domingo, 20 de dezembro de 2009

41. Imigrantes e imigrações

1. Dados preliminares
Hotel Familiar Tayo - propriedade de imigrante japonês - ano referência
 1935 - Santa Cruz do Rio Pardo à rua Marechal Bittencourt
Gentileza: Geraldo Vieira Martins Junior
A economia da Vale Paranapanema, desde o pioneirismo ao pós-guerra com o Paraguai, centrava-se na produção agrícola, pecuária e criação de porcos, práticas realizadas com as mãos de obra escrava negra ou indígena e com os agregados.
Quando da abolição da escravatura negra, as grandes fazendas do Vale Paranapanema, adiante do Vale do Pardo não estavam entre as primeiras a receber imigrantes europeus para atividades ruralistas, nem se integravam ao sistema de colonização, recorrendo à continuidade dos serviços compulsórios gratuitos indígenas, portanto não integradas com o Sistema de Imigração que tinha, como prioridade, a urgente mão de obra estrangeira para núcleos exclusivamente vinculados às fazendas de café.
A imigração no Estado de São Paulo tem marco oficial em 1874 com cinco italianos, e três anos depois os primeiros núcleos, também italianos, em Cananéia e Iguape (Diário de Rio Claro, 24/07/2007, apud Visite Rio Claro). 
Antes, apenas entradas esporádicas de religiosos e aventureiros, dentre estes últimos o italiano Nicolau de Mayo, no Brasil - Sapecado - MG desde 1869, chegante a Campos Novos Paulista no ano de 1874; além de João, o italiano, que no ano de 1870, suspeitando de traição conjugal, atentou contra a vida do Padre Andrea Barra, por duas vezes, em São Domingos (RG, U 1117, de 1870/1871: 5, Crimes Notáveis), sendo fatal a última tentativa.
No sertão paulista, oficialmente, as chegadas de estrangeiros demorariam até 1880, quando contratados dois imigrantes, os italianos Nicolau Xifoni [Chiffoni] e Anello Farnitano, para os cuidados de três mil cafeeiros e o plantio de outros dois mil, no sítio Boa Vista em Botucatu - 'Os Livros de Contratos de Locação de Serviços - 29/11/1880' (Donato, 1985: 151), sendo certo pelo autor que Fillipe di Santi, em 1881, contratava pessoal [imigrante] também para sua fazenda de café em Rio Novo, atual Avaré, num documento de 12 de março de 1881.
—Segundo levantamentos, tratou-se do primeiro caso conhecido, para o trabalho determinado ruralista na região, embora os dois mencionados exercessem, de fato, as funções de intermediários responsáveis pelos serviços e contratações de pessoal estrangeiro, testemunhando acordos registrados ou assinando a rogo pelos admitidos iletrados.—
Para adiante de São Domingos, pelo Turvo/Pardo em direção ao sudoeste e oeste paulista, somente a partir de 1883 iniciaram-se as entradas de famílias imigrantes no Vale Paranapanema, especialmente italianos, para atividades autônomas, de comércios e negócios, alguns afazendados, outros artistas e os profissionais liberais: médicos, advogados, arquitetos, agrimensores e engenheiros, além de outras profissões. 
Nenhuma localidade na região do Turvo e Pardo/Paranapanema, até segunda ordem, recebeu imigração estrangeira subsidiada, ou por inscrição nalgum programa,  para substituição da mão de obra escrava, embora Santa Cruz do Rio Pardo, São Pedro do Turvo, Campos Novos Paulista e Conceição de Monte Alegre, a partir de 1883, tenham participações italianas urbanas.
Giovannetti (1943: 142-143), cita as principais famílias italianas estabelecidas em Campos Novos [Paulista]: 
—Nicolau de Mayo; Padre Paulo Mayo; Nicolau de Mayo Sobrinho; André Anselmo; João Giannasi; Domingos Ursaia; os parentes Basílio, Hilário, Florindo e Eugênio Bonini; Jácomo e Benedicto Rici; Domingos Grisolia; Paulo Capanacci; José Ângelo e Augusto Bertoncini; Francisco de Vecchi; Alexandre Mesturini; Raphael de Giovanni, Emilio Ghilardi, Emilio Contrucci, Ângelo Nicolesi, Onofre la Selva, [dr] Casimiro Masini; [dr] Miguel Japolucci; [dr] João Aurélio Cataldi; Pasqual Cataldi; Emilio Cinelli; Francisco Grilli; Geraldo Gerdulo; Francisco Gizzi; Affonso Tozzi; Balthazar Lorenzetto; e os sobrenomes Fachi, Gattai, Muselli entre outros.—
Em Santa Cruz do Rio Pardo são apresentadas as famílias italianas: Bertoncini; Carlomagno; Carmelinem; Guidies [Guido]; Marchezotti; Finelli; Dasini; Setti; Nelly e Genuta, onde alguns de seus membros inscritos como eleitores (Mapa Oficial do Alistamento dos Eleitores do Município de Santa Cruz do Rio Pardo, 1890), destacando-se.
—Negociantes: Antonio Bertoncini, filho de Ângelo Bertoncini; Francisco Marchezotti, filho de Domingos Marchezotti;
Moyses Nelli, filho de Nicola [Nicolau] Nelli; Silvestre Setti, filho de Antonio Setti.—
—Artistas: Francisco Carlomagno, filho de Donato Carlomagno [o velho]; Henrique J Carmelinem, filho de João Carmelinem; Carlos Guidies, filho de Martini Guidies; Miguel Finelli, filho de Nicolau M Finelli; Martini Dasini, filho de José Dasini.. Obs: Artista tinha por significado profissionais autônomos, geralmente aqueles que trabalhavam com madeiras, exemplos, construtores de casas, carpinteiros, marceneiros e artesãos em geral. —
—Médico: Samuel Genuta [Dr.], filho de Vicente Genuta Ternuta, também exercente no ramo de farmácia - serviços de manipulação. Obs: As localizações de grupos de trabalhadores em regiões pioneiras de São Paulo apresentavam quase sempre a presença de um médico e um orientador [professor bilíngue].
