domingo, 20 de dezembro de 2009

29. Frentes de conquistas e expansões territoriais

1. Ocupações territoriais
Desmatamentos para ocupações sertanejas
Créditos - Acervo: Luiz Carlos Barros
Os latifúndios Abaré-y, Lençóis, Batalha, Alambari, Turvo, Pardo e espaços do Paranapanema foram ocupados, a partir de 1851/52, porções pelos bugreiros e familiares, outras pelos financiadores e partes transferidas através alienações por compras, vendas e permutas entre os interessados.
O bandeirismo, extremamente violento contra os indígenas, aconteceu em diversas regiões entre o Tietê e Paranapanema, desde a descida da Serra ao Rio Pari-Veado, invadidas quase a um só tempo, desalojando selvagens e nelas firmando fortalezas e sentinelas, de distância a distância, guardadas por bugreiros para evitar retorno dos expulsados e garantir segurança das ocupações. 
Os invasores brancos, todavia, encontraram resistências nas regiões de Bauru e Campos Novos, não conseguindo avanços nem permanências, obrigados ao recuo, colocando em risco de fracasso parte do projeto de Theodoro, pelo não dimensionamento correto dos Vales do Peixe e Feio/Aguapeí, então confundidos numa só geografia, quando se pensava o Peixe tributário do Feio/Aguapeí, ou ambos um só rio, com muitas nascentes, cujos despejos lançados no Tietê.
—"Naquela época o Rio do Peixe era completamente desconhecido e, os antigos sertanistas pesavam que alem do divisor das aguas que vertem para o Paranapanema, corria apenas o Rio Tietê." (Giovannetti, 1943: 131).—Em Bauru prenunciavam-se massacres. O bugreiro Felicíssimo Antonio de Souza Pereira, dentre os pioneiros por lá, tinha hábito de escrever ao Presidente da Província os pormenores do sertão, e alertou quanto aos possíveis acontecimentos, propondo, para se evitar tragédias, o sistema de bandeira catequética contra os índios, qual seja, um 'exército voluntário' empenhado na captura de índios para metê-los num aldeamento, para serem cristianizados e educados para a servidão, arredando aqueles que não se deixassem apanhar, lembrando "que na partilha que se fizer dessas terras, depois de medidas, sejam aquinhoados os que bem servirem na expedição a que se destina a bandeira" ([D]AESP, apud Tidei Lima, 1978: 84, documentos existentes em B: A/A). 
O Felicíssimo obteve autorização para a execução do plano, mas não a adesão esperada de voluntários para o seu 'exército', e às pressas obrigou-se a fugir da região quando alguns de seus companheiros massacrados por índios ferozes, e comunicou à Presidência da Província da brutal disposição indígena em não permitir "localidades ocupadas por gente civilizada, e útil ao país", sugerindo o seu retorno, melhor armado, desta vez com o uso das dadas, descartando as bandeiras catequéticas ([D]AESP - [Departamento] Arquivo do Estado de São Paulo, Carta Felicíssimo Pereira ao Governo de São Paulo). Cumpriu a promessa.
A Província enfrentou momentos delicados com o massacre indígena promovido por Felicíssimo, com repercussão internacional condenatória ao Brasil. Requisitaram José Theodoro de Souza para socorrer a região bauruense, e o bugreiro-mor desalojou índios e tomou-lhes as terras, alienando-as em sociedade, e assim denunciado em 1861 ao Juízo Municipal de Botucatu.
Por algum tempo deslocado para Bauru, Theodoro se viu obrigado deter avanços de suas tropas para além da Água do Capim, em São Pedro do Turvo, rumo ao emblemático Campos Novos. Os índios se fortaleceram na região e seria difícil a reconquista sem massacres.
Apesar de alguns documentos de compra e vendas de terras no Vale Paranapanema, anteriores a 1861, sobretudo em Campos Novos, quase ninguém aparecia para efetivar a posse. Por conseguinte, não convinha a Theodoro vender terras para ocupações futuras porque a região permaneceria inabitada e, assim, enfraquecida diante dos perigos representados pelos índios. 
As violências contra os índios no Brasil repercutiam negativamente no exterior, e o governo imperial a cobrar da província paulista uma política indigenista humana e de resultados. Theodoro tinha sua proposta, levada ao Presidente da Província, um aldeamento indígena em Salto Grande, o Itacorá, sendo ele o Diretor e nada melhor que um aldeamento, resgatando o plano de Felicíssimo, uma bandeira sobre os silvícolas. 
