domingo, 20 de dezembro de 2009

45.8. Padre Paulo de Mayo e a escravizada Florinda

1. A história de um amor que venceu barreiras e preconceitos
1.1. A fidalguia italiana no sertão
Pde. Paulo de Maio numa cerimônia de sepultamento
proibida pelo Coronel Sanches de Figueiredo
Acervo: Luiz Carlos de Barros
No princípio de Campos Novos [Paulista], Nogueira Cobra (1923: 60) descreveu o aspecto religioso:
"(...) logo se fez sentir premente necessidade de ordem espiritual: falta padre para os matrimonios, baptisados e confissões. Innumeros casos de uniões, com promessa de futuro casamento, registravam-se, perturbando a vida das familias. Os paes sabiam que a promessa se cumpriria, mas ás suas consciências repugnava consentir no provisório".—
—"Não foi facil encontrar sacerdote que quisesse ir dirigir rebanho de catholicos em ponto tão distante. Nicolau propoz que convidassem o padre Paulo, seu irmão, que deixára em Jacuhy, ou Caracol".—
—"Antes trataram de obter a frequezia, do que ficou encarregado o proprio Nicolau, que emprehendeu viagem para S. Paulo e para Minas, com o fim de se entender com o Bispo e conduzir o sacerdote. E tudo se arranjou: veiu o padre e a freguezia foi creada". 
Padre Paulo de Mayo, originariamente 'Paolo di Majo' nasceu no ano de 1836, em Bosco, Província de Salerno na Itália, filho de Roque de Mayo [Rocco di Majo] e Raquel Viviane de Mayo [Rachele Viviani di Majo], descendente, pelo lado paterno, de influente família vinculada à Casa de Anjou, após a conquista das duas Sicilias em 1266, nos tempos dos reis Svevi.
Giovannetti (1943: 140), fundamentado na consagrada obra do "Com. [Comendador] Crollalanza sobre famílias nobres italianas (2º volume folha 50)" confirma a fidalguia da família, ao descrever alguns de seus ilustres membros, como exemplos, João de Mayo, Presidente da Real Corte de Somaria [1402]; Martino de Mayo, Bispo de Bisaccia, e Bisceglie [citações de 1494]; outro João de Mayo, Barão, título de 1813. 
Excertos da obra 'A Paróquia de Nossa Senhora do Carmo do Campestre' (Pde Hiansen, 2000: 116), apresenta o Padre Mayo nascido em Policastro, ano de 1836, ao sul da Itália, onde recebeu o presbiterado em 1859 e, em 1861, autorização para conferir ordens sacras – 'Cartas Dimissórias', chegando ao Brasil no ano de 1862 e incardinado na Diocese de São Paulo, designado a 12/05/1862, para a Capelania de São Pedro na localidade mineira de Jacuí, depois Vigário Encomendado entre outubro de 1862 a novembro de 1865 para, depois, assumir ofícios de Vigário Encomendado em Campestre - MG.
Padre Mayo assinou documentos eclesiais na localidade de Cabo Verde - MG, Paróquia de Nossa Senhora da Assunção (Livro de Batismos 1820/1876: 11-12), atualizando antigos registros de óbitos e assinando-os entre as datas de 12/04/1864 a 04/05/1865.

2. Por quebra do voto da castidade
"Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se." (Bíblia – Novo Testamento, Cartas I Coríntios 7: 9).—

2.1. Um filho italiano
A vinda do Padre Paulo de Mayo para o Brasil teria sido motivado, no ano de 1861, quando de seu relacionamento carnal com 'Domenica Cobbuccio' nasceu-lhe o filho 'Nicola Fiore'.
Documentos confirmam tradição familiar que Domenica e o filho Nicola estiveram no Brasil, em 1880, vindos no vapor Savoie, com desembarque em Rio de Janeiro aos 05 de dezembro do ano de 1880 (Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, apud pesquisas de Sagamioli, 2010, fl. 5). 
Nicola não acompanhou a mãe no regresso para a Itália, permanecendo no Brasil ao lado do pai, naturalizando-se brasileiro e adotando o nome de Nicolau de Mayo Sobrinho.

2.2. Do romance proibido entre o padre e sua escrava
Segundo relatos de família, Padre Paulo de Mayo adquiriu a negra escravizada Florinda Maria de Jesus, em Cabo Verde (MG), dando-lhe imediata Carta de Alforria e com ela amancebou-se.
Paulo de Mayo confirma a compra da escrava ao responder processo, em Cabo Verde - MG cuja acusação "estava a de ter comprado uma negra, segundo ele 'não para fins libidinosos', mas para cuidar dele, pois era só" (Pde Hiansen, CD: A/A, correspondência eletrônica com os autores).
Neste processo, diz Pde Hiansen (O Clero Paulista no Sul de Minas, 2003: 69), "o denunciante acusou o seu pároco de passear com sua escrava pelas ruas e ficarem juntos à janela durante a festa do Divino, naquela vila, o que configurava como escândalo".—
Florinda Maria de Jesus nascera em Jacuí - MG, por volta de 1846, filha de Joaquim 'da Costa' e Thereza Maria de Jesus, contando com a idade de 16/17 anos em 1862 quando o Padre Paulo de Maio assumiu a Capelania do lugar.
Daí em diante Florinda e Paulo de Mayo viveram um intenso e proibido amor, por 44 anos, com filhos e netos advindos dessa relação.

