domingo, 20 de dezembro de 2009

33. Rompendo as barreiras do sertão

1. O crescimento sertanejo
Mateiros / bugreiros avançando o sertão pata os lados de
São José do Rio Novos - Campos Novos
Acervo: Luiz Carlos de Barros
Com a reconquista de São José do Rio Novo, José Theodoro de Souza avançou e instalou bugreiros às margens do Pari-Veado, no lugar denominado Saltinho, atual Platina, evidenciando o crescimento do sertão em causa da Guerra com o Paraguai, com as cheganças de numerosas famílias fugidas do arrolamento compulsório de soldados para as frentes de batalhas. Já as famílias instalavam-se na Fazenda Taquaral, terras que seriam , em grande parte, demandada com posseiros e grilada pelos fazendeiros Coronel Francisco Sanches de Figueiredo e o Capitão Francisco de Assis Nogueira, após a morte de Theodoro.
Em 1866 as primeiras famílias instalaram-se no fundado bairro rural do Cerimônia, no ribeirão do mesmo nome. 
Durante alguns anos o Cerimônia serviu como povoado de transição para as famílias adquirentes de aguadas até o Rio Capivara, e lá "existiam cerca de 50 ranchos construídos pelas pessoas que demandavam o sertão a fim de estabelecer suas moradias efetivas" (Giovannetti, 1943: 4). 
Não eram apenas famílias de trabalhadores rurais que residiam no Cerimônia; também os bugreiros acampavam por lá, fazendo do lugar fortaleza e sentinela avançada no sertão, para combater índios e garantir as ocupações de terras. 
Velhas tradições diziam que todos os 'chefes de família' lá acampados eram bugreiros, e alguns mêmores garantindo que as famílias chegaram depois, quando os 'amanhadores do sertão' já encontravam-se mais adiante, à margem do Rio Capivara, onde o bugreiro e genro de Theodoro, Francisco de Paula Moraes, levantara a fortaleza Nossa Senhora do Campo Alegre do Capivara, nome registrado num antigo mapa (Porfirio Alvarez da Cruz, org. - Mappa da Zona, dedicado ao Dr. Domingos José Nogueira Jaguaribe Filho, cópia por gentileza de Marciano Aparecido Nantes, CD: A/A).
No ano de 1870, entre Saltinho e Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Capivara, floresciam as fazendas adquiridas e as propriedades menores distribuídas por Theodoro às famílias dos bugreiros.
Com a imensa procura de terras logo formou-se o Bairro [do] Dourado, no hoje município de Assis, destacados o Manoel Alves dos Reis, integrante do bando pioneiro de Theodoro com o qual divisante no Turvo/Alambari; o irmão João Martins dos Reis, e o cunhado João Hipólito Alves de Barros (Giovannetti, 1943: 52, notas), um dos mais impiedosos bugreiros, desde a 'guerra aos índios' no bandeirismo de 1850/1851.
Outros residentes transitórios em Dourados foram os pioneiros Vicente Ferreira e filhos, Antonio Joaquim José Melchior de Camargo, José Jorge Pontes, Joaquim José Soares e Ananias de Pontes, todos feitos proprietários de terras divisas adiante da Fazenda Taquaral (Leoni, 1979: 6). 
Também contados moradores temporários em Dourados, os bugreiros Joaquim Bernardino de Souza, José Flauzino Pereira, João Miranda e Antonio Caçador, apossadores pioneiros das terras na Água da Cabiúna, feito bairro rural na atual região de Assis, em 1870, num latifúndio disputado judicialmente com o 'grileiro' Capitão Francisco de Assis Nogueira. 
Mais um reconhecido enfrentador de índios no sertão, José Theodoro de Souza, homônimo do pioneiro, saiu de Santa Cruz do Rio Pardo para instalar-se na região do atual município de Tarumã. 
Pequenos povoados - sedes de grandes fazendas surgiram de imediato às ocupações na região de Dourado: Taquaral; Cabiúna; Cervo; Fortuna e/ou Serraria; Pitangueiras - depois Nossa Senhora do Patrocínio - hoje Maracaí; Pouso Alegre - Cardoso de Almeida; Roseta - atual distrito de Paraguaçu Paulista; e a sede da Fazenda Sapé, de Salvador Ortiz de Oliveira, propriedade regional pioneira adquirida em 1867 (DOSP, 17/11/1914: 4.469-4.470). 