O projeto de Theodoro foi aceito e ele imposto diretor do aldeamento, contando com o apoio dos sertanejos, autoridades civis e eclesial de São Domingos, e do Presidente da Província de São Paulo, embora contestado pela Diretoria Geral dos Índios, protesto e parecer desconsiderados.
Os bugreiros seriam usados nas captura e convencimentos de índios aldearem-se, o pioneiro também pretendia valer-se de outros índios, já pacificados e que sabiam andar nas matas, para contatar os selvagens e atraí-los aos núcleos catequéticos visando a doutrinação necessária para tornar o índio útil à civilização, na condição de prestador de serviços obrigacionais.Menos de dois anos, Theodoro abandonou seu próprio esquema e resolveu enfrentamento direto contra os índios, em Campos Novos, promovendo razias através das dadas. Não conhecer o Vale de Peixe dificultavam perseguições, e os índios estrategicamente se retiraram para, em seguida, promoverem incursões rápidas ou intermitentes contra a fortaleza levantada, e o experiente bugreiro auxiliado "pelos seus decididos companheiros, resistia sempre aos ataques dos índios e, por sua vez, contra-atacava, desalojando-os e obrigando-os a fugirem e a se mudarem para mais longe" (Nogueira Cobra, 1923: 52). 
Aos interesses do pioneiro-mor somou-se o incidente internacional que envolveu o Brasil na Questão do Prata, entre junho de 1864 a janeiro de 1865, invadindo o Uruguai em favor de Venâncio Flores, no sentido de se conseguir pacificação imediata sob ameaça de alcançá-la por meios violentos, ocorrência utilizada como pretexto por Solano Lopez, ditador paraguaio, para intrometer-se na política cisplatina, justificado no temor do expansionismo brasileiro que, logo alcançaria o Paraguai.
A iminente guerra ganhava destaque internacional, a imprensa esquecendo-se dos problemas internos do Brasil, e Theodoro aproveitou o momento para reorganizar o seu exército trazendo de volta alguns dos velhos companheiros e outros acrescidos, para retomar investida rumo ao oeste, indo residir com a família e bugreiros em São José do Rio Novo, região que se precisava de gente interessada em habitar e fazer progredir o sertão.
Theodoro conquistou partes do sertão avançando para além do Rio Capivara, onde fundou Conceição de Monte Alegre, e parou na Água Boa, o limite estabelecido da sua posse. João da Silva e Oliveira, seu procurador inicial, continuaria adiante - nos primeiros conhecidos 'grilos de terras', enquanto o genro Francisco de Paula Moraes adentrava o Peixe, e outros bugreiros ocupavam espaços sobre os indígenas em terras inóspitas.

2. A Guerra com o Paraguai
Soldados paraguaios prisioneiros
de guerra. Créditos* 
Em agosto de 1864 sabia-se inevitável a Guerra com o Paraguai. O efetivo do exército brasileiro contava apenas entre dez ou doze mil homens, de formação precária e em número insuficiente, para enfrentar uma guerra que prometia ser longa e cruel, por isso o conclame para a Cruzada Patriótica, cada brasileiro a se apresentar voluntariamente (Pletz, 1995: módulo 2). 
Em 10 de novembro de 1864 o Paraguai aprisionou um navio brasileiro em águas do rio Paraguai e, pouco depois, as tropas de Solano invadiram Mato Grosso para assim deflagrar o conflito aos 23 de dezembro do mesmo ano.
Atenderam ao chamado pátrio as milícias da Guarda Nacional de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás, mais pela obrigação e dever, muitos alforriando escravos para lutarem em seus lugares. Apesar disto o voluntarismo brasileiro para a guerra não foi o esperado e, nos últimos dias ainda de 1864 iniciava-se o recrutamento compulsório de jovens e adultos solteiros e viúvos, nos principais centros e mais relativamente próximos da capital do Império, onde se treinavam e enviavam as tropas para as frentes de batalhas.
