domingo, 20 de dezembro de 2009

44.1. Botucatu - histórico oficioso

1. Quando das sesmarias no alto e adiante da Serra Botucatu
 Somente os detalhamentos precisos de 1673 explicam a eficiência das razias promovidas pelo Capitão-Mor Jorge Correa, no ano de 1680, na região da serra, visando não apenas capturar índios para escravidão, mas exterminar as hordas selvagens postadas nas morrarias e furnas, com extremada violência que entrou para os anais da história como o mais temível predador indígena do século XVII (Apud Donato, 1985: 33 e 38-nr 1).
Sem dúvidas era intenção de o governo ocupar terrenos e distribuir sesmarias àqueles dispostos explorar terras e levantar povoados, para melhor infraestrutura quanto ao processo de interiorização, porém não se mostrou processo fácil, pois, "com facilidade de manobras, em terreno conhecido, os silvícolas perseguidos faziam-se atacantes" (Donato, 1985: 33).
Pelos relevantes serviços prestados à Coroa e Colônia haviam sido agraciados com melhores lotes em Guareí e Botucatu, Antonio Pires de Campos [Pay Pirá], em Guareí, José de Campos Bicudo, em Botucatu, além dos parentes diretos e colaterais, a exemplo [Capitão] Antonio Antunes Maciel (Domingues, 2003: 10), todos descendentes de conhecidas famílias bandeirantes, entradistas e sesmeiras em regiões de Carapicuíba, Serra do Jaraguá, Sorocaba, Itapetininga, Itu, Tatuí, Jaú, São Carlos, Boituva, Franca e outras localidades.
O Capitão-Mor Antonio Caetano Pinto Coelho, Governador Sesmeiro e Loco-Tenente da Capitania de São Vicente, por sua Majestade, com sede em [Nossa Senhora de] Itanhaém, e assenhoreou-se de uma sesmaria em Botucatu, na qual Donato (1985: 40), identifica-o "Capitão-Mor e Governador Sesmeiro, Loco-Tenente da Capitania de Nossa Senhora de Itanhaém, por sua Majestade"; o Capitão-Mor era parente da família dos Campos Bicudo.
Sem eficácia dos propósitos, por aparente desinteresse das famílias beneficiadas, em princípios do século XVIII Botucatu era apenas ponto de referência e caminho àqueles que demandavam o sertão,
Destarte, em 1705 ainda não conhecido nenhum branco fixado no alto da serra, apenas indígenas ameaçadores que outra vez dominavam a região, tanto que, no ano seguinte foi preciso a entrada de João Pereira de Souza para prear e erradicar índios, numa matança até então sem precedentes: "João Pereira de Sousa faz sua 'entrada', consegue ser ainda mais duro que seus predecessores." (Bicudo, 2009: 1).

1.1. Das sesmarias doadas aos padres inacianos
Em 1713 Antonio Pires dos Campos teria concedido sua sesmaria, em Guareí, à Ordem dos Jesuítas no Brasil, através do parente Reitor, o Padre Tenente Estanislau de Campos. Mais comumente aceito, alguns estudos assinalam que o doador de tal sesmaria teria sido José Campos Bicudo, no mesmo ano.
De um ou de outro, os autores SatoPrado não encontraram documentações suficientes para comprovar a doação, mas a propriedade em extensão e largueza, entre as margens direitas do Guareí e Paranapanema, foi efetivamente ocupada pelos padres inacianos. 
No ano de 1719 os jesuítas receberam, igualmente por doação, uma Sesmaria na região de Botucatu advinda do Capitão José [dos] Campos Bicudo. À mesma época, o Capitão Antunes Maciel e o Capitão-Mor Antonio Pinto Coelho doaram suas sesmarias aos jesuítas, em Botucatu (Donato, 1985: 40).
Aos 23 de novembro de 1724, José Campos Bicudo doou à Capela de Santo Inácio, administrada pelo Colégio Companhia de Jesus, terras que possuía em meação com seu genro Antonio Rodrigues Velho, na paragem Guarani, rumo ao Paranapanema.
Todas dações ao Colégio da Companhia de Jesus foram em trocas de ofícios religiosos, podendo os padres usufruírem as terras, sujeitando-se às demais exigências impostas aos sesmeiros.
http://celsoprado-razias.blogspot.com.br/2010/02/razias-fazenda-jesuitica-de-botucatu.html

1.2. O que foi a Fazenda Jesuítica em Botucatu
Necessitados em explorar as terras para manutenção da Ordem os jesuítas a fizeram através dos administrados: fiscais, agregados, escravos e índios, com famílias, todos instalados dentro das próprias fazendas, nas sedes, formando os bairros rurais de São Miguel - Capela Velha (Guareí), Sobrado e Santo Inácio, ambas na Serra Botucatu, sendo certo deslocamentos de homens para locais de serviços distantes, às medidas do crescimento do empreendimento, daí arranchações sazonais.
Os padres, ao receberem as sesmarias, concomitante assumiram compromissos em catequizar e disciplinar os índios, em aldeamentos próximos de núcleos residenciais, impondo-lhes jornadas de trabalho intensivo na forma e serviços gratuitos compulsórios.
A organização econômica para a Fazenda Botucatu determinava sua divisão em áreas distribuídas por atividades, predominando a do gado, e das lavouras diversificadas, gêneros de primeiras necessidades, além do plantio da cana, do algodão, do tabaco e das criações de muares, equinos, suínos e aves; teciam panos, destilavam cachaça, curtiam peles e couros, fabricavam o açúcar, salgavam a carne, faziam conservas diversas - doces e salgadas, embutidos e cozidos conservados em banha, e laticínios - queijos e requeijões. Os frutos da terra se multiplicavam, exportavam mercadorias, os padres lucravam e a Ordem enriquecia.
Os lucros investidos na agricultura destinada ao comércio externo e não somente para o consumo, e mais o comércio de gado e tropas, abriram oportunidades para a chegada de mais pessoas à região, com arrumações de outros povoamentos interiorizados. 
Documentos da Ordem (Donato, 1985: 39) atestam a prosperidade do empreendimento jesuítico com obtenção de duas fazendas – de sete e dez léguas, das instalações de três currais, dos preparos de campos de criar, e das cogitações de levar para lá mais trabalhadores, "ainda que escravos (...)" (Donato, 1985: 39).
Embora os padres explorassem suas terras através dos administrados: mão de obra livre, da escrava e da gratuita compulsória, acredita-se que experimentaram o sistema de parceria no trabalho da terra, através de meeiros, ou seja, aqueles que se ocupavam em produzir livremente nas propriedades que não eram efetivamente suas, mas num sistema divisional em dois quinhões iguais da produção, mais uma porcentagem combinada, aos proprietários, pelo uso da terra. 
O sistema era comum na época, em que o patrão morava longe, para fazer o trabalhador produzir mais, e os padres não se privariam desta modalidade, daí o expansionismo produtivo e consequente lucro dentro de suas fazendas. 
A expulsão dos padres jesuítas em 1759/1760 transformou esses trabalhadores, em posseiros para a garantia das propriedades. Pupo (2002: 9) afirma em seus estudos que  "Em meados dos setecentos já havia várias fazendas apossadas nos campos de Botucatu, inclusive junto ao rio Tietê" (Pupo, 2002: 9).
A Fazenda Santo Inácio, ou parte dela, dada a arrematação, tornou-se Boa Vista "nome com que, depois do confisco pombalino, foi levada à hasta pública a propriedade dos jesuítas" (Donato, 1985: 40), arrematada, aos 23 de dezembro de 1766, pelos sorocabanos, Capitão Paulino Aires de Aguirre e o Sargento-Mor Manuel Joaquim da Silva e Castro.
Os arrematantes não conseguiram posse imediata da Boa Vista, diante da feroz resistência imposta pelos índios, retomada apenas em 1776, pelo Coronel Francisco Manuel Fiúza, e entregue aos novos proprietários, para assumi-la e em partes dividi-la para vendas.
A Fazenda Boa Vista não representava toda a Fazenda Jesuítica confiscada, senão parte dela:
—"No ano de 1759, com a expulsão dos jesuítas, as terras passaram a pertencer a Estanislau de Campos Arruda, de Itu, que passou a ter três sesmarias, e as terras da direita vinham dar em Avaré, Bofete e Porangaba" (Domingues, 2008: 10), cuja revelação fundamentada em documentos cartoriais.—
O Padre Reitor Estanislau de Campos Bicudo, aparentemente, entregara apenas a dita Fazenda Boa Vista ao confisco, depreendido que as tensões entre o Estado e os Inacianos, a partir de 1750, tenham motivado o reitor transferir maior parte dos bens jesuíticos aos familiares, ou não efetivá-los à Ordem.
Das terras de Estanislau de Campos Arruda, por exemplo, diz o pesquisador e escritor Paulo Fraletti: 
—"(...) também vi na relação, a formação da sesmaria de Estanislau de Campos Arruda, que chegava até o trecho de Porangaba e Pereiras, pois nos livros de registro de posses e terrenos (sítios) da Paróquia de Tatuí, de 1854 a 1856, existentes no Arquivo do Estado, encontrei vários terrenos comprados por carta particular, de Estanislau Campos de Arruda. (...). Estanislau de Campos Arruda existiam três (...)." (Domingues, 2008: 10).—
Disto, excluso o Padre Tenente e Reitor da Ordem de Santo Inácio no Brasil, que, ainda que o mesmo nome, não trazia o sobrenome Arruda.
Monsenhor Aluísio de Almeida escreveu que a Fazenda Jesuítica Botucatu possuía população não superior a vinte empregados e dezesseis escravos, com a visita anual de um padre. O mesmo informador dava conta que a fazenda possuía menos de quinhentos vacum e quarenta e três equinos, praticamente em sintonia com a informação de outro jesuíta, Serafim Leite (Apud Donato, 1985: 41). Talvez ambos tivessem lá suas razões para isto, considerando a parte efetivamente entregue para o confisco.

