domingo, 20 de dezembro de 2009

09. A estrada Peabiru

1. Peabiru - o lendário caminho interoceânico
"Um friso de praia debruado pelo muro das montanhas. Nenhuma brecha ou porta que o introduzisse na largueza além serrana, o europeu estava confinado à beira mar!". “Mas em São Vicente, existia uma exceção. Havia uma estrada antiga, visivelmente transitada”. Oito palmos de largura a mergulhar no interior brasileiro. O português, vendo que aquele caminho pouco perdia para as vias de Portugal, extasiado perguntou ao índio. O que é isso? Era a primitiva via indígena de comunicação pré-colonial chamada de Peabiru ou Peabiyú. Estendia-se por mais de 200 léguas, desde a Capitania de São Vicente, na costa do Brasil, até as margens do Rio Paraná, passando pelos rios Tibaxia (Tibagi), Huyabay (Ivaí) e Piquerí." 
Palavra de origem incerta, 'Peabiru' teria o significado, em tupi, de 'Pe - caminho e Abyru - grama amassada ou gramado'; ou 'Pe ou Pea = caminho e Biru' o atual Peru, daí o significado 'Caminho para o Biru' como antigamente conhecido o atual Peru; e a não descartar 'Pe-Abyu' - Caminho para a Montanha do Sol, todavia esta última a tratar-se de interpretação e tradução nada confiável. 
Genericamente Peabyru [Peabiru] seriam antigas trilhas indígenas - feixes de caminhos, por terra e rios, quase sempre unificados, com lugar de partida para determinado destino.
Ousa-se que Peabiru seja expungida de algum original para 'Pe-Apiru ou Pe-Paru' - de pronúncia assemelhada a 'Pe-Abiru/Pe-Biru' - Caminho para o Rio Aurífero, conforme entendimento em Henrique Onffroy de Thoron, na sua monografia histórico-filológica 'Voyages dês Vaisseaus de Salomon au Fleuve dês Amazones', publicada em Genova (Itália 1869) e Manaus (Brasil 1876), ao tratar das viagens do fenício Hiran, rei de Tiro, a serviço do rei hebreu Salomão ao Peru, pelo rio Amazonas, entre 993-960 AEC - Antes da Era Comum (Bíblia/Antigo Testamento, I Reis 9: 26, II Crônicas 9: 2 e 20: 36 e referências - Versão Almeida).

1.1. Da trilha que acessa a ligação entre 'duas sendas' Peabiru
O historiador português Jaime Cortesão informa que Cosme Fernandes Pessoa entrou no Brasil em 1498 ou 1499, como degredado, trazido numa viagem portuguesa não oficial de Bartolomeu Dias, de acordo com documento, de 24 de abril de 1499, encontrado em Portugal. Cosme, o lendário 'Bacharel de Cananéia' ou Mestre Cosme, tratava-se de judeu-espanhol, maçom e desordeiro político em Portugal (Obras Completas Livro III – Os Descobrimentos Portugueses).
Cuida tal desterro ao cumprimento do Decreto Real Português, de 5 de dezembro de 1496, que dava aos judeus indesejados prazo de dez meses para abandonar o reino e, muitos dos que insistiram ficar ou não tinham para onde ir, foram presos em 1497 e degredados alguns, como consta no Livro dos Degredos arquivado no museu do Tombo em Portugal, à 25º de latitude na Costa Sul do Grande Mar Oceano, a coincidir com a Ilha do Bom Abrigo – depois Ilha do Meio, a sul de Ilha Comprida no litoral sul paulista de Cananéia (IPeC - Instituto de Pesquisas Cananéia (...) Ano I / Junho de 2002 - n.º 01).
A história não reconhece qualquer desembarque nem os nomes daqueles desterrados, pois se o Brasil foi descoberto no ano de 1500, Portugal não poderia, jamais, proclamar algum documento anterior, sob pena de reescrever a história e abrir precedentes de outras cheganças, a exemplo da expedição do navegador português André Gonçalves, em 1497, que primeiro teria desembarcado judeu-portugueses na mesma Cananéia.
