domingo, 20 de dezembro de 2009

45.9. Serôdio - a saga de um padre no sertão*

1. Origens e vida eclesiástica
Padre Francisco José Serodio em traje civil
Acervo: Luiz Carlos de Barros 
Padre Francisco José Serôdio [sobrenome também grafado Seródio ou Serodio] nasceu aos 02/08/1841 no lugar denominado Paradella, na Freguesia de Vilarinho de São Romão, do Concelho de Sabrosa, em Portugal. Foi ali batizado no dia 10/08/1841, com o nome de Francisco Adriano, tendo como padrinhos o avô paterno Francisco Gonçalves Serôdio e o tio paterno Padre José Gonçalves Serôdio. Era filho de Antonio Gonçalves Serôdio e Candida Rosa de Souza, sendo seus avós paternos Francisco Gonçalves Serôdio e Joana Eufrasia Rebello e avós maternos António Ribeiro Falcão e Ana de Brito e Sousa.
O Padre era da mesma família na qual nasceria o Conde de Sabrosa, José Gonçalves Guimarães Serôdio (19/11/1855 – 21/10/1937), filho de seus tios paternos João Gonçalves Guimarães e Benedita Gonçalves Serôdio.
Padre Francisco José Serôdio partiu de Portugal com destino ao Brasil, conforme registro de Passaporte datado de 24/04/1871:
—Em 24 de Abril de 1871, se concedeu passaporte, por 60 dias, para o Império do Brasil, saindo pela Barra de Lisboa, ao Presbítero Francisco José Serôdio, residente em Paços, freguesia do mesmo nome, Concelho da Sabrosa, sendo abonado por documentos legais.
Nº: 696 / Idade: 27 / Altura: 1,71 / Rosto: Comprido / Cabelo: Preto / Sobrancelhas: Idem / Olhos: Castanhos / Nariz: Regular / Boca: Idem / Cor: Natural. (Arquivo Distrital de Vila Real, Portugal, CD: A/A).—
Em agosto do mesmo ano de 1871, Padre Serôdio, como ficou conhecido aqui no Brasil, já se encontrava na localidade de Paraibuna – SP, como Diácono e Coadjutor na inauguração da nova Igreja Nossa Senhora do Rosário:
—"Preenchida a solenidade da bênção da nova igreja, conforme o ritual Romano, foi em 8 de 1871, cantada a primeira missa solene, sendo celebrante o então vigário Antônio Pires do Prado, Diácono o coadjutor Francisco José Serôdio, cantando a Epístola o secular competentemente habilitado Manoel Amâncio de Oliveira, e pregando o Sermão análogo o coadjutor. (Paraibuna - História [...], Igreja de Nossa Senhora do Rosário, 2008: 1-2)".—
A nomeação para Paraibuna, como coadjutor, ocorreu por Ato da Câmara Eclesiástica de São Paulo, de 29/30 de setembro de 1871, atendida a proposta do pároco (Diário de São Paulo, 01/10/1871: 1). 
O Reverendo foi designado, depois, para a Vigararia de São Domingos, onde assumiu exercício em 15 de março de 1872, a seguir nomeado Vigário pela Câmara Eclesiástica de São Paulo, conforme Expediente de 13 a 14, publicado aos 20 de novembro de 1872 (Diário de São Paulo: 1) e ratificação em Carta de Provisão de 21/22 de janeiro de 1873 (Diário de São Paulo, 23/01/1873: 1), com a autorização do Ministério do Império, por Ato de 14 e publicação aos 23 de março de 1873 (Correio Paulistano: 2).
O padre começou, então, fazer história no sertão centro e oeste paulista, naquela Paróquia de São Domingos, cabeça eclesiástica adiante de Botucatu, para os novos povoados (capelas) surgentes no pós-entradismo mineiro desbravador, a partir de meados do século XIX.
No dia de sua posse em São Domingos, aos 15/03/1872, Serôdio lançou registro e descreveu situações gerais do sertão da época, desde Botucatu, e como encontrou a Vigararia e capelas relacionadas: 
—"Aos 15 de março do ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e setenta e dois. Cheguei nesta freguesia, ultima do sertão de Botucatu onde me deu hospedagem o Ilmo Sr Justino Carneiro Geraldes que se achava nessa ocasião na pequena povoação de São Domingos em cuja companhia e no seio desta boa família passei mais de mez que me trataram com familiaridade como se pessoa de sua família; a quem sempre me confesso muito e muito grato e nos dia seguinte, fui celebrar na Egreija cuja parede da frente estava ameaçando ruínas. Achei a dita Egreija, que já era freguesia há mais de 10 anos, paupérrima de Paramentos, de tudo finalmente, nem castiçais no altar, eram garrafas que serviram de castiçais. Era um sertão sem recursos, tinha 12 casas, cobertas e assoalhadas só 4 o resto não tinha soalhos. Consta a freguesia desta São Domingos, Santa Cruz do Rio Pardo capella, pertencente a São Domingos, São Pedro Capella Também, Campos do Rio Novo também Capella, onde morava o sertanejo José Theodoro de Souza e tinha apenas 5 famílias + Brasileiras; estava distante desta sede da Freguesia 20 léguas de máos caminhos e sem pontes e mtº pouco moradores. Todavia hera povoado de Mineiros, gente mtº atrasadas, mas muito hospitaleiras e de bons costumes, mas de pouca religião. A freguesia de São Domingos nesse tempo era um lugar no extremo Oeste de São Paulo, que estava em sertão sem comodidades algumas. Botucatu que era cabeça desta grande comarca Sertaneja não tinha hotel; tinha naquella esquina onde he hotel Areias uma venda do pae desse malvado assassino chamado Deoguinho que tava somido he o que diz um antigo portuguez ...? Não tinha uma única pharmacia nem .........? nem rua.......? não tinha médico algum formado, justiça era só dr. Juiz de Direito Dr. Machadinho, vindo de Itapetininga até promotor era nomeado na hora, rábula, advogado era só Dr Bernardo que era da terra, muito ruim e muito orgulhoso de sabichão e um mestre escola pública um tal Cel. Cananéia que era chefe político do Partido Conservador e a mulher professora pública como tudo e Botucatu. Já estava com o resto no lugarzinho que comprou do ex patrão Antonio Bento Alves que mudou para Rio Novo e lá prestou muitos serviços públicos e homem muito honrado. São Domingos 15 de março de 1872, (assinado) O vigário Padre Francisco José Seródio" (Eclesial, São Domingos, Livro I, fls. 39 e 40).