Também citada citada a família de Francisco Alóe que "instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo, por volta de 1888 (...). O italiano era folheiro de profissão, mas logo se tornou um bem sucedido comerciante" (Junqueira, 2006: 249).
O jornal O Paranapanema, em 1895, estampou alguns outros nomes, como "Moysés Nelli [já referenciado] – Delegado de Polícia; Raphael Totti, proprietário da Padaria Secos e Molhados, à rua Conselheiro Antonio Prado esquina com Saldanha Marinho; e Emílio Piagentini, estabelecido no ramo de bebidas – Fabrica de Bebida Nacional, na Rua Conselheiro Antonio Prado, nº 12".
Em Conceição de Monte Alegre - região do atual município de Paraguaçu Paulista, entre outras famílias italianas, as Benizi (Benício), Bertoncini, Bonini, Giannasi e Guidie[s] (Guido), cujas presenças registradas primeiro nas regiões de Santa Cruz do Rio Pardo e Campos Novos Paulista.
A presença italiana no Vale Paranapanema apresentou importância em todos os setores da sociedade: 
—"Os italianos não se limitaram a trazer apenas mão-de-obra para o Brasil. Com elas também vieram as idéias trabalhistas, sindicais e políticas, dando inicio ao movimento socialista e, depois, fascista. Diante dos maus-tratos dos patrões, os colonos Italianos recorriam à Justiça, sob a proteção de seus consulados. Para os patrões, a posição tomada pelos colonos era totalmente nova, já que eles estavam acostumados ao regime escravocrata" (Diário do Rio Claro, apud Visite Rio Claro).—
Na época o Vale Paranapanema era predominantemente agrícola, especialmente adiante de Campos Novos até a região do Capivara, Alegre, Sapé, Capivari e São Mateus, na região de Conceição de Monte Alegre em atual município de Paraguaçu Paulista, e também havia uma tendência exploratória agrícola nos terrenos marginais e adjacentes ao curso do Paranapanema Paulista. 
Ainda assim não há indicativos de empregados agricultores subsidiados entre as primeiras famílias italianas lá estabelecidas, exceto os espontâneos, trabalhadores em propriedades rurais, em próprias ou da família; e foram esses 'italianos urbanos' e afazendados que trabalhavam por conta própria, quem intermediaram, a partir de 1893, a contratação de mão-de-obra italiana para as lavouras de café.
No Vale Paranapanema houve, em menor escala, entrada de outros povos que não os da Itália, somente chegando a números mais significativos após a proibição italiana da imigração subsidiada:
"Por algum tempo, os fazendeiros e seus aliados voltaram-se para fontes ibéricas (Portugal e Espanha) de mão-de-obra barata. Em 1910, porém, o governo espanhol seguiu o italiano, proibindo a emigração subsidiada de seus cidadãos. São Paulo, então, se empenhou seriamente na importação de trabalhadores japoneses, e, em anos posteriores, a migração interna serviu para assegurar mão-de-obra barata para as fazendas." – [Os Italianos - Histórico].
A cessação da imigração subsidiada não diminuiu o interesse dos italianos pelo Brasil, e as hospedarias em Santos e São Paulo transformaram-se em verdadeiros mercados de trabalho onde se firmavam os contratos.
Os árabes, principalmente sírios e libaneses, presentes desde os tempos de colônia, tiveram entrada significativa no Brasil e, em especial no estado de São Paulo, na década de 1890, face problemas políticos e econômicos causados pelo domínio do Império Otomano na região do Oriente Médio. Em Santa Cruz do Rio Pardo, no ano de 1892, registra-se a presença da família do sírio João Queiroz, nome abrasileirado.
As presenças de outros imigrantes somente ocorreriam, em massa, após 1902.
A presença alemã no Vale do Paranapanema vinha de experiências agrícolas no Brasil sul e das tradições e costumes do país de origem. A colônia alemã, cooperada, marcou presença na região de Maracaí, adquirindo pequenas propriedades dos primeiros desbravadores da região, e a sede denominou-se São José das Laranjeiras.
Os italianos observaram os resultados da Colônia Alemã e aplicaram experiências semelhantes na região de Pedrinhas, adquirindo terras dos herdeiros do português padre Serôdio e de descendentes de posseiros.
A Colônia [alemã] Rio-Grandense no Paranapanema somente se consolidaria nos anos de 1939 enquanto a Colônia [de italianos] em Pedrinhas, após 1940.
As duas colônias, alemã e italiana, criaram sistema operacional de empresa capitalista para seus componentes. Todos produziam para a Cooperativa e esta se encarregava da distribuição das mercadorias e bens, bem logo a ditar o que e quando produzir este ou aquele bem, além da aplicação de técnicas agrícolas e melhoramentos, desde a análise do solo e correções devidas aos experimentos com sementes e tipos de culturas, no denominado sistema de incentivo à produção agrícola objetivando grandes produções e de melhores qualidades para o mercado consumidor.
Italianos e alemães não eram apenas agricultores e sim membros inseridos nos mais diversos segmentos da sociedade, e até envolvimentos, pelos descendentes, no contexto político local. Sabiam reunir, divulgar ações através da imprensa escrita e mantinham colunas no próprio idioma nos hebdomadários que surgiam nos sertões, para os relatos do cotidiano social e comunitário, abrindo espaços para expressões culturais e manifestos de ideais.
O Correio do Sertão, jornal em circulação na localidade de Santa Cruz do Rio Pardo mantinha a coluna 'Sezione Italiana' inteiramente voltada para os italianos em seu próprio idioma.
'Sezione Italiana' pregava a união da colônia e ajuda mútua, evitando a segregação social em relação aos brasileiros. Além disto evidenciava a existência da “'Societá de Mutuo Soccorso', ao dispor dos italianos para atendimento às necessidades mais diversas, desde as trabalhistas às consulares.
Aparente cisão ocorreu no seio da comunidade italiana de maneira que a Sezione Italiana prega uma nova Associação em substituição à 'Societá de Mutuo Soccorso'. A 'Sezione' deixou então de ser publicada pelo Correio do Sertão.
Nas décadas posteriores, após 1950, as comunidades lançariam seus próprios informativos, independentes ou através das cooperativas. Há informações de pequenas publicações, de alcance apenas local, anteriores a 2ª. Guerra Mundial.