No ano de 1873, José Theodoro de Souza doou ao patrimônio de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, para o povoado de igual nome, cuja escritura assinada, a rogo do pioneiro, por Jeronymo Marques do Valle, lavrada no Tabelião de Notas de São Domingos aos 20 de agosto daquele ano (1873), tardiamente registrada em Campos Novos em 1902.  
O lugar pretendido por Theodoro, no entanto, não era aonde elevada a fortaleza e sentinela sertaneja Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Capivara, e sim numa parte da propriedade de Salvador Ortiz de Oliveira, na Água do Sapé - a sede e adjacências para se perfazer o todo doado.
Com autorização negociada, em 1877 o bairro Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Capivara transferiu-se para a Água do Sapé aonde efetivamente Theodoro escolhera para a formação do patrimônio (Almanak Administrativo (...) 1918: 400), cuja denominação final Conceição de Monte Alegre deu-se após alguns nomes intermediários.
—O autor do texto publicado no Almanak Administrativo perde-se nas localizações, porém o informe é correto, sabendo-se que por algum tempo prevaleceria, até em documentos oficiais, a  denominação Nossa Senhora da Conceição Aparecida do Capivara [patrimônio firmado]; depois Nossa Senhora da Conceição Aparecida, em 1882 - como Distrito Policial (Correio Paulistano, 03/06/1882: 2); algumas vezes ainda na antiga denominação 'Nossa Senhora da Conceição Apparecida do Capivara' (Correio Paulistano, 30/01/1884: 2); depois em 1887 Conceição do Campo Alegre (DAESP, 22/07/1887, Caixa 67. Pasta 1, Documento 7), e nomes posteriores até chegar a Conceição de Monte Alegre em 1891 (Decreto Estadual nº 142, de 24 de março de 1891).—
Em 1878 num bairro rural, que as tradições ditam Santo Antonio, José Theodoro de Souza Junior, o Theodorinho, filho do pioneiro mor, morreu esquartejado por índios, juntamente com familiares presentes, agregados e escravos. O lugar tornou-se Água das Mortes.
Outro bairro a destacar é o ainda hoje denominado Roseta, agora distrito em atual município de Paraguaçu Paulista, que em 1897 elevada à condição de Capela, ou seja povoação legalmente reconhecida.
—"Capella de S. Sebastião da Roseta - Districto da parochia de Campos Novos do Paranapanema - Por meio de uma escriptura publica, lavrada nas notas do cartorio do Juizo de Paz da Freguesia da Conceição de Monte Alegre, pelo escrivão Fernando Avelino Rocha, aos 15 de janeiro de 1897, fizeram doação à mencionada capella, para seu patrimonio: Mathilde Maria de Jesus, de doze alqueires e meio de terras; Domiciano José Garcia e sua mulher Joanna Baptista de Jesus, de quatro alqueires; Amelio Cesario de Moraes e sua mulher Maria Angela do Nascimento, de 4 alqueires; Joaquim Melchior e sua mulher Margarida Maria Claudinha, de dois alqueires; Malachias Antonio da Silva e sua mulher Maria Rosa da Apparecida, de quatro alqueires; Joaquim Martins da Silva e sua mulher Francisca Ignacia de Jesus, de cinco alqueires; terras estas, todas ellas situadas na fazenda da Roseta, no lugar denominado Barra da Roseta, vertente do rio Capivara, municipio de Campos Novos do Paranapanema" (Correio Paulistano, 06/02/1941: 5, do Instituto Historico e Geographico de São Paulo - Cavalheiro Freire).— 
Roseta foi um dos lugares que servira de abrigo e fortaleza aos demandadores do sertão.
O pioneiro José Theodoro de Souza, com o alcance físico de suas posses até de Conceição de Monte Alegre, encerrava sua carreira no sertão, logo depois atacado por doença paralisante que o levaria à morte, em julho de 1875, na localidade de Campos Novos do Paranapanema.

2. Disputas de terras e os limites legais do sertão
O Capitão Assis Nogueira dizia-se o dono da propriedade, adquirida em 1866, diretamente de Theodoro, numa suspeitosa transação igual a Fazenda Taquaral, dando causa a litígio de posse solucionado décadas depois, por divisão judicial e acordos entre os litigantes, quando já presente o Salvino Domiciano Rosa, bisneto de Theodoro, filho de Luiz Domiciano Rosa com a filha de Francisco de Paula Moraes.