Nesta carta Serôdio revelava o primeiro assassinato cometido por 'Dioguinho' em Botucatu, aos nove anos de idade, quando matou seu irmão adotivo, menor, afrodescendente, para alguns acidentalmente, para outros por maldade, "malvado assassino".—
—Diogo da Rocha Figueira, o Dioguinho, faria história como facínora no interior paulista.—
A vida no sertão não lhe era fácil: 
—"Saí em viagem para o sertão de minha freguesia: fui em Santa Cruz do Rio Pardo, São Pedro e Campos Novos, de onde voltei adoentado com uma febre palludoza", e, em razão disto, acrescenta "Notta - Aos 20 de outubro de 1872 vierão me procurar para ir fazer sermão em Sta. Barbara do Rio Pardo, que não pude viajar por me achar ainda mto fraco, se para constar faço este que assigno - O Vigario Pe. Francisco Jose Serodio" (Eclesial, op. cit, fls. 49 anverso e verso).—
Noutra oportunidade o padre revelou situações de bastidores da Igreja, quanto à necessidade de marcar novas divisas de Vigararia regional, com a elevação de Santa Cruz do Rio Pardo à condição de Paróquia. Nesta situação, mais que sua atribuição como encarregado para as demarcações, surpreendeu a presença de um Padre Vigário na localidade de São Pedro do Turvo, em 1873: 
—"Para constar cópia do Officio que deixo ao Vigº Pe. Decio Augusto de Chefato. Fui chamado a S. Paulo pelo Exmo Vigº Capitular Cônego Joaquim Manoel de Andrade para marcar as divisas da nova Vigararia da Vara, que criou e me nomeou Vigario da Vara desta, intitulada a de S. Domingos; sigo para la amanhã, ficando encarregado desta Freguezia de S. Domingos: O Vigario Pe. Decio Augusto Chefato, que actualmente esta em São Pedro do Turvo e como vigario he a testa da vigararia da vara, encarrego ao mesmo Revdo. Sacerdote para administrar todos os sacramentos, inclusive o de matromonio, etc. S. Domingos 28 de abril de 1873. O Vigº Pe. Francisco Jose Serodio" (Eclesial, São Domingos, op. cit. fls. 63 verso).— 
Os habitantes de São Pedro do Turvo queriam criar em São Pedro uma Paróquia independente de Santa Cruz do Rio Pardo, e reivindicavam a designação do Padre Serôdio para assumir Capelas adiante, a partir de Campos Novos e Pari, conforme expediente de abaixo assinado, datado de 25 de dezembro de 1873 (Cópia de expediente cedida por Luiz Botrelho, CD: A/A).
Ainda que sem os resultados dos trabalhos de Serôdio, é certo que subordinaram-se à Paróquia Forânea de Santa Cruz do Rio Pardo: Espírito Santo do Turvo, Óleo, Lageado, Ilha Grande, Fartura, Timburi e Piraju, além de São Pedro do Turvo, e posteriormente a própria São Domingos.
São Pedro do Turvo funcionou, por mais de duas décadas, como paróquia unida a Santa Cruz, a cabeça, e assim notada ainda no ano de 1890 (IBGE: Coleção Digital 1890, Synopse do Recenseamento de 31 de dezembro de 1890: 140, entre outras citações).
Após o declínio de São Domingos como 'comarca eclesiástica', pleiteou e conseguiu elevação de Lençóis Paulista àquela condição, para os lados mais próximos do Tietê.
Após São Domingos e passagem por Lençóis Paulista, Serôdio exerceu atividades religiosas em lugares diversos, tais como Espírito Santo do Turvo, Chavantes, Piraju, Paranapanema, Guareí e depois Porangaba (então Bela Vista do município de Tatuí), conforme encontrado:
—"O pe. Francisco José Serodio foi o segundo padre residente na Bela Vista, porém somente permaneceu 4 meses e alguns dias; veio transferido de Guareí e já tinha trabalhado antes, em Santa Cruz do Rio Pardo e Paranapanema. Daqui foi transferido para Ipaussu [Ilha Grande]" (Domingues, 2008: 98).— 
As curtas permanências de Serôdio em tantos lugares denotavam certa inquietude, até sua nomeação para a Paróquia de Campos Novos do Paranapanema e capelas pertencentes, a exemplos de Platina, Dourado, Cerimônia, Maracaí, Conceição de Monte Alegre e outros povoados incipientes e bairros rurais, na qualidade de capelão ou padre residente. Foi Vigário em Assis, de 1915 a 1918, quando da criação da Paróquia, sendo esta, provavelmente, sua última atuação como sacerdote.