A presença estrangeira em determinadas regiões do Paranapanema trouxe e manteve viva a cultura típica nacional representada em suas festas e folguedos, danças e teatro. Algumas localidades como Pedrinhas, ainda mantém certas tradições dos primeiros imigrantes.
Uma cooperativa ou organização agrícola tinha grande influência política e econômica no lugar ou região onde instalada; e faziam estudar seus filhos.
A presença italiana na agricultura tinha o objetivo único de mão-de-obra barata para as fazendas de café. Por isso a imigração subsidiada, ou seja, de prestação de serviço obrigacional para o pagamento da passagem, e a compra forçada de gêneros alimentícios e produtos diversos no armazém da fazenda, diminuída assim sua renda.
Evidente que o relacionamento entre patrão e o trabalhador não era dos melhores e o empregado se via quase sempre na condição de total dependência do empregador e, assim, até a liberdade individual do imigrante se via comprometida.
O patrão, após o cumprimento obrigacional, sujeitava o imigrante a trabalhar por baixos salários, ou procurar outros empregos deixando sua vaga para outros imigrantes, no fenômeno do fluxo contínuo de mão-de-obra européia a menor custo. O imigrante, a deixar o local de serviço sabia das dificuldades em encontrar outro emprego, pelo menos na região, onde era tido ingrato e rebelde.
A classe patronal era extremamente unida para as decisões tomadas, e sabia infernizar a vida de um imigrante, negando-lhe carta de referência de serviços prestados. Não era difícil tripudiar sobre os italianos trabalhadores rurais, homens e mulheres vindos das zonas rurais em seu país de origem, quase todos analfabetos.
A história registra casos de greves nas fazendas, ainda nos tempos do Império, inclusive atos de violências entre patrões e empregados. Relatórios do Governo da província e anais policiais apontam atentados e assassinatos:
"Os relatórios da época estão repletos, por exemplo, de inúmeros casos de multas arbitrárias lançadas contra os colonos como método rápido para reduzir os seus salários. 'Vendas' da própria fazenda, confisco diretos, pesos e medidas ilegais e o mero não-pagamento de salários eram mecanismos pelos fazendeiros com considerável freqüência. Quase todas as fazendas tinham o seu próprio bando de capangas, encarregados de executar as vontades do fazendeiro e fiscalizar, entre outras coisas, a entrada e saída dos colonos nas fazendas. A violência física era um componente fundamental do sistema; os relatórios consulares e os jornais da colônia italiana da época relatam centenas de casos. É desnecessário frisar que os imigrantes não dispunham de recurso legal nesses casos. Por exemplo, um funcionário italiano chegou ao extremo de declarar, em 1908, que não acreditava “que os anais judiciários do Estado de São Paulo mencionem um caso, um único que fosse, de fazendeiro que tendo espancado um colono tenha sido punido legalmente”.—
—"(...)".—
—"Os imigrantes responderam de diversas maneiras a sua situação. Há, por exemplo, dezenas de casos em que colonos, agindo individualmente ou em pequenos grupos, assassinaram fazendeiros ou seus administradores. Um dos mais famosos incidentes ocorreu em 1901 quando Francisco Augusto Almeida Prado, percorrendo seus cafezais descuidadamente, sem a proteção de seus capangas, foi assassinado por seus colonos que o esfaquearam e esquartejaram com machadinhas e enxadas. Fato semelhante havia acontecido a Diogo Salles, irmão do Presidente da República (Campos Salles), no ano anterior. De modo geral, os motivos para tais incidentes eram individuais, como o caso de Salles, que envolveu uma tentativa de estupro da irmã do assassino. Contudo, o incidente é indicativo tanto das formas extremas assumidas de exploração quanto das tensões subjacentes. Outros casos surgiram de questões mais amplas. No assassinato de Prado, por exemplo, a causa imediata teria sido a punição que ele havia imposto a seus colonos por terem se recusado a apagar um incêndio na fazenda de um de seus parentes."—
—"Ultrapassar a resistência individual encontrava obstáculos imensos e os fazendeiros faziam o que podiam para sufocar qualquer mobilização. Por exemplo, todas as sociedades ou associações de trabalhadores eram proibidas, e contatos com o mundo fora da fazenda, estritamente vigiados. Apesar do controle severo, os trabalhadores não apenas se mostravam constantemente inquietos e algumas vezes violentos, como também realizavam greves com alguma freqüência."—
—"As primeiras greves rurais ocorreram ainda no Império, tornando-se mais freqüentes nos anos 1890 e chegando a atingir várias dezenas de ocorrências até 1913." – (Os Italianos, op.cit.).—
Mas os imigrantes italianos não eram apenas homens da lavoura. Também chegaram os trabalhadores urbanos e os militantes político-trabalhistas que se organizaram em oposição às doutrinas da imigração subsidiada, assim promovendo as primeiras conquistas para os trabalhadores nos limites de algumas fazendas e empresas empregadoras:
—Pagamento integral de salários e eram os colonos quem escolhiam o que comer e onde comprar, livrando-se dos armazéns das fazendas e empresas ou por elas administrados;—
—Oposições às reduções de salários;—
—Livramentos das multas arbitrárias;—
—Nas fazendas a autorização para uso de terra necessária para cultura de subsistência familiar do imigrante.—
A situação 'superior' de classe do imigrante estrangeiro impôs algumas modificações em relação ao negro escravo. As acomodações eram melhores, as famílias se alojavam em casas e não em senzalas, barracões  ou alojamentos coletivos. O patrão não podia mais fazer o uso do chicote, do pelourinho e da privação de liberdade.
As relações de trabalhos também se modificaram. Os italianos não vieram para derrubar matas, e somente assim faziam mediante contrato de trabalho específico.
A conquista maior chegou em 1902 quando o governo italiano proibiu a imigração subsidiada. Outra aspiração realizada, ao imigrante tornou-se permitido adquirir terras, quando em 1896 ainda era expressa a opinião Campos Salles, à frente do Governo de São Paulo, conforme o Fanfulla, periódico publicado em São Paulo no idioma italiano: "fazer os estrangeiros proprietários do solo paulista não nos convém" (Os Italianos – Histórico, (...), apud Fanfulla, edições de 4, 5 e 11/09/1896).  