—Se, oficialmente não existiu o desembarque de 1497, André Gonçalves comandaria em 1501 uma armada portuguesa encarregada de explorar as costas do Brasil (Caldeira e outros, CD-Rom - documento transcrito e posto em CD: A/A)—. 
Nunca se soube historicamente por que Portugal escolheu Cananéia para desembarcar os seus proscritos, mas certamente o foi pela discórdia onde acontecia de fato o divisor Tordesilhas ao sul da América, se em Laguna (SC) pelos portugueses ou em Iguape - SP conforme os espanhóis (Ladeira, 1990: 20), optando Portugal, unilateralmente, determinar o marco oficial em Ilha do Meio - Cananéia, por Martim Afonso de Souza, no ano de 1531, e, assim, ao sul de Cananéia as terras seriam todas da coroa espanhola, ou seja, os atuais estados brasileiros do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, além das demais terras para além do imaginário de Tordesilhas. Esta decisão divisória já estaria pensada em nos anos 1497/1499, pelo reino português, quando do desembarque dos desterrados, motivos mais que suficientes para sérias disputas entre os dois reinos.
A divisão de terras americanas entre Portugal e Espanha, pelo Tratado Tordesilhas, determinava 370 léguas a oeste da Ilha de Santo Antão, segundo Portugal, a mais extrema do Arquipélago de Cabo Verde. Mesmo assim jamais acertado se eram léguas portuguesas de 6.600 metros, ou as espanholas de 5.572 metros, até que Portugal firmou Laguna por demarcatória para seus interesses territoriais, situação nunca aceita pela Espanha.
Se os primeiros indesejados portugueses foram deixados em Cananéia, entre 1497 e 1502, cabe pressupor tenham sido eles os primeiros a atingirem o continente, interiorizando-se pelas florestas, exitosos alguns e trucidados outros pelos selvagens.
A partir de Cananéia saía uma trilha indígena para, vencida a serra, chegar às proximidades da atual localidade São Miguel Arcanjo e findar num caminho de ligação entre duas grandes estradas passantes, uma aonde hoje o município de Ponta Grossa [PR], vinda do litoral norte de Santa Catarina, e outra em futuro território de Sorocaba [SP], originária desde São Vicente, no litoral paulista, e as vias se uniam em Iguaçu - PR para a transposição do rio Paraná, passando pelas terras paraguaias para se chegar aos Andes, localidade de Cuzco, com ramais para as costas do Pacífico em Peru e Equador.
Um dos trajetos Peabiru iniciava-se no litoral, a norte da Ilha de [Santa] Catarina - SC, rumo a Ponta Grossa - PR para margear o Rio Iguaçu, pela direita, até a foz, conforme relatos da expedição de Alejo Garcia (1521/1526), desprezados outros detalhes do curso.
Desta estrada o estudioso Wilson Partecka Olipa na sua História de Mamborê - PR, destaca as "ramificações que passavam pelos atuais municípios [paranaenses] de Campo Mourão, Engenheiro Beltrão, Luziânia, Nova Cantú, Campina da Lagoa, Ubiratã, Mamborê e Peabiru" (Olipa, 1998), sendo fácil seguir seu itinerário até o despejo do Iguaçu no Rio Paraná.
Outro caminho Peabiru originava-se em São Vicente, litoral paulista, para perfazer trecho aproximado de 200 léguas apenas em território brasileiro, ou seja, mil trezentos e vinte quilômetros, largueza de oito palmos [1,76 metros], coberto de gramíneas especiais que impediam crescimento de arvores, arbustos e ervas daninhas. 