Padre Serôdio era Maçom: "Em 1876, Pe. Francisco José Serodio, 35 anos. Livro de Matrículas da Loja Constância (1847)" (Da Silva, 2010: 120), a tratar-se da Loja Maçônica Constância do Oriente de Sorocaba. 

2. Desbravando sertões e acumulando riquezas
Serôdio fez história no sertão, não apenas na qualidade de religioso, mas também noutras atividades: como Delegado de Polícia, em Campos Novos, Juiz de Paz eleito em Conceição de Monte Alegre, além de grande fazendeiro e ávido grileiro de terras: "Durante muitos annos interrompeu sua vida religiosa para ser lavrador e commerciante, tendo sido possuidor de milhares de alqueires de terras." (Correio Paulistano, 1º/04/1928: 9).
Em Piraju foi Inspetor Literário, nomeado aos 30 de março de 1883 (RG BN 1030, 1885/1886: 60 - Mapa).
Como Delegado de Polícia, em Campos Novos, Serôdio enfrentou sublevação do destacamento policial, abatendo dois policiais mais exaltados que avançaram contra o coronel Marciano José Ferreira, um dos que tentavam apaziguar a tropa. As tradições contam que Seródio deu dois tiros certeiros de carabina, um dos atingidos com morte instantânea, e outro, gravemente ferido, executado por Francisco Lourenço de Figueiredo, pai do Coronel Francisco Sanches de Figueiredo (Nogueira Cobra, 1923: 95). 
O médico Ernesto Torres Cotrim, na época estabelecido em Campos Novos, afirmou que o Padre Seródio, após atirar nos sediciosos, dirigiu-se à Igreja, paramentou-se e aí, na condição de sacerdote, retornou ao local do crime e, sem tempo para extrema-unção, encomendou as almas dos mortos (Rios, 2004, p. 39).
O padre ocupou outro cargo público, eleito 1º Juiz de Paz de Conceição de Monte Alegre, em 1893, com a ascensão do lugar à Distrito de Paz. "A eleição de 1893 apenas o confirmou no cargo, que, 'ad referendum', ele já exercia desde a elevação da vila [povoado] à categoria de Distrito de Paz, pelo Decreto Estadual no. 142, de 24/02/1891." (Giannasi, 2003: 42).
O padre, investido de tal cargo público, despachava seus expedientes através de bilhetes, um deles reproduzido pelo mesmo Giannasi: "Rocha: isto ahi em Cartorio ate segunda ordem. Monte Alegre, Maio de 93. Seródio" (2003: 44). Fernando Avelino Rocha era escrivão do Juízo [Cartório] de Paz do Distrito de Conceição de Monte Alegre.
O bilhete a Rocha teria sido antes da eleição para o Juizado de Paz em Conceição de Monte Alegre, ou atendia interesse pessoal de Serôdio, pois este, eleito Juiz de Paz do lugar não tomara posse e nem apresentara justificativa porque não o fizera, por isto foi processado por "Desobediência - crime contra a administração pública" (CEDAP / UNESP – Assis, citados documentos arquivados em caixas 5 e 6, sob referência: Fórum III-C3).
O padre foi, ainda, grande latifundiário, tendo adquirido a Fazenda do Bugio [região de Assis] que estava em discussão familiar, outras terras tomadas dos incautos que nele confiavam, e aquelas advindas de posseiros prepostos, ou seja, naquilo que se denomina grilagem articulada. Fez-se grande fazendeiro, já em 1900/1902 relacionado pelo Governo de São Paulo entre aqueles com cerca de 100 mil alqueires de terras ou mais (Tidei Lima, 1978: 141 - ref. 104).
Relatório da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, de 1902, no Quadro Demonstrativo das Terras Dadas em Registro, publicação em 1903, confirma o nome do padre entre os poucos proprietários paulistas com cerca de 100 mil ou mais alqueires de terras.
Leoni assim descreve Padre Serôdio: "bastante aventureiro em questão de terras, constituindo posse em toda parte, onde melhor lhe parecia; montava posseiro por sua conta e muitas vezes o suposto posseiro nomeado era fictício" (1979: 178). O mesmo Leoni, à página 370, insere fotocópia de documento [de nº 12 em sua obra], que comprova Seródio apresentando uma escritura em nome de sua amasia Joanna Maria Pinto, como senhora de terras postas para arrendamento.
Outros autores regionais, como Giannasi, confirmam relacionamento marital entre Seródio e Joanna Maria Pinto, nascendo-lhes filhos e filhas (2003: 42).
Consta o padre também Juiz de Paz em Campos Novos, com sérios enfrentamentos, segundo Giovannetti, que fez célebre o nome daquele padre "nos anaes forenses da Comarca, como protagonista de questões de terras, nas fases em que os processos divisorios tiveram sua epoca de intensa atividade" (1943: 39).
