domingo, 20 de dezembro de 2009

44.8. Santa Cruz do Rio Pardo

1.  Das origens 
Entre 1850 e 1851, na avançada pelo sertão centro sudoeste paulista, a cada cinco ou seis léguas, o chefe bugreiro José Theodoro de Souza, ou à sua ordem, tinha sempre o cuidado primeiro em escolher local de arranchamento e levantar uma cruz, denominar o lugar sob a invocação de um orago, geralmente o do dia, ou identificação geográfica (rios, morros e furnas) quando não, algum traço marcante com o qual distinguido, como floresta, espécie vegetal, predominância de qual tipo de aves, entre outras observações de acontecimentos notórios, após o que construir dois ou mais ranchos coletivos para neles instalar homens, fortemente armados, para reconhecimento e medições de terras, localizações de possíveis predecessores e caçar índios e animais selvagens, com isso a amanhar o sertão para a chegada das famílias em relativa segurança.
—Francisco de Paula Moraes, genro de José Theodoro de Souza esteve entre os primeiros 'donos' de terras em Santa Cruz, comprovado por documento de venda de terras ao capitalista José da Costa Allemão Coimbra, tido autêntico e juntado ao processo da legalização de posse (DOSP, 18/06/1909: 4310-4311).—
A Manoel Francisco Soares coube o arrancho no Rio Pardo, no pontal Ribeirão São Domingos/Rio Pardo, região santacruzense integrado na conquista de Theodoro, tratando-se de lugar entendido salubre, com boa fonte de água, além de estratégico para os proprietários e trabalhadores nas fazendas adjacentes, servindo como melhor local de moradias, e onde as travessias fluviais mais fáceis.
O mineiro desbravador assumiu posse no Pardo santacruzense, margem direita até o Turvo, com as glebas pioneiras Santa Cruz/São Domingos e Crissiumal/Jacutinga, fracionando-as por volta de 1855 em fazendas menores.
A sede da Fazenda Santa Cruz foi o pequeno núcleo onde o marco inicial urbano santacruzense, na região do Chafariz, e trazia o nome Bairro Santa Cruz, citado em assento eclesial de São Domingos, aos 25 de junho de 1857, no batismo de:
"André, filho legitimo de Antonio Rodrigues de Moraes e Ana Apparecida da Conceição, da freguezia de Campestre, da Provincia de Minas Gerais, que residem no bairro de Santa Cruz. Forão padrinhos Jose Manoel de Andrade e Dona Maria da Conceição" (Igreja Católica/SGU, SCR. Pardo, 1856/1884).O arraial, no entanto, antecede as divisões de 1855 promovidas por Soares, considerando que a preparação de fazendas postas a vendas demandava cerca de quatro ou cinco anos para as dimensões, demarcações, aberturas de caminhos e as derrubadas de matas, bem como o imediato arrancho para o abrigo e segurança dos empregados.— 
O bairro Santa Cruz foi apenas mais um dentre os surgentes na região, entre 1851/1862, conforme o avanço sertanejo, todavia lhe dado destaque regional em 1858/1859 ao classificar-se como o 7º Quarteirão de Eleitores do Rio Pardo, para a Freguesia de São Domingos, no município de Botucatu.

2. Os patrimônios que formaram a cidade 
Duas doações patrimoniais para a Santa Cruz e Santo Antonio, nos anos de 1861/1862 e 1868 respectivamente, foram fundamentais para a formação do povoado de Santa Cruz do Rio Pardo.

2.1. Santa Cruz
Em 1861/1862 o fazendeiro Manoel Francisco Soares doou cem alqueires de terras ao Patrimônio da Santa Cruz, sob a administração da Igreja, para a oficialização de uma Capela sob a denominação Santa Cruz do Rio Pardo:
—"Capella de Santa Cruz do Rio Pardo – Não consta escritura alguma com referencia ao patrimonio daquela Capella, mas pelos papeis existentes na Câmara Eclesiástica, sabe-se que o patrimonio da referida capella foi feito por Manoel Francisco Soares, que doou em 1861 ou 1862, uns terrenos cujas divisas acham-se compreendidas entre o ribeirão de S. Domingos, principiando na confluência deste ribeirão com o rio Pardo, de um vallo, que vai do mesmo ribeirão ao rio Pardo, e deste à mesma confluencia, onde tiveram principio e fim" (ACMSP, Relatório dos Bens Imóveis da Diocese de São Paulo de 1904: 55-56, documento resgatado por Lorana Harumi Sato Prado).——O Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo traz a mesma informação, em matéria assinada por Cavalheiro Freire, Inspetor Diocesano (Correio Paulistano, 24/abril/1941: 5 - Cappelas do Estado de S. Paulo). O autor trata-se do Padre Inspetor Diocesano Paulo Aurisol Cavalheiro Freire.—
O valo desde o Ribeirão São Domingos ao Rio Pardo, que confinava a doação patrimonial, passava pela atual Rua Conselheiro Saraiva e seguinte, fazendo-se divisante com as Fazendas São Domingos e o restante da Fazenda Santa Cruz, conforme descrições de divisas:
Com a Fazenda Santa Cruz, a parte extraída e denominada Chácara de Pedro Gonçalves, atualmente Chácara Peixe, "começando no vallo que divide com o patrimônio desta Villa até o espigão por este e por um vallo existente, continuando pelo mesmo espigão até encontrar com os terrenos dos herdeiros do finado Francisco Rodrigues, d’ahi a rumo do Rio Pardo e por este baixo, até encontrar com o cercado de Antonio Olympio Fernas, pertencente a outrora Ignácio Francisco Garcia, e dahi divisando pela mesma cerca, até encontrar o vallo, que deu principio a esta divisa" (Cartório de Registro de Imóveis, Chácara de Pedro Gonçalves, 1894: L 3-F (antigo) de Transcrições das transmissões nº 1.103: fls. 11).—
—Com a Fazenda São Domingos: "Principiando em uma peroba á beira da estrada, dividindo com o patrimonio de Santa Cruz, e seguindo desta peroba em rumo ao ribeirão de São Domingos, atravessando este, etc" (DOSP, 17/05/1895: 13586).—
Documentos resgatados junto a Cúria Diocesana de Ourinhos mostram as comprovações da Igreja, em 1893, sobre a posse das terras doadas por Soares ao Patrimônio da Santa Cruz, desde 1861/1862, onde instalada a povoação (Cúria Diocesana de Ourinhos - Documentos Avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo).