3. Um padre problema
Iracundo e desajuizado para os padrões de comportamento da época, especialmente para um padre católico, Mayo tornou-se colecionador de problemas, já a partir de Campestre (MG), onde assumiu aos 06 de novembro de 1863 para solicitar dispensa em 10 de maio de 1864, conforme expediente de sua lavra:
"Eis o que diz o Padre Paulo de Mayo, aos 10 de maio de 1864, dirigindo-se ao Bispo Dom Sebastião Pinto do Rego, então titular do sólio episcopal da Diocese Paulopolitana: 'Tomo a liberdade de levar ao conhecimento de V. Exa. Rmª. qual o sistema do povo desa Freguezia (...) Vou demonstrar: é um povo verdadeiramente libertino, pouco se importando com o estado da Igreja (...) O Parocho está completamente prohibido de explicar suas doutrinas (...) Hé insultado muitas vezes ao sahir da Igreja (...) Rogo por caridade remover-me desta Freguezia porque do contrário vejo-me obrigado a sahir e ir procurar domicílio incerto'. (...)". (Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo - ACMSP, Pasta de Documentos Avulsos do Campestre-MG, apud Pde Hiansen, 2000: 116).—
Padre Mayo foi, então, qualificado Vigário Encomendado para Cabo Verde (MG), onde permaneceu de 06 de junho de 1864 a 28 de setembro de 1866, constando em Livro Registro de Provisões, 1865 a 1867, que referido Padre "deverá ser intimado pelo Vigário da Vara" (Campanhole, 1985: 108), para solução de problema não revelado naquele documento, e daí, coincidentemente, um hiato na vida sacerdotal do Padre no Brasil, entre os 1866/1869.
Para a família (Memórias) o Padre Paulo de Mayo teria feito uma viagem à Itália, por volta de 1866/1867, com retorno ao Brasil em 1869 na companhia dos seus irmãos Nicolao  [Nicolau] de Mayo e do Padre Vincenzo [Vicente] de Mayo.
Nenhum documento ainda localizado que possa comprovar a viagem do Padre Paulo de Mayo, ida e volta, à Itália, entre os anos 1866/1869, nem a chegada de seus irmãos, todavia correto que Nicolau se estabeleceu em Sapecado - MG, em 1869 (Giovannetti, 1943: 141), e o Padre Vicente provisionado como Vigário Encomendado para a Freguesia do Espírito Santo do Rio do Peixe (Diário de S. Paulo, 29/12/1868: 1), atual Divinolândia. 
Na mesma época o Padre Paulo de Mayo assumiu a Paróquia de São Sebastião do Jaguari, por nomeação, aos 12 de dezembro de 1869, onde permaneceria até dezembro de 1872 (Pde Hiansen, op.cit).
E o irrequieto Padre arrumou confusões:
—O Reverendo Padre Paulo de Mayo foi denunciado de procedimentos irregulares na vida privada e religiosa, amancebado com "uma preta forra de nome Florinda" e levando à Igreja o filho Jeronymo que o chamava pai.—
—As acusações prosseguem dizendo que o Padre revelava segredos da Igreja à amasia, dizia palavreados impróprios e cobrava exorbitâncias pelos serviços eclesiais prestados. Que o mesmo tem gênio forte, anda sempre armado de revólver e certa feita atirou numa vaca que se recusava entrar no terreiro a ela destinado.—
—Os seus fregueses iam além, que o padre era habitual em visitar uma comadre, noutra freguesia, abandonando seus paroquianos.—
—"São Sebastião do Jaguary, 25 de Maio de 1872. José Maciel de Barros, Escrivão de Paz e Notas da Frega. de São Sebastião do Jaguary" (ACMSP, Pasta de Documentos Avulsos de Andradas, CD: A/A - 13/12/2012, apud Pde Hiansen)—
Outras denúncias, pela mesma fonte, chegavam ao Vigário Capitular, e este, em agosto de 1872, informou e solicitou providências ao Vigário de Alfenas:
—"Elle tem em sua casa, por concubina teuda e manteuda [tida e mantida], uma preta, com quem tem três filhos e convive publicamente a despeito das familias honestas e do decoro publico", sendo um homem ameaçador, metido a valentias e emboscador de desafetos, não chegando às vias de fato para evitar contratempos com a polícia ou evitações das vítimas. Irado, não hesitava atirar em seus animais.—
Para solução melhor, Paulo de Mayo foi designado Vigário Encomendado, em substituição, para o Curato de São João da Boa Vista, de 1873 a 1875 (Registro dos Sacerdotes do Bispado de S. Paulo 1905, 02-03-18, folhas 40, apud Campanhole 1985: 106 e 108).
O Padre deixou o Curato ao 1º de novembro de 1875 (Hiansen, 2000: 117), para retornar a São Sebastião do Jaguari, período de 1876 até dezembro de 1880 (Diocese de Pouso Alegre - Ano Jubilar, 1950: 192, in Campanhole, op.cit, c/c Pde. Hiansen 2000: 117).