O curso, a partir de São Vicente, subia a serra para chegar ao Planalto Piratininga e seguir adiante, passando pelos atuais municípios de São Paulo e Sorocaba, até o pé da serra em Botucatu, de onde:
Peabiru-s: São Vicente, Santa Catarina e o ramal Ponta Grossa a
Sorocaba, e a esta ligação o acesso a partir de Cananéia
Imagem, a grosso modo, pelas descrições de Valla
"(...) se dirigia ao vilarejo que tem ainda o malsoante nome de Avaré – [Abaré] (o desagradável sobrenome do padre Zumé), a duzentos e setenta quilômetros, aproximadamente, ao noroeste. De lá ele obliquava em direção ao oeste, depois ao sudoeste, passava pelas atuais cidades de Ourinhos, onde transpunha o Paranapané (hoje Paranapanema), de Cambaré e Procópio, atravessava o rio Tibagi, atingia Londrina, depois, por Apucarana, após ter transposto o Huybay (mais corretamente Ivaí), burgo que se chama ainda hoje Peabiru. Descia em seguida em direção sul-sudoeste até a embocadura do Iguaçu. Ou seja por alto, um percurso de mil quilometros (...)" (Valla, O Segredo dos Incas, 1978: 90).—
As fortes quedas d'água e correntezas não favoreciam as navegações pelo Rio Paraná, e então, por terra, se fazia este o melhor e confiável caminho até às proximidades do Iguaçu, onde o encontro com a 'estrada catarinense'.
Ambas as vias se uniam em Iguaçu [PR] para a transposição do rio Paraná, passando pelas terras de Paraguai e chegar aos Andes - localidade de Cuzco [Bolívia], o coração do Império Inca na época da conquista ibérica, com ramais para as costas do Pacífico em Peru e Equador.

2. Estrada desde os tempos do Império Tiahuanaco nos Andes
A Peabiru é uma construção pré-incaica, no entanto, nenhuma documentação sobre o assunto, apenas memórias e fabulações.
As duas sendas Peabiru, de interesse neste trabalho e aqui denominadas São Vicente e Santa Catarina, para melhores entendimentos, eram obras bem engenhadas, que não chegaram inteiras aos dias de hoje, senão as partes de trechos servindo de base e direção para algumas das atuais estradas de rodagens, outras incorporadas às grandes fazendas e assim abandonadas até o desaparecimento total.

2.1. Os 'Atumuruna', em 1350, teriam sido os construtores 
Não se sabe, com certeza, quem foram os realizadores daquelas estradas. Os difusionistas apontam os Incas, embora desconhecidos os motivos deles para uma estrada transoceânica. 
Pelas exposições de Valla tais feitos cumprem aos Atumuruna, em meado do século XIV, quando refugiados em territórios do Brasil e Paraguai. As pesquisas devem ser aprofundadas. 
A nação Atumuruna, que estudos apontam descender de escandinavos [viquingues] na América do Sul, teria sido a fundadora do grande império Tiahuanaco, instalado no século XI/XII, com diversas tribos indígenas tributárias ou confederadas, a exemplo dos revoltosos Araucano [Chile] que, por volta de 1350, à frente de outros confederados insurretos derrotaram o Império, colocando em fuga seus sobreviventes que chegaram ao Paraguai, por via terrestre, e ao Brasil pela transposição do rio Paraná ou por ele descer até o Atlântico, para depois chegar a determinados pontos do litoral brasileiro, Santa Catarina e São Vicente, princípios das futuras veredas Atlântico-Paraguai-Andes e Pacífico.
Lembranças históricas apontam presenças de Atumuruna no Paraguai, até bem pouco tempo ainda encontradas nos Guayaki, os índios louros do Paraguai (Valla, 1978: 75-76); também nos índios brasileiros de pele clara, os chamados Auati – gentes de cabelos claros, vinculados aos guaranis e citados em crônicas dos primeiros tempos do Brasil português, excluídos aqueles originados ou com eles confundidos, nascidos das relações indígenas com espanhóis e holandeses.
Caminhos, portanto, não faltaram aos Atumuruna para suas escapadas, segundo especialistas citados por Valla (1978: 91-102), inclusive por via oceânica, a exemplos dos 'Kaole' no Taiti e dos 'Ehu' no Havaí, mais os misteriosos 'homens louros' de algumas das ilhas polinésias (Valla, 1978: 71-73).
