasi sempre com um arroio, ladeados de collinas de inclinação dôce, propria a consentir a agricultura executada com qualquer especie de machina, collinas estas que possuem um solo argilloso, mas permeavel por certa quantidade de areia e de materias organicas, que o fazem fôfo e agradavel á vista, na sua côr ferruginosa mais ou menos carregada, as mais das vezes roxa 'expressão commum'."—
—"A diabase porphyrite é a rocha formadora das terras do municpio, a mesma rocha que deu as terras de Ribeirão Preto e de S. Manoel do Paraiso, a qual na Ilha Grande chega a apresentar o aspecto de canga ferrugionosa, cujas pedras apresentam a conformação de uma esponja. É a terra produzida por ellas a mais afamada do municipio e a que os lavradores rio-pardenses mais estimam."—
—"No districto do Oleo as terras são mais arenosas e por vezes desmerecem bastante pela predominancia da areia; mas as do bairro do Lageado, logo adeante do Oleo, são já de melhor qualidade, sem predominancia do elemento arenoso. No Lageado todas as terras são boas: collinas, lombadas e valles - tudo presta para a agricultura, emquanto que no Oleo só geralmente os valles offerecem terra boa, onde se encontram os bons padrões vegetaes."—
—"No bairro de Mombuca as terras nada deixam a desejar pelo que respeita á sua qualidade, mas não succede outro tanto com as terras do norte do municipio, menos ferteis, mas que dão, todavia, boas colheitas de milho e onde se encontram algumas grandes plantações de cafè."— 
—"A analyse de uma amostra de terra tirada da fazenda de Santo Antonio, situada entre a cidade de Santa Cruz e a villa de São Pedro do Turvo (no norte), e feita pelo Instituto Agronomico de Campinas, deu o seguinte resultado:"— 
—"Humidade 1,35%"—
—"Materia organica 1,99%"— 
—"Acido phosphorico 0,01%"—
—"Potassa 0,04%"—
—"Azoto 0,08%"—
—"Cal 0,03%"—
—"Materia preta 0,150%"—
—"Uma outra analyse, de uma amostra de terra tirada da fazenda denominada Estrella, no mesmo bairro, deu o seguinte resultado:—
—"Humidade 3,79%"—
—"Materia organica 4,17%"—
—"Acido phosphorico 0,01%"—
—"Potassa 0,03%"—
—"Azoto 0,09%"—
—"Cal 0,02%"—
—"Materia preta 0,279%"—
—"Como se vê, estas terras não são ricas nem em acido phosphorico, nem em potassa, nem em cal, nem em azoto. Estão longe de ser terras ricas, o que não succede com as terras da Ilha Grande, cuja analyse deu o seguinte resultado:"—
—"Terra do cafezal do Sr. Henrique da Cunha Bueno:"
—"Humidade 7,11%"—
—"Materia organica 7,34%"—
—"Acido phosphorico 0,16%"—
—"Potassa 0,09%"—
—"Azoto 0,19%"—
—"Cal 0,18%"—
—"Materia preta 0,310%".—
—"Terra virgem, de matta virgem da fazenda do sr. Henrique da Cunha Bueno:"—
—"Humidade 9,04%"—
—"Materia organica 8,46%"—
—"Acido phosphorico 0,08%"—
—"Potassa 0,09%"—
—"Azoto 0,19%"—
—"Cal 0,16%"—
—"Materia preta 0,484%"—
—"Conforme estas analyses, o teor de acido phosphoricos, de potassa, de cal e de azoto é muito superior ao das outrs terras atraz referidas."—
—"De riqueza média é a terra da fazenda denominada Monjolinho, cuja analyse deu o seguinte resultado:"—
—"Humidade 11,63%"—
—"Materia orhanica 10,62%"—
—"Acido phosphorico 0,05%"—
—"Potassa 0,03%"—
—"Azoto 0,18%"—
—"Cal 0,08%"—
—Materia preta 0,816%"—
—"A terra a que se refere esta analyse fica situada proxima da cidade de Santa Cruz."—
—"No municipio occupam-se os lavradores da cultura de milho, da criação, engorda de suinos e de pequenas culturas; mas o que attrahe mais a attenção do lavrador rio-pardense é a cultura do café, de que já existem boas e grandes plantações."—
—"Uma ligeira resenha dará idéa da importancia actual da lavorua rio-pardense. É a que se segue:"—
—"Fazenda da Bella Vista, muito proxima do rio Paranapanema, na Ilha Grande. Pertence ao sr. Henrique da Cunha Bueno e tem 900 alqueires de muito boas terras. Tem 300.000 pés de café, bons pastos e matta virgem. O terreiro é de tijolos, em parte pixado de 16 bacias e um plano docemente inclinado. É o terreiro melhor construido que tenho visto, pelas relações, engenhosamente estabelecidas, que umas bacias têm como as outras."—