4. Tutelação dada aos 'filhos'
Na segunda estadia em São Sebastião do Jaguary, "o Padre Paulo de Mayo adquiriu, em 1877, como tutor de 'menores impúberes', uma sorte de terra, como se colige da seguinte escritura pública de compra e venda de terras":
"Escriptura de venda que faz Manoel Egydio de Pontes, a Nicolau Geronimo, Risolia, Maria e Paulina de Mayo, representados por seu tutor Padre Paulo de Mayo. Saibão quantos este público instrumento de escriptura virem, que no anno do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oito centos e setenta e sete, aos dezasseis dias do mez de Maio do dito anno nesta Freguezia de São Sebastião do Jaguary, termo e Comarca de Caldas (Minas Geraes) em meu Cartório comparecerão de uma parte, os menores Nicolau Geronimo, Risolia, Maria e Paulina de Mayo, reprezentados por seu tutor Padre Paulo de Mayo, e de outra parte Manoel Egydio de Pontes, ambos moradores d’esta Freguezia e conhecidos de mim pelos próprios do que dou fé; e por elle Manoel Egydio de Pontes, me foi dito perante as duas testemunhas abaixo assignadas, que de hoje para sempre vende aos Sobre ditos Nicolau Gerônimo, Risolia, Maria e Paulina de Mayo, representados por seu tutor Padre Paulo de Mayo, uma parte de terras e todas as bem feitorias n’ellas existentes, sendo uma dividida que divide com João Antônio Ramos e João Garcia de Pontes, ficando para fora dos feixos uma pequena parte de terras em sociedade com João Garcia de Pontes, João Ramos de Pontes e Joaquim José Soares, cujas terras e bem feitorias, as houve por compra de Luciano Garcia de Pontes, Manoel Ignácio Baptista, João Manoel de Pontes, Manoel Ramos de Pontes e Antônio Joaquim de Paula Filho; e lhes vende pelo preço e quantia de seiscentos mil réis (600$000) livre de siza; quantia que neste acto lhe foi entregue pelo tutor dos compradores; e recebido o preço por elle vendedor disse, que d’esde já transferem nos compradores todo domínio, direito, ação e posse das ditas terras e bemfeitorias, e suas pertenças e servidões activas e lhe dava licença para que elles - com autoridade de justiça ou sem ella tome posse quando quiser; e entretanto que não tomarem, se constitui possuidor em nome delles. Disse mais que se obriga a fazer esta venda boa e defender os compradores quando elles o chamar à autoria; e Qui vende com as condições seguintes que os menores não poderão vender, alienar, ou dívida alguma tomar, ficando sómente autorizado como tutor dos mesmos o Reverendo Paulo de Mayo, a vender ou remover caso seja necessario. E logo pelo tutor dos menores foi apresentado os talões de siza (...) Freguezia de São Sebastião do Jaguary, dezasseis de Maio de mil oitocentos e setenta e sete. Eu José Ludgero d’Andrade, Tabelião que o escrevi e assigno em publico e razo" (Fórum da Comarca de Caldas-MG, apud Pde Hiansen, A Paróquia de Nossa Senhora do Carmo do Campestre, 2000: 117).—
Por relatos familiares, o Padre Paulo de Mayo metera-se em brigas por terras em São Sebastião do Jaguari, contrariando interesses de poderosos. A história outra vez ratifica a tradição doméstica: o pesquisador/historiador Pde Hiansen descreveu a respeito de demanda por divisas de terras ajuizadas pelo Padre Mayo, em favor dos seus tutelados:
"-'Aos 10 de novembro de 1880 o Padre Paulo de Mayo impetrou uma Acção Finium Regundorun no Juízo Municipal da Cidade de Caldas, contra o senhor João Antônio Ramos e sua mulher, com a finalidade de ajustar as divisas das terras acima mencionadas na parte que limitava com as daquele supra dito senhor. Como tutor dos menores impúberes Nicolau Geronimo, Risólia, Maria e Paulina de Mayo, cujas terras ficavam na “fazenda do Cafesal de S. Cruz nos arrabaldes da Fregª. de São Sebastião do Jaguary', Padre Paulo de Mayo queria apenas sanar os problemas que no futuro poderiam afligir seus tutelados no que tangia às divisas daquelas terras. Moveu aquela ação 'pr. qe. os limittes da dita fazenda entre seos tutellados e os Supplicados, q. conservavão uma cêrca divisória' que ultrapassava 'os verdadeiros limites traçados na divisão judicial, e querendo o supplicante evitar a continuação de dúvidas à tranquillidade do supplicante e supplicados'-" (Pde Hiansen, 2000: 117-118, transcrição e dados, Fórum da Comarca de Caldas, MG).—
A presença do Padre Mayo em Jaguari se tornou insustentável não apenas pelos litígios de terras, mas também pela mancebia com mulher, acima de tudo negra, além de ser ele padre maçom. Documentos resgatados informam o Padre Paulo de Mayo maçom em São Sebastião do Jaguari, MG (Boletim do Grande Oriente, Ano 8 nº 9, setembro de 1879: 321-322).
Diante dos tantos problemas Paulo de Mayo careceu da influência do irmão Nicolau para sua transferência à então São José dos Campos Novos (Nogueira Cobra, 1923: 60), além da atuação e prestígio do também irmão Padre Vincenzo de Mayo. 
Paulo de Mayo ao deixar Samambaia [São Sebastião do Jaguari], magoado, registrou:
"Nos anos que paroquiou Andradas pela segunda vez, ou seja, de 1876 a 1880, o Padre Paulo granjeou ali diversas inimizades, o que motivou sua saída daquela Freguesia. Magoado com seus fiéis andradenses, pediu ao Bispo de São Paulo sua transferência para São José dos Campos Novos (atual Campos Novos do Paulista - SP). Antes, porém, registrou no Livro do Tombo da Matriz de Andradas seu ressentimento contra aqueles seus paroquianos: 'Dia 24 de Nbro. de 1880. Despedi-me do povo na Igreja e aqui declaro que vou sentindo deixar este lugar, deixando minhas propriedades e meos amigos, e peço a Deus que tenha dó dos meos inimigos que a once annos me tem perseguido com toda coragem. A Deus povo de Samambáia, athé o dia do Juizo Final. Lembreze que tens alma e que há’um Deus para te julgar e não persiga mais os Padres nesta terra. Lembre-ze quantos não tens tocado daqui pª. fora. De certo por causa d’isto esa terra não há de ser feliz nunca. São Sebastião do Jaguary, 1º. de Dezembro de 1880. Pe. Paulo de Mayo. (...) No ia 24 de setembro de 1880 pedi ao Sr. Bispo remoção para a Freguezia de S. José dos Campos Novos, que obtive. Por consequenza não sou mais Vigário da famigerada Samambáia, perseguidora dos Padres. Pe. Paulo de Mayo'." (Pde Hiansen, 2000: 118, apud João Moreira da Silva e Nilza Alves de Pontes Marques, 'Caminhando de Samambaia a Andradas').—
No Livro de Assentos – Batizados – da mesma Paróquia de Samambaia, em data de 24 de setembro de 1880, Padre Mayo igualmente anotou:
—"No dia 24 deste mes de 7brº pedi ao Sr, Bispo Diocesano a remoção para a Freguesia de São José dos Campos Novos que obteve [sic]. Por conseguente [sic] não sou mais Vigario da famigerada Samambaia perseguidora dos padres."—
No final do ano de 1880 o Padre Paulo de Mayo se encontrava em São José dos Campos Novos – Campos Novos Paulista, acompanhado da fiel Florinda e dos filhos com ela gerados.
Em dezembro de 1880 chegava a Campos Novos o filho italiano do Padre Mayo, Nicola Fiore ou de Mayo, acompanhado da mãe Domenica Cobbuccio (Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, apud pesquisas de Sagamioli, 2010, fl. 5). Nicola não acompanhou a mãe no regresso à Itália.