Não se trata de concepção isolada. Relatos de expedições a serviço de Espanha mostram o uso fluvial dos rios Prata, Paraná e Paraguai, conhecidos caminhos da Rota Cone Sul, para se chegar à estrada Peabiru, do lado paraguaio (Carvalho, 2012) e adiante, por terra, até os Andes e Pacífico.
Por conseguinte, admite-se a rota terrestre Paraguai-Andes-Pacífico desde a fundação do Império Tiahuanaco - século XII, enquanto os trajetos do lado brasileiro são construções mais recentes, ou seja, depois da entrada Atumuruna em terras do Brasil, por volta do ano de 1350, então eles os construtores das duas principais rotas [Peabiru], São Vicente e Santa Catarina, em busca do retorno para ao Andes.
Alguma similitude existente entre as estradas Peabiru, baseada em antigos relatos, com certas construções observáveis em sítios arqueológicos do Império Tiahuanaco, como aterros, calçamentos, ruas e estradas, apontam pelo menos para uma origem comum daquelas construções. Recentes estudos arqueológicos sobre aquele império, comparados àquilo que resta da Peabiru, apontam similitudes entre elas que, em absoluto, podem ser vistas como meras coincidências.

3. Da Peabiru São Vicente - o trecho pelo Vale Paranapanema
Não se sabe quando os caminhos Peabiru foram percorridos pela primeira vez por homens brancos, nem o tamanho de alguma possível incursão inaugural, mas a mais importante e longa viagem certamente ocorreu entre 1502 a 1513, a partir de São Vicente para se chegar aos Andes, em pleno centro do então Império Inca. 
Dessa viagem é o que entende o Cortesão, ao mencionar que o galo trazido com outras espécies animais da Europa para Cananéia, em 1502, já no ano de 1513 aparecia na corte inca, levado numa expedição pela Peabiru, causando pasmo tanto, que o futuro governante adotaria o nome Atahuallpa, isto é, Galo. "Esta rapidez na disseminação dum elemento cultural prova quanto eram rápidas e ativas as comunicações através do continente" (Donato, 1985: 30).
Os autores SatoPrado não desprezam possibilidades que tal ave tenha chegado ao império inca pelo Pacífico, também por volta de 1513, quando Vasco Nuñez de Balboa aportou pela primeira vez às costas do Pacífico Sul, e o galo, se componente daquela expedição, poderia ter sido introduzido em terras equatorianas por algum batedor indígena e, de pronto, levado às mãos dos incas, cujo império então se estendia até o Equador.
Respeitada a informação, tal viagem pode ter sido a primeira passagem do homem branco pelo Vale do Paranapanema, mas os registros são frágeis. 
Melhor documentado, somente em 1526, com a passagem de Alejo ou Aleixo Garcia pelo Vale Paranapanema rumo aos Andes, à frente de alguns brancos e quase uma centena de índios pacificados, em busca de riquezas, porém assassinado no retorno e substituído pelo capitão Pero Lobo, que chegou a São Vicente com os produtos andinos e milhares de índios aprisionados.]Alfredo Gomes relata:
—"As primeiras referências ao encontro de riquezas datam de 1526, quando Aleixo Garcia, saindo de São Vicente em companhia de três ou cinco portugueses, à frente de um exército de índios, pelo rio Paraná, alcançou o Paraguai, chegou ao Peru e após haver se apoderado de fartas riquezas fez-se de volta, sendo, porém, assassinado no regresso" (Gomes, 1972: 59).—
Já em 1521 o mesmo Garcia, a serviço da Espanha, havia feito uma viagem a Potosí, Bolívia, pela Peabiru a partir do hoje estado de Santa Catarina, passando pelo atual Paraná, quando ambos ainda, em maior parte, territórios espanhóis (Valla, referência a Jacques de Mahieu, 1978: 90). 
