domingo, 20 de dezembro de 2009

45. Pequeno histórico dos principais nomes e feitos

http://leianoticias.com.br/regiao/historia-de-botucatu-memorialista-aponta-que-mineiro-veio-para-expulsar-indios/
1. Nomes e feitos - esclarecimentos
A formação sertaneja do centro oeste paulista remete maior parte daquela população, às origens familiares composta de brasileiros brancos ibéricos, negros miscigenados de grupos afros distintos e dos índios mesclados de diversas etnias, e dos produtos de cruzas, intencionais ou não, por exemplo, os jesuítas no século XVII e XVIII ensejavam uma raça essencialmente brasileira, onde presentes a inteligência do branco, a força do negro e a indolência do indígena, conforme se pensava na época.
Somente ao final do século XIX e depois todo o século XX a população ganharia caracteres de outros grupos europeus, asiáticos e médio orientais.—
Os autores SatoPrado apontam para outra direção, considerando que o paulista subiu a Minas Gerais para somente depois descer e povoar os últimos sertões de São Paulo, então muitas das famílias mineiras de primeira ordem eram formadas por mamalucos que lá se uniram aos reinóis, com clareamento da pele e perdas de traços fisionômicos para a formação do caboclo. 
Dos cruzamentos branco e negro formaram-se o mulato; do branco e índio o mamaluco erroneamente, na opinião dos autores classificados como caboclos; e do negro e índio o cafuzo do negro, com as derivações entre si através de descendentes, onde muitas vezes a mulher, índia, negra ou mestiça, desempenhava papel involuntário na formação cabocla e os filhos podiam ser paulistas - brasileiros naturais, reconhecidos, assumidos ou simplesmente ser nada além de mais uma peça no plantel da escravatura.
Nestes considerandos, portanto, os sertanejos eram mestiços, caboclos, distinguidos por maior ou menor presença de sangue branco, e continuaram miscigenações, em menor grau, tendo sempre o branco por dominador, misturando-se no final do século XIX e todo o seguinte, com descendentes imigrantes.
A história civilizada do centro sudoeste paulista, firmada no escravagismo, no etnocídio e na violência dos poderosos contra os fracos e oprimidos, teve seus destaques e principais acontecimentos, ao longo de um tempo de cento e sessenta e dois anos, firmados quase que exclusivamente no elemento branco. 
Mas, o branco dito pioneiro, descendentes de mamalucos e reinóis, tornaram-se impiedosos com os negros e índios mantendo ou tornando-os cativos e peças de plantéis.
Os destaques mêmores e nominais sertanistas são quase exclusividades do branco feito dominador e do imigrante, a seu tempo, e não para o índio ou o negro. Comemoram-se as fundações das cidades, das extensões municipais e das conquistas, mas nenhuma lembrança é dada ao índio que perdeu suas terras, sua identidade cultural e a vida, tendo apenas algumas de suas palavras como nomes de cidades. 
O negro, sobrevivente e adaptado nem conseguiu, ainda, a correção das consequências de sua marginalização social, apesar de reconhecida sua contribuição laboral. Também o negro não conquistou direitos irrestritos de sua apresentação cultural e nem suas formas de religiosidades, vistas associadas ao demonismo sob o ponto de vista cristão. Índios e negros serviram apenas para o escravagismo, o trabalho forçado gratuito, e lucrativas transações.
A história sertaneja foi escrita e contada pelos vencedores, à sua maneira. Então mente-se. No sertão não ocorreu escravização severa nem matanças abomináveis, e a inclemência dos poderosos são histórias de outras paragens; as brigas e disputas políticas ocorriam em defesa dos  direitos, enquanto o coronelismo foi o fruto ou o mal necessário de uma época.
Não há qualquer descendente de bugreiro ou de mandatário assassino que assuma historicamente a sordidez dos atos coletivos de seus antepassados, sem uma justificativa já pronta, que a época exigia tais comportamentos em nome da civilização, da ordem e do progresso; ou se algum crime hediondo individualizado, a causa justifica-se, vezeiramente, nalguma alteração de química cerebral, ou loucura mesmo, nunca, porém, em sã consciência ou por alguma maldade. 
O antepassado, lá dos tempos do pioneirismo é sempre o fundador, o progressista, o benemérito, o importante, mas nunca o matador cruel, o tomador de terras, o destruidor de lares e de tantas outras tristes lembranças.
Portanto, naquilo que se tem nos anais da história civilizacional do centro sudoeste paulista, não dá para classificar os bons nem repudiar os maus, pois se igualam nos atos vis, todavia, de certa maneira, para tudo o de bom ou o mal, foram eles os responsáveis pelos acontecimentos no centro sudoeste paulista, de cujo progresso hoje todos residentes ou interessados beneficiam-se, inclusive os críticos mordazes e os acusadores de plantão.
Óbvio que o sertão prosperou pela força do trabalho de sua gente, de seus líderes, e nisto referenciam-se expressões locais e mesmo regionais, porém mencioná-los como importantes, apenas eles, seriam cometimentos de injustiças com aqueles não tão conheci-dos, ou mesmo desconhecidos, porém de iguais ou maiores valores. 
Nestes considerandos, de livre apontamento dos autores, sem qualquer pretensão de unanimidade, alguns dos nomes sertanejos e acontecimentos são vistos adiante, tanto os que são referenciados bons quanto aqueles essencialmente maus.
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Movimentações