—"O café é em parte conduzido do cafezal para o terreiro por meio de canos feitos de tijolos curvos, dentro dos quaes se põe agua que transporta o café."—
—"A fazenda tem 600 almas nas quais estão comprehendidas 82 familias de colonos e camaradas."—
—"Tem machinismos completos de beneficar café, incluidos tanques de lavar, despolpador e separador Monitor."—
—"Fazenda Novo-Niagara. Pertence ao sr. Theodoro Ville. Tem 3.800 alqueires de terras, parte arenosas e parte bôa. Tem 220.000 pés de café, muitos e grandes pastos e matta virgem de grande extensão. Tem uma fabrica de benneficar café, e muitas casas de colonos."—
—"Fazendas Estrella e Santo Antonio. Tem 409 alqueires de terras e pertencem aos herdeiros do cl. João Baptista Botelho. O cafezal tem 218.000 pés de café. As culturas de milho tem dado resultados extraordinarios."—
—"Fazenda Santo Antonio. Pertence ao sr. dr. Francisco Sodré. Tem 202 alqueires de terras. O cafezal tem 35.000 pés de café. Tem criação, pastos, roça e matta virgem. A producção relativa de milho tem sido fóra do commum."—
—"Fazenda do Monjolinho. Pertence ao sr. capm. Joaquim Pio da Silva. Tem 600 alqueires de boas terras, com 70.000 pés de café, pastos e matta virgem."—
—"Fazenda Dourado, do sr. Silvestre Fustino de Andrade, com 330 alqueires de boas terras. Tem 55.000 pés de café e bons pastos."—
—"Fazenda Taepava, do sr. Heitor da Cunha Bueno. Tem 235 alqueires de boas terras, com 58.000 pés de café, pastos e matta virgem"—
—"Fazenda Mombuca, pertencente ao sr. Mizael Gonçalves de Oliveira. Tem 500 alqueires de boas terras com 120.000 pés de café, bons pastos, matta virgem, boa morada moradia e solida e elegante construcção, onde estão montadas as machinas de beneficiar café."—
—"Fazenda Redempção, do sr. dr. Cleophano Pitaguary. Tem 200 (1) alqueires de boas terras, com 50.000 pés de café, pastos e matta virgem."—
—"Fazenda Thesouro do Sul. Tem 90 alqueires de boas terras com 30.000 pés de café e pertence ao sr. Augusto Bretas."—
—"Fazenda Thesouro de Brilhantes. Pertence ao dr. Carlos Gonzaga, tem 150 alqueires de boas terras e 60.000 pés de café."—
—"Fazenda Recreio. Pertence ao sr. Olympio Braga. Tem 220 alqueires de terras e 101.000 pés de café."—
—"O sr. Francisco Luiz Pereira tem no districto do Oleo uma fazenda com 180 alqueires de terras e 100.000 pés de café; o sr. Joaquim Jorge de Moura tem, no mesmo districto, 121 alqueires de terras, com 29.000 pés de café; a viuva Barreira tem, ali também, 35.000 pés de café; o sr. José Bernardes de Souza tem 16.000 pés de café; o sr. José Francisco da Silva tem também 16.000 pés de café, e d. Dulcena tem 15.000 pés de café."—
—"O municipio, apesar de desprovido de estrada de ferro, tem ja muito boas fazendas e uma população cafeeira de 2.265.272 pés, o que revela o futuro brilhante que o espera, quando tiver melhorado o preço do café e for servido pela ferro-via, e nem só pela cultura do café se pode vir a distinguir, mas por qualquer dos outros ramos da lavoura."—
—"Como o milho ali produz muitissimo, a engorda de gado suino póde fazer a prosperidade d'aquella zona e, entre nós, um concorrente da América do Norte no fornecimento de productos do gado suino."—
—"São muito proprias as terras de Santa Cruz do Rio Pardo, para a cultura de tuberculos, que ainda hoje importamos em larga escala do extrangeiro. São, em summa, de uma variada aptdão agrícola, e por isso o seu futuro será forçosamente brilhante." - (José Amandio Sobral - Inspector da Secretaria dos Negócios da Agricultura, do Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, 5º Distrito,apud Correio do Sertão, Ano I nº 47, publicado aos 07/02/1903: 1-2, com republicação aos 14/02/1903: 1-2).—
A matéria destacava as qualidades das terras santacruzenses "que não tem inveja às melhores de outros municipios d'este mesmo Estado.", cuja "(...) rocha formadora das terras do municipio, a mesma rocha que deu as terras do Ribeirão Preto e de S. Manoel do Paraiso ..."