2. Das ações do Governo Morgado de Mateus para a região
A expulsão dos padres jesuítas do Brasil (03/09/1759), confisco dos bens (09/01/1760), e destes a hasta pública de parte da fazenda Santo Ignacio - Botucatu (23/12/1776), não excluiu a tentativa das autoridades em recuperar a região, com ação conjunta entre os arrematantes, o Capitão Paulino Aires de Aguirre e o Sargento-mor Manuel Joaquim da Silva e Castro, juntamente com o governo, na contratação do Coronel Francisco Manuel Fiúza (Bicudo, op.cit.), para expulsar ou exterminar índios de suas terras, missão levada a efeito com extremada crueldade, aquém e além das serras, e das nascentes e partes do curso do Rio Pardo.
—Face contraditórios sobre o ano do leilão das terras, em 1766 (Donato, 1985: 42, e de alguns autores) ou 1776 (Di Creddo, 2003: 52, entre outros), enquanto para SatoPrado, sem acessos aos originais e com admissibilidade de erro gráfico, o governo primeiro fez limpar as terras dos invasores e dos perigos indígenas, a contar de 1766, para depois leiloá-las, em 1776.—
A missão de Fiúza era liberar as terras aos novos proprietários e favorecer ao governo possibilidade em abrir caminho para o Iguatemi (em atual estado de Mato Grosso do Sul), estabelecer sesmarias e [re]povoar o sertão, sendo intenção do Morgado, D. Luis António de Sousa Botelho Mourão, a fundação de um povoado.
Dá prova do alegado, uma Carta do Morgado ao Conde de Oeiras [Sebastião José de Carvalho e Melo, mais conhecido como Marquês de Pombal], nº 36, datada de 24 de dezembro de 1766 sobre povoações a serem levantadas na então Capitania de São Paulo, em número de seis, num semicírculo alongado compreendendo as atuais paulistas de Piracicaba, Botucatu, Itapeva, uma não realizada no Rio Sabaúna entre Iguape e Cananéia; mais a paranaense de Guaratuba e o então Termo da Vila de Lages - Santa Catarina, criada em 1766, que pertenciam a São Paulo. 
Para Botucatu, oficialmente, destaca-se:
—"(...) no Wotucatú sobre o rio Paranapanema para tentar se se pode restaurar as muitas Fazendas que se despovoarão naquelle Rio depois que abandonamos a navegação delle para o Cuiabá, pertendo juntamente as vargens da Vaccaria de Guaycurú de que hoje se querem fazer senhores os Castelhanos, mandando a ellas cada dous annos huma companhia para ver se os Paulistas as povoão, e hé Director dela Simão Barboza Franco." (Dorizotto – Sermo, Documentos Interessantes - Cartas e registros dos séculos XVIII e XIX referentes a Piracicaba e região, Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba – IHGP, 2015: 52 - http://www.ihgp.org.br/wp-content/uploads/2014/09/livro_Doc_Interessantes_bx.pdf).—
Entendendo Botucatu como lugar sobre a serra antes do Paranapanema, e as muitas fazendas, aquelas dos padres jesuítas e sesmeiros na região.
Simão Barboza Franco cumpriria a determinação em 1776, ao fundar Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra, tão logo concluído o serviço do Coronel Fiúza ainda naquele ano, antes da chegada do já nomeado substituto, o Capitão-Mor Martim Lopes Lobo de Saldanha. 
Fiúza, pelos serviços prestados, recebeu terras "em cima da serra do caminho que se abrio para Iguatemy daquém do rio Pardo" (Donato, 1985: 45). Da mesma maneira o Simão Franco recebeu sua sesmaria.

3. Da antiga Capela no Cimo da Serra de Santo Ignacio
A Fazenda Jesuítica Botucatu, denominada no meio eclesiástico como Fazenda dos Padres da Companhia de São Paulo, ou Fazenda Uvutucatu [Ybytucatu e outras variantes], cuja sede seria a Capela de Cima da Serra de Santo Ignacio, conhecida por Capela do Ribeirão da Cachoeira numa referência toponímica, segundo as tradições.
A Fazenda Botucatu tinha uma sede administrativa e casas para os seus administrados, um cemitério e templo religioso. Bons comerciantes, seria impensável os padres não estabelecerem estalagem e empório comercial para os demandadores do sertão, num local onde o entroncamento de caminhos. 
A povoação situava-se, no alto da serra, cujo nome dado ao Santo Inácio, fundador da Ordem dos Jesuítas, conhecidos como Inacianos ou Padres da Companhia de Jesus.
Os assentos eclesiais do lugar, conforme batizados, indicam a época e nomes das pessoas envolvidas.
—"Francisco: Aos oito dias do mes de novembro de mil sete centos e quarenta e tres annos baptisei e pus os santos olleos a Francisco inocente filho de Jose e de sua molher Mariana administrados dos Revdos Padres da Companhia de Jezus do Collegio de Sam Paulo: forão padrinhos Lourenço e Catarina de que fiz este acento. Pedro Domingues - Vigario." (Sorocaba – Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 25).— 
—"Manoel: Aos dous dias do mês de Julho de mil setecentos e quarenta e quatro baptizou e pos os santos olleos a Manoel inocente, filho de Valerio e sua molher Catarina, administrados dos Revdos Padres da Companhia, o Padre Frey Maximiano de Cristo Camminha licença: forão padrinhos João Dias Vieira, e Branca Maria de que fiz este acento Pedro Domingues - Vigario." (Sorocaba – Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 30).— 
—"Roza: Aos vinte e dous dias do mes de Fevereiro de mil e setecentos e quarenta e nove annos baptizey e pús os santos olleos a Roza inocente filha de Francisco e de sua molher Maria carijós dos Padres da Companhia do Colegio de Sam Paulo: forão padrinhos, José Machado Leme, soltero, e Eugenia Machado cazada do que fiz este acento. Pedro Domingues - Vigario." (Sorocaba - Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 63).— 
—"Jozê: Aos vinte e dous dias do mes de Fevereiro de mil setecentos e quarenta e nove annos baptizey e pús os santos olleos a Joze inocente filho de Monica, de pay incógnito administrados dos Padres da Companhia do Collegio de Sam Paulo: forão padrinhos Jose Nunes, casado, e Domingas Mendes, casada de que fiz este acento. Pedro Domingos – Vigário." (Sorocaba – Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 63).— 
—Fonte: Assentos eclesiais católicos colhidos das páginas https://familysearch.org.
Com a expulsão dos jesuítas e o confisco dos bens, o governo quis apagar lembranças dos inacianos na região e o nome da Fazenda Santo Ignácio tornou-se Boa Vista, para ser levada a leilão, e mais a determinação para a fundação de um povoado na região, por Simão Barboza Franco, ao qual o nome Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra ou Nossa Senhora das Dores de Botucatu.