Assis Nogueira associara-se a José Machado de Lima na compra de terras de Theodoro, em 1866, à margem direita do rio Pari-Veado e, depois, outras sortes à margem esquerda (Cobra, 1923: 55). A aquisição de Assis e Machado Lima, bastante suspeita, teria sido diretamente de Theodoro, que lhes passara procuração, a cumprir ciência que Machado de Lima era sócio do pioneiro-mor em ditas sortes de terras, além da queima dos documentos originais no incêndio doo Cartório de Casa Branca (Campanhole, 1985: 133).
O forro Melchior de Camargo, abastado e senhor de numerosos escravos e rebanhos (Leoni, 1979: 4), deixou Dourado para tornar-se proprietário da Fazenda Pitangueiras, com 22 mil alqueires, a cuja sede deu-se o nome Nossa Senhora do Patrocínio, atual cidade de Maracaí. 
A Pitangueiras originou fazendas menores, cujas sedes se transformaram povoados,  a exemplos das fazendas Pouso Alegre, cuja área abrangeria a gare Cardoso de Almeida; a Fazenda Fortuna ou Água da Serraria nas imediações da hoje Assis; e Roseta elevada a Capela em 1897.
De acordo com documentos e expedientes observados, Melchior de Camargo, Joaquim Manoel de Andrade, José Antonio de Paiva e Manoel Pereira Alvim, em 1871, por si ou agregados, já haviam se fixado na bacia do Capivara.
Nos anos entre 1873/1875 constavam presenças de [José] Custódio Vencio e Domingos Ferreira Medeiros na região do Ribeirão das Anhumas, para além do Ribeirão Laranja Doce; e Theodorinho estava na região do Alegre, aonde o ribeirão Água das Mortes - proximidades da atual Paraguaçu Paulista, onde morreu flechado e esquartejado pelos índios, em 1878, com seus familiares e agregados; José Antonio de Paiva e Manoel Pereira Alvim, às margens do rio São Mateus (Jorge Junior, Um pouco de história... edição de 19/11/1967).
Outros documentos, pós 1875, revelam detalhadamente as localizações dos pioneiros, já citados alguns, citando: Melchior de Camargo, na Fazenda Pouso Alegre; Bernardino José de Souza, irmão do pioneiro, na Água do Macuco; Antonio José de Moraes, na Fazenda Pontinhas; Luiz Manoel de Andrade, partes do ribeirão das Antas e margem direita do rio Capivara, até a barra do rio Capivari; Francisco Hermínio da Costa e outros, em partes da Água do Cervo; João Geraldo, em Ribeirão Grande, e junto a este mesmo Ribeirão, Antonio Leonel Mattoso; João Vieira no Alegre; Salvador Ortiz de Oliveira, no Sapé; Manoel Pedro Dutra, José Gabriel Machado e José Antonio da Silva, no Capivari; Joaquim José Pereira, partes nas vertentes do rio Capivara com o Ribeirão Grande; João Antonio Martins partes nas vertentes rio Capivara; Fidelis José Rodrigues e João Diniz, no Rio Paranapanema onde a barra do Capivara e partes nas vertentes; Martiniano Miguel Pereira, no Cocais; Balbino José de Lima, na Escaramuça; Antonio da Silva, em Rancharia; João Francisco Grillo e João Baptista Leme, na Marambaia (Nogueira Cobra, 1923: 55-56).
Dentre aqueles que avançaram sertões, a partir de Santa Cruz do Rio Pardo, estão os membros das famílias Pereira Alvim, Paiva, Bicudo, Botelho, Soares, Pontes, Marques, Marques do Valle e Andrade.
O bugreiro José Antonio de Paiva Junior, mineiro nascido em 1825, chegou à região de Santa Cruz do Rio Pardo nos primeiros tempos, com o pioneiro Theodoro, antes de seguir com alguns familiares e membros da família Pereira Alvim, rumo a São Mateus, em Conceição de Monte Alegre, distrito atual do município de Paraguaçu Paulista, onde morreu em 1933, aos 106 anos de idade (Giovannetti, 1943: 72-73). Curt Nimuendaju [Kurt Unkel], em 'O Extermínio da Tribo dos Otis', apresenta declarações de José Antonio de Paiva como partícipe na matança programada de índios Otis (Apud Tidei Lima, 1978: 135-136). 