O Padre João Domingos Figueira, morador do lugar desde 1861/1862, confirmou em carta de 1864:
—"O patrimonio doado tem sem [sic] alqueires, mais ou menos, terreno proprio para grande povoação, agua pelo alto com abundancia, apresenta este logar um futuro risonho" (ACMSP, Documentos avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo, cópia, cortesia de José Carlos Pereira de Souza).—

2.2. Santo Antonio
O casal José dos Santos Coutinho e Rita de Sene, genro e filha de Manoel Francisco Soares e Ignácia Porcina de Sene ou Senne, aos 09 de março de 1868 doaram vinte alqueires de terras ao Patrimônio do Santo Antonio, conforme escritura lavrada em São Domingos (Livro de Notas, nº 3, fls. 59-v a 60-v, 1º traslado pelo Tabelião de Santa Bárbara do Rio Pardo, aos 04 de dezembro de 1891).
O terreno pertencera antes a João Paulo Garcia, extraído da primitiva posse de Faustino Machado de Oliveira.
Documentos de 1893 revelam posse imediata da Igreja sobre aqueles bens, já em 1868, formando povoado (Cúria Diocesana de Ourinhos – Documentos Avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo). No ano de 1900, mapa do Patrimônio de Santo Antonio revelava, em verdade, pouco mais de 24 alqueires (Prefeitura SCR. Pardo, Cadastro, resgatado por Julia Maria Andreolli).
Num longo e discutido processo, após a laicidade do Estado, a Câmara Municipal desapropriaria os terrenos da Igreja (Patrimônios de Santa Cruz e Santo Antonio) a favor da Municipalidade, com transmissão oficializada (Cartório Oficial de Registro de Imóveis, Certidão de 08/03/2006, da Escritura Pública de 05 de fevereiro de 1903, Livro 3-L (antigo) de Transcrição das Transmissões).

3. Formação da Capela Santa Cruz do Rio Pardo 
Crônica de 1887 informa que o pioneiro Manoel Francisco Soares residia na sede da sua fazenda, onde "uma cruz de madeira, que orgulhosamente se ostentava na beira do terreiro de sua habitação" (Almanach, 1887: 541), e outras moradias havia, daí o nome Bairro Santa Cruz, posteriormente elevado a Capela, com o designativo Santa Cruz acrescido do Rio Pardo.
Soares mandara, ainda, construir pequeno espaço religioso, coberto "com taquáras rachadas e sobre-postas umas ás outras (...). E desde então ficou a Santa Cruz como sendo a padroeira da povoação" (Almanach para a Província de São Paulo, 1887: 542).
A mesma crônica aponta a presença do Padre licenciado, João Domingos Figueira, fazendeiro residente no Bairro Santa Cruz entre os anos 1861/1862, vizinho de Manoel Francisco Soares (Almanach da Provincia de S. Paulo, 1887: 542), doador de terrenos para o Patrimônio da Santa Cruz, entre 1861/1862, nos quais o padre pôs-se a trabalhar para a formação urbana, com o rossio e a ereção de templo religioso, permitindo a elevação do bairro à condição de Capela, denominada Santa Cruz do Rio Pardo, jurisdicionada à Freguesia de São Domingos, no município de Botucatu.