Giannasi (2003: 42) endossa: "ele foi protagonista de complexas questões de terras quando, na região, em decorrência de delimitações muito vagas, houve muitos processos divisórios conturbados, e seu nome sempre estava envolvido." 

3. 'Grilando' terras e forjando escrituras
Dentre os grileiros de maior destaque, diretamente ou pelos seus pressupostos, aparece o nome do padre Serôdio, como hábil articulador no sistema de 'grilos'.
A tradição regional sertaneja contempla que Padre Serôdio fez-se notório grileiro demandador de terras, em mais de 200 mil alqueires, com a artimanha de apresentar-se em Juízo com falso título de propriedade, em nome de terceiros, requerendo período para contestações de interessados que dispusessem documentos comprobatórios de posses, sob pena de tramitação processual a revelia.
Jagunços a soldo do padre desmotivavam comparecimentos de pretendentes às terras reivindicadas, enquanto seus sequazes somente compareciam quando o surgimento de legítimos herdeiros ou contestadores, e daí os processos de demandas arrastavam-se e o padre quase sempre ganhava, através de acordos ou pelos tocaieiros ao seu dispor.
Leoni, experiente cartorário, observando da fama sertaneja do padre, afirma que são muitos os contratos públicos de arrendamentos, de terras que não eram suas, lavrados a mando do Padre Serôdio, com contratantes fantasmas, mesmo em documentos oficiais, pois que não compareciam as partes contratantes, ou seja, os arrendatários, obviamente com a participação conivente do tabelião de cartório: 
—"Mas falávamos no Padre Serôdio e sempre que se lembra êsse nome, o Juízo que se faz é de grilo de terras através de posseiros seus prepostos, o que foi por demais conhecido nesta imensa extensão territorial e que se deu em primordios de nossa fundação. [...]."— 
—"Muitos são os contratos públicos de arrendamento de terras, mandado lavrar pelo padre Serôdio, com contratantes fantasmas, em muitos cafundós das nossas matas, nos ribeirões muito bem escolhidos, então em fase de desbravamento ante a prometedora valorização das terras em que o progresso - prometia acelerar passos na entrância pelas matas e campos do rio do Peixe, Capivara, Jaguaretê e Laranja Doce, no grande valo do Paranapanema. (1979: 178-181).— 
Nestas transações, Serôdio aproveitara-se do falecimento de José Theodoro de Souza para fazer suas algumas posses de terras, através de João da Silva e Oliveira, ex-procurador do pioneiro-mor, entre outros prepostos. O padre conhecia bem o sertão, sabia das terras contenciosas, foi Delegado e Juiz de Paz, detinha segredos de confissão, controlava escrivães e cartorários redatores e registradores em livros próprios e insuspeitos.
Por ordem cronológica onde possíveis as referências, entre outras não datadas, os autores relacionam alguns extratos de transações de terras tidas griladas pelo Padre Serôdio, em seu nome ou da amante Joanna Maria Pinto:
—Fazenda Formiga, 1.000 alqueires, no Bairro do Dourado [atual parte de Assis], na então Comarca de Campos Novos do Paranapanema, em nome da amásia Joanna Maria Pinto: "Escriptura de venda á registrante em 24 de Novembro de 1863, por João Francisco Martins". Em 1863 sequer o Padre Seródio estava na região.— 
—Fazenda Dourado, 6.000 alqueires, no mesmo Bairro do Dourado: "Certidão de registro parochial feito por José Theodoro de Souza e escriptura de venda do registrante por Generoso Antonio de Mello em 2 de Agosto de 1872." (R-SNA... 1903: 120-121).— 
—Fazenda do Capivari, 1.000 alqueires, em São Mateus, região de Conceição de Monte Alegre, na Comarca de Campos Novos Paulista: "Escriptura publica passada por José Theodoro de Souza, em 24 de setembro de 1873. Escriptura de venda feita ao registrante, por Vicente Lourenço Ferreira." (R-SNA, 1903: 116-117). Esta fazenda foi, em verdade, permutada entre as partes, com terras griladas por Padre Seródio aos herdeiros de José Theodoro de Souza, Fazenda denominada Paraíso, onde atual município de Cândido Mota.—  
—Fazenda do 'Pao Barbado', 1.000 alqueires, região de Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema: "Certidão do registro parochial de José Theodoro de Souza e escriptura de venda ao registrante em 24 de Junho de 1875 por Joaquim Alves de Lima." (R-SNA... 1903: 122-123).—
—Fazenda da Serra, 46 alqueires, Bairro da Serra, Campos Novos do Paranapanema: "Escriptura publica de 29 de Fevereiro de 1876." (R-SNA... 1903: 126-127).—
—Fazenda Cachoeira do Capivara, 1.300 alqueires, no Bairro Anhumas, em nome de Joanna Maria Pinto: "Escriptura de venda feita a registrante por João Antonio Alves, em 27 de Setembro de 1885." (R-SNA... 1902: 118-119).—
—Sitio Matta do Capivara, 40 alqueires, no bairro da Roseta: "Escriptura de permuta entre o registrante e Marciano José Ferreira." (R-SNA... 1903: 118-119).—
—Fazenda das Pombas, 7.000 alqueires, na Serra do Rio do Peixe, em Campos Novos do Paranapanema: "Escriptura de venda ao registreante em 7 de Fevereiro de 1889, por Domiciano Luiz da Rosa". (R-SNA... 1903: 122-123).— 
