domingo, 20 de dezembro de 2009

04. A América na Idade Média

O mundo conhecido e a América representada em alguns antigos mapas
A história entende por mundo conhecido, até a Idade Média (395-1453), a Europa, partes da Ásia - ou Ásia Ocidental e norte da África (Penteado e Arruda, 1959: 145), embora não ignorados, pelos árabes e persas, o extremo oriente e as ilhas pelos caminhos, além das costas índicas da África, nesta, algumas incursões islâmicas. 

Oficialmente não se sabia da América, da Antártida e nem da Austrália; atualmente não se tem tanta certeza daquelas limitações, mesmo para a época, considerando presença da América em alguns raros mapas, às vezes imprecisos, como os de Andréa Bianchi [Bianco] datados de 1436 e 1448, que mostram o Atlântico Ocidental povoado de ilhas, entre as elas as misteriosas Antilias, com o Oriente para além (Tapajós, 1963: 13); todavia, referidos mapas não informam quem foram os navegantes àquelas terras desconhecidas, ou quando ocorreram aquelas viagens em cujos relatos firmadas semelhantes representações geográficas:
—"(...) cópia de uma carta portulano da Europa ou da Península Ibérica e do norte da África. Este mapa também inclui algumas ilhas atlânticas, como a fictícia ilha de Antillia. "A lenda de Antilia" (ou Antilia), também conhecida como Ilha das Sete Cidades, originou-se em uma antiga lenda ibérica sobre sete bispos do século VIII que fugiram dos conquistadores muçulmanos fugindo para oeste na ilha. Andrea Bianco incluiu a ilha em seu mapa de 1436, mas foi omitida em seu mapa posterior de 1448. A existência da ilha em mapas tem sido usada para teorias de contato transoceânico pré-colombiano e alguns dizem que pode representar a massa terrestre americana." (Bianco, 1432-1436: 10 - descrição).
O mapa-múndi de Martim Waldseemüller com outros dois pequenos hemisférios auxiliares, impresso em 1507 no Mosteiro de Saint-Dié - Lorena [França], compreendem doze tábuas originais. Duas apresentam a existência do Oceano Pacífico [uma década antes de sua oficialização] e os contornos das costas orientais da América do Norte, enquanto a América do Sul é representada, segundo Jean-Claude Valla: "com uma exatidão que, por não ser perfeita, não é menos surpreendente" (Valla, 1978: 103), que esclarece o mapa Waldseemüller:
—"Ora, em 1507, data de impressão deste mapa, que deve ter exigido anos de elaboração, desenhos e gravuras, Balboa não havia ainda atingido o Mar Del Sur, Magalhães não tinha ainda reconhecido a costa atlântica da América do Sul, e Pizarro batia-se ainda contra os canibais das Caraíbas".—
O mapa Waldseemüller é o primeiro, dentre os conhecidos, a trazer o nome América para o novo continente e tem por base o Atlas de Ptolomeu (século II) e as narrativas de Américo Vespúcio, todavia insuficientes para as tantas precisões contidas, inclusive os Andes, Cabo Horn ao extremo sul e a intrigante falsa ligação oceânica do Atlântico ao Pacífico, pela América Central, passagem que deixa de ser representada num dos pequenos mapas que traz a figura de Américo Vespúcio.
Pestana, em seu estudo 'A Maior Descoberta Cartográfica do Século 21' (2002: 3) refere-se às conclusões do historiador amador e ex-analista da Agência Americana de Inteligência (CIA), Peter Dickson: "um outro pequeno mapa feito no mesmo ano pela mesma equipe que elaborou o mapa de Waldseemüller, em 1507, mostra claramente o Cabo Horn no extremo sul do continente americano" sabendo-se da ligação oceânica. 
Ainda Dickson, referido mapa, tem precisão em torno de 90% nas latitudes e longitudes, surpreendente para a época, além de mostrar os Andes que não são visíveis da costa atlântica. 