Lamentou o 'Correio do Sertão' que o relatório do Inspetor da Secretaria da Agricultura tenha omitido a Fazenda Santa Maria, de propriedade do Sr. Arlindo Vieira Paes, "uma das melhores do municipio, bem montada, e com bôas bemfeitorias, não figura no alludido estudo, quando suas terras são eguaes em tudo às terras do tn. sr. Henrique Bueno e dr. Pitaguary. Esta fazenda tem 358 alqueires de terras boas e 40.000 pés de cafés formados."
Corrige, ainda, que '(1)': "Houve engano por parte do informante. A fazenda do dr. Cleophano Pitaguary tem mil alqueires de terras boas e já então continha 120.000 pés de café".

3. As fazendas e os principais cafeicultores
Em 1903 já eram muitas outras fazendas com plantações de cafés, não menos importantes que aquelas citadas no trabalho funcionário público José Amândio [Amandio] Sobral, Inspetor do 5º Distrito.
—Fazenda Santa Izabel do Ipê: do Tenente-Coronel José Mathias d'Almeida Barboza;—
—Fazenda Três Barras: subdividida entre os proprietários José Camilo dos Santos, Firmino Leme, José Alves de Oliveira e outros;—
—Fazenda Areia Branca: de Francisco Antonio Gonçalves, Pedro Nolasco da Silva e outros;
—Fazenda Perobas: de Antonio F. de Oliveira Piedade, D. Guilhermina Botelho e outros;
—Fazenda Aparecida: do Juiz de Direito Augusto José da Costa;—
—Fazenda Mandassaia: do Padre Bartholomeu Comenale, Tenente Manoel Pereira Tavares e outros;—
—Fazenda Crissiumal: do Tenente Fernando de Paula Lima, Antonio Dionyzio Pereira e outros;—
—Fazenda Poção: de Joaquim Bueno e outros;—
—Fazenda Ribeirão Grande: de José Antonio de Moraes Peixe, Martinho Pires, Pedro Faustino e outros;—
—Fazenda do Barreiro: de João Faustino, a viúva Andrade - Dona Umbelina Maria de Jesus, José Borges Pereira e outros;—
—Fazenda Mandaguahy: do Major João Evangelista da Silva, da viúva Borges – Anna Rosa de Oliveira, e outros;—
—Fazenda Lageado: dos senhores Claudino José Bernardes, seus irmãos e outros;—
—Fazenda Brumado: de Emygdio Dias d’Almeida;—
—Fazenda Cocaes: da Companhia Lidgerwood Manufacturing Companhia Ltda;—
—Fazenda Tres Ilhas: Pedro Manoel de Andrade e outros;—
—Fazenda Douradinho: Joaquim Duarte e outros;—
—Fazenda Dourado: Capitão Francisco Narcizo Gonçalves;—
—Fazenda Figueira: João Domingues Martins, Manoel Eugenio Soares e outros.—
Alguns destaques observados:
—A Fazenda Cocaes foi adquirida em leilão – pela credora Lidgerwood, de José Custódio de Souza, o pioneiro na plantação de café na região de Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1887. Custódio não suportou a crise cafeeira de 1901 e faliu, juntamente com outros aventureiros, colapso que igualmente atingiu o Coronel João Baptista Botelho.—
—A parte maior da Fazenda Mandaguahy - Mandaguary foi adquirida pelo Coronel Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista, em 1903, dos herdeiros e da meeira de Francisco Ignácio Borges, e propriedades menores, distintas e determinadas, divididas judicialmente, cuja divisão homologada por sentença judicial de 19 de dezembro de 1905, transitada em julgado. Em 1916 a Fazenda Mandaguahy, acrescida legalmente de outro quinhão de terras - sentença judicial de 24 de maio de referido ano, possuía 600 mil pés de café (O Contemporaneo, Ano II nº 66), e em 1922 contava com mais de 800 mil cafeeiros.—
—Ainda da Fazenda Mandaguary, consta, partes griladas pelo Coronel Antonio Enagelista da Silva - Tonico Lista.—
Foi no ano de 1922 que o Coronel Tonico Lista vendeu Fazenda Mandaguary [Mandaguay] à Sociedade Anônima Moinho Santista:
"[Por] escritura pública lavrada nas notas do sexto tabellião da Capital Thiago Mazagão, em trinta e um de Janeiro deste anno [1922], livro numero duzentos e vinte um, folhas quarenta verso, devidamente transcripta no Registro hypothecario desta Comarca, no livro numero trinta e sete, paginas cento e vinte e oito, sob numero 11.189, a tres de Fevereiro deste anno..." (DOESP, 15 de setembro de 1922, página 16 e 17, Juízo de Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo, em edital de comunicação de propriedade e abertura de prazo para contestação). A fazenda, consoante mesma publicação, era assim composta de: "... oitocentos e um alqueires, (...), oitocentos e poucos mil cafeeiros, casa e morada, de administração, de colonos, machina de beneficiar café, serraria, moinho, terreiros ladrilhados, e mais bemfeitorias existentes dentro do perimetro ...".—
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