—Aldeia Grande, 10 mil alqueires, Campos Novos do Paranapanema: "Escriptura publica de 19 de Fevereiro de 1877. Escriptura publica de 7 de Fevereiro de 1889. Escriptura de 11 de março de 1889. Escriptura de 16 de Janeiro de 1890." (R-SNA... 1903: 126-127).— 
—Fazenda dos Três Coqueiros, 1.800 alqueires, bairro de São Matheus, em atual município de Paraguaçu Paulista, na época Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema, e assim descrita: "Titulo do posseiro José Theodoro de Souza, devidamente registrado no Registro Parochial em 1856; Certidão de Escriptura Publica de compra e venda entre José Theodoro de Souza e sua mulher a Antonio da Silva Oliveira, de 25 de Julho de 1874; Certidão de Escriptura Pública de compra e venda feita por Antonio da Silva Oliveira e sua mulher a Miguel de Paula Medeiros, em 4 de Fevereiro de 1885; Escriptura Pública de permuta entre o vendedor Pedro Theodoro de Souza e outros condominos com Miguel de Paula Medeiros, passado pelo escrivão de paz, de 18 de Julho de 1885; Certidão de Escriptura Pública de compra e venda feita por Pedro Theodoro de Souza e sua mulher ao registrante Pe. Francisco José Serodio, em data de 27 de Julho de 1890." (R-SNA... 1903: 130-131).—
—Fazenda Pederneiras, 1.000 alqueires, Bairro da Serra - Campos Novos do Paranapanema - Comarca do mesmo nome: "Escriptura de venda ao registrante em 11 de Agosto de 1890 por Azarias Custodio da Silva." (R-SNA... 1903: 124-125).—
—Fazenda do Bugio, 5.000 alqueires, atual região de Assis, na época em território de Conceição de Monte Alegre, na então Comarca de Campos Novos do Paranapanema, em nome de Joanna Maria Pinto, amante do padre: "Escriptura de permutas entre a registrante e o padre Francisco José Serodio em 13 de Setembro e 6 de Dezembro de 1890." (R-SNA, 1903: 124-125).—
Fazenda das Anhumas, 5.000 alqueires, Bairro das Anhumas, microbacia para o atual município de Pedrinhas, então região de Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema, sendo esta gleba em nome da amante Joanna Maria Pinto: "Titulo de legitimação e demarcação. Escriptura de permuta entre a registrante e o primeiro occupante. Escriptura de compra feita ao primeiro occupante." (R-SNA... 1903: 110-111).
—Fazenda das Anhumas, 5.000 alqueires, Bairro Anhumas, gleba em nome direto do Padre Serôdio: "Certidão da carta de legitimação de 17 de Setembro de 1891." (R-SNA... 1903: 126-127).— 
—Fazenda Cabeceiras do Cateto, 50 alqueires, na região de Conceição de Monte Alegre, Comarca de Campos Novos do Paranapanema, em nome do Padre Serôdio: "Escriptura de venda feita por Antonio Joaquim Melchior a Marcellino Antonio Diniz, e deste a outros intermediarios inclusive João Machado de Toledo que por sua vez vendeu ao registrante em 26 de Abril de 1900." (R-SNA, 1903: 110-111).— 
—Fazenda do Rebojo, 500 alqueires, em Conceição de Monte Alegre - Comarca de Campos Novos do Paranapanema, em nome do Padre Serôdio: "Certidão de formal de partilhas dos bens deixados por João da Silva Oliveira, recebendo o registrante esta parte em pagamento de divida." (R-SNA, 1903: 116-117).— 
—Fazenda das Anhumas, 173.660 hectares, gleba total: "Certidão passada pelo oficial substituto do registro da fazenda Anhumas pelo padre Francisco José Serodio, pela qual se vê que foram exhibidos todos os titulos e documentos necessarios ao registro das mesmas terras; escriptura publica de doação de pagamento, de 18 de Julho de 1902, por Francisco José Serodio aos registrantes pela qual se prova achar-se a mesma registrada no Registro Geral de Hypothecas." (R-SNA... 1903: 132-133 e 135). A empresa registrante foi a Araujo, Costa e Cia.—
Além das fazendas relacionadas, seriam diversas outras propriedades apossadas ou demandadas pelo padre, destacando-se as glebas de terras onde o atual município de Pedrinhas Paulista e adjacências, cujas terras originariamente apossadas por José Theodoro de Souza (RTP nº 516, 31/05/1856).
José Theodoro de Souza em 1875 teria repassado aquelas terras, por venda, a José Justino Ferreira e este as negociou diretamente com Padre Serôdio em 1890, que prontamente a desmembrou em três partes, registradas em nomes de terceiros: 
—Fazenda das Pedrinhas, de José Gonçalves Serôdio [filho do padre];—
—Fazenda São Geraldo, de Quirino Leme da Silva [posseiro preposto do padre];—
—Fazenda das Anhumas, de Joanna Maria Pinto [a já mencionada amante do padre].—
De acordo com publicação no DOSP (14/02/1896: 7-8), Padre Serôdio, por procuração pública passada no Cartório do Juízo de Paz de Campos Novos Paulista, constituía por procurador Antonio Rodrigues Lopes, residente em São Paulo, para efetuar vendas da denominada Fazenda Aldeia Grande e de mil alqueires na Fazenda das Pedreiras, nas vertentes do Rio do Peixe, além da Fazenda Anhumas à margem direita do Rio Paranapanema, todas elas no município de Campos Novos, anulando, assim procuração anterior, particular, dada em 23 de maio de 1891 a Joaquim Alves da Cunha, residente no Rio de Janeiro, bem como outra procuração particular a João Antonio Gonçalves.