4.1. Das considerações sobre Nicola, o filho italiano*
No Brasil, Nicola adotou o nome Nicolau de Mayo Sobrinho, filho natural de Domenica Cobbuccio, e naturalizou-se brasileiro estabelecendo-se em Campos Novos. O adendo Sobrinho foi para distinção do tio Nicolau de Mayo.  
A decisão de Nicola assumir o nome Nicolau, obrigou o seu meio irmão, Nicolau Jeronymo – filho do Padre Mayo com Florinda, abrir mão do prenome igual e se tornar Jeronymo Joaquim de Mayo.
Nicolau de Mayo Sobrinho foi destacado fazendeiro e político em Campos Novos, cujo nome bastante divulgado pela imprensa da época, e contado como italiano (Giovannetti, (1943: 142-143).
O filho italiano do Padre Paulo de Mayo casou-se com Galdina Honória de Santa Clara, formando família, e faleceu aos 20 de julho de 1924 (Cartório de Registro Civil de Campos Novos Paulista, gentileza do descendente Rogério Botter Maio).
*Colaborou na pesquisa Rogério Botter Maio, descendente do Padre Paulo de Mayo, por Nicolau de Mayo Sobrinho.— 

5. Padre Mayo, vigário e político em Campos Novos
O reverendo Mayo assumiu ofício religioso em Campos Novos e lá exerceu cargo como Vigário Encomendado, entre os anos de 1881 a 1896. Neste período, aparentemente aquietado pelo irmão Nicolau, Padre Mayo foi eleito Vereador e, por ser o mais votado, assumiu a Presidência da Câmara, conforme Livro Ata do Legislativo Municipal daquela localidade, datada de 14 de janeiro de 1887 (Giovannetti, 1943: 104). Contudo, a intolerância de Padre Mayo com os rumos políticos levou-o à renúncia, alegando incompatibilidade com suas funções religiosas, criando dificuldades na edilidade que se socorreu junto ao governo paulista:
"Palácio do Governo da Provincia de São Paulo, em 14 de abril de 1887".—
—"Tendo em vista o officio de 14 de Março ultimo, em que vmcs. communicando que o vereador padre Paulo de Mayo optou pelo cargo de vigario da parochia suscitam a duvida em que se acham sobre si, com a opção que fez aquelle vereador, que era o presidente da camara deve ella eleger novo presidente ou continuar até ao fim do anno sob a presidencia do vice-presidente, declaro-lhes, em resposta, que, à vista do dispostos no aviso nº 66 de 25 de Setembro de 1883, sendo o presidente da camara designado por eleição, tambem deve sel-o o substituto definitivo durante o tempo que restar do anno depois de preenchida a vaga do vereador que exercia aquelle cargo e para cuja eleição ficam designado o dia 31 de Maio proximo, expedindo vmc. as necessarias ordens para que seja feita a precisa convocação com o prazo de um mez, observadas as disposições dos arts. 97, 98 e 124 do regulamento de 13 de Agosto de 1881".—
—(Correio Paulistano, 17 de abril de 1887: 1).—
A despeito da renúncia, Padre Mayo era afinado com os líderes políticos campos-novenses, onde o seu irmão Nicolau foi líder monarquista liberal e ocupou cargo de Intendente; e ainda o seu filho Nicolau de Mayo Sobrinho que teve importantes atuações em cargos públicos na localidade. No entanto, o golpe militar de 1889 com o advento republicano, promoveu mudança política no lugar e permitiu a ascensão do fazendeiro Coronel Francisco Sanches Figueiredo.
Sanches logo se indispôs com o farmacêutico licenciado, Nicolau de Mayo, e "cortaram-lhe a freguezia, não só por denuncia falsa ao Serviço Sanitário, como prohibindo aos sertanejos a comprar delle." (Nogueira Cobra, 1923: 158, notas 1), e o Nicolau sobrevivendo com ajuda familiar, do Padre Mayo e do sobrinho Nicolau, somente a recuperar o antigo prestígio após a morte do Coronel Sanches, em 1912.

6. O enfrentamento do Padre ao Coronel 'Sancho' 
A força do Coronel Sanches não intimidava o Padre Mayo e a rivalidade mostrou-se perigosa e questão de honra para o Coronel remover o padre do lugar, sem recorrer ao assassinato, muito mais fácil em calar o padre, mas daí este se tornaria o mito que o Coronel não suportaria, optando denunciá-lo às autoridades eclesiásticas sobre o estado de barreguice do Padre com Florinda, e uma coleção de documentos assinados contra o vigário e devidamente testemunhados, revelando procedimentos ignóbeis para um religioso, e que deixaram Padre Paulo de Mayo extremamente enfurecido a ponto de promessas de vingança.
Para alguns parentes o atentado sofrido pelo Coronel Sanches, em 1897, fora o motivo principal da rápida transferência de Padre Mayo para Rio Bonito [atual Bofete]. A folha 'A Nação' publicou a nomeação do Padre Paulo de Mayo à paróquia de Rio Bonito (Portaria do Bispado de São Paulo, 07/11/1897: 3).
Menos de um ano depois, Padre Mayo intenta de novo em regressar a Campos Novos, para o apavoramento dos sertanejos que temiam desgraças maiores. Em 1898 o Padre Mayo foi novamente nomeado Vigário de Campos Novos (O Commercio de São Paulo, 19/01/1898: 1). 
O retorno do Padre, por exigência do Coronel Sanches, foi antecedido por carta assinada por Mayo, cujas cópias distribuídas aos principais da cidade, além de publicação em jornal da época, "de forma que o desejo manifestado por aquele sacerdote fosse por todos conhecido" (Pde Hiansen, 2000: 119):
—"Campos Novos do Paranapanema - cinco de Fevereiro de mil oito centos e noventa e oito. Illustrissimo Senhor Coronel Francisco Sanches de Figueiredo. De volta a esta Villa, nomeado novamente seu Vigário, acabo de ter a infausta notícia de que meus antigos paroquianos mostram-se afflictos e profundamente apprehensivos com a minha nomeação. Pois bem! Vou fazer a minha pública penitência e pedir a vossa intervenção como chefe politico prestigioso, para serenar os animos contra mim revoltados. E dando publico testemunho da humildade evangelica, confesso os meus erros compromettendo-me, sob juramento: Primeiro = emendá-los, evitando escandalo da pública mancebia, em que tenho até hoje vivido entre vós. Segundo = Não envolver-me mais na politica local, querendo formar partidos e convidando os meus paroquianos a uma lucta fratricida. Terceiro = não continuarei a exigir esportulas exageradas, para que a igreja deixe de ser o balcão de mercadoria, deixando morrer impenitente, viver em paganismo, e ficar em perene concubinato quem não pudesse pagar-me generozamente. Quarto = Não continuarei a abusar do altar, constituindo-o a tribuna da desidia e da diffamação nas minhas prédicas profanas. Quinto = O confessionário não será sinão para mim de hora em diante o encinamento das doutrinas orthodoxus, não podendo insinar em materias profanas para fins inconfessaveis. Sexto = Procurei pleno esquecimento dos meus projetos de vingação pessoaes que tanto avassalaram-me arredando-me da esphera serena da páz e harmonia em que devia manter-me. Apraz-me finalmente serem publicos os meus votos de fraternidade, para que não possam pairar duvidas no espírito de mais ninguém. Saudações. De vossa senhoria amigo e criado. Obrigado. Padre Paulo de Mayo" (Pde Hiansen, 2000: 119, transcrição citando Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, Pasta de Documentos Avulsos de Campos Novos Paulista-SP).—
Para alguns o Padre curvou-se ao Coronel, para outros foi a maneira de tranquilizar os paroquianos, no entanto as desavenças entre o Padre e o Coronel continuariam, mesmo quando o mandatário deixou Campos Novos, mas não o mando político, para residir em sua fazenda, na localidade de Platina.