No Vale Paranapanema, às exceções de casos isolados, as relações foram menos traumáticas entre os empregadores e empregados. A explicação está na chegada tardia dos imigrantes para as lavouras, quando ambas as representações tinham experiências acumuladas para melhores convivências. Outra razão encontra-se na presença antecipada do italiano urbano nos principais povoados do Vale Paranapanema e, algumas vezes, ele mesmo a oferecer serviços aos compatriotas em suas propriedades.
Disperso do assunto enfocado, considera-se Giácomo Capanema o primeiro italiano residente no sertão adiante de Botucatu. 
Capanema era cozinheiro de expedição bandeirante que, em 1822, fez pouso no lugar denominado de Sobrado, em São Manuel, na Fazenda Jesuítica Botucatu, onde conheceu e enamorou-se da filha de um chefe indígena local, contraindo matrimônio pelas leis cristãs, através do padre acompanhante de uma das bandeiras por lá também hospedadas. Conta-se que Giácomo, depois de anos residente em Sobrado, deixou o lugar para se fazer próspero dono de albergaria em Santos, ao lado de sua mulher (São Manoel, Aspectos Históricos: Os Precursores).—

2. Imigrações
2.1. Situações para Santa Cruz do Rio Pardo - 'boca do sertão'
Apenas no século XX os agricultores santacruzenses, em especial os cafeicultores, associaram-se para o emprego de mão de obra imigrante mista, através de empresas contratantes, na denominada segunda marcha de expansão do café e demais culturas iniciada já no século XX. Santa Cruz destacou-se nessa fase, após a chegada da ferrovia, fator determinante para o escoamento da produção agrícola.
Santa Cruz recebeu, oficialmente em 1908, os primeiros imigrantes, certo, porém, que outros chegantes europeus já se encontravam no município, a exemplos dos portugueses, espanhóis e italianos, residentes em colônias nas grandes fazendas, cujas registros ignorados em números e procedências.
Nem todos os imigrantes chegaram pelo Porto de Santos, ou, dentre aqueles que por ali entraram, muitos não passaram pela hospedaria e muitos registros perderam-se: 

"Dos 30.792 immigrantes espontaneos do anno 1908, 20.780 entraram pelo porto de Santos, 303 pela Estrada de Ferro Central e 709 por outras estradas de ferro, mas sómente 7.422 passaram pela Hospedaria da Capital" (R.SNA..., 1908: 116), sendo 103 espontâneos para Santa Cruz do Rio Pardo (R.SNA..., 1908: 104).—
Documentos oficiais atestam entradas anuais de imigrantes europeus para Santa Cruz, com passagem pela Hospedaria de Imigrantes: 
1911 – 1.829 (R.SNA..., 1911: 137);—
—1912 – 1.386 deles (R.SNA..., 1912/1913: 193);—
—1913 – 1.589 (R.SNA..., 1912/1913: 193);—
—1914 – 11.114 (R.SNA..., 1914: 168);—
—1915 – 1.183;—
—1916 – 483 (R.SNA..., 1916: 162);—
—1917 – 668 (R.SNA..., 1817: 124);—
—1918 – 224 (R.SNA..., 1918: 124).—
—Não foram anotadas entradas oficiais de imigrantes entre os anos 1919/1921, porém registrados em 576 entradistas em 1922 (R.SNA..., 1922: 91), e, no ano de 1923, 1.109 estrangeiros (R.SNA..., 1923: 107).—
No ano de 1923, o Quadro Estatístico de Lavoura de Café do Estado por nacionalidade e localidade (R.SNA..., 1923: 12), constava para Santa Cruz do Rio Pardo o total de 319 propriedades cafeeiras, sendo 70 delas de estrangeiros, destacando em números de pés de cafés, 6.683.100 para os brasileiros, e 2.000.000 para estrangeiros, numa porcentagem correspondente a 29,9%. 
Dos imigrantes, por nacionalidade, eram os proprietários de lavouras de café no município (R.SNA..., 1923: 121):
—"Italianos: 57 propriedades com 1.266.000 pés de café";—
—"Portugueses: 2 propriedades com 93.000 pés de café";—
—"Espanhóis: 7 propriedades com 74.000 pés de café";—
—"Alemães: 1 propriedade com 7.000 pés de café";—
—"Diversas nacionalidades: 3 propriedades com 560.000 pés de café".—

2.2. Os imigrantes italianos
As primeiras famílias italianas para Santa Cruz, já mencionadas, chegaram antes de 15 de novembro de 1889.
Também outras famílias italianas apresentaram-se, espontaneamente, ainda no século XIX:
—"Agazzi; Ambrosia; Aregonha; Baggio; Ballo; Begueto; Benetti; Bertoldi; Boaacci; Bozzio; Bozzoni; Brondi; Camilo; Canassa; Cardin; Carminos; Carrer; Colli; Cornelli; Criveli; Dalmatti; Dapare; Darroz; Delarissa; Della Libera; Dibastiani; Di Giácomo; Esquinilli; Farani; Ferrazini; Fiori; Franciscon: Fraulin [e]; Furlan; Gasparite; Gazzola; Giovanni; Gozzo; Guido; Leopoldo; Longo; Lorenzetti; Ludete; Luidi (Luidge); Magnani; Maitan; Mantovani; Marcato; Mardegan; Mariani,; Marini; Marquesin; Mascati; Mazzante; Menon; Mioto; Murador; Nardi; Negrini; Nigrioni; Pavanelli; Perin; Picinin; Piveta; Poli; Portezan; Rampaolo; Randrano; Ravanelli; Ravedutti; Renofio; Righi; Risi; Rosseto; Sanson; Sarachi; Sartori; Sciarini; Scudeler; Serracini; Simonette; Singolane (Singulani); Tameozo; Tittoneli; Tosini; Venturine; Vidor; Viol; Viotti; Vison; Vuolo e Zanete (Prefeitura, Registros de Sepultamentos exercícios de 1908/1929; e Registros de Estrangeiros pela SS/SP - Delpol, 1930/1939, observando que as grafias nem sempre correspondem).—
Dos 'italianos santacruzenses', do século XIX, o destaque maior foi o Coronel Moyses Nelli, da Guarda Nacional, negociante, próspero fazendeiro e metido em política, sendo eleito vereador em algumas legislaturas, autoridade policial e judicial - nomeada, e representante da colônia em Santa Cruz do Rio Pardo. Em 1910 Nelli estava empobrecido quando nomeado Ajudante de Coletoria (Correio Paulistano, 26/01/1910: 3).