3.1. Registros intermediários 
Após a expulsão dos padres jesuítas e o confisco de seus bens, porém antes da arrematação das fazendas Botucatu/Guareí e a fundação de um povoado 'em cima da Serra', algumas famílias, em geral escravizados, permaneceram no lugar, entre 1760/1766, agora citado Fazenda Vytycatu ou 'que foram dos Padres da Companhia'.
"Thomazia: Aos dezanove dias do mes Dezembro de mil e setesentos e secenta annos baptizey, e pus os santos oleos a Thomazia inocente filha de Jeronimo e de sua molher Agostinha índios que foram dos Padres da Companhia foram Padrinhos Domingos Pardo cazado e Joana preta escrava de Francisco Pais cazado todos desta freguezia de que fis este acento que asigney. Raphael Tobias de Aguiar - Vigario." (Sorocaba - Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 89).—
—"Nataria: Aos catorze dias do mes de marso de mil e setecentos e sessenta e dous annos baptizey e pus os santos a Nataria inocente filha de Maxima escrava que foi dos padres da Companhia e de pay incognyto: foram padrinhos Pedro e Maria indios cazados da mesma fazenda de que fiz este acento que asigney. Raphael Tobias de Aguiar." (Sorocaba - Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 93).— 
—"Bartholomeu: Ao primero dia do mez de Setembro de mil sete sentos e secenta e dous annos baptizei, e pus os santos ollios a Bartholomeu inocente filho de Manoel e de sua molher Maria escravos da Fazenda de Vytycatu que foram dos Padres da Companhia, foram Padrinhos Joan Fernandes solteiro e Francisca Fernandes, viuva, de que fiz este acento que assignei. Raphael Tobias de Aguiar – Vigario." (Sorocaba, Nossa Senhora da Ponte, Batismos 1739/1773: 96).—
—"Maria: Aos vinte dias do mês de Setembro de mil sete sentos e secenta e dous anos baptizey e pus santos olleos a Maria inocente filha de Maria escrava da fazenda que foy dos Padres da Companhia, sem conhecimento de Paz: foram Padrinhos Antonio Rodrigues [...Luiza...] solteiros de que fiz este acento. Raphael Tobias de Aguiar – Vigario". (Sorocaba – Nª Sra. da Ponte, Batismos, Livro 1739/1773: 96).—
—"Domingos: Aos vinte e quatro dias do mes de junho de mil sete sentos e secenta e tres annos baptizey e pus os santos ollios a Domingos inocente filho de Domingos e de sua molher Dina escravos da fazenda dos Padres da Companhia foram Padrinhos Alexandre solteiro escravo da mesma fazenda e Rebeca cazada escrava de Maria de Almeyda todos desta Freguezia de que fis este acento que assignei – Raphael Tobias de Aguiar - Vigario (Sorocaba, N. Srª da Ponte, Batismo 1739/1773: 102).—
—"Joan: Aos dizaseis dias do mes de Marso de mil Sete sentos e sessenta e quatro annos baptizei e pus os santos ollios a Joan inosente filho de Maxima e de Pay incógnito administrado dos Padres da Companhia da Fazenda de Vytycateo. Foram Padrinhos Izidoro cazado e Rita Molata solteira escravos de Maria de Almeyda todos desta Freguezia de que fiz este acento que assignei. Raphael Tobias de Aguiar – Vigario." (Sorocaba, N. Srª da Ponte, Batismo 1739/1773:106).—
—"Antonio: Aos vinte e sete dias do mes de julho de mil sete sentos e secenta e seis annos nesta matriz baptizei e pus os santos olios a Antnio, inocente filho de Domingos e sua mulher Dina escravos da fazenda de Uvutucatu. Foram padrinhos Francisco escravo de João Dias Vieira, e Rebeca escrava de Maria de Almeyda Leyte todos desta Freguezia de que fiz este ascento assignado pelo Padrinho com cruz por não saber ler e escrever. Reafirmo, que in verbis todos dessa – Vigario Joseph Manoel de Campos Bicudo." (Sorocaba, N. Srª da Ponte, Batismo 1739/1773: 130).—
—"Izabel: Aos vinte e sete de julho de mil sete centos e sesenta e seis annos baptizey e pus os santos olleos a Izabel inocente filha de Maxima escrava da fazenda Uvutucatu e pay incognyto: Forão padrinhos Francisco escravo de João Dias Vieyra e Margarida escrava da minha fazenda de Uvutucatu, todos desta freguezia de que fiz este asento e assignado pelo Padrinho com cruz por não saber e escrever que reafirmo in verbis todos dessa. O Vigario Joseph Manoel de Campos Bicudo." (Sorocaba, N. Srª da Ponte, Batismo 1739/1773: 130).—
—Fonte: Assentos eclesiais católicos colhidos das páginas https://familysearch.org.
Pós 1766, quanto a religiosidade e, com isso, os assentos eclesiais, o Monsenhor Aluísio Almeida esclarece:
"Mais além de Tatuí, os campos de Guareí e Botucatu eram enormes sesmarias dos Campos Bicudos e dos Jesuítas, com algum gado e peões índios. Paulino Aires de Aguirre, aqui residente arrematou em hasta pública a fazenda de Botucatu, cujos agregados, agora índios livres, vinham batizar os filhos em Sorocaba, depois em Itapetininga que os campos de Guareí e Botucatu eram enormes sesmarias dos Campos Bicudos e dos Jesuítas, com algum gado e peões índios cujos agregados, agora índios livres, vinham batizar os filhos em Sorocaba, depois em Itapetininga." (‘Memória histórica sobre Sorocaba’, pelo Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba, Volume V: 178).
No ano de 1772 os assentos eclesiais para Botucatu e região, foram registrados em Itapetininga, não mais em Sorocaba; e a denominação 'Fazenda do Padres da Companhia, ou que foi deles, no lugar denominado Botucatu', no ano de 1776, passa ser identificada com Fazenda do 'El Rey', por exemplo, no batismo de Anna, aos 17 de dezembro, seis dias antes da hasta pública de citada propriedade.
Batismo de Anna aos 17/12/1776, mencionando a antiga Fazenda Jesuítica  como 
do 'El Rey, no Votucatu'
—"Anna - innocente: Aos dezasete dias do mes de Dezembro de mil e sete centos, e setenta e seis annos bautizey, e pus os santos oleos a Anna innocente filha de Martinho, e de sua mulher Faustina escravos da fazenda de El Rey, sitta no lugar chamado Vutucatu: forão padrinhos João Peyxoto homem cazado, e Nicacia mulher de Elisbão, também da mesma fazenda, todos desta Freguezia, e para constar fiz este ascento. O Vigario Paulo Severo de Moraes e Oliveira."—

4. A povoação Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra 
A sede da Fazenda de 'El Rey', no Botucatu, situada dentro das terras outrora jesuíticas e em hasta pública arrematadas pelo Capitão Paulino Ayres Aguirra ou Aguirre e o Sargento-mor Manuel Joaquim da Silva e Castro, teria sido elevada à condição de povoação oficial, que as tradições apontam sob a invocação de Nossa Senhora das Dores. 
O fundador da povoação ou oficializador do lugar foi Simão Barbosa Franco, em 1776, algum tempo depois da morte de sua segunda esposa, dona Rosa Maria Leite de Sampaio, ocorrida aos 20 de maio de 1776, em Lages - Santa Catarina, citação oficial (Nogueira, Genealogia Simão Barbosa Franco, 2011: 1-2). A invocação a Nossa Senhora das Dores como protetora do lugar sugere fundação aos 15 de setembro, data consagrada à santa. 
Assunto polêmico ante a ausência de documento oficial, do último quartel do século XVIII, que possa efetivamente atestar Nossa Senhora das Dores por padroeira do arraial firmado, no entanto, correto que qualquer povoação oficializada tinha sua entidade protecionista, Botucatu não seria exceção, e de lá nenhuma outra denominação eclesial lembrada pelos mêmores e tradições.