Ausente qualquer expediente anterior de oficialização, aos 23 de novembro de 1862 o povoado teve sua primeira identificação conhecida, como Santa Cruz do Rio Pardo num ofício expedido pela Câmara Municipal de Botucatu à Presidência da Província de São Paulo:
—"Ha neste Municipio sette Igreijas, a Matriz desta Villa, a de Lençois, a de São Domingos, da Piedade do Rio do Peixe, a de Santa Crus do Rio Pardo, da Santa dos Remedios no Tiete, e a do Rio Novo, as treis primeiras pouco tem sido auxiliada pelo Governo, e as ultimas mais pequenas porem decentes e feitas a custa dos fieis, pelo que V.Exa. colligera que neste Município o povo he religiozo o que sertamente satisfara ao Governo de V.Exa. para assim ajudal-los" (DAESP/BTCT, Documentos: Ofícios Diversos).—
Aos 25 de novembro de 1862, também a Igreja reconheceria o lugar como Capela Santa Cruz, no registro de batismo de Maria, filha de Miguel ou Miziel com a liberta Rozalia:
—"(...). Na Capela filial de Santa Crus Baptizei pus santos oleo na inosente Maria de idade de tres mes filga legitima de Mizial [e] Rozalia, Escravo do Padre João Domingos Figueira, forão padrinhos Jose Peres das Chagas e Maria Inosencia da Conceição (...) – Padre Andrea Barra" (Igreja Católica/SGU, 1859/1879).—
Padre Figueira, referindo-se a Santa Cruz do Rio Pardo dos anos de 1862, descreveu-a como:
—"(...) nova povoação cujo povo bem dedicado ao servisso de Deos e da Igreja com minha estada de dois annos fes se uma Capella môr, forrada, assoalhada, com Prezbiterio, altar, trono, sacrário, e retabulo. O patrimonio doado é de 100 alqueires já conta com 18 a 20 fogões no arraial. A afluencia do povo é immensa" (ACMSP, Pasta de Documentos Avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo, cópia, cortesia de José Carlos Pereira de Souza).—
O edifício sacro construído pelo Padre Figueira, ou às suas ordens, situou-se onde parte dos fundos do atual templo São Sebastião, vista como significativa construção para o ano de 1862, com as medidas de 40 por 60 palmos, equivalendo a 8,80 metros de frente por 13,20 de fundos, e que necessitou, apenas, de pequenos reparos para servir de Matriz, acontecimento realizado em 1873 (Cúria Diocesana de Ourinhos, Documentos para Santa Cruz do Rio Pardo, Processo para elevação de Freguesia Canônica, 28/12/1872).

4. Os fundadores
Os patrimônios doados a Santa Cruz e ao Santo Antonio formaram a sede do município de Santa Cruz do Rio Pardo.
Mesmo a considerar a doação de terras pelo casal Coutinho e Senne para o Patrimônio do Santo Antonio, visando formação de povoado posteriormente incorporado à então Capela de Santa Cruz, são consagrados fundadores do lugar, o fazendeiro Manoel Francisco Soares e o Padre João Domingos Figueira.

4.1. Manoel Francisco Soares
O pioneiro santacruzense declarou idade de 64 anos, em 1858, na sua qualificação eleitoral para o 7º Quarteirão do Rio Pardo, Freguesia de São Domingos, Município de Botucatu (DASP, 1859, Ofícios Diversos para Botucatu).
Quatorze anos após revelada a idade Soares teria falecido em São Domingos, conforme sugere registro de sepultamento de certo Manoel, aos 10 de outubro de 1872, declarado "viúvo, de edade muito avançada, e rezada recomendação, diz ser natural de Taubate, não lembrou familia e morreo pobre na fazenda de Mecias d’Andrade" (ACMS/SGU, SCR. Pardo).
As tradições familiares apontam Manoel Francisco Soares falecido por volta de 1870, e seu nome não constou nas solenidades que elevou Santa Cruz à condição de freguesia pelo poder civil, em 1872, ratificada eclesialmente no ano seguinte. Ainda pelas retentivas, Soares cometera crime de morte, por questões de terras, evadindo-se do local para jamais retornar, e no período entre a fuga e sua morte estivera sob proteção de tribo indígena ou de algum fazendeiro poderoso na região, encaixando-se o Messias José de Andrade neste perfil.
Os autores, esgotadas tecnicamente as possibilidades de homônimos 'Manoel', faixa etária dos 60 ou mais anos, para Santa Cruz/São Domingos e adjacências, concluíram ser o pioneiro santacruzense, aquele identificado em óbito.—
Nascido ou não em Taubaté - SP, a primeira referência documentada sobre Manoel Francisco Soares aconteceu na província mineira, aos 08 de fevereiro de 1818, já casado com Ignacia Porcina de Sene, no batizado do filho Miguel, em Capela São João do Nepomuceno, Lavras - MG (Eclesial: Livro 1805-1829, Imagem 206). O documento religioso revela-o, com a mulher, "agregados do Capitão Andre Martins de Andrade".
Existe outro assento de batismo do mesmo Miguel (Eclesial: Livro 1805-1829, Imagem 218), em Capela de São Bento do Campo Belo, onde uma das fazendas do Capitão André Martins de Andrade (Inventário e Tutela - Projeto Compartilhar).