Nelli, já em Santa Cruz por volta de 1885, iniciou casa assobradada para residência e comércio no ano de 1887, na antiga Praça ou Largo da Liberdade, nela citado morador em 1890 (Mapa Oficial do Alistamento dos Eleitores do Município de Santa Cruz do Rio Pardo).—
Após Moyses Nelly destacou-se representante da colônia italiana local, Frediano Colli, e depois Alberto Scazzola, hoteleiro e Agente Consular Italiano (O Contemporaneo, 24/091916: 1). 
A presença italiana foi de extrema importância em todos os setores da sociedade santacruzense, embora algumas dificuldades de relacionamentos em Santa Cruz, com alguns casos descritos ao longo deste trabalho.

2.3. Os japoneses
Santa Cruz não teve colonização japonesa empresarial e sim a espontânea, com as chegadas de algumas famílias, por indicações, parentescos ou mesmo aventuras. No entanto não devem ser ignorados atuações de intermediários nas contratações em escala de japoneses para a região.
A imigração japonesa no Brasil iniciada em 1908 teve seus primeiros residentes em Santa Cruz nos anos de 1920, para as lavouras de algodão, café a alfafa. 
Algumas tradições apontam os primeiros 'japoneses santacruzenses' vindos do Vale da Ribeira, após os contratos com a empresa Brasil Takushoko Kaisha, por volta de 1918/1920, ou depois, em 1925, do mesmo Vale, pela empresa Kaigai Kogyo Kabushiki Kaisha (Saito y Nogueira, 1989: 274). 
Relatórios de Governo atestam presenças de citadas empresas responsáveis pela entrada dos imigrantes japoneses no Ribeira, contudo não informam destinos após cumprimento de contratos (R.SNA (...), 1916: 141-148; 1925: 117).
O assunto merece melhores atenções quando da efetiva chegada dos primeiros imigrantes nipônicos, em Santa Cruz, sendo a família 'Fukuda' a pioneira, com presença registrada desde maio de 1920, e depois, a partir de 1923 ao ano de 1929, outras apresentam-se residentes no município:
—"Ajzem; Banki (família Koba?); Chibase (Chiba ou Chibata?); Endo; Fukuda; Gaya; Gem (Satoyoski); Goshima; Hamaki; Hashimoto; Hitani; Iokimaru; Izumi; Kawamoto; Kido; Kita; Michioka; Midori; Mine; Nagamatsu; Nagasaki; Naguiro (Naguira); Nakamura; Natsuyo (Natsuno?); Nicase (?); Nisaki (?); Nishifuna (?); Nishina; Ogata (Kiota); Okada; Ozaki; Sato; Satu (Satsu?); Sechinza (Chinza?); Shige; Sota (Soutan?); Suindini (?); Sullare (?); Sute (Suto?); Tamagushi; Tanaka; Taniguchi; Tanowa (Tanowaki?); Teozsma C... (Tegima - Tagima?); Thora (Toraya - Torai?); Tomaki; Toyoshi; Shinoda; Ueda; Ueto (Uete - Ueti ?); Umisu (Umezu?); Yamami; Yamashita; Yamazaki; Ynumuro; Yoshida; Yoshisaki; Wakataru (Nituceque Vaccatalu - conforme escrito); Ziu (Chiu?)" (Prefeitura, Registros de Sepultamentos, 1908/1929 e Registro de Estrangeiros pela SS/SP - Delpol, 1930/1939, observando que as grafias nem sempre correspondem quanto as transcrições de pronuncias, as inversões de nomes e sobrenomes, e podem acontecer ilegibilidade de alguns sinais gráficos e nomes com escritas diferentes sabendo-se tratar das mesmas pessoas ou famílias).—
No ano de 1924 a família 'Yoshisaki' era proprietária do Hotel Familiar, em Santa Cruz do Rio Pardo, situado à Rua Marechal Bittencourt (A Cidade, 18/04/1924: 6).
Ainda em 1924 noticiou-se: "a japonesa Yone Ynumuro, accusada de haver, ha cerca de tres mezes, em sua residencia nas proximidades desta cidade, assassinado um seu patricio. Defendeu-a, o dr. Vasco de Andrade, que conseguiu a sua absolvição unânime" (A Cidade, 04/12/1924: 2). 
—Não se tem o nome da vítima, contudo existe registro de 19 de outubro de 1924, referente ao óbito e sepultamento de Nituceque Vaccatalu [respeitada a grafia], com idade de 23 anos, sem nenhum outro japonês, adulto, falecido no período correspondente ao assassinato cometido por Yone Ynumuro.—
Em 05 de janeiro de 1925, o japonês 'Ogata Kiota' comunica a Municipalidade:
—"(...) não continuando neste exercício com o seu negócio de seccos e molhados e hotel de 2ª classe, vem respeitosamente ante V.Exa., requerer a competente baixa, não tendo feito em termo oporttuno por desconhecer a lei Municipal que rege a materia pelo que confiado nos supplementos de V.Exa. pede ser attendido" (Prefeitura, Livro de Registros - Requerimentos, exercício de 1925).— 
Não há informações confiáveis que o estabelecimento hoteleiro de Kiota seja o mesmo que pertencera à família Yoshisaki, na Rua Marechal Bittencourt.
Em 1925 noticiou-se nova chegada de japoneses, na propriedade de José Augusto Junqueira, denominada Fazenda Santa Clara. O Inspetor Sanitário da Capital, Dr. Haroldo Reis, veio certificar-se das condições de sanidade dos imigrantes, recomendando a vacinação contra o tifo e a varíola (A Cidade, 27/03/1925: 1).