4.1. Um bairro 'oficialmente reconhecido' Antigas memórias apontam a existência de um lugar denominado Nossa Senhora das Dores de Cima da Serra [Botucatu], fundado por ordem do Morgado de Mateus ao Simão Barboza Franco, que a deu por conclusa em 1776.
Almeida Pinto (1994: 23) escreveu, conforme aventavam estudiosos e historiadores, ou diziam as tradições, que aquela povoação, fundada por Barboza Franco, apresentava-se capenga vinte e três anos depois, em 1799, com sete fogos e quarenta e oito moradores, inclusos os chefes de família, suas mulheres, filhos, agregados e escravos. 
Não se deve ignorar que o desamparo de Martim Lopes aos feitos do antecessor para a região de Botucatu, as sesmarias não progrediram, e as fazendas entre a Serra e o Paranapanema fracassaram, ficando os fazendeiros e arranchados contidos no alto da Serra, à mercê da crescente e ameaçadora presença indígena, sendo certo que alguns abandonaram Botucatu.
Outrossim, os índios expulsos por Fiúza, em 1776, retornaram mais ou menos dez anos depois, com seus descendentes e acrescidos de outros grupos e restos tribais, para formar numerosa e preocupante população adversa ao progresso, postando-se nas encostas das serras, onde a geografia lhes facilitava os movimentos e táticas de combates, impedindo o expansionismo para adiante da Serra.
Contribuiu a isso o descaso do Capitão-General da Província, Martim Lopes Lobo de Saldanha, ao não cuidar de tudo quanto deixou seu antecessor, o 4º Morgado de Mateus, na região.
Recentemente o estudioso Toledo Piza, em suas pesquisas para Tese de Doutorado (Universidade de São Paulo - USP 2015), encontrou documentos que comprovam tudo quanto relatou, resumidamente, Almeida Pinto sobre sobre a povoação Nossa Senhora das Dores, nominada 'Bairro do Botucatu'
—"É de 1779 a mais antiga citação que conhecemos, do bairro do Botucatu, nos maços de população de Itapetininga. São apenas 7 fogos:—
—1º fogo: Francisco Leme da Silva, 25 anos Ermenegilda Maria, 16 anos (sua mulher) Escravos: João, Pedro, Miguel, Joaquim, Manoel e Rodrigo;—
—2º fogo: Saturnino Pais, 22 anos Escravos: Francisco, Domingos e Manoel;—
—3º fogo: José Paes, 43 anos Salvador Leme, 30 anos Francisca de Almeida, Joana (filha), 4 anos. Agregados: Joaquim e Simão.—
—4º fogo: Escravos de João Alves: Antônio, 25 anos; Violante, 20 anos;—
—5º fogo: Inácio de Barros, 25 anos Bento de Góis, 14 anos;—
—6º fogo: João Batista, 53 anos; Joanna Ribeiro (sua mulher), 51 anos Agregados: Salvador, Agostinha, Idaria, Ana e Severina.—
—7º fogo: Vitoriano Frz., 40 anos, Rosa Diniz (sua mulher), 35 anos Maria (filha), 6 anos Joana (filha), 5 anos José (filho), 2 anos. Escravos: Elesbão, Martinho, Raimundo, Domingos, José, Vitor, Gregório, Luiz, Maria, Vicência e Faustina.—
—Como os escravos aparecem discriminados, deduz-se que os demais habitantes são homens livres. Porém, não há informações sobre seu status: se proprietários, parentes de proprietários, ou simples capatazes; se alfabetizados; se possuidores de renda.—
—Podemos, entretanto, esmiuçar esta breve lista para buscar aproximar o perfil desta população – e suas moradas.—
—Fogo 1: Francisco Leme da Silva aparece na Genealogia Paulistana, título Prados, e também foi rastreado pelo Projeto Compartilhar. Era de Atibaia, sendo seu pai de Mogi das Cruzes, e seus tios emigrados para o sul de Minas Gerais. Casou-se em 1776 em Itu com Ermenegilda, que era filha de Antônio de Campos Bicudo. O casal Francisco Leme e Ermenegilda teve ao menos um filho, homônimo do avô Antônio de Campos Bicudo, batizado em Itu, e casado em 1803 em Campo Belo - Minas Gerais, onde residiam primos pelo lado paterno.—
—Fogo 3: Salvador Leme da Silva, irmão de Francisco, era de Atibaia, casou-se em 1770, em Sorocaba, com Francisca de Almeida. Vale dizer que outros dois irmãos Leme da Silva eram casados em Sorocaba (apesar de não constarem deste recenseamento do bairro do Botucatu), sendo que um deles, João, era casado com Maria Paes de Camargo, possivelmente aparentada a Saturnino Pais, do fogo 2 deste maço, e a José Paes, que coabitava com o casal Salvador Leme e Francisca de Almeida.—
—O fogo 4 é unicamente moradia de escravos, em propriedade cujo titular vive distante. O nome João Alves é comum, portanto não foi possível identificá-lo, mas encontramos muitos Alves em Itu, provável local de residência do proprietário.—
—No fogo 5 temos dois jovens, possivelmente capatazes, ou filhos de proprietários assumindo as rédeas de suas heranças. Os sobrenomes Barros e Góis são utilizados indiferentemente pelos descendentes do capitão Maximiano de Góis e Siqueira, de São Roque, o que nos leva a supor que estes jovens seriam possivelmente seus netos.—
—Fogo 6: Nomes comuns, não foi possível identificá-los entre diversos homônimos parciais encontrados.—
—Fogo 7: Rosa Diniz e Vitoriano Fernandes da Costa são relacionados na Genealogia Paulistana. Casaram-se em Sorocaba, terra da noiva, em 1766. Outros acontecimentos da família, segundo Silva Leme: a filha Maria Fernandes se casou em Sorocaba em 1786 (se for esta Maria, casou-se com 13 anos); Ana casou-se em 1792, em Sorocaba (se for a Joana que consta na genealogia, estava com 18 anos); José se casou em 1794 em Itapetininga (teria 17 anos), sendo a noiva de Paranapanema (Apiaí).—
—(...).— 
—(Toledo Piza - Dr. João Fernando Blasi de, Nos sertões de Botucatu: Arquitetura e território das sesmarias pioneiras às grande instalações cafeeira 1830-1930, Tese de doutorado apresentada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo para obtenção do título de Doutor em Arquitetura e Urbanismo, 2015: 54-57 – versão eletrônica – CD: A/A, texto reproduzido conforme ditado pelo autor, "Autorizo a reprodução e divulgação total ou parcial deste trabalho por qualquer meio convencional ou eletrônico, para fins de estudo e pesquisa, desde que citada a fonte. E-mail: j.piza@ifsp.edu.br e jaopiza@yahoo.com).", ao qual os agradecimentos de SatoPrado.—
Observável, pelas exposições daquele autor, dentre os relacionados moradores de 1779 constata-se maioria de sobrenomes vinculados às famílias ricas e tradicionais, uns poucos comuns, e elevado número de escravos; são 76 os indivíduos contados moradores. 
A crescente e ameaçadora presença indígena no Botucatu provocou um vazio de proprietários, e as principais famílias se retiraram para regiões mais seguras, permanecendo apenas os arranchados e pequenos posseiros, alguns descendentes de antigos trabalhadores livres, índios e escravos da Fazenda Jesuítica. A povoação não se extinguiu, porém raros, senão inexistentes, documentos entre os anos de 1790 e 1805. 
Algum arraial existiu na Serra Botucatu no XVIII, porém nada dito, documentalmente, que por lá alguma povoação sob a proteção de Nossa Senhora das Dores. 

4.1.1. Povoação eclesiasticamente sob a invocação de Nossa Senhora das Dores
Dúvidas para alguns quanto a existência ou não, em algum tempo, do povoado Nossa Senhora das Dores, ou que tal oraga tenha sido padroeira botucatuense, a história confirma que existiu sim, no Botucatu, no século XIX, uma povoação com aquela denominação, reconhecida pela Igreja como Capela, depois Paróquia, já nos tempos de Freguesia., portanto, irrefutável.
Relatório da Presidência da Província de São Paulo, para o ano de 1854, relaciona Botucatu na 15ª Comarca, tendo por cabeça Itapetininga: "Freguezia de Botucatu. Nossa Senhora das Dores é a padroeira de Sua Igreja parochial." (Relatório BMIP 991, de 15/02/1856, exercício de 1854, 02/12/1856: S1-10 http://brazil.crl.edu/bsd/bsd/991/). 
Tal expediente apresenta Botucatu, já elevado à categoria de Freguesia, e reconhecido canonicamente na forma do Concílio Tridentino, com os direitos, privilégios, honras, insígnias e distinções, que lhe foram conferidas como Igreja Paroquial, sob a invocação de Nossa Senhora das Dores, vigorando-lhe as mesmas divisas estabelecidas pelo Poder Civil. 
A paróquia Nossa Senhora das Dores de Botucatu,
do 6º Distrito de Itapetininga - SP.
Da mesma forma o Governo Imperial, pelo 'Decreto nº 1822, de 17/09/1856'ao proceder divisões das paróquias da Província de São Paulo por distritos, no sexto deles fez constar a "Paróquia Nossa Senhora das Dores de Botucatu", o que, por extensão, confirmava direitos em atuar sobre os registros [paroquiais] de terras. 
Tais expedientes confirmam que Botucatu, em algum momento e por tempos de sua história conhecida, teve Nossa Senhora das Dores como padroeira, reconhecida pela Igreja e aceita pelo Estado, na antiga forma de relações entre ambos.
No Recenseamento do Brasil de 1872, concluído na Província de São Paulo em 1874, às páginas 268/269, traz a publicação oficial para Botucatu, como 'Paróquia Nossa Senhora das Dores de Botucatu' (IBGE, http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv25477_v12_sp.pdf). 
Outros documentos de governo ratificam como oraga botucatuense a Nossa Senhora das Dores, no século XIX, enquanto, até junho de 2017, nenhum expediente civil ou eclesial apresentado que possa testificar Santa Ana por padroeira de Botucatu nos anos de 1800.