O Sul de Minas estava entre os centros alvos dos recrutadores, arbitrários e violentos, obrigando famílias, às pressas, enviarem os seus recrutáveis ao Sertão Paranapanema para escapes do arrolamento compulsório. Os demais membros familiares chegariam depois, embora alguns antecipassem: "muitos havia, pela idade, isentos do serviço militar e partiram, simplesmente, acompanhando filhos e netos" (Nogueira Cobra, 1923: 44), enteados, sobrinhos e mesmo futuros genros, elegendo São José do Rio Novo por núcleo urbano, como ponto de apoio para avanço e exploração econômica da região, logo a experimentar esplendor em sua vida comercial, com repercussões em toda província paulista.

2.1. O crescimento do sertão
A Guerra com o Paraguai causou crescimento populacional desordenado no Sertão do Paranapanema:
—"Com a Guerra do Paraguai, a população aumentou, rapidamente, diante da vinda de moradores de Pouso Alegre, que para lá emigraram. A fim de encontrar refúgio e calma, uma vez que a célebre cidade mineira estava no caminho das tropas militares; bem como chegaram homens fugindo à convocação e ao voluntariado" (Dantas, 1980: 32).—Com as cheganças Theodoro enfim quebrara a resistência indígena, fazendo-se morador em São José do Rio Novo, gesto sinônimo de garantia contra os perigos do sertão. A Guerra com o Paraguai, transformou-se num fenômeno de densidade demográfica sertaneja.Com a continuidade da Guerra aproveitou-se Theodoro para disponibilizar terras para quem as desejasse, e nos avanços:
—"(...) muita gente se dedicou ao serviço de matar índios e muitos indivíduos vangloriavam-se das façanhas praticadas e dos montes de cadáveres que fizeram (...) na sanha de bater o bugre (...) e procediam impiedosamente. Os naturaes, depois de expellidos da posse de Theodoro (...) que pouco a pouco os immigrantes estavam povoando" (Nogueira Cobra, 1923: 52).—
Era preferível abater índios e tomar-lhes as terras que enfrentar os paraguaios. 
Os militares precisavam de voluntários para a Guerra, e vieram buscá-los no centro sudoeste paulista, apelando para os sentimentos patrióticos.
Na sede do município de Lençóes - Lençóis Paulista, abrangente toda a região, inclusa Santa Cruz do Rio Pardo, fez-se presente o Coronel Comandante Superior, Paulino Ayres d'Aguirra:
"(...) que veio para assistir a uma parada que havia marcado para tratar do offerecimento do batalhão de infantaria e esquadrão de cavallaria para partirem para o Paraguay. S.s. se bem que foi pouco obsequiado nesta povoação por seus correligionarios por não querer demorar-se alguns dias não agradou geralmente a todos; s.sª é liberal de tempera antiga, sua linguagem é um pouco aspera e dura e pareceo-me que foi um pouco imprudente em faser o offerecimento dos diversos batalhões de seu commando, sem ter consultado previamente aos officiais e corpos, pois não passaria pela decepção por que passou quando ao faser um discurso perante toda a força reunida vio que só o capitão Manoel Gomes, sargento Vellozo, e o sargento José Tobias de Aguias forão os unicos que anuirão ao seu convite e quando por esse facto uzou de uma linguagem que não me pareceu mui digna por ser em referencia a officiais que prezão ter dignidade, teve o despraser de ouvir do dignor tenente coronel Francisco Dias Baptista, que fallando por si e todo o seu batalhão em phrases dignas e concisas lhe fez ver que no estado excepcional em que se achava este municipio não se achão em circustancias [sic] de atender aos reclamos da patria, por isso que elles e suas familias estavão em iminentes riscos de serem acometidos pelos indios, nossos verdadeiros Paraguayos, parte dos quaes são com effeito de nação Guarany que vierão para este sertão lá dos do Paraguay como os mais civilisados imformão [sic] e que não podião deixar ssuas familias e propriedades entregues a seu vandalismo, e se afinal anuirão ao offerecimento delle sem serem ouvidos ou fizerão por honra da firma, por que se presão de ser Brasileiros. S. exa. porem o sr. Carrão deve faser ver ao governo de S. M. que em lugar de acceitar seus offerecimentos deve ao contrario mandar para este lugar uma força e aramamento para poder se resistir ao canybalismo dos indios" (Diário de São Paulo, 26/10/1865: 2).
Enquanto isto, Theodoro, cujo nome apavorava a indiada, faz avançar seus bugreiros e voluntários, recorrendo às dadas e razias para avanços predatórios desde as margens do rio Pari-Veado, atual região de Platina, às cercanias do rio Capivara, em Conceição de Monte Alegre, região atual de Paraguaçu Paulista, e às contravertentes do Peixe, recuando os índios sobreviventes para a outra margem do Rio Paranapanema, ou em refúgios nas matas do Peixe, alguns abrigando-se além da Serra do Diabo, no extremo oeste Paulista.
