domingo, 20 de dezembro de 2009

47. Famílias Interligadas - Freiria e Feliciano Terra

1. Nota preliminar para as famílias Freiria/Cardozo e Feliciano Terra/Silva
Salvador Henrique  [da] Freiria e Maria Severina [Silva] Feliciano
Terra, com as sete filhas e um filho adotivo 
Conhecidos os acendentes do autor Celso Prado, pelo lado paterno, acrescenta-se a genealogia materna, onde se destaca a figura principal da mãe Maria de Lourdes [Freiria] Prado, filha de Salvador Henrique da Freiria e de Maria Severina de Jesus.

2. Dos Freiria/Cardozo
 2.1. Salvador Henrique 
Nascido  de Antonio Henriques Cardozo e de Messias Baptista da Silva ou Freiria, nasceu aos 30 de setembro de 1901 e batizado aos 13 de outubro do mesmo ano, em Santo Antonio da Alegria - SP ((Igreja Católica/SGU, Livro de Batismos, 1897/1902 Imagem 91).
—Dona Messias, nascida aos 09 de julho de 1864 e batizada aos 11 de setembro do mesmo ano, em Santo Antonio da Alegria, era filha de Antonio Baptista Freiria e Maria Constancia da Silva (Batismo, Livro 1862-1865, Imagem 44). Antonio Henriques Cardozo nasceu de Joaquim Henrique Cardozo e Maria Mecena de Padua, vistos nos batismos dos netos: João - padrinhos o avô materno Antonio Baptista da Freiria e a avó paterna Maria Mecena de Padua; e Joaquim - padrinhos o avô paterno Joaquim Henrique Cardozo e a avó materna Constancia da Silva (CD: A/A).— 
Inventário de Dona Messias Baptista Freiria da Silva
na época o filho Salvador tinha idade de 5 anos
O casal Antonio Henriques e Messias tiveram nove filhos, seis com sobrenome Henrique [da] Freiria, um Henrique Malta, um Henrique Pio e uma filha por sobrenome Silva, conforme vista em Processo de Inventário do Juízo de Direito da Comarca de Campos Novos do Paranapanema (Estância Climática Campos Novos Paulista), 1907, inventário de Messias Baptista da Silva, sendo inventariante o marido Antonio Henriques Cardozo (CD: A/A).
—João Henrique Malta tem o sobrenome 'da Matta' lançado no registro de seu matrimônio ocorrido aos 06 de fevereiro de 1904 (Santo Antonio da Alegria, Livro 1893-1909 Imagem 61).—
A família Henriques Cardozo chegou ao Brasil no período colonial, vinda de Portugal, região de Aveiros, estabelecendo-se em Minas Gerais, para os lados de Pitangui onde grande número de judeus portugueses, entre as quais algumas famílias por sobrenome Henriques, outras Baptista da Silva, da região de Freiria, entre si unidas, às vezes, como Baptista Henriques (Coisas Judaicas, 2005: 10).  
Os apelidos Cardozo e Silva são de topônimo reinol para identificar qual localidade de origem, bastante usual para cristãos novos.
—Antonio Henriques Cardozo, enviuvado, contraiu novo matrimônio, o que não interessa para aos Freiria vindos por Salvador. 
Todos os informes da família Freiria são comprovados por documentos (CD: A/A), e são muitos os Freirias residentes em Cajuru (Livro de Batismo 1830/1853). 
—Em Cajuru são comuns os sobrenomes Freiria, Estevão, Moreira Silva, Silva, Feliciano Terra e outras que se uniriam no sertão paulista.—

3. Dos Silva/Feliciano Terra em Maria Severina
Maria Severina de Jesus, mulher de Salvador Henrique da Freiria, era filha de Antonio Feliciano Terra e de Lúcia Severina da Silva.

3.1. Família Silva

3.1.1. De Lucia Severina da Silva - histórico ascendente
Inventário de Antonio Moreira da Silva - avô
paterno de Lucia
Lucia era filha de Antonio Moreira da Silva [Junior] e Anna Severina de Jesus, primos em 1º grau, sendo Antonio Moreira da Silva Junior nascido de Antonio Moreira da Silva e Emerenciana Maria de Jezus, conforme grafia, sendo este ultimo Antonio Moreira nascido em Alfenas - MG, em 1830, falecido em Conceição de Monte Alegre, atual Distrito de Paraguaçu Paulista - SP, no ano de 1901, conforme  Processo de Inventário de Antonio Moreira Silva, matrícula nº 33, iniciado em 25 de novembro de 1902 , pelo Juízo de Direito / Escrivão de Órfãos, Provedoria da Comarca de Campos Novos do Paranapanema (CD: A/A).