O casal Senne/Soares teve os seguintes filhos conhecidos:
—Miguel, nascido em 1818 conforme acima mencionado, não apresentou-se eleitor em 1859, e dele quase nada se sabe no sertão, à exceção de Manoel (DOSP, 01/10/1918: 4869) em invasão de terras na localidade de São Pedro do Turvo.—
—Maria, batizada em Capela de São Bento de Campo Alegre - Lavras. a 1º de novembro de 1819 (Livro 1805-1829 Imagem 221). No sertão nada se sabe a respeito de Maria.—
—Ritta: batizada aos 15 de fevereiro de 1821, em Rio Verde (Eclesial, Livro Índice de Batismos, Campanha/Santo Antonio, MG, 1813-1824). Ritta casou-se com José dos Santos Coutinho sendo o casal doador de terrenos ao Patrimônio de Santo Antonio, em 1868, incorporado à formação de Santa Cruz do Rio Pardo.—
—Antonio Francisco Soares: nascido por volta de 1823, casado com Anna Lauriana Vieira, aos 23 de fevereiro de 1846 (Eclesial, Silvianópolis - MG, Matrimônios: 1842-1873). Antonio foi dono de terras no Ribeirão Capivara, tributário do Pardo (Pupo e Ciaccia, 2005: 207 - F-35, citação de divisas).—
—Joaquim José Soares: nascido por volta do ano de 1826, casado com Maria Antonia da Luz, em data de 29 de julho de 1847 (Igreja Católica/SGU, Matrimônios, Silvianópolis – MG, 1842-1873). Joaquim mudou-se, com sua numerosa família, de Santa Cruz do Rio Pardo para a região de Conceição de Monte Alegre (Leoni, 1979: 5).—
—Justino Soares: nascido por volta de 1828, casado com Antonia Maria dos Sanctos, aos 02 de dezembro de 1850, (Igreja Católica/SGU, Matrimônios, Araraquara, SP, 1842 - 1865).——Pedro Francisco Soares: nascido aos 17 de novembro e batizado aos 02 de dezembro do ano de 1830 (Eclesial, 1800 - 1835). Não teve história conhecida, porém sabe-se de seu filho Joaquim Tito Soares, nascido em 1871, eleitor em 1904 (Livro Eleitoral – Resumo dos eleitores das Seções Federais, Santa Cruz do Rio Pardo, 1904).—
—Anna: nascida aos 22 de junho e batizada aos 22 de julho de 1832 (Igreja Católica/SGU, Batismos, Silvianópolis, MG, 1800 - 1835), casada com José Domingos ou Domingues de Chaves, em São Bento de Araraquara, em 04 de fevereiro de 1851 (Eclesial, Livro 1842 - 1865). Adotou nome de Anna Porcina de Senne.—
—Francisco Soares: nascido aos 08 de dezembro de 1833, e batizado em 01 de janeiro de 1834 (Igreja Católica/SGU, Livro de Batismos, Silvianópolis, Livro 1800/1835), casado com Hipolita Maria de Jesus (Igreja Católica/SGU, Batismos, Botucatu 1856/1859 referências em 04/09/1858 registro 1537).—
—Joaquina: nascida aos 30 de junho e batizada aos 14 de julho de 1835 (Eclesial, Silvianópolis - MG, Livro: 1797/1837), conhecida no sertão, salvo homônimos, pelos  nascimentos das filhas, Anna, os 08/01/1857 e batizada aos 09/03/1857 (Eclesial, Botucatu, Batismos Livro 1856/59: 21), e Prudencianna, batizada em São Domingos, aos 20 de novembro de 1862, idade de 04 meses (Eclesial, Santa Cruz do Rio Pardo - SP, 1859/1879: 192), ambas de pai incógnito.—
Soares teve registros de passagens em Araraquara – SP, aos 02 de dezembro de 1850 e 04 de fevereiro de 1851, nos casamentos dos filhos Justino Soares com Antonia Maria dos Sanctos [Chaves], e Anna Porcina Soares com José Domingos Chaves (Eclesial/Matrimônios,1842-1865 aos 02/12/1850 e 04/02/1851, respectivamente).
Antonia Maria e José Domingos eram irmãos, filhos de José Francisco Chaves e Joaquina Maria dos Santos, também pioneiros em Santa Cruz do Rio Pardo.—
Também Manoel Francisco Soares esteve em Brotas, no batismo de seu neto Joaquim, filho de Justino (Eclesial/Batismos, 1843/1864, Imagem 115 e 116, 14/03/1852). 
Documentos eclesiais, a partir de 02 de março de 1855, confirmam a presença da família Soares no sertão (Batismos, Botucatu, 02/02/1855 – referências Justino Francisco Soares), a não restar dúvidas quanto o pioneirismo de Manoel Francisco Soares, no Pardo santacruzense, em data até anterior, considerando que a preparação de fazendas, para vendas, demandava cerca de quatro ou cinco anos, desde o afastamento do perigo indígena às demarcações e fixações de divisas, além das aberturas de caminhos, derrubadas de matas e o imediato arrancho para o abrigo e segurança dos primeiros assentados. 