As chegadas de gentes interessadas no sertão foram tantas que, já em 1866, terras disponíveis somente adiante de Assis. Capitão Francisco de Assis Nogueira, por exemplo, teria adquirido de Theodoro, em 09 de julho de 1866, partes da denominada Fazenda Taquaral, conforme registro expedido pelo Cartório de Casa Branca, constando:
—"(...) de toda bacia do Taquaral, isto é, com todas as suas vertentes ou córregos tributários, partindo da Serra do Mirante – hoje cidade de Echaporã, ocupando toda a margem direita do rio Pari-Veado até o rio Paranapanema, confinando por outro lado, com as fazendas: São Bartolomeu, Tição, Fazenda Antas, Fazenda Cervo, Fazenda Fortuna ou Cervinho, Fazenda Queixadas, Fazenda Macuco ou Jacutinga, até o rio Paranapanema, onde situa hoje, o Porto Raul Marinho, travessa para o estado do Paraná" (Leoni, 1979: 8).—
Sem prejuízos às fixações sertanejas em regiões mencionadas por Leoni, a transação de terras entre Capitão Assis e Theodoro é duvidosa: "Não encontramos, em Casa Branca, a escritura de terras vendidas por José Teodoro de Souza a Francisco de Assis Nogueira e José Machado de Lima. A mudança do Fórum para um novo edifício e anterior incêndio no prédio antigo tornaram todas as buscas infrutíferas." (Campanhole, 1985: 133).
As chegadas já não eram exclusividades mineiras, observadas presenças de famílias de todos os cantos do Brasil mais litoral e de centros maiores, pelas mesmas razões de recrutamento para a guerra. Mas ainda prevaleciam os mineiros, ao lado dos cariocas/fluminenses. 
O expansionismo iniciado em 1864 atingiu as aguadas do Capivara em 1870, e muitos dos residentes em Santa Cruz do Rio Pardo e Espírito Santo do Turvo foram contados entre os frentistas, ora os bugreiros por convocação de Theodoro, ora os que venderam suas terras aos que chegavam, endinheirados, optantes por propriedades desbravadas e produtivas, nos melhores lugares, relativamente seguros.
Os avançadores 'santacruzenses' no sertão foram os primeiros nas especulações de terras, durante o período da guerra (1864-1870), vendendo suas aquisições a elevados preços àqueles que chegavam, para aquisições de terras baratas, entre o Paranapanema e o espigão divisor com o Peixe, já adiante do Ribeirão Pari-Veado e chegando à Água do Cervo e Dourado - região atual de Assis a partir de 1866.
Documentos garantem que o pioneiro Salvador Ortiz de Oliveira - fazendeiro em Santa Cruz do Rio Pardo desde os anos de 1850, região do Lageado hoje no município do Óleo, em 1867 adquiriu de José Theodoro de Souza, a denominada Fazenda Sapé - parte dela depois Potreirinho, na bacia do Capivara, em Conceição de Monte Alegre, região atual de Paraguaçu Paulista, conforme escritura de 02 de dezembro de 1867 e registrada aos 04 de julho de 1878 (DOSP, 17/11/1914: 4.469-4.470). 
A seguir contam naquela região as presenças de desbravadores em 1871 e estão entre os adquirentes de terras, originariamente de José Theodoro de Souza, o forro Antônio Joaquim José Melchior de Camargo, na Fazenda Pitangueiras, confrontante com fazendas da Água do Cervo e Dourado; Joaquim Manoel de Andrade, outrora pioneiro no Turvo, como comprador da Fazenda das Antas, aos 30/06/1871 (DOSP 03/08/1913: 3349)Antônio de Paiva e Manoel Pereira Alvim, no São Mateus; além de José Theodoro de Souza Junior, o Theodorinho, filho do pioneiro mor, na Água das Mortes. 
Dois anos depois, em 1873, outros pioneiros assumiriam partes restantes do Capivara e tributários, como o Sapé e Alegre, alcançando os rios Capivari e São Mateus e, em 1875 o avanço sertanejo estava garantido até o Ribeirão das Anhumas, limite da posse maior de José Theodoro de Souza.