5. Ocupações na Serra Botucatu - século XIX 
5.1. Incentivos para investir
A Carta Régia de 05 de novembro de 1808 permitiu e incentivou as denominadas guerras justas contra indígenas, em parte do território paulista de então, abrangendo os campos de Itapeva e, por extensão e afrouxo legal, os sertões de Itapetininga atingindo os caminhos e o alto da Serra Botucatu. 
Ao Governador e Capitão General da Capitania de São Paulo, Antonio José da França e Horta, constou inequívoca a determinação real:
—"(...). Em primeiro logar que logo desde o momento em que receberdes esta minha Carta Regia, deveis considerar como principiada a guerra contra estes barbaros Indios: que deveis organizar em corpos aquelles (...) que voluntariamente quizerem armar-se contra elles, e com a menor despeza possivel da minha Real Fazenda, perseguir os mesmos Indios infestadores do meu territorio; procedendo a declarar que todo (...) morador que segura algum destes Indios, poderá consideral-os por quinze annos como prisioneiros de guerra, destinando-os ao serviço que mais lhe convier; (...)." (Carta Régia de 05/11/1808, Coleção de Leis do Império, 1808: 156 - Volume 1).
Os índios, assim entendido e justificado no Ato Régio, matavam fazendeiros e obrigavam retiradas de famílias, despovoando dos sertões, com o abandono das sesmarias, vãos e fazendas, tornando-as devolutas - retornadas à Coroa, assim como devolutas as terras ocupadas por tribos hostis, renitentes à civilização e atravancadoras do progresso.
Abriu-se brecha legal. Qualquer que se aventurasse na empreitada de retirar índios, exitoso e sem custos para a Real Fazenda, conquistava uma propriedade, pelas regras de sesmarias, podendo mesmo dividi-la em propriedades menores sob justificativa de povoa-las, podendo incorporar outras através de recibos de compras, verdadeiros ou arranjados, e avançar domínios sobre áreas desocupadas - sob justificativas que índios bravos habitam nelas.
De resto, numa guerra declarada, podia-se matar índios ou aprisiona-los para serviços gratuitos no empreendimento, inclusive vende-los para servidão.
Os fazendeiros então se apresentavam com títulos de posses, reais ou não, e avançavam sobre pequenos posseiros que não apresentassem registros de propriedade.

5.2. O Capitão José Gomes Pinheiro e outros fazendeiros no Botucatu
José Gomes Pinheiro [Velozzo], nascido aos 9 de outubro de 1784, em Santos (SP), filho de Damião Cosme [Albornóz] Pinheiro e Joaquina Rosa [Gomes Pinheiro Vellozo] de Jesus, casado com Anna Florisbella Machado de Oliveira [e Vasconcellos], aos 8 de outubro de 1816, sendo ela nascida em Paranaíba - SP, filha de Maximiano de Góes e Siqueira Leite e Antônia Caetana Machado de Oliveira e Vasconcellos (Matrimônio - São Paulo, Matriz Nossa Senhora da Assunção ´Sé], Livro 1812/1832: 268, https://www.familysearch.org/)
O Capitão Gomes Pinheiro, vindo a residir em Itapetininga, a serviço da Companhia de Ordenança - anterior à Guarda Nacional, com título e farda de oficial, para tornar-se importante nome regional de sua época. Rico e político liberal atuante, adquiriu três fazendas [das Pedras, Morrinhos e Capão Bonito] em Botucatu, reunindo-as numa só, a Monte Alegre, endereço que lhe serviu de esconderijo quando da fracassada Revolução Liberal de 1842 (Marins, 1985: 14).
Em 1808 o Capitão Gomes Pinheiro chegou à Serra, aonde a povoação Nossa Senhora das Dores, dimensionando e agregando para si terras abandonadas ou de ocupação indígena, adquirindo em 1816 a antiga sesmaria do Capitão João Pires de Lara, nome modificado para João Pires de Almeida Taques, e em seguida apresentar-se demandador contra pequenos posseiros por lá instalados.
Outros grandes proprietários igualmente chegaram ao alto da serra com as mesmas intenções do Capitão em apossar terras, tomando-as dos índios, adquirir outras e formar grandes fazendas. 
Nos anos de 1820 a localidade, Nossa Senhora das Dores, apresentava população flutuante, porém radicados os capatazes e trabalhadores de fazendas próximas, livres ou não, num lugar carente de recursos, com raros assentos eclesiásticos, lavrados e levados para, primeiro Sorocaba e, depois, Itapetininga.
Se os índios aparentemente se davam bem com os arranchados e pequenos posseiros, descendentes de antigos trabalhadores na Fazenda Jesuítica, o mesmo não acontecia em relação aos intrusos que o Capitão pretendia instalar, e nem com os fazendeiros divisos que chegavam; contudo, as aplicações da Carta Régia de 1808 distanciavam os indígenas, belicosos ou não.
A favor dos índios, a Lei Imperial de 27/10/1831 revogou as Cartas Régias de 1808, que permitiam a guerra contra eles e servidão dos capturados: 
—"Art. 1º. - Fica revogada a Carta Régia de 5 de Novembro de 1808, na parte em que mandou declarar a guerra aos Indios Bugres da Província de S. Paulo, e determinou que os prisioneiros fossem obrigados a servir por 15 anos aos milicianos ou moradores que os apprehendessem. (...)."—
Isto tirou o ímpeto de novos chegadores, e em 1835, apenas quatro fazendeiros ocupavam terras no Botucatu, administradas por capatazes e empregados, livres ou não:
—Capitão José Gomes Pinheiro Velozzo, dono da propriedade Monte Alegre formada pelas fazendas Capão Bonito, Morrinhos e Pedras.—
—Capitão Ignacio Dias Baptista, o célebre Capitão Apiaí, casado com D. Flávia Domitila Monteiro, proprietário da Fazenda Rio Claro.—
—Capitão Raymundo de Godoy Moreira, casado com D. Ritta Machado de Moraes [Morais], teve as fazendas Boqueirão e Pulador, a seu tempo repassando-as aos genros Capitão Major José Inocencio da Rocha - casado com Francisca de Morais Ferraz, e o Capitão Joaquim Gabriel de Oliveira Lima - casado com Maria da Anunciação Ferraz (Itapetininga, Livro de Matrimônios, 11/03/1834: 3 - para ambos os registros).—
—João Marques, possuidor da Fazenda Bom Jardim, e sesmeiro agrupado a outros na região botucatuense - neste consórcio o Rio Tietê por referência.—
Desde a edição da Lei Imperial, de 27/10/1831, quase somente indivíduos erradios chegavam ao sertão, "incrementado por causas diversas e poderosas: fuga ao recrutamento, perseguições políticas, receio à ação policial, deserção dos contingentes de tropa e da polícia" (Donato, 1985: 51). Tais homens, que traziam armas brancas e de fogo por ferramentas de trabalho, encontravam serviços de encomendas, como os assassinatos, guardas de posses, invasões de propriedades, mas não eram práticos nos combates aos índios.
A situação se modificou com a chegada de Joaquim da Costa [e] Abreu, com o qual o Capitão Comes Pinheiro fez acordo verbal de posses, 'mato e campo', sendo o 'campo' para o Capitão e 'mato' para Costa Abreu. 
—O Capitão Gomes Pinheiro enxergara em Costa Abreu o homem certo para garantir a estabilidade do lugar, livre da presença indígena, então de melhor agrado consentir-lhe na ocupação das matas, sem qualquer outra razão que não o aumento seguro de suas posses.—

5.2.1. Desentendimentos entre parceiros
Unidos no célebre acordo verbal de posses, 'mato e campo', Gomes Pinheiro e Costa Abreu se desentenderam com acusações mútuas; ou o Gomes Pinheiro teria se arrependido do combinado, ou, o Costa Abreu descumprido o tratado ao invadir e assumir para si parte dos campos, e entre eles a 'Contenda da Porteira'que os zelosos de Costa Abreu defenderam a bala impingindo derrota ao bando do Capitão.
Insatisfeito o Gomes Pinheiro entrou em juízo para reaver pressupostos direitos, mas Joaquim da Costa Abreu morreu antes da decisão, no ano de 1840, e em seu lugar assumiu o irmão Euzebio da Costa Luz, político conservador. 
A ideação política liberal do Capitão Gomes Pinheiro levou-o partícipe na Revolução de 1842, em Sorocaba, e lá se encontrava o adversário conservador Euzebio da Costa Luz, feito prisioneiro dos liberais, liberto a força pelo mineiro José Theodoro de Souza, futuro conquistador do sertão.
Fracassada a Revolução Liberal, Gomes Pinheiro refugiou-se numa de suas fazendas, em Botucatu, bem ao alcance de Costa Luz, e entre eles um novo acordo em 1843: o Capitão renunciaria a ação judicial e doaria porção de suas terras, que fez documentar para o patrimônio de Santa Ana, para o aumento do povoado já existente. Não praticaria a primeira parte de simples bom grado. 
Com a anistia imperial de 14 de março de 1844 e a formação de um Ministério Liberal, Gomes Pinheiro retornou a Itapetininga, para eleger-se vereador - eleições municipais de 1844 e trabalhar em pró uma freguesia no Botucatu, sob a invocação de Santa Ana.