No ano de 1926 existiam colônias japonesas em Santa Cruz do Rio Pardo, Espírito Santo do Turvo e Chavantes. É o que se depreende de Nota Policial divulgada naquele ano:
—"Colonos que fogem – O fiscal da fazenda São Domingos - Julio Iokimaro - queixou-se à delegacia de que, na madrugada de 26, os colonos japonezes Satoyoski Gen e Mitrucki Okada acompanhados de suas famílias fugiram da mesma fazenda, onde tinham apreciavel debito, furtando ainda a patricios cobertores e miudezas varias. Ao que consta, os fugitivos tomaram rumo de Espirito Santo ou de Chavantes, onde têm parentes" (A Cidade, 02/05/1926: 2.).—
Destaque entre as primeiras famílias nipônicas estava os Banki, pelo menos desde 1927, conforme biografia referente ao Cônego Ângelo Banki idade de 82 anos em 2009:
—"Nascido em Santa Cruz do Rio Pardo (SP) Banki é o sétimo de 10 filhos de um casal que deixou Hiroshima para desembarcar no Brasil em 1914, apenas seis anos depois dos primeiros imigrantes nipônicos chegarem ao país. Logo, a família que chegou a enfrentar a fome, primeira realidade dos imigrantes orientais que sonhavam em ganhar dinheiro rápido e voltar para a terra natal, converteram-se ao catolicismo. E o menino Ângelo, aos 10 anos, não teve dúvidas quando o pai lhe perguntou se não queria ser padre. Rapidamente disse sim e pela primeira vez calçou um par de sapatos para ir estudar na capital" (Santin, 2009: 1).— 
Com maiores divulgações históricas, a partir de 1930 apresentam-se outras famílias, destacando-se as Kawbata, Izumi e Yoneda. Em 1934, chegou a Santa Cruz, Toji Amemiya, na época com 16 anos, unindo-se posteriormente, pelo matrimônio com Kasuko, à família Tamura (Debate, 15/06/2008, referências apanhadas – Caderno D), adotando o sobrenomeTamura
Kasuko, aos 10 anos em 1934, veio para o Brasil com membros da família, aportando-se em Santos, seguindo para Jaboticabal como colonos numa fazenda por um período de dois anos, mais outro biênio como meeiros e depois arrendatários, até que em 1940 chegaram à região de Santa Cruz do Rio Pardo. Nessa época, Kasuko conheceu Toji, com quem se casou em 1942.
A partir dos anos de 1935, chegaram à região de Santa Cruz membros da família Suzuki [Michiyoshi, Shozo, Seiko e Teruichi], com entrada no Brasil no ano de 1932, por algum tempo no município de Cerqueira Cesar (07/06/2009, dados referenciais em jornal Debate).
Outras famílias japonesas, após ou mesmo anteriores a 1935, estão registradas em Santa Cruz: 

Abe; Ashikaga; Beppu; Amaze; Amura; Aoki; Aragaki; Ashikawa; Fugita; Furuya; Ganiko; Hagime; Hamada; Harada; Hassegawa; Hayasaka; Henna; Hirata; Hirano; Honda; Hoshi; Ichimura; Ikeda; Igari; Isamo; Ishii; Ishiwashi; Ito; Ivama; Kaawano; Kadoi; Kawamura; Kawati; Kameda; Kamei; Kanai; Kassai; Kato; Koba (Banki Koba - família Banki dos anos de 1920?); Kobayashi; Kobata; Komino; Kuwahara; Mamura; Matsui; Matsumoto; Miagi; Miyshiro; Momura; Morita; Myata; Nakandakari; Nacasse; Nacatamo; Nacauma; Nagagushi; Nagai; Nagatomo; Nakatami; Niitsuma; Oguro; Okura; Oki; Osagi; Sakai; Sasaki; Sato; Saito; Shiracawa (Shirakawa); Shiraishi; Suga; Tada; Takahashi; Takamori; Takiushi; Tanaka; Todokoro; Tokanaga; Tomori; Tomita; Tomoike; Tukuzaki; Tsuhata; Ueda; Ueno; Umetsu; Umino; Ushiwata; Ushida; Watanabe; Yabuki; Yaeda; Yamada; Yamamoto; Yamasaki; Yamashita.A colônia era ativa e crescente. Documento de 1935 revela instalado em Santa Cruz do Rio Pardo o Hotel Tayô, da família Kuwabara, à rua Marechal Bittencourt, com inscrições em caracteres katakana e kandi.— 
Um documento da época mostra a Casa Comercial Yoneda e familiares, sendo o estabelecimento situado à Rua Marechal Bittencourt esquina com a Antonio Mardegan.
A loja e o hotel já existiriam nos anos de 1920, primeiro como propriedades da família Yoshisaki, depois de Ogata [Kiota].
A família Sugisawa, casal e sete filhos - uma filha morreu na viagem, instalou-se em Santa Cruz do Rio Pardo vinda do Japão em 1937, para o trabalho numa fazenda local (Assembleia Legislativa do Estado do Paraná - Projeto de Lei 137/2009, título de Cidadão Honorário do Estado do Paraná, ao Sr. Saburo Sugisawa, nascido no Japão em 1934).
A família Sassaki também chegou antes da Guerra, assim como outros nipônicos que em todo ou em parte foram residir em outros municípios dos estados paulista e paranaense.


2.4. Imigrantes (famílias) de outras nacionalidades 
Imigrantes, de nacionalidades diversas, chegaram a Santa Cruz, destacando:
—"Alemã: Bartel; Flanuz; Hiese; Humberto (aportuguesado); Kroemia (Croemia); Miller; Piechotlka; Richter; Wolf (presença registrada na região santacruzense desde os anos de 1870)".—
—"Árabe: Queiroz (aportuguesado de Keiruz, assemelhando-se com sobrenomes iguais de origem síria e libaneza)".