Theodoro em agosto 1873 doou terreno necessário para instalar o povoado Conceição de Monte Alegre, para melhor garantia em povoar o sertão, talvez a esconder intento em fazer ali a fortaleza que o permitisse estender posses, ainda que ilegalmente, para além do ribeiro das Anhumas, encontrando oposição do seu procurador e cunhado João da Silva e Oliveira, que se dizia dono daquele chão pretendido. Também não conseguiria apossar-se do Vale do Peixe porque lá encontrava-se, sem o respaldo legal, o genro Francisco de Paula Moraes.

2.2. Algumas principais famílias no avanço sertanejo adiante de Campos Novos
Dentre as famílias sertanistas que tiveram antes passagem por Santa Cruz do Rio Pardo, ou nos bairros rurais adjacentes, estão contadas entre as primitivas adiante de São José do Rio Novo [Campos Novos Paulista]:
—Almeida: descendentes de José Hilário, estabelecidos na região futura de Assis;—
—Andrade: Luiz Manoel estabeleceu-se no ribeirão das Antas na antiga região de Conceição de Monte Alegre, atual município de Paraguaçu Paulista. Foi precedido por Joaquim Manoel de Andrade, o pioneiro do Turvo, em seu entradismo na região do Capivara - Fazenda Mosquitinho (Luciano Leite Barbosa, com os créditos de documentos que comprovam o pentavô Andrade dono da citada fazenda).—
—Bicudo: os irmãos Messias e Manoel estão entre os primeiros habitantes do bairro Dourado, lugarejo posteriormente absorvido pelo município assisenses; —
—Carvalho: família estabelecida no ribeirão do Alegre em atual Paraguaçu Paulista;—
—Costa: por Francisco Hermínio morador em partes do Cervo en-re os agora municípios de Assis e Paraguaçu Paulista;— 
—Diniz: João teve propriedade na vertente do rio Paranapanema, no desaguadouro do rio Capivara;—
—Dutra: Manuel Pedro habitou região na bacia do rio Capivari, Paraguaçu Paulista;—
—Ferreira: Vicente desbravou partes região de Conceição de Monte Alegre, e residiu no Brejão (Paraguaçu Paulista);
—Flausino: alguns membros da família Pereira Flausino estão entre posseiros na região de Cabiúna (Assis);—
—Leandro: a família por tal sobrenome habitou o Brejão (Paraguaçu Paulista);—
—Lima: o rico fazendeiro José Machado, sócio de José Theodoro de Souza e posteriormente do Capitão Francisco de Assis Nogueira, foi entradista na região do Taquaral e mais partes em atuais localidades de Platina e Assis;—
—Lourenço Ferreira: Vicente, um dos mais famosos bugreiros entre os sertanistas do grupo primitivo, fez assentamento na barra do rio Capivara, para anos depois estabelecer-se no ramo do co-mércio em Conceição de Monte Alegre (Paraguaçu Paulista) e, enfim, fazendeiro em Candido Mota;—
—Medeiros: Domingos Ferreira fez entrada na região do ribeirão das Anhumas;— 
—Moraes: Antonio José abriu fazenda em Pontinhas (Paraguaçu Paulista);— 
—Moreira: Antonio foi pioneiro em Poço Feio (Paraguaçu Paulista); —
—Novaes: a família desbravou fazendas em regiões onde viria ser Paraguaçu Paulista;— 
—Ortiz de Oliveira: Salvador fez morada no Sapé em Conceição de Monte Alegre [Paraguaçu Paulista] e desbravador onde atual distrito de Sapezal - Paraguaçu Paulista;— 
—Paiva: José Antonio habitou os lados de São Mateus (Paraguaçu Paulista);— 
—Palhão - Payão ou Paião: numerosa família de moradores em partes diversas das regiões atuais de Assis e Paraguaçu Paulista;— 
—Pereira Alvim: Manoel formou fazenda no São Mateus (Paraguaçu Paulista), vizinhando propriedade com a família Paiva;— 
—Pereira Nantes: família pioneira em Jaguaretê, adjacências e regiões adiante;— 
—Pontes: José Jorge e Ananias habitaram regiões da Água do Cervo (Assis / Paraguaçu Paulista);— 
—Reis: Manoel Alves: foi divisante com José Theodoro de Souza antes de ser morador em Dourado (Assis); também seu irmão João Martins dos Reis foi morador em Dourado;— 