A mais famosa demanda de terras de do padre trata-se da Fazenda Bugio, que o padre dizia sua propriedade quando surgiram "outras pessoas com títulos comprobatórios - da aquisição das mesmas terras, - cujos títulos também, sabe Deus se legítimos ou falsos - mas deu demanda e demanda graúda que se arrastou no foro de Assis, por mais de cinqüenta anos." (Leoni, 1974: 182-183).
Serôdio tinha obsessão pela Fazenda do Bugio, e foi grande a disputa pelas posses que, já falecidos os disputantes primários o processo ainda arrastou-se na Justiça por décadas. Fato curioso destacado por Leoni, certamente parte do anedotário sertanejo, foi que ao batizar uma criança, Serôdio deu a ela o nome da referida fazenda em questão: "[...] baptizei e pus os santos óleos a Bugio" (1979: 182).
As tantas demandas em que o padre metera-se foram assaz desgastantes, com apresentações de muitos documentos e testemunhos, arrastando-se por décadas na Comarca de Assis, que ainda nos dias atuais, 2014, mortos todos os litigantes da primeira e segunda geração - e muitos da terceira - existem propriedades que não se acham totalmente legalizadas.

4. E o padre enamorou-se de Joanna
Foto de Joanna Maria Pinto - a mulher que viveu
com o Padre Serôdio e dele gerou filhos e filhas
Acervo: Paulo Fernando Zaganin Rosa
Durante a estadia em Paranapanema, em 1880/1881, o vigário Padre Serôdio, de 39 anos, conheceu Joanna Maria Pinto, de 17 anos, e por ela apaixonou-se, e juntos viveram intenso romance por quase meio século, gerando filhos e filhas conhecidos no sertão. 
Joanna nascida aos 08 de fevereiro de 1863 e batizada aos 06 de julho do mesmo ano, em Itapetinga - SP, filha de Antonio Pinto do Amaral, também conhecido por Antonio José Pinto, e Theresa Maria, e teve como padrinhos Manoel José Vieira da Fonseca e Maria Manuella de Oliveira. Joanna faleceu aos 15/10/1940 em Conceição de Monte Alegre, onde sepultada (Cartório de Registro Civil, Assento nº 597 do Livro C-7, fls. 196).
Os autores regionais e memórias citam que o padre Serôdio deixou com Joanna Maria Pinto numerosa prole de diferentes lembranças no sertão, alguns desordeiros, violentos e assassinos, inclusive uma de suas filhas, Maria Serôdio, famosa pela coragem e mortes colecionadas; outros filhos foram pessoas honradas, homens do trabalho ou fazendeiros. Tiveram os ricos, os pobres e pelo menos uma filha com problemas mentais, conforme o autor João Chrysostomo Giannasi (2003: 40-42).
Padre Serôdio, acuado ou não, em 1891 decidiu pelo reconhecimento dos seus seis filhos, até então, determinando ao Tabelião de Campos Novos se lavrasse a escritura de reconhecimento dos nascidos de Joanna, porém, antes do término do documento retirou-se com promessa de retorno para a competente assinatura. Não o fazendo o documento tornou-se sem efeito.
Dias depois, ao 1º dia de dezembro de 1891, no Cartório em Avaré, o padre viria reconhece-los, conforme certidão oficial 'resgatada' pelo estudioso Paulo Fernando Zaganin Rosa: 
—"Os seis primeiros foram reconhecidos por meio da Escritura lavrada no 1º Cartório de Avaré, aos 01.12.1891. Os seis restantes por meio da Escritura lavrada no Cartório de Conceição de Monte Alegre, aos 24.04.1906 (Livro 10, fls. 37v e 38). Existe ainda uma terceira Escritura, lavrada uma semana antes daquela de Avaré, no Cartório de Campos Novos Paulista, aos 25.11.1891 (Livro 18, fls. 47 a 49), em que Seródio faz o reconhecimento dos seis primeiros filhos, mas não assina o registro, que, por isso, fica sem efeito".—
Foram os seguintes filhos do Padre Serôdio com Joanna Maria Pinto:
—"Helena Maria Serôdio, nascida aos 09.12.1881 em Santo Antonio da Boa Vista, atual Itaí. Foi batizada no dia 19.04.1882 em São Sebastião do Tijuco Preto, atual Piraju, pelo Padre Pedro Montello, tendo como padrinhos Manoel Isidoro Brenha e Alexandrinha Brenha. Casou-se aos 23.02.1901 em Conceição de Monte Alegre (livro B1, fls. 56 e v, n. 2), com Paulino dos Santos Soares Cruz, nascido por volta de 1872 em Chaves (Portugal), filho de Antonio José da Silva e Julia Candida da Cruz. Paulino faleceu em Sengés – PR, aos 13.08.1935."—
—"Cândida Seródio, nascida aos 22.02.1883 em São Sebastião do Tijuco Preto, atual Piraju, onde foi batizada aos 16.10.1883 pelo Padre Pedro Montello, tendo como padrinhos José Amaro de Castro e Maria Lionel de Castro, casados, professores públicos." —
«No livro Histórias que vivi...e outras que me contaram (2003: 40), João Chrysostomo Giannasi assim descreve Cândida:
"Era [...] uma velha suja e desdentada, com a cabeça envolta em um lenço preto que deixava entrever os cabelos brancos. Trajava sempre uma saia preta e comprida, com a barra arrastando-se pelo chão, já meio esbranquiçada em algumas partes, principalmente à altura dos quadris, local onde constantemente limpava as mãos sujas. Morava sozinha em um casebre, onde, praticamente, só dormia. Durante o dia, freqüentava todas as casas da vila, onde sempre achava o que comer. Os moradores, embora não gostando muito, iam permitindo que ela entrasse, pois era inofensiva. Nunca se ouviu dizer que a "Cândia", como era chamada, tivesse ocasionado algum mal a alguém. Solteirona, tinha um único companheiro: um pequeno cão, sem raça e sarnento, seu defensor. Cúti era o nome dele.»