O José Antonio de Paiva Junior conheceu netos, bisnetos, sobrinhos e outros familiares, alguns ainda vivos em 2005, que o afirmavam, pelas tradições, presente nas razias e dadas em 1850/1851, e foi morador por anos na região de Santa Cruz do Rio Pardo antes de se tornar fazendeiro em São Mateus em 1870/1871. Paiva, mesmo já velho participou, ao lado do Coronel Francisco Sanches de Figueiredo, de empreitadas contra os índios.
Os irmãos Messias e Manoel Bicudo que "vieram de Santa Cruz do Rio Pardo" estão contados entre os pioneiros do extinto povoado de Dourado, em partes hoje da cidade de Assis (Leoni, 1979: 4).
A ocupação imposta transformou a região Vale Paranapanema, em detrimento aos índios, principais vítimas do processo traumático consequente pelas conquistas e ocupações sertanejas, ora a lhes espoliar as terras, ora valerem-se da sua mão de obra compulsoriamente gratuita.
Dentre as famílias migrantes, durante período da Guerra do Paraguai, 1864/1865 a 1870, algumas tiveram destaques em Avaré, Santa Cruz do Rio Pardo e pontos mais avançados do sertão, além do rio Turvo, de maneira a destacá-las entre as outras tantas, sem nenhuma preocupação quanto ao grau de importância, menor ou maior, quanto aos nomes e povoados no contexto histórico regional.
Uns nomes e outros se repetem, nas fontes consultadas, pela flutuação residencial e transações de propriedades - compras, vendas e trocas, com famílias avançando aos poucos, até fixação final. Também, se têm notícias que algumas micro-bacias ficaram sem compradores, porém ocupadas, outras tiveram documentos duplicados ou triplicados que, num futuro próximo, dariam motivos para sérias disputas judiciais. 
As migrações, como programas impostos pela guerra, continuariam até 1878, depois os posteriores deslocamentos mineiros até o final do século XIX, vistos como anomalias econômico-financeiras de sitiantes empobrecidos do sul de Minas, que bem poderiam fazer-se ricos no sertão do Paranapanema.

3. O avanço a oeste para além dos limites da 'grande posse theodoriana'
Historiadores e autores regionais, fundamentados no Registro Paroquial de Terras nº 516, mencionam o latifúndio de José Theodoro de Souza a partir da margem direita do Rio Turvo à barranca do Rio Paraná, entremeio o Paranapanema e o divisor Paranapanema/Peixe. 
Um erro histórico. Principiava no Turvo, porém em direção ao Pardo santacruzense para se fechar no Paranapanema e, deste abaixo, até o afluente Ribeirão das Anhumas, portanto distante, ainda, do Rio Paraná.
O ato declaratório de José Theodoro não excluíra o território de Santa Cruz do Rio Pardo, nem Bernardinho de Campos, Ipauçu ou mesmo partes do Óleo, conforme análises e interpretações de mapas, cópias e transcrições de antigos documentos, contando os autores com a colaboração do Subtenente Valdir da Costa, Policial Militar do Corpo de Bombeiros de Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 2006.
O pioneiro teria, ainda, se apossado das terras no Vale do Feio/Aguapeí, "vastíssima área entre a cidade de Bauru e as margens do rio Paraná. O registro denomina a área Fazenda Rio do Peixe, ou Fazenda Boa Esperança do Aguapeí" (Silva, 2008: 44). 
Mais detalhadamente, a Fazenda Boa Esperança tinha princípio nas fraldas da Serra dos Agudos, quarenta quilômetro da sede urbana de Bauru, abrangendo toda a bacia do Feio/Aguapeí e as cabeceiras e partes conhecidas do Peixe, quando se pensava o Rio do Peixe um tributário do Feio/Aguapeí, ou ambos um só rio com suas diversas nascentes, afluente do Tietê.
Os autores SatoPrado consideram verdadeiras algumas posses de Theodoro na região do Rio Batalha, em Bauru, mas não o latifúndio - Vale Feio/Aguapeí propriamente dito, sendo este atribuído ao pioneiro por questões de credibilidade e justificativas numa grilagem, assim como as terras adiante do Ribeirão das Anhumas, no Vale Paranapanema.