A presença de Manoel Francisco Soares na região santacruzense, então território da Capela de São Domingos, remonta ao ano de 1855, em transações de terras como posseiro primitivo das Fazendas Santa Cruz/São Domingos, abrangendo a Crissiumal, parte extraída da Fazenda Jacutinga, no Turvo, a considerar correto o edital de protesto (Correio Paulistano, 14/02/1892: 3). 
Em 1858 Soares e seus filhos estão entre os qualificados votantes para as eleições de Juízes de Paz da Freguesia de São Domingos, de acordo com a ata organizada pela mesa paroquial, datada de 17 de julho de 1859. 
Após 1862, quando da doação patrimonial a Santa Cruz, não se tem qualquer registro conhecido sobre a presença de Manoel Francisco Soares no sertão, até 1872, quando lhe sobreveio o óbito. O pioneiro, viúvo e sem lembranças familiares, "morreu pobre na fazenda de Mecias d'Andrade", com idade de 78 anos, considerados os documentos disponíveis. 

4.2. Padre João Domingos Figueira 
O Padre João Domingos ou Domingues Figueira tem o seu nome lançado em antigos documentos, como o cofundador e primeiro vigário santacruzense.
Português, nascido aos 14 de abril de 1810, na Freguesia do Estreito de Nossa Senhora da Graça de Câmara dos Lobos, filho de João Domingos Figueira e Maria de Faria, batizado em 18 de abril do mesmo ano, conforme "Livro Décimo Oitavo dos Baptizados da Parochial Igreja do Espirito Santo da Villa da Calheta, nelle a folha cento e sincoenta oito verço". De conformidade com transcrição: "Funchal, 13 de Março de 1833" (Apud Padre Hiansen, Documentos de Arquivos – ACMSP, 1998).
Vocacionado para o sacerdócio, Figueira iniciou curso no Seminário Católico de Funchal, em 1824, sem conclusão, egresso em 1833, deixando Portugal para residir no Brasil, onde concluiu os estudos para receber ordens sacras. "Em 1839 'os moradores na Freguezia de Caboverde' pedem ao Bispo de São Paulo a confirmação do Padre João Domingos Figueira para seu Parocho" (Padre Hiansen, Documentos de Arquivos – ACMSP, 1998).
João Domingos Figueira foi pároco nomeado, a pedido da população, para Cabo Verde - MG, a contar de 1º de outubro de 1839 "por seu comportamento, lisonjeiras esperanças de bem servir a igreja" (Carvalho, 2003: 34).
Documentos resgatados pelo Padre Hiansen Vieira Franco, em novembro de 2012, revelou os "Auttos de Collação da Igreja de Cabo-Verde a favor do Reverendo João Domingos Figueira", de 27 de junho de 1842, sob o Decreto Imperial de 06 de maio do mesmo ano (Padre Hiansen, Documentos de Arquivos – ACMSP, 1998).
Aos 23 de agosto de 1845, o Padre Figueira pediu renúncia do cargo, em Cabo Verde, quando "lá não podia permanecer com ameaças consecutivas de morte" (Carvalho, 2003: 188).
O requerimento não prosperou ou foi acordado entre as partes, até 1858, quando novo pedido do padre:
—"Vinte e dois annos de continuada perseguição nesta Freguezia, è motivo mais que sufficiente para renunciar, pela segunda vez, o beneficio de Nossa Senhora da Assumpção de Cabo Verde, onde por infelicidade sou collado (...)" (ACMSP, Autos de Renúncia de Benefícios – Paróquia de Cabo Verde, MG, 1858: 15/03, apud Padre Hiansen: 2012 – Documentos de Arquivos).—
A solicitação foi aceita pelo Bispado de São Paulo e publicada pelo Governo da Província de Minas Gerais (Correio Official de Minas, 29/03/1858: 1-2), e Figueira perdeu sua condição de vigário colado, e licenciou-se do Clero e "Comprando uma grande fazenda no Rio Pardo foi cultival-a, deixando de parochiar" (A Reforma, 19/12/1878: 2), em terras adquiridas de Manoel Francisco Soares, no ano de 1861/1862.
O 'Progresso de Tathuy', de 12/12/1878, descreveu a participação do Padre Figueira na origem do lugar: "Foi elle quem mandou derrubar a matta, onde hoje é a villa de Santa Cruz do Rio Pardo, e mandou ahi fazer-se a primeira roça" (In A Reforma, 19/12/1878: 2).