Valla e outros especialistas, entendem que o mapa Waldseemüller exigiu anos para ser elaborado com todas suas descrições, desenhos e gravuras obtidas das indicações, em épocas distintas, por outros navegadores provavelmente desconhecidos entre si, cujos relatos de alguma forma chegaram ao conhecimento do organizador Martim.
Outro mapa, que se encontra na Biblioteca de Bonn [Alemanha] atribuído a certo Gloreanus, provavelmente de 1510, "nos dá a confirmação exata de toda a costa atlântica da América, do Canadá à Terra do Fogo, e nos propõe, pelo litoral pacífico, um traçado muito menos justo, embora interessante." (Valla, 1978: 105). 
O mais famoso dentre os mapas da antiguidade é o fragmento de um dos mapas formado pelo almirante, geógrafo e cartografo turco, Piris Regis, em 1513.
Fragmento do Mapa de Piris Regis
-fac-símile colorido do original em 
pergaminho - Mapoteca do Itamaraty - 
RJ/Brasil
Tal mapa trata-se de dados compilados em diferentes épocas, sem a precisão pretendida e não é o único documento similar, da época, realizado no sistema de projeção esférica. "Segundo estudiosos, ele foi baseado em 8 mapas de Claudio Ptolomeu (c. 83 – 161 d.C), um mapa árabe da Índia e sudeste asiático e 4 mapas portugueses, e de um suposto mapa capturado por seu tio, usado por Colombo" (Tschiedl, 2009: 1), e em quase nada difere da representação de Nicolo Caverini realizada entre 1502/1505, com figuras míticas de animais que se pensavam existente neste outro lado do Atlântico. 
Não existe a Antártida no denominado Mapa de Piris Regis, conforme os teóricos da conspiração, e sim a presumida 'Terrae Incognitae', por influência de Ptolomeu, que sustentava porção de terra no hemisfério sul para contrabalançar o peso do hemisfério norte e, assim, manter o equilíbrio terrestre em seu eixo. Bem observado, a pretensa Antártida, como colocada, é prolongamento da costa sul-americana, desde a altura da costa uruguaia, com imprecisão próxima de 10º graus.
Do final do século XV a meados do XVI, os mapas mostram a América ao sul mais definido que ao norte, conforme exemplo em Leonardo da Vinci por seu globo [mapa] de 1515, embora não ultrapasse a região de Cananéia (Maack, 2002: 55), ou seja, territórios apenas dentro da jurisdição portuguesa.
Antecedendo a todos os mapas mencionados, Diodoro (século I a.C.) dizia sobre terras visitadas pelos fenícios, situadas do outro lado do Atlântico, a sudoeste, que muitos entendem como as costas do nordeste brasileiro (Schwennhagen, 1928: Livro 5º capítulos 19 e 20, com apresentação de Moacir C. Lopes).
A história confirma os fenícios, em seu segundo período de hegemonia histórica (1290–223 a.C.), circunavegadores do continente africano com certa frequência em direção à Europa (Vicentino e Marrone, 1990/1991: 6-B, Livro 3, História Geral I), sendo possíveis abordagens em costas americanas ou mesmo interiorizações.
Tais considerações, entretanto, são prematuras apesar das evidências dos estudos e tratados desde Henrique Onffroy de Thoron (Thoron - 1876). Também o filósofo e historiador Plutarco [c. 45/50-120] anotou referências de ilhas, a oeste da Bretanha [França], e de um grande continente, de clima ameno, mais além (Tapajós, 1963: 13).
Mas, o conhecimento da América ganhou conotações históricas, apenas quase um século antes do findar a Idade Média, quando Portugal se lançou às navegações de pesca por cabotagem, já em 1358 em costas britânicas (Gomes, 1972: 15) e depois em Terra Nova e Canadá, apregoando-se tenha sido numa viagem de exploração, sob comando de Diogo de Teive, que deu nome ao local de Grande Banco da Terra Nova, em 1451/52 (P. Martins, 1998: L. III-9). 
Gomes refere-se ao historiador Jaime Cortesão para informar Diogo de Teive, navegador madeirense, como o primeiro europeu com evidência histórica, a conhecer terra americana, embora entrado para a história portuguesa como o primeiro construtor de engenho de açúcar. 