Quando muitos chegadores mineiros queriam mais terras férteis do Vale Paranapanema, com forte especulação imobiliária até o Ribeirão das Anhumas, aonde as vendas legalmente chegaram, Theodoro sentiu a oportunidade de grandes lucros e a necessidade de apossar terras devolutas adiante e colocá-las às vendas. 
Giovannetti (1943: 27-28), narra uma viagem que o pioneiro, por volta de 1871, com seu genro Francisco de Paula Moraes, a partir do rio das Anhumas, pelo Paranapanema, até a Cachoeira do Frade, "reconhecendo todos os afluentes que ficavam abaixo do ribeirão Anhumas", intenção evidente em estender posses naquela direção.
Não levou adiante o plano, pois quando o intentou, em 1873, João da Silva Oliveira, procurador do pioneiro, já alertado por Francisco Paula Moraes, "entendeu de fazer tambem as suas posses, ao tempo em que a do cunhado se acabara" (Nogueira Cobra, 1923: 62); e assim Silva e Oliveira "apossou-se das Anhumas para baixo" (Dantas, 1980: 30-31);  descendo "o Paranapanema até a Cachoeira do Frade, não longe da barra deste no rio Paraná, reconhecendo mais os ribeirões Mosquito, Rebojo, Laranjeira e innumeros outros" (Nogueira Cobra, 1923: 61-62); a complementar que "apossou do território até, inclusive à Serra do Diabo, compreendendo ao atual município de Teodoro Sampaio" (Dantas, 1980: 29).
As medidas das pretensas posses de Silva Oliveira eram próximas ou maiores que o tamanho das legitimadas pelo cunhado, do Turvo à Anhumas, análise que "por ahi teremos uma idéia approximada da extensão que o ex-logar tenente de Theodoro reconheceu para deante do ponto extremo que atingira" (Nogueira Cobra, 1923: 62).
—Não encontrado nenhum documento oficial que possa atestar João da Silva e Oliveira irmão de dona Maria Francisca Leite Silva, esposa de Theodoro, e assim visto como cunhado do pioneiro.—
Até 2005 incompreensível aos estudiosos porque o antes procurador de Theodoro não prosseguiu as posses das Anhumas até as barrancas do Paraná, estando tão próximo, onde resolvera parar, na Corredeira dos Padres, na Serra do Diabo. Theodoro também não fora além em suas observações de 1871, consoante Giovannetti. As razões são esclarecidas em 'Falsas escrituras e os grandes grilos'.
De qualquer forma, até onde Silva e Oliveira estabelecera os limites, eram terras sem assenhoreamento primário, mas "não podendo registrar 'ocupações', pois que a lei de 1850 prohibira, traduziu sua intenção nas escripturas de venda, pura e simples, que outorgou como realmente vendesse o que era seu, de muito tempo" (Nogueira Cobra, 1923: 62). 
As vendas assim eram difíceis, Silva e Oliveira bem sabia, os compradores queriam terras originariamente de Theodoro, em causa da credibilidade e certeza de legalidade.
Theodoro voltou-se para os lados da Serra do Mirante, Vale do Peixe, mas lá identificava-se posseiro o seu genro Francisco de Paula Moraes, numa combinação com Silva e Oliveira por "mais terras ignotas, além daquelas. (...) transpoz o espigão que separa o Valle o Paranapanema do Valle do rio do Peixe (...) e assignalou dois ribeirões que não denominou" (Nogueira Cobra, p. 62). Mas Paula Moraes realizara, pouco antes de sua morte a grande descoberta aonde o Peixe despejava, e seu pequeno apossamento ilegal - dito das nascentes à barra, que se pensava no Feio/Aguapeí, tornou-se toda a enormidade do Vale do Peixe, tributário do Rio Paraná.
—Especulam-se que teriam sido estas as causas do rompimento das relações entre Theodoro e seu cunhado com agravamento pela descoberta que Silva assinara vendas de algumas terras sem o conhecimento do pioneiro-mor, que se viu na obrigação de honrar compromissos.—
A despeito do rompimento Theodoro não fizera legalmente cessar a procuração em poder do cunhado.