—"José Gonçalves Serôdio, nascido aos 02.05.1884 em São Sebastião do Tijuco Preto, atual Piraju, onde foi batizado com seis meses de idade pelo Padre Pedro Montello, tendo como padrinhos Francisco Gonçalves Serôdio e Maria da Cruz, casados, residentes no Rio Novo. Casou-se aos 22.01.1910 em Conceição de Monte Alegre (Livro B2, fls. 152 e v), com Júlia Antonieta de Carvalho (Júlia Nogueira), nascida por volta de 1893 em Platina, filha de Custodio Ribeiro de Carvalho e (?) Augusta Nogueira."— 
—"Adelaide Serôdio, nascida aos 14.08.1887 em Campos Novos Paulista, onde foi batizada aos 24.06.1888, tendo como padrinhos o Dr. José Ribeiro da Silva Pirajá e sua mulher Adelaide Mascarenhas Pirajá. Casou-se aos 07.04.1923 em Conceição de Monte Alegre (Livro B-6, fls. 43v à 44v, n. 31), Luiz Quaresma (Luiz Quaresma da Costa), nascido aos 14.08.1891 em Portugal, filho de Antonio Quaresma e Maria de Nazareth."—
—"Manoel Gonçalves Serôdio, nascido aos 14.02.1889 em Campos Novos Paulista, onde foi batizado aos 05.05.1889 pelo Vigário Padre Paulo de Mayo, tendo como padrinhos o Dr. Manoel Joaquim de Albuquerque Lins e sua mulher Helena de Queiroz Lins, residentes em São Paulo. Casou-se aos 14.04.1917 em Conceição de Monte Alegre (Livro B4, fls. 50 e v, n. 15), com Victoria Andrelina de Jesus, nascida aos 11.11.1900 em São Pedro do Turvo, filha de Ananias Amaro da Cruz e Rita Victoria da Conceição."—
—"Maria da Conceição Seródio, nascida aos 26.08.1890 em Campos Novos Paulista, onde foi batizada aos 16.10.1890 pelo Vigário Padre Paulo de Mayo, tendo como padrinhos José Justino Ferreira e a proteção de Nossa Senhora da Aparecida, sendo apresentada na pia batismal por Gertrudes Thomasia de Souza. Casou-se aos 14.01.1919 em Assis, com José Rodrigues dos Santos, nascido por volta de 1875 em Sergipe, filho de João Vieira dos Santos e Maria Roza de Jesus.
Elvira Serôdio, nascida aos 13.05.1892 em Conceição de Monte Alegre, onde foi batizada, tendo como padrinhos José Antonio da Costa Vasconcelos e sua mulher Anna Vieira Vasconcelos. Casou-se com José Travassos."—
—"Inês Serôdio (Ignes Beatriz Serôdio), nascida aos 21.01.1895 em Conceição de Monte Alegre, onde foi batizada, tendo como padrinhos Vicente Lourenço Ferreira e a proteção de Nossa Senhora da Conceição. Casou-se aos 29.10.1921 em Conceição de Monte Alegre (Livro B5, fls. 249 v, n. 88), com seu primo José de Campos Pinto (José Pinto de Campos), nascido aos 05/09/1897 em Piraju, filho de Joaquim Pinto do Amaral e Maria José de Campos. Inês faleceu aos 05.01.1965 em Cruzália, onde também foi sepultada. (Livro C4, fls. 574, n. 2.859)."—
—"Alberto Serôdio, nascido aos 25.03.1897 em Conceição de Monte Alegre, onde foi batizado, tendo como padrinhos Alberto Lourenço Seródio e sua mulher Francisca, por procuração a Evaristo Soares Monteiro e sua mulher. Casou-se aos 18.09.1926 em Conceição de Monte Alegre (Livro B7, fls. 109 a 110, n. 16), com Hermínia da Silva Travassos, nascida aos 17.06.1909 em Salto Grande, filha de Augusto Travassos e Maria Geralda."—
—"Sebastião Serôdio, nascido aos 30/11/1899 em Conceição de Monte Alegre, onde foi batizado aos 18/05/1900, tendo como padrinhos seu irmão José Gonçalves Seródio e a proteção de Nossa Senhora da Conceição. Casou-se aos 14.11.1925 em Conceição de Monte Alegre (Livro B7, fls. 83 a 84), com Maria Aparecida da Cruz, nascida aos 19/09/1909 em Conceição de Monte Alegre, filha de João Batista de Oliveira e Maria Conceição de Azevedo."—
—"Isabel Serôdio, nascida aos 02.03.1902 em Conceição de Monte Alegre, onde foi batizada, tendo como padrinhos seu irmão José Gonçalves Seródio e a proteção da Imaculada Conceição de Lourdes.