Do lado português tem-se o registro da viagem de Francisco de Chaves aos Andes, sob autorização do colonizador português Martim Afonso de Souza. Chaves, genro do Mestre Cosme e igualmente degredado, partiu de São Vicente em 1º de setembro de 1531, com o experimentado capitão Pero Lobo, mais cerca de cem homens armados e um sem número de indígenas pacificados, rumo aos Andes via Paranapanema, prometendo grande carregamento de ouro e prata além de muitos escravos, mas quatro meses depois, na travessia do Rio Paraná, a expedição foi destroçada pelos índios guaranis (Borges Hermida, História do Brasil, 1958).
Da estrada, a partir de São Vicente, o governador geral Tomé de Souza proibiu-lhe trânsito, em 1º de junho de 1553, com justificativas ao rei português:
"Achey que os de Sam Vicente se comunicavão muyto com os castelhanos e tanto que na Alfândega rendeu este ano passado cem cruzados de direitos de cousas que os castelhanos trazem a vender. E por ser com esta gente que parece que por castelhanos não se pode V.A. desapeguar delles em nenhuã parte, hordeney com grandes penas que este caminho se evitasse, ate ho fazer saber a V.A. e por nisso grandes guardas e foy a causa por honde folguey de fazer as povoações que tenho dito no campo de Sam Vicente de maneira que me parece que o caminho estará vedado" (Apud: Donato, 1985: 30).
O uso da Peabiru foi bastante controverso. Washington Luiz, em sua obra 'Na Capitania de São Vicente' (Senado Federal - Brasil, 2004 v. 24: 340), informa:
 "Alguns governadores do Brasil proibiram, por instantes recomendações e sob penas severas, o trânsito por aí, como o fez D. Duarte da Costa em 1556 (Atas da Câmara de Santo André: 36, referência). No interregno de seus dois governos, no Brasil [1591/1602 e 1609/1611], Francisco de Sousa, ao contrário em 1603, mandou reabri-lo (Atas da Câmara de Santo André, vol. 2º, pág. 138).  
Se a proibição não alcançou os efeitos pretendidos nem evitou circulações de gentes por ela, no entanto causaram-lhe os descuidos de manutenção oficial, principalmente em pontos elevados, aterros, pontes elevadiças, empedramentos e nivelamentos de trechos sujeitos aos alagamentos, e ausência de rebaixamentos onde necessário.
Pelo lado espanhol, a Peabiru por Santa Catarina igualmente perdeu a importância dentro do território hoje brasileiro, para a rota fluvial do cone sul e pela travessia terrestre entre o Atlântico e Pacífico, pelo istmo mais a meridional da América Central, no atual Panamá, à mesma maneira que por outros caminhos utilizados pelos espanhóis, preocupados que estavam com as riquezas do Peru e Bolívia, até o escassear do ouro e da prata, quando reiniciaram a interiorização exploratória e de fixação do Vice-Reino Espanhol do Rio da Prata em terras paraguaias, pelos rios Paraná, Paranapanema e Tietê, em busca de interesses para a Coroa Espanhola, com isso a revitalizar a Peabiru a partir do ano de 1603 quando Espanha, Portugal e respectivas colônias agrupadas, então, num só reino.