—Rodrigues: José teve propriedade na bacia do rio Capivara, hoje município Paraguaçu Paulista;— 
—Salles: Antonio Francisco residiu na região de Conceição de Monte Alegre e Sapezal (Paraguaçu Paulista);— 
—Soares: Joaquim José patriarca de numerosa família habitante em partes do Cervo (Assis / Paraguaçu Paulista);— 
—Soares Monteiro: Antonio habitou o Capivara (Paraguaçu Paulista), e parte da família fez morada na região de Sapezal (Paraguaçu Paulista) e outra em Assis;— 
—Souza: José Bernardino apossou terras no Macuco (Assis);— 
—Souza Miranda: família habitante em Água Funda (Assis);— 
—Souza: José Theodoro, o Junior, filho do pioneiro-mor e conhecido por Theodorinho, desbravou terras em Paraguaçu Paulista, no lugar depois nominado por Água das Mortes, onde juntamente com familiares, agregados e escravos, foi chacinado por índios em 1878;—
—Theodoro de Souza: José, o homônimo, morou em Cabiúna e morreu em 1927 aos cento e cinco anos de idade, na Fazenda Santo Antonio - Distrito de Tarumã [Assis], hoje município. Foi dos mais famosos nomes da história sertaneja, justamente por ser homônimo do pioneiro, e ter seu nome envolvido em questões de terras na região de Pedrinhas;— 
—Vencio: José Custódio morador no ribeirão das Anhumas;— 
—Vieira: João foi pioneiro na região do ribeiro do Alegre (Paraguaçu Paulista).—
A listagem com certeza está incompleta e nela faltam nomes não localizados, e as identificações Platina, Assis, Maracaí e Paraguaçu Paulista são regiões atuais, mencionadas para melhores identificações. Theodoro morreu em 1875, mas a história teve prosseguimento na conquista do Sertão, e sem dúvidas os chegamentos expansionistas gradativos, de 1870 a 1890 e outros à frente no tempo, deram impulsos para melhor povoamento do sertão Paranapanema, consistidos por grupos familiares intencionados em adquirir e trabalhar a terras. 
No ano de 1878, com segurança documental, os Nantes, Ferreira Medeiros, João da Silva e Oliveira, Custódio Vencio [Juca Custódio], ocupavam terras em Ribeirão das Anhumas, Jaguaretê, Laranja Doce e Coroados.

3. Dos possíveis colonizadores judeus
Foto créditos: Luiz Carlos de Barros
P3090027
O sertão crescia, porém os números não apareciam; os mineiros mais recentemente chegadores temiam revelar seus paradeiros, porque fugitivos dos recrutamentos, e os registros paroquiais então quase cessaram no período da Guerra. 
Corroborou neste aspecto o quadro de registros paroquiais, que nada registrou entre setembro de 1870 a março de 1872, face ao assassinato do Padre Andre Barra, a deixar o sertão sem padre por quase dois anos. O sertão, no entanto, prosperava, pois "Nessa epocha repercutia cada vez mais, a fama do longínquo Paranapanema ..." (Nogueira Cobra, 1923: 44). 
Alguns estudos apontam entradas de famílias com grande poder aquisitivo, vindo de outras regiões que não apenas o Triângulo Mineiro, igualmente em fuga do recrutamento militar, procurando os melhores assentamentos em regiões do Paranapanema, inclusa Santa Cruz do Rio Pardo.
Tais famílias, ou algumas delas, teriam ascendências judia e fugiram porque acusadas de sonegadoras de soldados para o exército.
O tema, por si, merece melhores estudos para efetivas comprovações, todavia o estudioso Nantes - comprovado descendente de pioneiros, identificou como judeus alguns sobrenomes no Vale Paranapanema: "Alvim, Paião [Payão, Palhão], Ortiz, Roiz [Rodrigues], Nantes, Leme [Lemes e Lemos], Franco, Moraes, todos os citados são descendentes judeus; formavam um clã fechado entre suas famílias. (...). A família de minha avó, os Paião, utilizava-se de nomes bíblicos e costumes judeus." (Nantes, 2008/2009). 