6. Freguesia pretendida
Uma primeira vez se pensou numa povoação, na região de Botucatu, independente de Nossa Senhora das Dores, com pretensões a Freguesia. 
Assim, Felisberto Antonio Machado, fazendeiro e morador no Botucatu, numa carta requerimento de 12 de junho de 1840, à Assembleia Provincial de São Paulo, informava e requeria:
—"Diz Felisberto Antonio Machado morador de cima da serra de Santo Ignácio, Districto da Villa de Itapetininga, que sendo este lugar bocca de sertão, começado a lavrar há cinco annos n’esta [ilegível] pela fertilidade das terras para ella tem concorrido muitas pessoas e continuão a concorrer não só d’esta província como da de Minas e já contém oitenta e tantos fogos com muito mais de trezentas e quarenta e cinco almas e sendo aí povoações que se achão mais próximas as villas de Itapetininga e Constituição das quaes dista vinte légoas, com [ilegível] diferença que grande parte d’ellas acha-se [ilegível] partes dos recursos da Igreja, morrendo os fiéis sem o sacramento da penitência e da Extrema Unsão e sendo seus corpos enterrados em lugar não sagrado pela impossibilidade Parocho accudir aos moribundos, e de se transportarem os corpos para os cemitérios mais favoráveis O suplicante vem perante V.Exas. requerer sirvão-se exigir as informações que na sua sabedoria julgarem necessárias acerca da veracidade do allegado e bem assim de huma Capella que o suplicante está edificando com o socorro d’outros moradores, no Capão Bonito hum quarto de légua arredado do Campo está colocada no lugar que mais comodidade oferece aos moradores, tanto por sua proximidade como por ser regado pelo Ribeirão denominado Cachoeira que pode ser conduzido ao páteo da Igreja, e já he o mais abrigado dos índios afim de evitar os estragos dos quaes alguns dos moradores tem sido victimas, e demais disto laborar sobre a urgente necessidade que há, de alli criar-se uma Freguezia [ilegível]. Para Vossas Excelencias sejão {ilegível] de fazer na forma requerida – a) Felisberto Antonio Machado" (Apud Godoy, A história do Capitão José Gomes Pinheiro, 2000: 39-40).— 
Felisberto, pela apresentação e justificativas dadas, pretendia a formação de novo povoado, em sua propriedade, cujo local apresentava-se com melhor localização, segurança e comodidade, para ser fazer uma freguesia.
O documento, aparentemente, não sensibilizou a Assembleia e, assim, o mesmo Felisberto Machado juntamente com João da Cruz Pereira e Manoel de Almeida, em 1843, encabeçaram abaixo assinado, com mais de duzentas assinaturas ao governo provincial, ratificando o pedido de 1840 (Godoy, op.cit, pgs. 38 e 41).
Os pedidos, unificados, chegaram à Câmara Municipal de Itapetininga, para algum procedimento verificativo, sendo designado para vistoria o Suplente de Delegado de Polícia de Itapetininga, Francisco José Coelho, cujo relatório datado de 23 de março de 1843: 
—"...com effeito o logar em que se acha edifficada huma Capella hé próprio para huma Freguezia, visto que contém de mais de setenta fogos, ...tem muito boas mattas e agoadas, e prometer muitas vantagens, ficar na inbocadura de huma estrada que parte para Constituição, ou, para Minas Geraes, eis o que posso informar a ..." o relator, Francisco José Coelho, Delegado de Polícia [Suplente] de Itapetininga. (Apud, Figueiroa - João Carlos, A história de Botucatu, A Capela do Ribeirão da Cachoeira...a tentativa de criar uma Freguesia em Cima da Serra de Santo Inácio", http://www.ybytucatu.net.br/historia/ribeiraodacachoeira.html).—
O Delegado não subiu a Serra. O Capitão José Gomes Pinheiro, homiziado em uma de suas fazendas na região, Botucatu, em causa da Revolução dos Liberais de 1842, não podia correr riscos, e o relator policial, pelo que se depreende, informou de uma localidade já existente, Nossa Senhora das Dores.
Por determinação de autoridade, realizou-se nova vistoria, a 03 de maio de 1843, desta feita pelo Coletor, Francisco de Paula e Mendonça:
—"Na Serra de Santo Ignácio não existe Capella alguma, porém consta-me estar o supplicante fundando hua em seo sitio em Cima da Serra, tres legoas distante della; ignoro se está em logar sufficiente, apto para Matris, visto que não foi construido para esse fim. ... Sobre o numero de Povos também ignoro, pois ...apenas alguns fregueses tem procurado para alguns sacramentos, como baptismo e Matrimonio; procurei saber do subdelegado desta Villa o numero de fogos, não me soube informar. Hé necessidade de extrema (...) formar-se hua Freguezia naquelle Bairro porém, ao meo pensar, não deve ser em tal logar, mas sim aquém da Serra, no Ribeirão denominado S. Ignacio, onde está muito povoado, e que dysta desta Villa des legoas, cujos habitantes também não podem com promptidão ser socorridos dos Sacramentos;..." (Figueiroa, op.cit. - http://www.ybytucatu.net.br/historia/ribeiraodacachoeira.html).—
As pretensões de Felisberto ruíram, pois, segundo o relator, já existia por aquelas bandas um lugar povoado, certamente Nossa Senhora das Dores de Botucatu, que deveria receber foro de freguesia. 
Felisberto não obteve sucesso, porém o seu Capão Bonito se fez povoado e, em 1916, lhe foi dado o nome Rubião Junior, distrito do município de Botucatu; mas isto, ainda merece melhores estudos e apresentações de documentos.