O ativismo de Figueira atraiu rivalidade do Padre Andrea Barra, Vigário em São Domingos. Os padres desavieram-se e, por carta ao Bispado de São Paulo. Figueira comunicou e denunciou:
—"Os habitantes de Santa Cruz do Rio-Pardo filial de Sam Domingos termo de Botucatu, encarregando-me como seu procurador. Dois anos habitei entre elles, neste tempo erigio-se huma capella mór com presbiteryo, altar sacraico, throno retabulo, forrada, assoalhada, com corredores dos lados o mesmo e sachristia. O patrimonio doado tem sem alqueires, mais ou menos, terreno proprio para grande povoação, agua pelo alto com abundancia, apresenta este logar um futuro risonho. A afluencia de povo de todas as partes é immensa. As divisas combinadas com os moradores, e as mais apropriadas devem ser: Principiando na foz do rio Pardo com o Paranapanema, subindo este até frontiar em linha reta com o ribeiro Santa Clara, descendo este a entrar no Turvo, descendo este athe onde principiou a divisa".—
—"Esta Capella dista de S. Domingos quatorse leguas, o vigario bastante inpolitico negou-me todas as licenças para baptisados e casamentos, talves julgando que o privaria de seus emulumentos. Estes habitantes tendo entre si um padre vio-se na dura necessidade, com incommodos innauditos hirem para S. Domingos e dispesas imcompativeis, subscrivendo cotas para o vigario ir, ao lugar, e assim mesmo, não hia se não por, contribuição espantoza, como fosse a benção do cemiterio q. exigio oitenta mil reis dizendo que era a licença, quando a provisão q[ue] tenho de cemiterio para minha fazenda importou hum mil duzentos e oitenta".—
—"Senhor esta capella não foi benta e para esse fim requeiro a V. Ex. faculdade para mim ou outro sacerdote de confiança sua. Assim mais a ereção de pia Baptismal. V. Ex. que em todos os actos de sua sublime administração tem apresentado amor paternal, caridade, e desinteresse. Eu em nome daquellas ovelhas submissas do seu grandioso rebanho supplicamos serem atendidas".—
—"Eu, e aquelles ficamos rogando a Deos pela conservação de sua vida apreciavel para ingrandecimento das almas por isso".—
—"-Ilegivel-". (ACMSP, Documentos avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo, cópia, cortesia de José Carlos Pereira de Souza).—
A carta, documento inédito, revela entrelinhas o desejo de Figueira assumir as funções sacerdotais em Santa Cruz. no entanto negocia sua nomeação para a freguesia Nossa Senhora da Conceição do Bom Sucesso, atual Caconde. Ofício da Presidência da Província de São Paulo ao Bispado de São Paulo revela os acontecimentos: "Ao exm. bispo diocesano – Passo ás mãos de v.ex. o incluso officio em que o padre João Domingos Figueira dá parte de achar-se a freguezia do Bom Successo desprovida de parocho para que v.ex. se digne tomar este objecto na consideração, que julgar conveniente" (Correio Paulistano, 16/04 1863: 3).
Padre Figueira conseguiu nomeação para o lugar, como Vigário Encomendado (RG, BN 1003, 1863/1864: 40 – Mapa S/N; RG, U 1005, 1864/865: 8-9), em setembro de 1863. Durou quase nada, assim revela carta do padre ao Bispado de São Paulo, datada de 13 de fevereiro de 1864:
—"Com magoa levo ao conhecimento de S.Ex.Rev. o que se tem passado neste infeliz lugar há 6 mezes. Convidarão-me para vir ao lugar e fazer meus contratos, estive hum mez ... -me a que fizesse minha mudança, propuz condições acceitarão, e um lugar onde empregasse os cativos, tudo foi franqueado; porem a peçonha do Hydra estava encerrada nas viceras do depravado que me convidou para este lugar por nome Fernando, este homem é quem afiançava, porem logo q. aqui cheguei portou-se diferente, negando-se ao seu lado, só passado tres mezes, depois de varios desgostos afiançou porem a 10 de Fevereiro quando completava seis mezes ... que os parias não querião mais minha continuação como vigario: não podem elles justificar faltas só sim a 10 de Fevereiro não dei cinca porque não achei palma benta no lugar que elles chamão Igreja, não achei theribulo, no acto ... ... não havia vinho pa. a Missa, e no dia dois ... . No dia dois de Novembro p.p. tambem esse senhor feudal sentio-se porque não o esperei e ... quando quisesse ... são as altas q. elles o ligão. Em vista do acontecido tenho de 
regressar para minha fazenda em Sta. Cruz do Rio Pardo, onde fico esperando as determinações de V.Ex. dirigindo-se p. Botucatu. Ainda que quizesse continuar-se pelos emulumentos estes são tão limitados que não dá para o café, Missas neste lugar não há, tudo he mizeria".—
—"V.Ex.Rº atendendo ao expendido asseitará minha dimessão, não me nego a servir a Deos e á Igreja, e em Sta. Cruz existe uma nova povoação cujo povo bem dedicado ao servisso de Deos e da Igreja com minha estada de dois annos fosse uma Capella môr, forrada, assoalhada, com Prezbiterio, altar, trono, sacrario, e retabulo. O patrimonio doado é de 100 alqueires já conta com 18 a 20 fogões no arraial. A afluencia do povo é immensa".—
—"Deos G. a V.Ex. Revª - muitos annos. Bom Sucesso - 13 de Fevereiro de 1864".—
—"O Vº. João Domingos Figueira" (ACMSP, Documentos avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo, cópia, cortesia de José Carlos Pereira de Souza).—
A carta desabafo diz muito de Santa Cruz, para onde Figueira retornou à vida de fazendeiro, e, a despeito dos seus entreveros com o vigário Andrea Barra, realizou alguns ofícios religiosos, revela-os o forâneo Padre Bartholomeu Comenale, em 1893:
—"no anno de 1867, nesta Matriz, o Revdo. Pde João Domingos Figueira baptizou José, de poucos dias, filho legítimo de Francisco Theodoro de Souza e Maria Magdalena de São José, foram padrinhos José Botelho de Souza e Lina Honória de São José" (Igreja Católica/SGU, SCR. Pardo, 1873/1896, referente ao ano de 1863).—
Aparentemente Padre Figueira não demonstrou nenhum interesse pela Vigararia de São Domingos, ou que fosse convidado, quando da morte do Padre Andrea Barra em setembro de 1870. Somente retornaria ao serviço religioso, como coadjutor ou capelão em Santa Cruz, com a posse do Padre Francisco José Serôdio, aos 15 de março de 1872, para São Domingos. Figueira permaneceu nas funções até sua nomeação como o primeiro vigário de Santa Cruz, aos 15 de março de 1873 (Câmara Episcopal de São Paulo, apud ALESP, CO 073-001.1).