—"Argentina: Alóe (não confundir com família Alóe italiana); Lozano".—
—"Austríaca: Cassoto; Gassmer; Kievi; Malanche; Malurch; Paviot; Prensaki; Schneider; Vicentin; Wolf (século XX - confunde-se com sobrenome alemão); Yega".—
—"Belga: Jasogne Castano (?)".—
—"Chilena: Domingues".—
—"Cubana: Saliba, sobrenome que não deve ser confundido com Saliba, de origem libaneza, não descaratando, porém, parentesco ou igual origem primária)".—
—"Espanhola: Ascencio; Castelhano, Cecilia; Cid; Garcia; Gimenes; Gomes; Neguardo; Martins; Munhos; Oliveira; Ortega Orta; Parianês; Parra; Peralta; Perez; Puertas; Ramos; Rodrigues; Santiago; Vasquez (Vasques)".—
—"Francesa: Brandt; Nantes (anterior ao período imigração, com presença regional desde 1851)".—
—"Húngara: Etieme; Hessen; Komyama (não deve ser confundido com sobrenome japones); Madarassy; Pinter; Sciba; Tavez".—
—"Indiana: Raj".—
—"Inglesa: Dayy; Shieffield".—
—"Iugoslava: Ban [origem croata]; Cimeman; Gaich; Kovacth".—
—"Libaneza: Abujamra; Assef; Dabus; Germanos; Ghamlouche; Ibrahim; Kanan; Keiruz (confunde-se ou aparenta-se com o sírio Queiroz - aportuguesado); Maluly; Rahuné; Saad; Saliba; Trad".—
—"Lituana: Denisovas; Geciumes; Meliumas; Micaskis; Polzunoff; Tamkas; Trimarchas".—
—"Napolitana: Schirillo; Simiscarco. (Os napolitanos não eram contados italianos)".—
—"Palestina: Bassit".—
—"Paraguaia: Morinigo".—
—"Polonesa: Alzim; Namcinsk".—
—"Portuguesa: Amorim; Caetano; Espírito Santo; Fernandes; Freitas; Gomes; Gonçalves; Luz; Martins; Pestana; Ribeiro; Santos; Tavares da Silva; Veríssimo".—
—"Rumena: Andrei; Crestiocor; Danielenco; Fingarman; Hogan; Macarie; Pereverzin; Radulenco; Vezetiv".—
—"Russa: Busck; Cavalchuk; Croval; Dacowoy; Peniverzoma (?); Pereverzium; Polzonoff; Romancine; Semmence; Sirache; Truchskini".—
—"Síria: Abras; Brehaim; Honório; Queiroz (família que antecedeu a imigração, presente em Santa Cruz do Rio Pardo desde o século XIX); Riston; Zacura; Zieck [Ziecl?]".—
—"Suíça: Dubuis".—
—(Fontes: Prefeitura, Registros de Sepultamentos, 1908/1929; e Registro de Estrangeiros pela SS/SP – Delpol, 1930/1939; observando que as grafias nem sempre correspondem. CD: A/A).—
Os chineses intentaram utilizar-se gratuitamente dos cavalos disponíveis alugados por Edmundo Krug:
—"O meu amigo Quinzote percebe que os taes não eram cavalleiros firmes na sella, e desejando ver-se livre delles, mas não querendo recusar, accedeu promptamente ao pedido, ajudando até aos dignos homens amarellos a montarem, entregando-lhes em seguida um bahú de folha, no qual se achavam as suas ferramentas e algumas roupas. O pobre chinez tendo puchado demasiadamente as redeas, o animal começou a afastar até que teve de encostar ela rectaguarda numa vidraça da casa de um italiano pouco cortez. Vidros quebraram-se, tiniram os cacos na calçada, o italiano berra e o animal espanta-se de tal forma que, como toda besta velhaca, começa a corcovear; o chinez deixa o bahú cahir, as patas do animal pizam-n'o e o pobre mongolo vem ao solo magoando-se fortemente na sua digna parte musculosa" (Krug, 1925: 403-404).—
A história não registra os citados chineses em Santa Cruz do Rio Pardo.

3. Estrangeiros fichados, presos e torturados
Os imigrantes não tiveram vida fácil no Brasil e nem no recanto sudoeste e oeste paulista, sendo alvo de discriminações, atos de violências e de denúncias, nas duas grandes guerras mundiais, além dos rigores das autoridades brasileiras, sobretudo ou mais lembrado durante a último conflito, através das medidas que atingiram imigrantes e descendentes italianos, alemães e japoneses que constituíam os oriundos do 'EIXO' - Alemanha, Itália e Japão, no jargão denominado 'ROBERTO' pelas iniciais das capitais daquelas nações: Roma Berlim e Tóquio.
Os fichamentos, prisões e torturas podiam ocorrer com membros de organizações ou suspeitas de secretismo, de líderes comunitários, parentes de algum suspeito, ou mesmo por falar o idioma proibido. 

3.1. Segunda guerra mundial - e os japoneses sofreram mais
Os filhos dos japoneses antes da 2º Guerra Mundial tinham escolas próprias e, também, frequentavam estabelecimentos brasileiros de ensino. Porém, em 1938, Vargas impusera restrições culturais aos nipônicos e as escolas japonesas foram proibidas, de alguma maneira sob a alegação da proibição constitucional, de 1937, de línguas estrangeiras nos cursos regulares de ensino e não tolerada para menores de quatorze anos.
Depois uma série de decretos-leis entre 1938 e 1939, impunha restrições culturais aos nipônicos, e as famílias abandonaram muitos costumes.
A cultura japonesa, num todo, diferenciava-se dos usos, tradições e costumes brasileiros e tornaram-se exprobrados e discriminados pela sociedade brasileira capitalista, que visavam o branqueamento nacional, com agravamento à medida da aproximação de Getulio Vargas com os Estados Unidos, quando indiscriminadamente os japoneses radicados tornaram-se, à visão do governo, inimigos do Brasil.
Ainda neste período, aparentemente, integração e a convivência japonesa na sociedade santacruzense não apresentava grandes desconfortos para as famílias Yoshisaki, Ogata, Kuwabara, Yoneda e Banki, enquanto outras sofriam rejeições sociais.
Os Banki, Yoshisaki, Ogata e Kuwabara já não estariam em Santa Cruz do Rio Pardo nos tempos da guerra.