7. E era mesmo um padre criador de casos
Na vida pessoal o Padre Mayo também era 'criador de casos'. Em abril de 1887 o Correio Paulistano (12 de abril de 1887: 3) reproduziu a seguinte nota:
—"O filho do padre Paulo de Mayo, de nome Jeronymo, fez uma expedição com carros, para o porto da cidade de Lençóes, nos arrebaldes desta, este Jeronymo, 'o que dizem seus companheiros de viagem' achara uma carteira bem recheada, contendo dentro tres notas de 100$000, e oitocentos mil réis em notas de 100$ e documento de valor"."Quem fôr o proprietario deve reclamar; entendendo-se com o padre Paulo de Mayo, que é padre de muito boa consciencia"."Os habitantes desta acham mesmo que é de boa consciencia"."Os companheiros de viagem de Jeronymo, aqui chegando, manifestaram o achado de Jeronymo; o subdelegado desta, Francisco Antonio de Salles Ferreira, quiz tomar fé, porem o padre Paulo de Mayo tomou uma furiosa satisfação; afinal disse ao subdelegado que elle é um padre de muito boa consciencia e que o mesmo Jeronymo também é de boa consciencia".—
—"Claro, filho de Cabo Verde".—
Em 1891 o mesmo Correio Paulistano (08 de abril de 1891: 3) noticiou:
"Campos Novos do Paranapanema"—
—"Grande Escândalo"—
—"Parecera incrivel o escandalo que vou narrar que aqui nesta villa de São José de Campos Novos deu-se hoje a 2-1/2 horas da tarde".—
—"Um illustre cidadão bem qualificado na melhor sociedade, aqui se achando de passagem afim de fazer compras de terras, foi habitar predio desta villa, que segundo alguns pertence ao rvdmo. vigario, e a outros, o mais certo a um afilhado do mesmo vigario, homem feito e creado já, e com quem se havia feito contracto dos alugueis da mesma casa".—
—"O revdo. vigario por ganancia pecuniaria, entendeu elevar os alugueis do predio que não lhe pertence, e depois de promover uma questão judiciaria, a qual perdeu, entendeu abusando do dia de hoje, logo depois dos actos religiosos pela commemoração da sagrada Paixão de N.S. Jesus Christo, ainda com suas vestes talanos, a frente de uma malta de desordeiros os quaes se viam um ao outro afilhado, um cunhado deste, parentes do mesmo vigario envade a propriedade em que mora o cidadão referido e não respeitando o santo dia dirige o maior acto de vandalismo reprovado em qualquer leigo, quanto mais no vigario de Christo, que devia dar exemplos de paciência, por meio de escadas solaram aquelles malfeitores sobre o telhado, e já arremessaram sobre as ruas as telhas que cobriam a casa".—
—"Este acto de selvageria, provocou indignação geral, e com certeza haveria conflicto serio em que se teria de lamentar vidas, se não fora a prudencia e veneração pelo dia que teve o honrado locatario da casa em questão".—
—"A sua exc. o sr. bispo e na autoridade chamamos a attenção para santo ministro da Egreja!!!...".—

8. Padre fazendeiro
Padre Mayo foi fazendeiro e apossador de terras devolutas (DOSP, pelo Serviço de Discriminação de Terras, 15/11/1910 e outras publicações atinentes). As propriedades legalizadas foram repassadas, ainda em vida, aos filhos que teve com Florinda, partes à própria e ao filho italiano Nicolau de Mayo Sobrinho. Possuía, ainda, terras em áreas de conflitos, na dita Corredeira ou Cachoeira dos Padres, na Serra do Diabo, no município e adjacências de Teodoro Sampaio.
Alguns descendentes do Padre Mayo ainda procuram por herança [referência 2017] ou direitos à cidadania italiana.