6.1. Doações patrimoniais a Nossa Senhora das Dores e a Santa Ana
Entre os anos 1837 e 1840 Botucatu se achava livre da presença indígena, desde o entradismo de Costa Abreu, que para a garantia de sucesso doou, informalmente, terrenos para ampliar a territorialidade da povoação Nossa Senhora das Dores e, nela, melhor acolhida aos interessados, proprietários, empregados e agregados.
O povoado cresceu pelos tantos mineiros trazidos por Costa Abreu - "a mineirada dos Costas" (Almeida Pinto, 1994: 29), além de outros chegantes atraídos pelo progresso e interesses em adquirir terras ou nelas trabalhar, além de prestadores de outros serviços à população, como construtores, consertadores e fazedores de veículos da época, artesãos nas diversas especialidades e tropeiros entre outras profissões. 
Costa Abreu tornou-se mandatário do lugar, até sua morte, em 1840, deixando pendencia judicial que lhe movera Gomes Pinheiro, e a ação continuaria sobre os herdeiros, agora capitaneados pelo irmão Euzébio da Costa Luz.
Quanto ao Gomes Pinheiro, após a derrota dos liberais em Sorocaba, no ano de 1842, refugiou-se em uma de suas fazendas agrupadas na Monte Alegre, Botucatu, fez encerrar a pendenga contra os Costa, e aos 23 de dezembro de 1843, ainda foragido político, doou terras escrituradas para o patrimônio de Santa Ana, representado no ato por Felisberto Antonio Machado.
Nada incomum doações a diferentes patrimônios numa mesma localidade. Em Santa Cruz do Rio Pardo, terrenos foram doados, distintamente, à Santa Cruz e ao Santo Antonio; enquanto na São Pedro do Turvo, o ofertante José Theodoro de Souza ali endereçou, separadamente, bens aos santos Pedro e João.
De maneira geral considerava-se, no qual patrimônio assentado o templo religioso principal, para o nome do santo ou santa ser extensivo a todo o povoado, e, assim, no caso Botucatu, a Matriz da primeira construção, se situava dentro do patrimônio de Nossa Senhora das Dores, e carregava o mesmo nome da padroeira, e assim se explica a Santa Ana não constar como protetora da localidade.
A Câmara Municipal de Botucatu, num ofício resposta ao Presidente da Província de São Paulo, confirma o templo religioso situado dentro das terras patrimoniais doadas, sem documentações, por Costa Abreu e mantidas pela descendência, mas não a favor da oraga Santa Ana como pretendido pelos vereadores (AESP, Documentos Interessantes para Botucatu, 10/10/1860, Caixa 39, Pasta 2, Documento 20, gentileza de Paulo Pinheiro Machado Ciaccia).
Segundo as tradições, a denominação Sant'Ana teria sido exigência do Capitão Gomes Pinheiro, em lugar de Nossa Senhora das Dores, em homenagem a esposa Ana. Apenas para informar, a mulher de Costa Luz coincidentemente se chamava Ana, e era o nome, também, da esposa do Capitão Francisco de Assis Nogueira, outro doador de porte para garantir a crescimento de Botucatu.
De justeza informar que, apenas em 1876 a família Assis Nogueira ratificou documentalmente a doação de terras feitas nos anos de 1840 pelo Capitão Francisco de Assis Nogueira, para o patrimônio de Sant'Ana, aposto em certidão de ratificação de doação, de 16 de junho de 1876, Livro 22 fls. 15v e 16, pela viúva, herdeira e meeira, e os demais herdeiros (Cópia de Certidão expedida pelo 1º Tabelião de Notas e de (…) Botucatu, a 01 de outubro de 2003, gentileza do memorialista Joaquim dos Santos Neto). 

6.1.1. Outra vez um pedido para nova freguesia
Unida a povoação botucatuense da época, com dois patrimônios distinguidos, o Capitão Gomes Pinheiro em 1845 apresentou e defendeu junto à Câmara Municipal de Itapetininga, onde vereador, que o lugar fosse elevado à condição de Freguesia, sob a invocação única de Santa Ana, com aprovação dos seus pares e o processo encaminhado à Assembleia Legislativa Provincial de São Paulo, para as providências finais de competência (ALESP, EE 46.61-64). 
Político hábil, Gomes Pinheiro colocou, como argumento ao pedido, uma série de improbações contra seus adversários e a péssima condição de segurança pública, onde se toma o preso das mãos da polícia, protege assassino e acolhe bandido, num apontamento indireto ao Euzebio da Costa Luz que fez soltar em Botucatu e colocar em lugar seguro, o Dionízio Tavares ou Pereira da Silva, assassino do Senador do Império, por Minas Gerais, o Padre José Bento Ferreira de Mello. 
O lugar, justificava o expediente camarário, precisava da fé católica, e sem dizer o nome da povoação referenciava-o, apenas, Distrito de Cima da Serra, com duzentas ou mais moradias, cuja população empenhada na construção de templo religioso dedicado a Santa Ana que, pela vontade do Vereador Gomes Pinheiro, deveria ser o nome da freguesia pleiteada. 
A Igreja tinha sua própria maneira em atender reivindicações para recebimento de doações patrimoniais, podendo conceder ou não faculdade para se fazer a fundação, ereção e edificação de capela ou templo religioso, em próprios do bem recebido, e uma vez aceito deverá constar no Livro do Tombo da Matriz Forânea, mas nela não se poderá, sem licença especial, celebrar ofícios religiosos, para os quais dependerá de rigoroso processo interno, com informações do lugar, capacidade do edifício e outras observações inerentes, com a proibição de invocar proteção de padroeiro ou padroeira sobre a construção, pois competência exclusiva da Igreja, independente da denominação do povoado. Como exemplo, a Carta de Provisão para a construção de capela em São Pedro do Turvo (Livro de Registro de Provisões da Diocese de São Paulo, 1851/1857: 44-45 - http://celsoprado-razias.blogspot.com.br/2009/12/razias-sao-pedro-do-turvo.html).
Após as tramitações de praxe a Assembleia Legislativa encaminhou ao Presidente da Província a decisão: "Artigo Único – Fica creada hua Freguezia no Districto de Cima da Sérra de Botucatú, Municipio de Itapetininga, e o Governo designará as divisas, ouvindo a respectiva Commissão, revogadas as disposições em contrario."
A redação não trouxe o solicitado nome da padroeira, e aos 19 de fevereiro de 1846 o Presidente da Província de São Paulo, manteve a mesma conduta, ao assinar a Lei Provincial nº 7, criando "uma Freguezia no districto de cima da Serra de Botucatú, Municipio de Itapetininga", sem mencionar a oraga pretendida e assim mantido o nome eclesial anterior. 
No ano de 1869, indicando povoação crescente, ocorreram diversas doações particulares oficializadas ao patrimônio de Sant'Ana: Domingos Soares de Barros, Joaquim Gonçalves da Fonseca, José R Cezar, Braz de Assis Nogueira, Manoel J Machado, A. J Cardozo d'Almeida, Francisco X A Pires, Manoel de Arruda Leme, Manoel G de Faria, José Emygdio de Barros, Dr. Bernardo A R da Silva, João B A Cezar, Tito Correa de Mello e D. Leonor da Silva Bueno.
Em 1845 Gomes Pinheiro colocou a venda seus bens em Botucatu, continuando a residir em Itapetininga.

7. Documentos oficiais sobre a criação da Freguesia de Botucatu
Transcrições de documentos inerentes, mantidas grafias da época (ALESP, Documentos do Império (http://www.al.sp.gov.br/):
EE 46.61 - Da Comissão de Estatística  
"A Commissão d'Estatistica foi prezente o officio do Secretario do Governo que acompanham a reprezentação da Camara Municipal da Villa de Itapetininga em que péde a erecção de hu'a Freguezia no Districto da Sérra de Botucatú, onde os moradores do mesmo estão edificando hu'a Capella sob a invocação de Sancta Anna, não só pela população que já contém, como tão bem pelas proporções que oferece o terreno para hu'a florescente povoação, tanto pela grande estenção como pela sua fertilidade, e attendendo a grande distancia, em que está da Villa de Itapetininga oferece o seguinte projecto. 
A Assembléa Legislativa da Provincia de S. Paulo decreta: 
-Artigo Único – Fica creada hua Freguezia no Districto de Cima da Sérra de Botucatú, Municipio de Itapetininga, e o Governo designará as divisas, ouvindo a respectiva Commissão, revogadas as disposições em contrario. 
Paço d'Assembléa Legislativa de SP 6 de Fevereiro de 1846. 
a) [Francisco José de] Azevedo Junior, [Francisco] Alvares Machado [de Vasconcellos], [Bernardo José Pinto] Gavião Peixoto." 

EE 46.62 - Encaminhamento pela Presidência da Província à Assembleia Provincial
"De ordem de S. Exª Snr. Marechal de Campo Prezidente da Provincia passo ás mãos de V. S. a inclusa representação da Camara Municipal da Villa de Itapetininga, datada de 20 de Dezembro último, em que péde sêr elevada á Freguezia a Capella denominada Sant'Anna no Districto de Cima da Serra no Botucatú; afim de que se digne V.S. submetella á consideração da Assembléa Legislativa Provincial. 
Deos guarde a V.S. Secretario do Governo de S. Paulo 17 de Janeiro de 1846. 
-Senhor Doutor Manoel Joaquim do Amaral Gurgel, 1º Secretario d’Assembléa Provincial. 
a) Manoel Joaquim [Henriques] de Paiva – Secretario do Governo." 

