domingo, 20 de dezembro de 2009

44.9. Piraju

1. "Na rota dos antigos caminhos tropeiros"
ALESP: 1856 - Comissão de Catequese e Civilização 
do Índio - Aldeamento de São Sebastião do Piraju.
-Imagem editada em Photoscape-

O povoado de São Sebastião do Tijuco Preto, Piraju, situado "na rota de antigos caminhos tropeiros, e da penetração acelerada de pioneiros na metade do século 19" (Donato, 1985: 103), teve a denominação 'Tijuco Preto' por semelhança fonética com a expressão guarani 'Teyquê-pê', tal nome a significar 'Caminho de Entrada' conforme João Mendes de Almeida em sua obra Dicionário Geográfico da Província de São Paulo, adotado por Constantino Leman (Piraju, Ontem e Hoje).
De maneira outra, cumpre entendimento que Tijuco advém do tupi 'tyug / tiyuko' a significar tijuco, ou seja, lama, charco ou atoleiro, que por ser de cor escura tornou-se Tijuco Preto, sem com isso deixar de ser o caminho de entrada dos tropeiros pós a travessia do rio Paranapanema. 'Tyukopauá' quer dizer lamaçal.
Pelas indicações o lugar tratava-se dum picadão aberto por tropeiros, em direção a Botucatu, para escapar da fiscalização e pagamento de taxas sobre os animais que traziam do sul do país. 
No seu histórico sobre Piraju, o autor Oswaldo de Almeida menciona o erudito Escragnolle Doria:
(...) "em 1847 veio para a região que hoje pertence a Itaporanga um frade capuchinho, Frei Pacífico Montefalco, como guia espiritual que, atravessando o rio Itararé, se fixara nas proximidades do rio Verde. O referido frade fundou um patrimônio, sob o orago de São João Batista, sendo possível, então, que as famílias dos Gracianos e dos Faustinos tenham procedido de Itaporanga para Piraju onde se estabeleceram" (IBGE, Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, Piraju, 1965/RJ, Volume XXIX: 304-306).—
São certas as presenças das famílias Graciano e Faustino, ao lado do Ignacio Nunes Maciel, em região de Piraju, no ano de 1859, quando da presença de Joaquim Antonio de Arruda, com a família, os escravos e agregados.
Joaquim Antonio de Arruda, parente do Barão do Rio Branco, chegou a Piraju vindo de Tietê, em 1859, passando por Rio Novo [Avaré], Três Ranchos [Cerqueira César], São Bartolomeu [São Berto] e a atual Manduri, até avistar-se com as três famílias precursoras para ajustes de divisas, aparentemente recuando Nunes para a região de São Berto e Manduri, onde se tornou próspera família, deixando de fazer parte da história de Piraju.
Domingos Faustino de Souza, João Antonio Graciano (de Cambuí - MG) e Ignácio Nunes Maciel teriam sido entradistas nos tempos da expedição de José Theodoro de Souza, na Guerra aos Índios em 1850/51, apossando com terras na região de Cerqueira César, estendidas desde São Berto (São Bartholomeu) e Manduri às margens do Paranapanema, em Piraju, no intuito que aquelas áreas não viessem ser retomadas pelos índios, nem apossadas por aventureiros que logo chegariam àquelas paragens.
A todos, porém, José Campanhã e Manoel Caetano teriam antecedido, conforme Relatos Capuchinhos (Apud Montagner, 2008), vistos entradores pioneiros pela margem paulista do Rio Paranapanema, região do atual município de Piraju, com o apoio de Joaquim Antonio de Arruda.

2. Da povoação
Com as doações das famílias de Joaquim Antonio de Arruda, João Antonio Graciano e Domingos Faustino de Souza fundou-se o patrimônio a que foi dado o nome de São Sebastião do Tijuco Preto, em fins de 1860, segundo versão em honra ao santo de devoção da família Arruda, cuja imagem esculpida em madeira e, ainda hoje, entronado na Igreja Matriz local, o patriarca trouxera consigo.
Outra vertente diz aquele nome face uma imagem de São Sebastião, datada do século XVII, encontrada em poder dos índios que habitavam trazida por missionários catequizadores (Estância de Piraju, Turismo e História). 
Antigos relatos, no entanto, dão conta que a imagem de São Sebastião pertencia ao aldeamento indígena existente nas proximidades desde 1854, sendo tal objeto retirada do local pelo pioneiro Joaquim Antonio de Arruda, ou a ele cedida pelo administrador José Joaquim Alves Machado, para introdução na Igreja. 
Alguns dos índios aldeados, não concordando com o acontecido retiram a imagem do altar e a retornaram para a aldeia, então invadida de assalto pelos brancos, com extrema violência e à força das armas retomada a imagem.
Alguns relatores abrandam a história, que a imagem fora trocada por ferramentas e objetos de utilidade para a aldeia, e posta no altar da capela de onde foi retirada por alguns índios discordantes, revoltando-se um grupo de brancos que recuperou a imagem, quase à força.

3. Do aldeamento indígena
Oficialmente a existência do Aldeamento Indígena de Tijuco Preto, fundado em 1854, nenhum historiador parece associar o início de tal instituição com alguma povoação branca nas imediações, senão a partir de 1859/1860.
Também os relatórios oficiais da Câmara Municipal de Botucatu, corresponsável com Itapetininga pelo Aldeamento, ou atos de ofícios da Direção, nada prestam quanto algum possível povoado nas adjacências antes de 1859.
A primeira missa, como fundação ou consagração do povoado, foi realizada no dia 20 de janeiro de 1861, sendo oficiante o capelão Frei José Loro, de Itaporanga, numa capela na confluência das três posses dos doadores, onde já construídas as primeiras casas.
Em 1866 foi construída outra capela, em substituição a anterior, bastante tosca com vigas de madeiras encaixadas nos esteios de cantos, para apoiar as paredes, partes de barro e tijolos. Esta capela tornou-se a primeira matriz quando, em 29 de agosto de 1872 deu-se a criação da Paróquia de São Sebastião do Tijuco Preto, que passa pertencer (1877) à Comarca Eclesiástica de Santa Cruz do Rio Pardo, até sua elevação também como Comarca Eclesiástica, quase ao final do século XIX.
Em 1871 foi criado o distrito de 'São Sebastião do Tijuco Preto', pertencendo ao município de São João Batista do Rio Verde (Itaporanga), mas sua sede eclesiástica, a partir de 13 de janeiro de 1873 foi Santa Cruz do Rio Pardo, até a sua emancipação.
São Sebastião do Tijuco Preto tornou-se vila em 25 de abril de 1880 e município no mesmo ano. O governo da Província de São Paulo concedeu-lhe o nome tupi-guarani de Piraju - Peixe Dourado, em 1891, a pedido da Câmara Municipal de São Sebastião do Tijuco Preto. A comarca foi criada em 1892.
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