Portugal, o pequeno encravo territorial [europeu] doado por Afonso VI, de Leão e I de Castela, ao [conde] Henrique pelas ações contra os mouros, território a seguir acrescido com o restante da Lusitânia ao reino do Algarve para formar Portugal, cercado pela Espanha com saída única para o Atlântico, fator mais que suficiente para o seu atiramento ao mar, daí o desenvolvimento pesqueiro e o conhecer da rota Guilda dos Pescadores, ou Caminho dos Celtas, para costas americanas. 
Para Reinhard a primeira presença histórica [europeia] na América foi do navegante português João Vaz Corte Real, no ano de 1472, em costa norte-americana por ele denominada Terra dos Bacalaos [Bacalhaus], que aparecem no mapa-múndi de Mercartor [primeira metade século XVI] como Terra Nova, ressaltada como Terra de João Vaz. No Atlas de Fernão Vaz Dourado, da segunda metade do século XVI, ao local são dadas denominações de Baía João Vaz e Terra de João Vaz, além de outros nomes [portugueses] como Ilha dos Bacalhaus em mapa de Pedro Reine, 1505; Ilha Bacalauras por Ruysch em 1508; ou Rio de João Vaz, em Atlas de Jomard publicado em Paris no ano de 1878 (Maack, 2002: 47). 
João Vaz Corte Real, com tal Álvaro Martins Homem, recebera mandato do rei português, Afonso V, para aquele empreendimento numa viagem extra-oficialmente reconhecida por Gaspar Frutuoso (1522-1591), Frutuoso em sua obra 'Saudades da Terra', em seis livros, ainda é hoje única fonte que cita a epopeia de João Vaz Corte Real.
Frutuoso inclui uma detalhada descrição topográfica e histórica dos arquipélagos dos Açores, Madeira e Canárias, para além de múltiplas referências a Cabo Verde e a outras regiões atlânticas, referenciadas primeiro por João Vaz Dourado e, por fim, ratificadas na obra de Antônio Cordeiro editada no século XVIII (P. Martins, op.cit, autorias referenciadas). 
Para o estudioso Sofus Larsen, por base numa carta, de 03 de março de 1551, do mercador e burgomestre Carsten Grip [de Kial] ao rei Cristiano III da Dinamarca, João Vaz Corte Real fora enviado em 1472, por D. Afonso V de Portugal, a tomar parte numa expedição luso-dinamarquesa (P. Martins, op.cit)) à Islândia nos barcos 'Pyninl' e 'Poidhorsth', chegando às costas norte-americanas à frente de algumas embarcações, para reconhecimentos. 
Larsen. também, evoca mapas do português Vaz Dourado para comprovar presença portuguesa em lado americano, vista os nomes dados a duas baías ao longo das costas norte e leste de Terra Nova, com os nomes de João Vaz e Manuel Pinheiro, um desconhecido citado por Martins que diz tratar-se de uma expedição guarda costeira "contra os piratas da Groenlândia, que atacam, em grande número com os seus muitos barcos sem quilhas", conforme missiva de Carsten que alertava o rei Cristiano - em 1551, sobre venda de mapas e descritivos daquela viagem de 1473 (P. Martins, op.cit). 
Apesar das dificuldades de se apresentar algum levantamento inquestionável de viagens portuguesas pré-colombianas ao continente americano, século XV, até porque os documentos eram secretos e quase nunca apareciam, hoje não mais se duvidam de suas expedições exploratóriasa a exemplo da histórica viagem de Fernão Dulmo - o alemão Ferdinand von Ulm, que, antes de 1486, navegando quarenta dias a oeste dos Açores chegou em costa americana, por ele denominada Terra Firme com a observação de não se tratar da China [Catai], Japão [Cipangu] nem Índia (Maack, op.cit, das cartas e mapas de viagens exploratórias portuguesas em costas americanas anteriores a Colombo). 