Aos de 02 de julho de 1873 num expediente ao governo paulista, Figueira confirmaria sua presença na região desde 1861/1862, "conhecedor destes lugares, onde habito á doze anos" (ALESP, EE 73_27.1, 02/07/1873).
O Padre João Domingos Figueira faleceu em Santa Cruz do Rio Pardo, aos 26 de novembro de 1878, e seu corpo sepultado no piso da matriz, próximo do altar (Oliveira Zanoni, 1976: 57); e sua morte noticiada pelos jornais da época.
O paulistano 'Jornal da Tarde', edição de 17/12/1878 – página 2, reportou:
—"Com 69 annos em Santa Cruz do Rio-Pardo, falleceu o revd. vigario padre João Domingues Figueira, primeiro povoador daquella villa".—
—"Deu Liberdade a trinta escravos, e fez diversos legados pios".—
—"Era um verdadeiro apostolo do bem, pelo que os seus parochianos muito sentirão a sua morte".—
O 'Diário de Tathuy', SP, arrematou "O padre João Domingues gozou de uma bonita reputação como homem e como sacerdote. O povo santacruzense sentiu a sua morte" (Apud Província de São Paulo, 19/12/1878: 2).
O inventário do Padre Figueira, ainda a trâmite no ano de 1896 (DOSP, 19/03/1898: 23.174), apresentava como herdeiros legatários, os filhos e filhas:
João Bonifácio Figueira, identificado filho de João Domingos Figueira (Alistamento Geral dos Eleitores Federais – SCR. Pardo, 1902: 9), nascido por volta de 1850, casado com Maria das Dores de São José.—
—Bemvinda Carolina do Espírito Santo, casada com Manoel Gomes Nogueira.—
—Mariana Rosa do Amor Divino, casada com Luiz Antonio Rodrigues.—
—Maria Innocencia da Conceição, casada com José Joaquim Gomes.—
—José Chrisante Figueira, conhecido por João Baptista.—
—Antonio Emilio Rodrigues, conhecido por Antonio Baptista.—
A 'ex-escrava Rozalia' foi inclusa no inventário, mas não Maria Bernardina, que se identificava filha do Padre.
—No registro de óbito de Maria, falecida a 1º de setembro de 1889, constou ser ela "filha natural do finado Padre João Domingos Figueira" (Cartório de Registro Civil nº 122, Livro C-1: 122: 41) e o registro eclesial, em mesma data, revelou-a filha de pais incógnitos.—
O Padre João Domingos Figueira foi o grande nome na formação histórica de Santa Cruz, ao lado de Manoel Francisco Soares, e suas cartas, referentes ao ano de 1862, revelam, inconteste, a origem santacruzense.
Iniciou-se então, em arranchamentos, a paragem Rio Pardo sendo já conhecidos em 1855, com segurança histórica, os seus primeiros nomes como representantes de famílias, não importando se foram eles bugreiros, financiadores da empreitada, compradores de terras ou empregados para o trabalho.