3.2. Dos Feliciano Terra - genealogia para Antonio Feliciano Terra
Da família Feliciano Terra pretende-se a descendência de 'Josse Van Aard' (ou Aertrijcke) aportuguesado 'Jorge da Terra', flamengo entre os colonizadores da ilha do Faial, Portugal, onde se estabeleceu, no derradeiro quartel do século XV. Casou-se com a portuguesa Margarida da Silveira, revelando a história o filho Jorge Terra da Silveira, o Moço, casado com Maria Porras, dos quais a origem da Família Terra, pelos descendentes portugueses (Almeida Lima, 1922: 607), assunto visto pela médica e historiadora Eduarda Fagundes Nunes em 'Onde Estamos: Raízes do Triângulo Mineiro (2004: 07/06). 
De documentado, referente à família Feliciano Terra, se tem o histórico o trabalho Família Terra, de autoria de Antonio Galvão Sampaio Terra, conforme o resumo genealógico sequencial (Terra, Família Terra):
—1. Por volta de 1745 nasceu o alferes Manoel Francisco Terra, em Prados, Minas Gerais, filho de Domingos Francisco Terra, natural de Barcelos [Portugal], e dona Isabel Pires de Moraes, nascida brasileira em Guarulhos, São Paulo.—
—2. No ano de 1769, Manoel Francisco Terra casa-se com Ana Vitória de Jesus, natural de São João Del Rey, filha do Capitão Domingos Rodrigues Barreiros e dona Jacinta Bernarda da Conceição, na Ermita de São Bento no antigo município de Lavras - MG, onde lhes nasceram nove filhos. O testamento de Manoel data de 1809 e se encontra arquivado no museu de São João Del Rey - MG.—
—3. A família de Manoel Francisco Terra e Ana Vitória de Jesus se estabeleceu no município de Carrancas, no antigo local Sertão Dourado, depois denominado de Fazenda dos Terras. Às exceções de João Nepomuceno Terra e Manoel Francisco Terra, os demais filhos e descendentes se estabeleceram em diversas localidades de Minas Gerais, por exemplo, Carrancas, Luminárias e Formiga.—
—4. Por volta do ano de 1800, os irmãos João Nepomuceno e Manoel Francisco emigraram para os sertões de São Paulo, entrando por Casa Branca e Cajuru, ficando seus parentes pelos municípios de São Simão, Franca, Cravinhos, Mococa, Ribeirão Preto, Igarapava, Itapetininga e São Miguel Arcanjo. Na década de 1890 alguns membros da família estavam contados entre os pioneiros na região de Conceição de Monte Alegre.—
—5. Manoel Francisco Terra, vindo já casado de Minas Gerais com Josefa Maria dos Santos, com a qual entre outros filhos lhes nasceu Antonio Feliciano Terra, que se casou com Ana Severina Nogueira, filha de João Nepomuceno Terra e Hypólita Josefina [ou Jesuina]  Nogueira, portanto sua prima.—
Provável última foto do casal Antonio Feliciano Terra e dona Lucia,
em 1974, no aniversário do bisneto Paulo Henrique Prado
—6. Antonio Feliciano Terra e Ana Severina Nogueira foram os pais de Sérgio Feliciano Terra, nascido em São Simão, constando: "Aos 30 de Julho de mil oito centos e cincoenta e quatro, baptizei a Sergio nascido a 11 do corrente, filho legítimo de Antonio Feliciano Terra e de Anna Zeferina Nogueira. Padrinhos eu baptizante e Leonor Zeferina Nogueira. O Vigário Jeremias J. Nogueira (Eclesial, São Simão, Batismos, 02/1850 - 11/1860).—
—7. Sérgio casou-se com Adelina Inocência de Carvalho, ou Nogueira, filha de Severino de Souza Nogueira e de Cristina Nogueira de Almeida.— 
—8. O casal Sérgio e Adelina foram os pais de Antonio Feliciano Terra, nascido em Conceição de Monte Alegre, no ano de 1888, casado com Lucia Severina de Jesus, filha de Antonio Luiz da Silva e Anna Severina da Silva.—
—9. Antonio Feliciano Terra e Lucia Severina de Jesus - foto acima, foram os pais de Maria Severina de Jesus, casada com Salvador Henrique Freiria, pais de Maria de Lourdes [Freiria] Prado, casada com Onice Prado, pais do coautor Celso Prado.—