9. O padre peregrino
À parte das intrigas políticas, o religioso cuidava do espiritual e sua presença notada entre os avançadores sertanistas, aonde as capelas formadas adiante de Campos Novos, entre elas, Platina, Salto Grande, Palmital, Assis - quando ainda um bairro isolado [Dourado], Maracaí [Pitangueiras / Nossa Senhora do Patrocínio], Cerimônia, lugar extinto, e Conceição de Monte Alegre.
Padre Mayo era conhecido como 'Padre Peregrino', favorecido pela divisão dos trabalhos eclesiásticos com Padre Serôdio, outro religioso afamado no Sertão Paranapanema.
Em Conceição de Monte Alegre constam visitas quase mensais do Padre Mayo, ao longo dos anos, sendo ele o responsável pela construção do novo templo religioso, a partir de 1900, em substituição ao anterior, destruído num incêndio. A obra foi concluída em 1904 e inaugurada com a elevação de Conceição de Monte Alegre à condição de Paróquia, quando nomeado seu primeiro vigário o Reverendo Padre Roque Scafóglio (Giannasi, 2008: 18). 
Apesar de temperamental e a vida em concubinato, Padre Mayo era respeitado líder religioso, bastante festeiro e querido na região, e hebdomadários santacruzenses noticiavam sempre suas atividades como presença certa nas festas e cerimônias religiosas, à frente da banda e coral da Igreja de Campos Novos.
Mayo foi figura principal na origem da cidade de Assis, destacadamente no dia 1º de julho de 1905 quando, perante o 1º Tabelião de Campos Novos, então, do Paranapanema recebeu, em nome da Paróquia, oitenta alqueires de terras doadas pelo Capitão Francisco de Assis Nogueira, proprietário da Fazenda Taquaral, para Patrimônio de uma Capela, sob a tríplice invocação do Sagrado Coração de Jesus, de São Francisco de Assis e da obra pia Pão de Santo Antônio.
Desde 1898 Padre Paulo de Mayo exercia a função de Fabriqueiro e Presidente da Comissão das Obras da Igreja Matriz de Campos Novos, e Capelas adiante.

10. A morte da amada Florinda Maria de Jesus
Florinda Maria de Jesus faleceu aos 25 de agosto de 1906, com idade declarada de sessenta anos, e deixou testamento.
Consta em memórias familiares, e isto bastante natural, versão que o Padre Mayo, desde a morte de Florinda perdera a alegria de viver e, praticamente, cessou suas viagens religiosas pelo sertão do Paranapanema.
Mayo, após o passamento de Florinda pretendeu saídas de Campos Novos - teria escrito cartas ao Bipado ou solicitado influências de amigos para assumir outra Paróquia, mas a saúde e a idade já não lhe permitiam aventuras; e chegou a registrar sua saída de Campos Novos, em 1909, segundo Campanhole (1985: 107-108, referência ao Livro nº 2 de Registros da Paróquia de Campos Novos), atitude vista como intenção em abandonar a vida clerical.

10.1. O testamento de Florinda*
Florinda deixou testamento dos bens que possuía incluso no Inventário (Acervo CEDAP/UNESP-ASSIS, Processo 07/06 – Ref. Fórum IP11-1/22: Caixa 5-2).
"Florinda Maria de Jesus nasceu por volta de 1846 em Jacuy, Estado de Minas Gerais. Era filha de Joaquim da Costa e Thereza Maria de Jesus. Faleceu no dia 25/08/1906 em sua residência em Campos Novos do Paranapanema com declarados 60 anos de idade.Consta neste Processo a transcrição do “Testamento” de Florinda, feito poucos dias antes de seu falecimento. Seguem abaixo alguns trechos (adaptados), com as informações mais importantes":
—"Testamento de Florinda Maria de Jesus, lavrado no dia 19/08/1906 no Livro de Notas N. 41, Fls. 21v a 23 e v, do Cartório de Campos Novos do Paranapanema.Qualificação: proprietária, 60 anos, solteira, doente e de cama, porém em perfeito juízo e livre de toda e qualquer coação.[...] e por ela foi dito perante mim e as mesmas cinco testemunhas, que faz o seu testamento do modo seguinte: que como católica, apostólica romana, em cuja religião nasceu e pretende morrer deseja ser sepultada em lugar separado, mas sem sombra. Que é filha legítima de Joaquim da Costa e de Thereza Maria de Jesus, ambos já falecidos, nascida e batizada em Jacuy, Estado de Minas. Que nada deve a pessoa alguma. Que os bens que possui são: uma fazenda denominada Cachoeirinha, na Jacutinga, neste município e comarca. Uma casa de morada, nesta vila, no largo da Matriz. Uma dita nova ainda não acabada. Uma dita contigua a Rua dos Prazeres. Uma dita, parte que comprou a João Appolinário, que foi de Joaquim Candido, todas nesta vila e uma chácara no subúrbio desta vila. Que tem cinco filhos vivos que são: Jeronymo Joaquim de Mayo; Rozalia de Mayo, casada com Alfredo de Vasconcellos; Paulina Amélia de Mayo, casada com Francisco de Vecchi; Carolina de Mayo, casada com Emilio Chinelli; Joaquim de Mayo. E que além destes filhos vivos, teve outros que faleceram, e entre estes, uma filha de nome Maria de Mayo, que foi casada com Tobias Gonsalves dos Santos, ambos já falecidos, deixando a sua referida filha Maria um filho de nome José, que ainda vive. [...] Florinda deixou uma terça de seus bens para os netos Francisco (filho de Rozalia) e José (filho da finada Maria). Pediu que o pagamento desta terça fosse feito, de preferência, com as casas que se achavam edificadas próximas à chácara e com esta que ela morava.[...] Florinda nomeou como seus testamentários em primeiro lugar seu filho Jeronymo Joaquim de Mayo. Em segundo seu filho Joaquim de Mayo. E em terceiro João (?) da Roza.[...] Por fim, Florinda pediu que por sua alma fossem rezadas 25 missas e outras 5 missas pelas almas de seus pais. Assinaram como testemunhas: Capitão Annibal Jacques Sodré, Orlando Antonio Pereira, Laudelino Severo Sant’Anna, Eugenio José Rodrigues, Augusto Bertoncini.-"—
—"(...)."—
—"Não consta no testamento a seguinte propriedade arrolada pelo filho Jeronymo na declaração dos bens: 8 alqueires de terras na fazenda Grande dos Toledos em Campos Novos do Paranapanema."—
—"(...)."—
—"Um documento que me chamou a atenção foi a seguinte solicitação feita por Jeronymo ao Juiz de Direito: que tendo sua mãe recomendado em seu testamento, do qual ele é o primeiro testamentário que fossem rezadas 25 missas pela sua alma e 5 pelas de seus pais, as quais importam em 90 mil réis, requer que da terra de sua finada mãe, sejam separados os bens na importância referida e lançados a ele, para cumprir a vontade da mãe.Mais adiante, em 1907, encontramos duas certidões que atestam que a vontade de Florinda foi cumprida:—
—"Uma delas, trata-se da 'Certidão de disposição testamentária', assinada pelo Frei Fernando Capuchinho, de Conceição de Monte Alegre, no dia 30/09/21907, atestando ter recebido 75 mil réis provenientes da espórtula de 25 missas deixadas em testamento pela finada Florinda. A outra (...), datada de 04/10/1907 foi assinada pelo Padre Paulo de Mayo, certificando que celebrou 5 missas pelas almas dos finados pais da finada Florinda, deixadas por esta em testamento, pelas quais recebeu a importância de 15 mil réis."—
—"(...)."—
—*Das Informações extraídas do Processo nº 07/06, arquivado no CEDAP/ASSIS, referente ao Inventário de Florinda Maria de Jesus, por Paulo Fernando Zaganin Rosa (Dr).—