A importante descoberta de Dulmo mostra Portugal empenhado em descobrir as Índias também pelo ocidente, em expedições secretas, enquanto prosseguia o mesmo objetivo buscando contornar a África. 
A conclusão de 'Terra Firme não se tratar do Oriente', não diminuiu o interesse português saber daquelas terras e as vantagens econômicas para o reino, conforme contrato entre o Rei D. João I com o próprio navegador Dulmo e Afonso Estreito, para viagem exploratória de seis meses [quarenta dias de ida, quarenta para a volta e cem dias para a exploração territorial], em 1486, levando a bordo o experiente cosmógrafo alemão Martin Behaim [aportuguesado Martim da Boêmia], que participara antes das navegações de Diego Cão - 1484 e 1485 em costas africanas até a foz do rio Zaire - Congo (Maack, 2002: 47).
O mapa [globo] de Martin Behaim da viagem de 1486 em nada lembra terras da América, primeiro porque ele, Behaim, não tinha conhecimentos da forma e tamanho do continente posto que mapas anteriores, Bianco - 1448, Toscanelli - 1474, Pareto e Beningcasa século XIV, mostravam apenas as partes costeiras de terras atingidas, percorridas ou imaginadas por antecessores, por isso representada por ilhas e, adiante delas, uma Ásia bastante desfigurada pela compreensão equivocada dos europeus, que apenas a conheciam pelos relatos persas, árabes e indianos, a maioria deles fantasiosos. 
Behaim descreve ao conterrâneo Hyronimus Müenzer "a costa oriental de uma grande terra", reafirmando intenções de se chegar ao oriente pelo ocidente e a certeza de avistamento de terras a oeste de Açores, representadas pelo grupo de ilhas a 25º e 45º de latitude norte, e a oeste das Ilhas de Cabo Verde que compreende parte da costa sul-americana, entre a foz do Amazonas e Trinidad, conforme conclusões de Reinhard que pessoalmente estudou os trabalhos daquele cosmógrafo alemão (Maack, 2002: 49). 
Registros outros dão conta que o português João Fernandes Lavrador [Labrador] atingiu, entre 30 de janeiro e 14 de abril de 1492, o continente americano na parte onde ainda hoje conhecida como Labrador ou Terra de Corte Real em mapas brasileiros e portugueses (Maack 2002: 51). 
Maria Inês Nogueira (Os Índios Guaranis e as Ilhas do Paraná, Centro de Trabalho Indigenista, 1990: 13) reforça opinião que Portugal exercia navegações exploratórias, em segredo, do outro lado do Atlântico, todavia "as conseqüências da viagem de Colombo (1492) põem fim ao sigilo mantido pelos portugueses, obrigado reconhecer concorrência espanhola", levando então o português João Coelho, à costa oriental da América do Sul, em expedição de reconhecimento antes de 1494, a considerar os termos da carta de Estevão Froés ou Fróes enviada ao  então rei português, em julho de 1514: "(os castelhanos) nem nos quiseram receber, a prova de que alegávamos com Vossa Alteza possuía estas terras há vinte anos e mais e que já João Coelho (...) viera por onde nós outros vínhamos descobrir e que Vossa Alteza estava de posses destas terras por muitos tempos" (Maack, 2002: 52). 
A história registra Estevão Froés em missão de reconhecimento de costas ao nordeste sul-americano, em emergência aportou-se numa das Antilhas onde feito prisioneiro por intromissão em área de interesse espanhol. 
João Barcellos narra a odisseia do cosmógrafo e marujo Duarte Pacheco Pereira, ao mencionar presença portuguesa em costa brasileira no ano de 1490, quando construíram um forte sob nome 'Fernãobuc - Fernão Buc - Pernambuco', local litorâneo onde o atual estado de Pernambuco, com Portugal aparentemente sabedor do acesso Atlântico / Pacífico Sul para se chegar à Ásia, como rota alternativa e mais cara, vez que a África melhor explorada lhe fornecia o ouro e escravos, além da rota comercial com a Índia, em se contornando o continente, direito que lhe estava garantido, em relação à concorrente Espanha, desde 1479 pelo Tratado de Alcaçóvas. 