EE 46.63 - Da Câmara de Itapetininga à Presidência da Província - justificativas
"É o districto d’cima da Serra do Botucatú neste Municipio há hua afluencia de duzentas e mais fogõens e já estão estes Povos erigindo hua Capella com a denominação de Santa Anna, com a intenção d’formarem hua Freguezia, o que é de absoluta necessidade afim d’cultivar-se este povo na deciplina da Igreja, e terem os socorros Esperituais; e assim tambem a cultivação policial que por-óra esta está, pela longitude, sem força praticando-se actos desregrados, bem como soltando-se prezos 
das mãos do Inspector, e athe perpetrando-se assassinatos, e presentemente he onde muitos creminosos d’diferentes partes achão abrigo, tudo por falta de Força Policial; hua ves que neste lugar se criasse hua Freguezia afflueria gente mais grada, crearião-se Authoridades e assim teria a Justiça seo vigor, ou pelo menos seria o malvado atropelado para não passear impune, e melhoraria este mal.
He inegavel que aquelle territorio tem propriedades para berço de hua populoza villa, por que á abundancia de campos, a lem de outros que se poderão descobrir, boas mattas de cultura fertilizadas de vertentes, colocadas entre dois poderozos Rios, Paranapanema e Tiethe, clima salubre e abundancia d’peixe e cassa; a canna, café, fumo, e algodão, tem ahi franca vegetação, portanto tudo com corre para ser hum pais d’trancidente [transcendente] utilidade, alem do immenço terreno que compriende este Local que vae findar nas margens do Parana.
Entre tanto a Camara Municipal expressa que seja atendida sua representação para evitar os males que ja aparecem, erigindo-se hua Freguezia na supra dita Capella de Santa Anna no districto d'Sima da Serra do Botucatú. A mesma Camara Municipal lembra que onde fas barra o Rio pardo no Paranapanema ha um estenço terreno de Mattas d'cultura muito boas, e apropriado o lugar para edificar-se huma collonia estrangeira assegurando ser lugar salubre. 
Deos Guarde a V.Excia. por muitos annos. 
Paço da Camara Municipal de Itapetininga em Sessão Ordinaria de 20 de Dezembro de 1845. 
Ilmo Exmº Senhor Presidente da Provincia de S. Paulo.
a) José Aires de Oliveira, José Gomes Pinheiro, Joze [...] Soares, Gervazio Protazio [...], Francisco Pinto [...] de Mello.

EE 46.64 - A opinião da Chefatura de Polícia da Província
"Tenho a honra de enviar á V.Exa. a inclusa reprezentação da Camara Municipal da Villa de Itapetiniga em que expõem a necessidade de ser elevada á Freguezia a Capella denominada de Santa Anna, no Districto de cima da Serra do Botucatú, sobre o que cumpre-me informar á V. Exa., que sendo verdadeiro o allegado pela Camara, segundo me informarão ? varias pessoas fidedignas, e atendíveis as razões, que apresenta para ser elevada a Freguezia a dicta Capella, parece-me que se deve deferir a a tal justa pretenção. 
Deos guarde à V. Exa. Secretaria da Policia de S. Paulo 16 de Janeiro de 1846. 
Ilmo. Exmo. Conselheiro Manoel da Fonceca Lima e Silva, Presidente da Provincia. 
a) Joze Christiano Garção Stockler 
Chefe de Policia."

8. Da oraga Nossa Senhora Sant'Ana - o que diz a Igreja
Os autores SatoPrado 'levantaram' documento eclesiástico 'Patrimônios religiosos', de Cavalheiro Freire, publicado pelo Correio Paulistano, edição nº 26273, de 30/10/1941: 5:
—Matriz de Nossa Senhora Santana de Botucatu - Por meio de uma escritura particular, passada na fazenda de Monte Alegre, aos 23 de dezembro de 1843, José Gomes Pinheiro fez doação à dita matriz, para seu patrimonio, de duzentas braças de terras, que constam de um pasto ou retiro, no lugar denominado Capão Bonito, na fazenda que outrora pertenceu ao sargento-mór João Pires, em cujo campo ha um rincão denominado Rincão da Cerca Velha, hoje conhecido pelo Rincão da Capela, no qual, 'entrando pela esquerda do sobradinho, quasi a entrar, ou depois de entrar um bom pedaço, faz um boqueirão entre duas vertentes, onde houve um rancho queimado, no lado direito, e descendo desta vertente do rancho queimado abaixo pelo veio da agua, sempre pela agua mais acostada do rincão do Campo, até a altura que faz quadra, procurando o rumo da porteira da Contenda, e por esta adiante, pelo mesmo rumo até bater na primeira vertente do lado esquerdo, subindo por esta mesma vertente acima até sua cabeceira, e desta cabeceira tirar-se-á uma linha réta a cabeceira de outra vertente mais de cima, que fica em frente à cabeceira do supradito rancho queimado, de cuja cabeceira ao lado esquerdo fazer-se-á quadra e tirar-se-á uma linha réta a bater na mesma vertente do rancho queimado'.-" —
—Cavalheiro Freire, trata-se do Reverendo Padre Paulo Aurisol Cavalheiro Freire, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. — 
A escritura transcrita confirma doação do Capitão José Gomes Pinheiro de uma porção de terras ao patrimônio de Santa'Ana, sem constar exigência do doador para que o lugar tivesse nome de Santa Ana, do Cimo da Serra ou de Botucatu. 
O que se sabe, documentalmente, é que houve a doação de terras do citado Capitão para o patrimônio de Santa Ana, no Botucatu, administrado pela Igreja, mas esta em nenhum momento, no século XIX, deu o nome da referida oraga para a povoação já existente na localidade, continuando a ser, portanto, Nossa Senhora das Dores.

8.1. Citações como Freguesia Nossa Senhora de Santa Ana em 1849
Registros paroquiais de 1849 atestados pelo vigário botucatuense, Padre Joaquim Gonçalves Pacheco (... 1848 - 05/1850), transcritos pelo sucessor, Padre Jesuíno Ferreira Prestes (28/05/1850 - 29/05/1854), informam a localidade como 'Freguesia do Botucatu' - (Batizados de nº 01 a 46), e, depois, "Freguesia Nossa Senhora de Sancta Anna" (Batizados de nº 47 - 62) acrescida ou não "do Botucatu", sendo tais informações encontradas no 'Registro de Batismos, Botucatu, Livro de 1849/1856, imagens 23 - 34', numa época onde, sem dúvidas, presente a discussão se tal Oraga ou Nossa Senhora das Dores era de fato e direito a padroeira botucatuense no século 19, assunto ainda dividido entre estudiosos e historiadores em 2017.
Não se sabe por qual razão o Padre Joaquim Gonçalves Pacheco resolveu ou lhe foi determinado o uso do nome Santa Ana, quando a oraga era Nossa Senhora das Dores. 
Certamente gesto de cortesia para com a poderosa e influente família Gomes Pinheiro, do já falecido Capitão José Gomes Pinheiro, o doador de terrenos ao patrimônio de Santa Ana, adicionais ao povoado já existente, que tinha por invocação Nossa Senhora das Dores, e onde localizada a Igreja Matriz. Ou nenhuma mesura, precisando o vigário, em verdade, de favores ou proteções de quem o pudesse socorrer. 
Na época, sabe-se, o Padre Joaquim Gonçalves Pacheco fora acusado por práticas indecorosas na Paróquia de Botucatu, desconhecendo-se quais seriam elas, mas pronto para de lá ser arredado por ordem superior da Igreja e mais a exigência do Presidente da Província, talvez um dos atos em causa do inocente João, nascido em 1º de julho e batizado aos 12 de agosto de 1849, "filho de Joaquim Gonçalves Pacheco e de Escolástica Maria" (Batismos, Livro 1849/1856: 31), mas a isso nada se acrescenta e nem excluída homonomia. 
Mais gravemente ao reverendo os escândalos envolvendo-o a um homem residente no mesmo Botucatu:
-"Ilmo. Exmo. Senhor
- Tenho a honra de comunicar a V.Excia. em resposta ao Officio datado de hontem, que nesta data expedi as providencias necessárias afim de não se repetir os escandalos que tiveram lugar na Freguesia de Botucatú entre o Vigario Encommendado e úm individuo ali residente, arredando aquelle Sacerdote para outro lugar.
- Deos Guarde V. Esª São Paulo 16 de Maio de 1850.
 Ilmo e Exmo Senhor Doutor Vicente Pires da Motta Prezidente desta Provincia.
- [Conego] Lourenço Justiniano Ferreira - Vigario Capitular do Bispado [de São Paulo]"
-(Arquivo do Estado de São Paulo - AESP, Documentos, Repositório Digital - Ofícios Diversos disponíveis em sítio eletrônico, acessado, com cópia em 23/novembro/2017:
http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/repositorio_digital/oficios_diversos).
-O documento traz em sua cópia o número 53, o carimbo da Repartição e a sua Catalogação, sendo a referência em transverso posta pelos autores.
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Na opinião dos responsáveis SatoPrado, 'alertadores' dos registros de 1849 em pró Santa Ana, e demais expedientes juntados, os argumentos são insuficientes para a destituição de Nossa Senhora das Dores, como padroeira de Botucatu desde 1776 e todo o século 19, com reconhecimento oficial pelo Governo e Igreja.
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Observação: para os registros eclesiais neste trabalho: https://familysearch.org.
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