3.2.1. Aparte histórico para Sérgio Feliciano Terra - o pai de Antonio Feliciano Terra
Sérgio Feliciano Terra - ex-delegado de polícia
em inquérito policial por sumiço de dinheiro
apreendido como se fosse falso
Sérgio Feliciano Terra, Alferes da Guarda Nacional, 18º Batalhão de Infantaria, da então Comarca de Campos Novos do Paranapanema (DOU, 17/03/1893: 2), foi Subdelegado de Polícia na localidade de Conceição de Monte Alegre e, no exercício da titularidade no início dos anos de 1900, celebrizou-se no episódio da apreensão de dinheiro falso na região, '100 mil réis', que ficou retido na Delegacia do local, aguardando ordens de São Paulo. Inquérito Policial de 02 de março de 1908, Delegacia de Polícia de Conceição de Monte Alegre contra Sérgio Feliciano Terra, denunciado por João Luis de Oliveira, o 'dono' do dinheiro, alegando ser vítima daquela autoridade policial, que o dinheiro não era falso e sim produto de vendas a pessoa idônea, sua testemunha juntamente com outros cidadãos (CD: A/A). 
Na Subdelegacia, constatou-se, não existia dinheiro algum apreendido, e Sérgio Feliciano Terra há quatro anos não era mais o Subdelegado, e, entre documentos oficiais, havia um ofício de encaminhamento daquela apreensão para a Capital, todavia quem levara o expediente a as cédulas aprendidas já havia falecido. 
Em 05 de outubro de 1908 o processo foi encaminhado para Juízo de Direito, processo inconcluso porque Sérgio foi tocaiado e assassinado não se sabe por quem.

3.2.2. Lembrança histórica familiar - da descendência de João Nepomuceno Terra
Em Casa Branca, João Nepomuceno casou-se com Hypólita Josefina Nogueira, filha de João de Sousa Nogueira e Maria Theodora Monteiro de Barros, irmã do célebre Tenente Urias Nogueira de Barros.
A linhagem [Monteiro] Nogueira de Barros descende da família madeirense Tomé Rodrigues Nogueira do O', descendente do "fidalgo espanhol D. Fernando Rodrigues Nogueira, do reino de Aragão, que devido às guerras, mudou-se para Portugal; ali aclimando a família, na invasão dos mouros. Filhos e netos de D. Fernando espalharam-se pelas Canárias e Ilha da Madeira, de onde seguiram para São Vicente e São Paulo" (Nicolau Antônio Nogueira Vale da Gama, 1872), partindo em 1710 para Minas Gerais cujo berço Baependi, local fundado pelos seus descendentes.
Frei Galvão - imagem de domínio público colhida
da internet
Da família Nogueira de Barros destacou-se o Tenente Urias, conforme considerações históricas, a partir de Casa Branca, SP, onde recebeu, em nome de seu pai, a famosa 'Sesmaria Zabelônia' banhada pela bacia do Pardo, abrangendo terras em Casa Branca, Cajuru e Mococa.
Com a abolição da concessão de terras através das Cartas de Sesmarias, Urias vendeu Zabelônia ao fidalgo espanhol Don Luiz Thomaz de Molina, que ficou conhecido na história brasileira pela fábrica de moedas de cobre instalada na sede de Zabelônia, além da fábrica de laticínios às margens do Ribeira da Manteiga, e uma moenda.
Desfeito da Zabelônia, Urias tomou posse das sesmarias herdadas, a Rio Verde em Faxina, hoje Itapeva, e Antas [Ilha Grande, atual Ipaussu], outorgadas em 30 de abril de 1725 e 9 de dezembro de 1725, respectivamente, a Luiz Pedroso de Barros, com propósito de povoamento e atividades agro-pastoril. As terras foram repassadas a Urias pelo avô materno, José Monteiro de Barros.
No Brasil, a família Monteiro de Barros descende de bandeirantes paulistas e tem, como seu mais ilustre parente o Frei Antonio de Santana Galvão, canonizado santo pela Igreja Apostólica Romana em 2007. Frei Galvão era filho de Antonio Galvão de França e Isabel Leite de Barros.