Para alguns historiadores, Portugal repassou para Fernão de Magalhães o detalhe geográfico, ao extremo sul da América, que permitia passagem segura do Atlântico para o Pacífico (Valla, 1978: 103-105), consequentemente a rota a seguir em direção a Ásia, o que comprova noções portuguesas bem mais adiantadas que a Espanha ou qualquer outro concorrente, acerca da esfericidade da terra, das nações do oriente e de terras americanas, conhecimentos comprovados ao exigir e impor termos limites para o Tratado de Tordesilhas, tão logo Cristóvão Colombo anunciou resultados de sua expedição, reivindicando uma porção americana ao sul e das partes que lhe tocariam em território asiático. 
Entende-se que os portugueses conheceram as costas pacíficas da América do Sul já antes de Fernão Magalhães, realizador da circunavegação de 1519, de Fernando Balboa, descobridor do Pacífico em 1513, ou de qualquer outro navegador europeu, bem como a passagem do Atlântico para o Pacífico, por antigos mapas, como Waldseemüller, exemplo citado, quanto ao ângulo geográfico "onde está hoje fronteira entre o Chile e o Peru, está no mapa de 1507, localizado entre os 18 e 19 graus de latitude sul, virtualmente o mesmo local dos mapas de hoje em dia" (Pestana, obra citada, por base em artigo do historiador amador Peter Dickson), que não pode ser atribuído a coincidências ou mero acaso. 
Da capacidade portuguesa para grandes navegações, descobertas e conquistas comprovam-nas o célebre mapa-múndi invertido, de Desliens - de Dieppe, 1567, onde a Austrália – Java Grande, já sugerida por Ptolomeu no século II, que aparece como possessão portuguesa descoberta em 1522, por Cristóvão de Mendonça, mantida em segredo para não revelar o comércio português com Timor, Java e Nova Guiné, além do que Tordesilhas indicava aquele espaço, onde a Austrália, porção legalmente espanhola, embora a própria Espanha ainda não soubesse. De uma forma ou outra, coube ao holandês Willem Janszoom como primeiro europeu a desembarcar na Austrália, em 1606.
Fonte: https://www.wdl.org/pt/item/15490/
Este mapa portulano, desenhado por Nicolas Desliens em 1566, sintetiza o conhecimento hidrográfico normando em meados do século.
O mapa é orientado com o sul na parte superior e norte na parte inferior, oferecendo uma visão de cabeça para baixo ao espectador moderno. O títutlo La Nouvelle France occidentalle - A Nova França Ocidental - está escrito em letras grandes sobre a América do Norte que aparece em forma de arco. O mapa mostra todos os territórios do mundo, exceto parte da costa ocidental da América do Norte, que vai além da borda do mapa. 
A maior parte do Oceano Pacífico também não é mostrada. O mapa reflete as afiliações políticas das terras recém-descobertas. Os territórios reivindicados pela França são indicados por bandeiras com 'fleurs-de-lis', no Canadá - no Labrador, na Flórida - no rio May, e no Brasil - no rio da Prata. —
—Desliens é conhecido apenas por seu trabalho e pelas inscrições em seus mapas indicando que trabalhou em Dieppe e Arques; não existem informações biográficas sobre ele.— 
O navegante português Duarte Pacheco Pereira foi o primeiro dar a conhecer, oficialmente, terras brasileiras dezoito meses antes de Cabral, entre novembro e dezembro de 1498, conforme partes de seu relatório da grande aventura:
—"(...) hanno de nosso senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa alteza mandou descobrir ha parte oucidental, passando além ha grandeza do mar oceano, onde he hachada e navegada hua tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas ajacentes a ella (...) he grandemente pouorada".— 
Rui P Martins entende, pelo citado relato que, em 1498, Pacheco Pereira teria conhecido a zona das Caraíbas e nela desembarcado pelo menos uma vez, enquanto a certeza de se tratar dum continente [grande terra firme] significa que o navegante percorreu um largo segmento de costa.