Ensaios de C. Vangelista, fabulação 'tema / povo / ocupação da terra' pautada em critérios historiográficos, em entrevista com personagem [Leila] aprofunda a respeito da ocupação do oeste paulista pelos mineiros, nos meados o século XIX, e avança para os tempos da Guerra do Paraguai, citando antepassado da entrevistada, de ascendência judia: "Os soldados estavam recrutando à força e ele para escapar e não ser preso para a Guerra do Paraguai, ele preferiu deixar a fazenda dele, pôs a minha bisavó no carro de boi, e veio descendo de Minas Gerais até São Paulo ..." (Vangelista, 1999: 41). 
A matéria de Vangelista prossegue com a personagem Leila nas citações dos trajetos, acontecimentos e das localidades por onde passou a família:
—"Daí - do lugar onde hoje é Lençóis Paulista - eles foram para Santa Cruz do Rio Pardo, para São Pedro, sempre desbravando (...). Daí meu avô, com onze filhos que tinha (...), continuou, seguindo o Paranapanema, os rios. Foi parar num lugar que era cheio de palmitos. Tinha índios: onde é a igreja de Palmital era a taba, a aldeia dos índios." (1999: 43), com os esclarecimentos da autora tratar-se de "descendente de cristão novo (aquí a prova é um sobrenome de cidade, que Leila interpreta erroneamente como sobrenome judeu)." (1999: 42).— 
Acerca do sobrenome discordante entre Leila e Vangelista, trata-se de Nunes, uma localidade do Concelho e Distrito de Évora, Portugal, que deu origem aos sobrenomes a muitos de seus nascidiços, inclusive a cristãos novos para assemelhações aos cristãos velhos.
O trabalho original de Vangelista parece reconstituição de lenda ou tentame, todavia o tema, tem credibilidade histórica apresentada pela real personagem entrevistada, de codinome Leila, no livro autobiográfico 'A Andarilha' (Vianna, 2001).
Thei, residente por vários anos na Itália, faleceu no final de 2009 em Estância Hidromineral Águas de Santa Bárbara, é a Leila descrita por Vangelista.—
Outros antigos relatos de descendentes dos pioneiros, primeira geração, diziam que sobrenomes terminados em 'ES' - 'Eretz Israel / Terra de Israel' eram descendentes de judeus, como os: Alves, Antunes, Borges, Fernandes, Gonçalves, Gomes, Henriques, Lopes, Mendes, Menezes, Nantes, Nunes, Paes Rodrigues [também Roiz¨], Salles e Soares.
Da mesma forma aqueles que têm sobrenomes identificados em animais, plantas, objetos e topônimos, a exemplos dos: Abreu [espécie de besouro], Alvim [branco], Andrade, Aranha, Barata, Barros, Bezerra, Campos, Cardozo, Carneiro, Carvalho, Cobra, Coelho, Costa, Cunha, Duarte [guarda – guardião], Ferreira, Figueira, Figueiredo, Leão, Leitão, Lobo, Luz, Machado, Miranda [hebraico: senhora, filho da senhora], Monteiro, Montes, Moura, Nogueira, Oliva, Oliveira, Palhão [também Payão e Paião], Pereira, Prado, Pinheiro, Pires, Pinto, Pontes, Ramos, Reis [de comportamento determinado - altivez], Rios, Serra, Sylva [também Silva], Simões [macacos], Souza [seixa ou pombo bravo]; Tavares [fruto chamado pêro], Teixeira [litoral de ribeiras ou raio de luz], Telles [ou Teles, armadilha para apanhar pássaros, passarinheiro], Ulhoa [do basco galinha], Valle [Vale], Vaz [também Vasco, da região espanhola Vascongadas] e Veado.
São tradições interessantes, porém generalizadas, carecendo de comprovações genéticas para linhagem judaica, mesmo com opiniões de entendidos que tais sobrenomes identificariam judeus marranos, isto é, que se apresentavam cristãos, porém suspeitos de manter suas crenças em família ou grupos isolados.
Marranos também podiam ser os mouros e cujos sobrenomes, às vezes confundiam-se, a exemplos de Silva [Selva] e derivados - Silvestre e Silveira entre outros, usualmente Silva dado a mamalucos - mestiços brancos com índios.Algumas das citadas famílias, pressupostamente de ascendência judia, permaneceram em Santa Cruz, parte até 1872 / 1873 e outras até 1890, quando se mudaram para a região de Conceição de Monte Alegre [Paraguaçu Paulista], onde conhecidos como 'Os Judeus de Conceição', e que até mantinham costumes diferentes (cripto-judeus?) e comportamento político-administrativo de total independência em relação à Comarca, na época, São José dos Campos Novos do Paranapanema - atualmente Estância Climática Campos Novos Paulista. 