Aos 29 de janeiro de 1942, o Brasil rompeu com o Eixo, em solidariedade aos Estados Unidos, pelo ataque japonês a 'Pearl Harbor' - acontecimento de 07 de dezembro de 1941, obrigando todo o corpo diplomático japonês a deixar o país.
Entre si os imigrantes japoneses acudiam-se, através de associações secretas, ocultas ou clandestinas, alvo dos órgãos repressivos do governo brasileiro. As inquietudes dos radicados quanto ao destino da guerra tiravam-nos do anonimato, diante da preocupação quanto à sobrevivência familiar ou mesmo grupal num Brasil cada vez mais hostil.
Para os imigrantes japoneses o Japão precisava ganhar a Guerra, e evidentemente expressavam o querer entre os conterrâneos, através de parentes, das apresentações artísticas, dos filmes contrabandeados, das revistas no idioma, e dos viajantes, que depois o governo brasileiro suspeitou-os espiões.
Novo Decreto de Vargas, e já não se podia mais falar em público o idioma de cada nação do Eixo, com ou sem intérprete, além da exigência de salvo-conduto nos deslocamentos regionais e proibição total de qualquer manifestação cultural, mesmo famíliar. Também as atividades de trabalho dos japoneses, em todo estado de São Paulo, tornaram-se alvo de fiscalização embasada em Edital pela Superintendência de Segurança Pública do Estado.
Mesmo clandestinas destacam-se as "Sociedade Secreta Japonesa Shindo Remmey: Prontuário 108981 – Caixa 247" e a "Sociedade Secreta Japonesa Shindo Ketumei Dan (Prontuário 64244 – Caixa 247", PROIN).
Diversas famílias japonesas em Santa Cruz do Rio Pardo ficaram sob observações policiais, ainda antes do fim da guerra, acontecida com a capitulação japonesa, e em cena a 'Shindo Renmei', pelos 'kachigumi' ou vitoristas, pregoeira que a rendição era propaganda americana/ocidental, perseguindo os 'makegumi' - derrotistas ou realistas, com extrema violência e mesmo mortes.
Os kachigumi eram maioria nos cerca de 200 mil colonos no Brasil da época, enquanto os derrotistas não passavam de vinte mil indivíduos, em torno de 20% do total de imigrantes e descendentes.
Nunca se fez em Santa Cruz e região que antes lhe pertencera, qualquer levantamento do pós-guerra sobre o alcance dos kachigumi sobre os makegumi, ou mesmo as reações destes em relação aos patrícios rivais.
Sabe-se que a Organização Shindo Renmei santacruzense existiu, assinalada em mapa (Arquivos do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, inserido na obra Corações Sujos (Morais, 2004: 152-153), porém as famílias nipônicas evitam o assunto, e os descendentes talvez desconheçam, e, como tabu, tudo caminha para o apagamento da memória.
A organização Shindo Renmei foi desfeita no ano de1947, quando Vargas mandou interrogar mais de 30 mil pessoas, prendendo 300 suspeitos e 155 ameaçados de expulsão.
Durante o período descrito alguns japoneses 'santacruzenses' foram monitorados pela polícia política de Vargas e tiveram que prestar esclarecimentos, alguns presos e, entre os fichados: 

"Akio Kato; Akio Myamura; Asaji Takahashi; Chiko Shoji; Chuzaemon Shoji; Fukashi Saito - Caporanga; Hactiro Tomita; Haruo Fujii; Hideshi Yoneda; Hiroshi Sato; Jutaro Watanebe [Watanabe]; Kibutaro Saito; Kintaro Ueno; Kiyoma Hamada – Alambari; Kndzi [Kendi] Kanazawa; Kohiro [Koichiti] Sato – pai da coautora Junko Sato Prado; Kotuku Arakaki; Kotuku Arakaki; Massao Sato –atuante na região de Tupã (SP), tio da coautora; Massayuki Takaahaci [Takahachi]; Michiyoshi Suzuki; Mitsuo Kameda; Mituo Myasaki; Morimitsu Aizawa; Mussamito Takaahaci [Takahachi]; Myoji Sato; Nobuhiko Myake; Norio Takahatake; Ryutaro Kurahashi - São Pedro do Turvo; Saburo Fugiwara; Setsuo Tanno; Shigeru Kanico [Ganiko]; Shinzo Matida; Sunao Muraguchi; Takao Yoda; Takesshi Yamamoto; Tatume Fukuzaki; Tetsu Kawabata; Tokujiro Tajima: Tutume Furusaki; Yasuhei Aoki; e Yasusige Nagai" (DEOPS/PROIN: Fichas Policiais para Santa Cruz do Rio Pardo).—
Os fichamentos e prisões podiam ocorrer com membros de organizações ou suspeitas de secretismo, de líderes comunitários, parentes de algum suspeito, ou mesmo por falar o idioma proibido.
Yasusige foi preso por falar japonês e teve situação agravada em causa das diferentes grafias do seu nome em português. 
O fotógrafo Kintaro Ueno, residente à Rua Floriano Peixoto nº 166, em Santa Cruz do Rio Pardo, teve apreendido seu material fotográfico porque as fotos, para o seu livro, tinham legendas em japonês.
—"O professor Boris Kossoy, da Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP), juntou o material de dois dos fotógrafos imigrantes ali encontrados: Kintaro Ueno e Hideo Hayashida que, segundo escreve o professor, registraram 'o progresso para os que não temiam o trabalho árduo', em meio ao preconceito e desconfiança do Estado Novo. Nas imagens, famílias inteiras reunidas vestem suas melhores roupas a fim de construir um autorretrato de sucesso" (Montesanti, 2011: 2).—
A abertura política somente ocorreria a partir de 1952, com o reatamento das relações diplomáticas Brasil/Japão, mais propriamente em 1958/1960, reabrindo algumas escolas japonesas, com números menores pela adaptação geográfica e cultural dos filhos no Brasil, e então muito se perdeu, e apenas a culinária japonesa tem sido assimilada pelos lares brasileiros, mas a riqueza cultural japonesa dos primeiros tempos da imigração, apenas sobrevive, adaptada, entre antigos descendentes.
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