4.  Os primeiros moradores/eleitores registrados
Em 1859 eram os seguintes nomes representantes eleitores das famílias moradoras no 7º Quarteirão [Eleitoral] do Rio Pardo:
—'Antonio Francisco Soares, casado, 38 anos;'—
—'Francisco Pires de Sousa, casado, 40 anos;'—
—'Francisco Soares, casado, 24 anos;'—
—'Fellipe de Moura Rocha, casado, 40 anos;’—
—'Faustino Machado de Oliveira, casado, 50 anos;'—
—'José Francisco Chaves, casado, 50 anos;'—
—'José Francisco Soares, casado, 31 anos;'—
—'Joaquim José Soares, casado, 32 anos;'—
—'José Domingues Chaves, casado, 30 anos;'—
—'Justino Soares, casado, 30 anos;'—
—'Joaquim Pereira da Silva, casado, 32 anos;'—
—'José Geraldo, casado, 50 anos;'—
—'José Custodio de Sousa, casado, 30 anos;'—
—'Ignacio Pinto Gomes, casado, 24 anos;'—
—'Joaquim Machado, casado, 24 anos;'—
—'José Francisco de Oliveira, casado, 24 anos;'—
—'Manoel Francisco Soares, casado, 64 anos;'—
—'Antonio Machado, casado, 60 anos.'—
Os nomes constam da "Lista Geral dos Votantes da Freguezia de S. Domingos Municipio de Botucatu em o anno de 1859" (DASP/BT, documento resgatado por Paulo Pinheiro Machado Ciaccia). As idades foram informadas pelos inscritos, no ato, divergindo, às vezes, em um ou dois anos, para mais ou para menos, de outros documentos. José Francisco Soares não consta no rol de filhos de Manoel Francisco Soares, o que não o exclui de algum parentesco.
Por regra legal, os eleitores eram ou deveriam ser obrigatoriamente residentes no local ou região onde inscritos, mas nem todos os moradores cumpriam as exigências para a qualificação eleitoral, e, então, a paragem Rio Pardo poderia abrigar, em 1859, famílias que não tinham votantes, por não atingirem a renda mínima anual exigida de 200$000, senão outras razões, como residir fora ou sonegar informações.
Manoel Francisco Soares foi líder ou esteve à frente dos primeiros chegadores no sertão rio-pardense, além do vínculo à família de José Francisco Chaves, pelos casamentos do filho e filha de um com a filha e o filho do outro, realizado quando na intermissão em Araraquara, entre 1850 e 1851, antes do entradismo sertanejo. Assumiu grandes posses na região, as Fazendas São Domingos, Crissiumal e partes da Barra Nova, e doou o bairro rural Rio Pardo dentro de um quinhão de cem alqueires, ao patrimônio de Santa Cruz e ao de Santo Antonio, para a formação urbana de Santa Cruz do Rio Pardo (Diversos, CD A A).
Antonio Soares, filho do pioneiro, possuiu fazenda na região do Rio Capivara, tributário do Pardo (Pupo e Ciaccia, 2005: 208-209, F 37). Outros filhos de Manoel Francisco Soares também foram proprietários de terras.
Faustino Machado de Oliveira apossou terras divisas com a Fazenda São Domingos, de Manoel Francisco Soares (DOSP, 17-05-1895 13584-13585).
José Custodio de Sousa distinguiu-se cafeicultor pioneiro na região, Fazendas Clarínia e Cocaes (Correio do Sertão, 06/12/1902: 3, Edital de Leilão).
Francisco Pires de Sousa, talvez não tenha sido grande fazendeiro, porém despontou-se como agregado de um capitalista, mega investidor em terras nas regiões do Pardo e do Paranapanema. A Fazenda Água dos Pires teve esse nome em sua referência (DOSP, 18/06/1909: 4310-4311).
Ignacio Pinto Gomes famoso bugreiro, partícipe e organizador de dadas, citado em massacres de indígenas (Nava Sobreira, apud Diário de Bauru, 22/07/1990: 11).
Alguns fazendeiros não eleitores do 7º Quarteirão do Pardo eram conhecidos: João Rodrigues de Oliveira, sócio de Manoel Francisco Soares na Fazenda Crissiumal (DOSP 1-9-1895 14372-14373); João Vieira Teixeira e Silva, dono da Fazenda Três Ilhas por posse primária (Correio Paulistano, 19/04/1891: 2, edital de regularização de posse), e Joaquim José Martins, Fazenda Ribeirão Grande ou Salto da Boa Vista (DOSP, 19/03/1898: 23.174-23.175).
Mas nem todos os fazendeiros residiam no lugar. O capitalista José da Costa Allemão Coimbra é caso documentalmente conhecido, adquirente de terras à margem esquerda do Rio Pardo (DOSP, 18/06/1909: 4.310-4.311), assumida pelo agregado Francisco Pires de Souza.
Alguns fazendeiros não eleitores do 7º Quarteirão do Pardo eram conhecidos, como o João Rodrigues de Oliveira (DOSP 1-9-1895 14.372-14.373), João Vieira Teixeira e Silva, Joaquim José Martins, Ignácio Fernandes Garcia, Manoel Cândido da Silva e Francisco José de Azevedo (Diversos, CD A/A); mas nem todos os fazendeiros residiam no lugar, e é preciso considerar outros bairros rurais formandos. Além dos proprietários as fazendas exigiam os agregados, escravos e empregados diversamente ocupados, ou seja, população quase sempre anônima para a história.

5. Estudo maior sobre a antiga Santa Cruz do Rio Pardo
Os autores SatoPrado disponibilizam, gratuitamente, o mais completo e documentado trabalho sobre as origens de Santa Cruz o Rio Pardo: 'Santa Cruz do Rio Pardo - memórias, documentos e referências'. 
-o-
Movimentações
pradocel@gmail.com