Os fundamentos observados em Vangelista e Vianna confirmam-se quando se sabe historicamente que "o desbravador da região onde está hoje o Município de Palmital foi João Batista de Oliveira Aranha, que vindo de São Manoel em companhia de seus filhos, no ano de 1886, instalou-se a quatro quilometros da atual cidade, na localidade Água do Aranha." (Palmital, História).
Oliveira Aranha, cuja família também se mostrou presente em Santa Cruz do Rio Pardo, é tido mineiro descendente judeu que chegou à região de São Manoel, antes de Palmital, também para escapar do recrutamento para a Guerra. 
Nesse entendimento, a história da formação do povo pau-lista pelos ascendentes mineiros, região centro sudoeste, apresenta raízes e influências judaizantes, a destacar, porém, nada de histórico ou científico e nem bastante profundo, pela escassez de documentações primárias, ainda que observáveis algumas práticas e expressões tidas judaicas: 
Amuletos: os signos de Salomão [estrela de cinco pontas] ou de David [seis pontas], de significado deturpado por assimilação cultural. 
Apontar [com o dedo] uma estrela: costume judeu para anunciar o início do sabath - o dia judeu começa na véspera com o surgir da primeira estrela, que então era apontada. Tal gesto podia denunciar um cristão novo e então, para a criança não cair em tentação em apontar uma estrela, lhe era dito que isto acarretaria nascer verruga na ponta do dedo. 
Benção Judaica: passar a mão na cabeça de uma pessoa, de for-ma carinhosa, como símbolo do perdão. 
Carapuça: vestir a carapuça: reminiscências da Inquisição quando o acusado ou o condenado era vestido com uma carapuça. 
Descanse em paz, ou, morreu como um passarinho: quando algum judeu estava para morrer, a família temia que ele pudesse, no desvario da morte, revelar a condição de judeu, e então chamavam o aliviante, o abafador ou aliviador, que chegava e retirava todos do quarto do enfermo e pronunciava rezas enquanto fazia morrer o enfermo, e depois ao sair do cômodo dizia a todos os presentes: 'que sua alma descanse em paz', 'morreu dormindo' ou 'morreu como um passarinho.'
Deus te crie: expressão ante o espirro de uma criança, da frase hebraica Hayim Tovim. 
Gavetas sob a mesa de refeições: que os 'cristãos no-vos' usavam para esconder alimentação típica judaica quando chegavam visitantes cristãos, que os pudessem denunciar, ou das refeições abominadas pela religião judaica quando chegavam seus iguais. Jocosamente os mineiros diziam que era para esconder comidas gostosas ou poucas dos olhos dos visitantes. 
Gole do santo ou dado ao santo: o derramar uma parte do cálice de bebida, para agradar entidade espiritual, cuja raiz está em reservar, no pessach - páscoa, copo de vinho para o profeta Elias que, arrebatado aos céus ainda haverá de vir com precursor do Messias.
Judiar: dos tempos inquisitoriais de maltratamentos aos judeus.
Juramento pela alma ou pelo nome de pessoa falecida: resíduo de rito judaico
Lavar os mortos: prática em desuso com advento das casas funerárias. 
Massada: expressão a significar tragédia ou adversidade, lembrança à destruição da fortaleza de Massada, pelos romanos nos anos 70 d.C. 
Mezura - fazer mesuras: da palavra hebraica 'Mezuzah' que significava um objeto oco com texto bíblico - Deuteronômio 6:4-9, colocado à porta, pelo lado de dentro, e ao qual o judeu reverenciava antes de entrar ou sair da residência.
Passar mel na boca: amansar ou angariar simpatia de alguém para determinada situação ou causa, advém de costume judaico no ato da circuncisão, passar o mel na boca da criança para a-brandar o choro. 
Punhados de terra sobre o caixão mortuário: simbolismo que aquela pessoa está sepultada. 
Siza: vem do hebraico 'Sizah', quando vai pagar o imposto, 'siza'.
Varrimento residencial: da frente para os fundos. 
(Soares, ABRADJIN - Associação Brasileira dos Descendentes de Judeus da Inquisição, 2012).
O conjunto de todas as citações acima, ainda que observável no todo ou em parte, não significa necessariamente o indivíduo ser judeu ou descendente, podendo tratar-se de hábitos assimilados e transmitidos.