11. Outra vez em uma nova vigararia
Uma anotação colhida pelos autores junto à Secretaria da Igreja de Campos Novos informava que o Padre Paulo de Mayo "Deixou a Paróquia de Campos Novos em 22 de fevereiro de 1911".
—Para os familiares Mayo mudara-se para Conchas, SP, no início de 1911, onde permaneceu até sua morte em 1912, sendo o corpo trasladado por via férrea até Salto Grande, e daí conduzido até o cemitério de Campos Novos.—
O historiador Padre Hiansen indicou que "Em fins de 1912 Padre Paulo de Mayo, já com 76 anos de idade, foi nomeado Vigário de Chavantes - SP. É esta a última notícia que temos dele." (2000: 119).
Os autores 'resgataram documentos' que Padre Paulo de Mayo foi Vigário da Paróquia de Senhor Bom Jesus de Conchas, no período de 06 de abril de 1911 a 06 de maio de 1912 (Câmara Municipal de Conchas-SP, Acervo/Arquivo Histórico de Conchas - Documento referência 08). De Conchas, o reverendo foi designado Pároco em Irapé, então Vila e Distrito de Paz, hoje distrito de Chavantes - SP.

12. A morte do Padre Paulo de Mayo
O velho padre, doente, faleceu pouco mais de um mês da sua chegada à nova Paróquia, na noite de 14 para 15 de junho de 1912, para ser sepultado em Campos Novos Paulista, por ordem de Florinda mesmo que o Padre a ela sobrevivesse.
Na Certidão de Óbito do padre Paulo de Mayo consta como causa da morte insuficiência mitral [sic], aos 77 anos de idade, solteiro, não constando ter deixado bens a inventariar e nem filhos reconhecidos, também sem testamento nem outra disposição, e sua morte foi natural segundo o declarante, sem apresentar atestado médico ou cirúrgico (Certidão de Óbito, Cartório do Registro Civil de Chavantes).—
Numa sepultura simples, em atual Estância Climática de Campos Novos Paulista, SP, consta a identificação "Padre Paulo de Mayo", mas ali estaria sepulto o casal, dizem os mêmores, como último desejo dela em preservar o bom nome e a honra do amado, ou, quem sabe, uma mensagem subliminar para que enfim ninguém mais possa importuná-los.
Na imaginação popular do lugar, Florinda encontra-se sepulta em plena paz ao lado do homem que amou e por ele foi amada, após décadas de enfrentamentos às mais diversas hostilidades, perseguições e condenações, para assim a eternização do amor proibido entre um padre católico, branco e de fidalga família, com uma negra escrava escolhida entre tantas para viver um grande amor.
Somente uma exumação pode atesta-los juntos, numa mesma sepultura, mas ninguém ousou, ainda, quebrar o encanto.