3.1. Do atalho pela Serra Botucatu ao Paranan-Itu [Salto Grande] no Paranapanema
Júlio Manoel Domingues, em sua obra A História de Porangaba (2008: 21), transcreve levantamento histórico sobre a primeira concessão sesmarial em Tatuí, publicado pelo advogado e historiador Laurindo Dias Minhoto, onde a primeva menção de um caminho para Botucatu no ano de 1609: 
"O mais remoto documento, que conseguimos descobrir, foi a carta de sesmaria concedida em 10/11/1609, pelo Conde da Ilha do Príncipe, por seu procurador Thomé de Almeida Lara, sendo aquele donatário da Capitania de São Vicente. Essa concessão foi feita a João de Campos e ao seu genro Antônio Rodrigues e nela se lê: "seis legoas de terras no districto da villa de Nossa Senhora da Ponte (Sorocaba), na paragem denominada Ribeirão de Tatuí, com todos os campos e restingas para pastos de seu gado, como também Tatuí-mirim thé o Canguera, com largura que tiver, com mais trez legoas em quadra no Tatuí - guassú e Canguary, trez legoas para o caminho de Intucatú, seis legoas correndo paraguary abaixo para a parte do Paranapanema, com condição de pagar os dísimos a Deus Nosso Senhor dos productos que dellas colherem"." (Tatuhy Através da Historia, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Vol. 25 - 231-200, 1917: 138; in Domingues José Manoel Domingues, A História de Porangaba, 2008: 21).
SatoPrado contestam a data 10 de novembro de 1609 para o documento analisado por Dias Minhoto, sem prejuízos quanto as demais citações. Ora, o título nobiliárquico de Conde da Ilha do Príncipe somente foi criado pelo Rei D. Felipe IV de Espanha e III de Portugal e Algarves, por Carta Régia de 4 de fevereiro de 1640, a favor de Luís Carneiro de Sousa.
Para o historiador jesuíta, monsenhor Aloísio de Almeida, entre os anos 1608/1628 eram comuns as viagens subindo a Serra e daí ao baixo Paranapanema, tendo o Rio Pardo como referência (Memória Histórica sobre Sorocaba – I, Revistas USP, 2016: 342 (8). Também o estudioso igualmente jesuíta, Luiz Gonzaga Cabral, ao mencionar Aleixo Garcia, informa que os padres abriram estradas desde o litoral a São Paulo e outras rumo ao interior, inclusa aquela que, pela Serra Botucatu levava ao aldeamento no Paranapanema, com comunicação fluvial para o Paraná e Mato Grosso (Apud Donato, 1985: 35); sendo certo que os padres, no início colonial, foram usuários e reformadores de estradas e trilheiras indígenas preexistentes, valendo-se de índios pacificados que bem conheciam os feixes de caminhos, de onde saíam e para qual destino. 
Aloísio Almeida, explica melhor o curso deslocado da Peabiru, em Botucatu: "A tal estrada subiu a serra, ganhou as cabeceiras do Pardo (Pardinho) antigo Espírito Santo do rio Pardo e desceu aquele rio até as alturas de Santa Cruz do rio Pardo, donde passou para o afluente Turvo e saiu nos Campos Novos do Paranapanema (nome mais novo)", prosseguinte ao Salto das Canoas (Paranan-Itu), desde onde a navegabilidade do Paranapanema em direção às Reduções Jesuíticas (1608/1628), e ao Rio Paraná (O Vale do Paranapanema, Revista do Instituto Histórico e Geográfico – RJ, Volume 247 - abril/junho de 1960: 41).
SatoPrado apontam que o antigo caminho jesuítico, rumo aos aldeamentos no Paranapanema, era pelo Tietê desde onde a trilha rumo às cabeceiras do paulista Cuiabá (AESP, BDPI: Cart325602)daí a margeá-lo até o Paranapanema. Somente após 1620, com a entrada de Antonio [Campos] Bicudo no alto da serra e os detalhamentos das nascentes do Pardo, então Capirindiba, se fez comum o trecho da Serra ao Paranapanema ao Salto das Canoas [também Quebra Canoas, Paranitu, Yucumã e Salto do Dourado]em atual município de Salto Grande, pela mesma cartografia, caminho dos bandeirantes e entradistas.
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*Os autores, SatoPrado, acresceram ao mapa o início da Peabiru 'paulista', de São Vicente a São Paulo - Piratininga, e simbolizaram (1) aquela estrada com passagem pelo Paranapanema, esclarecendo que, segundo consta na obra de Valla - Jean Claude (1978: 90), a sinalizada (2) dirige-se a região de Sorocaba e não Piratininga - São Paulo, estando correta, para os objetivos, a linha (3).
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