João Gonçalves Serôdio, nascido aos 16.07.1905 em Conceição de Monte Alegre, onde foi batizado aos 11.08.1906, pelo Vigário Padre Paulo de Mayo, tendo como padrinhos José Gonçalves Serôdio e a proteção de Nossa Senhora da Conceição. Casou-se aos 10.11.1928 em Conceição de Monte Alegre, com Felicíssima Maria Soares, filha de Antonio Soares e Maria José Soares."—
De acordo com relatos familiares, Padre Serôdio teria tido de um relacionamento anterior, outro filho, chamado Osório [Ozorio] Gonçalves Serôdio. A despeito de usar o sobrenome do Padre, Osório consta em documentos oficiais como filho de Claudino Rodrigues da Costa e Maria da Conceição, nascido por volta de 1879 em São Domingos e falecido em Conceição de Monte Alegre aos 05.08.1908 (Livro C2, fls. 22, n. 38).
Osório casou-se aos 21/10/1901 em Conceição de Monte Alegre (Livro B1, fls. 63 e v, n. 15), com Maria Justina dos Santos (Maria Justina das Dores), nascida por volta de 1885, em Conceição de Monte Alegre, filha de Florentino José de Souza e Justina Maria dos Santos.
Osório teve seu nome citado num documento juntamente com Joanna Maria Pinto (DOSP, 23/04/1920: 2.570).
Joanna tornou-se poderosa mulher, dona de muitas fazendas e bens, tendo em seu nome, em algum tempo, mais de cem mil alqueires de terras, adquiridas ou 'griladas' pelo Padre Serôdio.
Leoni insere fotocópia de documento (1979: 370, nº 12), onde o padre apresenta expediente oficial cartorial em nome Joanna Maria Pinto, como senhora de terras postas para arrendamento. Publicações em 'Diários Oficiais do Estado de São Paulo - Editais, etc', confirmam fazendas do padre em nome de Joanna.

5. O falecimento de Serôdio
Por ocasião da morte do parde, o Correio Paulistano (01/04/1928: 9), apresenta uma síntese sobre a vida do "padre bandeirante":
—"MARACAHY"—
—"Falecceu nesta localidade, em data de 23 do corrente, com a avançada edade de 90 annos, o Pe. Francisco José Serodio".—
—"Foi um dos primeiros parochos desta região e um dos antigos desbravadores dos sertões do valle do rio Paranapanema".—
—"Padre Serodio foi um desses fortes e denodados, que tendo aportado de Portugal, apóz se haver ordenado, rumou para nossa terra, nos tempos do imperio e veio exercer o seu sacerdócio, escolhendo uma das regiões do Estado onde a civilização estava em inicio".—
—"Sentiu forte no sangue, o vigor dos Nobregas e Paivas, e aqui se temperou no arrojo dos Bandeirantes.—
—"Dirigiu diversas freguezias, entre as quaes: S. Domingos, S. Barbara do Rio Pardo, Lençóes, Tijuco Preto, hoje Piraju’, Ribeirão Vermelho (Faxina), Ipaussu’ e Assis, a última que militou".—
—"Durante muitos annos interrompeu a sua vida religiosa para ser lavrador e commerciante, tendo sido possuidor de milhares de alqueires de terras".—
—"Explorou as aguas das Anhumas, Dourados, Pau Barbado, Capivara e Bugius, sendo comum o encontro com os indios Chavantes, Caiuás e Coroados".—
—"Juntamente com João Belchior, doou 10 alqueires de terras para construir o novo patrimônio de Pitangueiras, hoje, Maracahy".—
—"E nessa localidade terminou os seus dias modesta e calmamente, o conhecido padre bandeirante".
"Realizou-se o enterro, no dia 24, sendo-lhe prestadas as homenagens devidas, com missa do corpo presente, etc".—
Francisco José Seródio faleceu em domicílio na cidade de Maracaí, às 12h00, do dia 23 de março de 1928 (Oficial de Registro Civil de Maracaí, assento nº 57, Livro C-3, fl. 104). Tinha 87 anos e, de acordo com o registro lavrado no Livro de Óbitos da Paróquia Nossa Senhora do Patrocínio de Maracaí (Livro n. 2, fl. 8), teve como causa da morte 'colapso cardíaco'.
Os restos mortais do padre Francisco José Serôdio acham-se sepultos no Cemitério Municipal de Maracai - SP, após 57 anos de vida sertaneja.
—Este capítulo teve colaborações de Paulo Fernando Zaganin Rosa e Renaldo Serôdio, e acha-se inserto na obra 'De Liberdade à Iepê - Uma terra para todos', (Org. Paulo Fernando Zaganin Rosa e Ne Santana, edições 2013 e 2014).—
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