domingo, 20 de dezembro de 2009

45.6. Coronel Tonico Lista - a consumação do poder

1. A troca de nome
Antonio Evangelista da Silva - Tonico Lista
Foto: O Contemporâneo - 05/09/1916
Acervo: SatoPrado
Antonio Cândido da Silva que se tornou Antonio Evangelista da Silva, o famigerado Coronel Tonico Lista, nasceu em São Simão-SP, em 01 de setembro de 1867, filho de João Evangelista da Silva e de Dona Marcolina Baptista de Jesus ou Bueno, batizado aos 07 de outubro de 1867 com "hum mez e seis dias (...) foram padrinhos Maximiano Baptista Bueno e Prudenciana Esmeria Vilella" (Eclesial: Livro de Batismos / São Simão).
Tonico tinha 18 anos de idade, em 1885, quando a família chegou a Santa Cruz do Rio Pardo, aonde já residentes alguns parentes de sobrenomes Baptista, Bueno e Ferreira ('O Contemporaneo', edição de 08/09/1915: 1). Outros parentes vieram ou já se encontravam na região santacruzense, destacando-se as famílias Baptista, Bueno e Ferreira. 
Quase nada se sabe de Tonico Lista nos seus tempos de Antonio Cândido, eleitor em 1890, 23 anos de idade, solteiro e comerciante, qualificado com esse nome até 1893, depois mudado, em 1894, para Antonio Evangelista da Silva (Livro de Alistamento Eleitoral para Santa Cruz do Rio Pardo, 1890/1894).
Já seria chamado de Tonico [diminuitivo usual de Antonio] Lista - o filho do Evangelista, numa referência ao sobrenome simplificado do pai, por redução do Evangelista.
Apesar da troca de nome em documento eleitoral de 1894, apenas aos 08 de outubro de 1897 informava legal e publicamente: 
"Antonio Cândido da Silva, sócio solidário da casa commercial que nesta praça gyra sob a firma Silva e França, declara, para todos os fins, que de hoje em diante passa a assignar-se Antonio Evangelista da Silva" (Correio Paulistano, 19/10/1897: 3, e outras publicações). 
Não se sabe o motivo da mudança do nome.
Muitas das tradições orais, relatadas por José Ricardo Rios sobre o jovem Lista, algumas são refutadas pela história, e outras carentes de comprovações, por exemplo, que tenha trabalhado na região mogiana, em loja comercial de secos e molhados e de tecidos.
Da mesma maneira antes de junho de 1892 difícil corroborar que o jovem Lista achava-se empregado na loja do Coronel Quincas Negrão, onde viria ocupar o cargo de gerente e, depois, auxiliado pelo patrão abrir o seu próprio comércio, na rua do Andrade, atual Saldanha Marinho. Também ao imaginário popular dá-se que o jovem Tonico, tão logo estabelecido, conseguira das firmas Araujo Costa e Martins Costa, ambas de São Paulo, enorme estoque de mercadorias, sem precedentes na região, para o pagamento posterior às vendas, transformando assim a 'Loja do Lista' em principal comércio do sertão.

2. O primeiro assassinato cometido
Porém correto, pela riqueza de detalhes, que aos 10 de junho de 1892, Tonico Lista "na casa da prostituta Maria Antonia do Espirito Santo feriu mortalmente a Manoel Bispo e ferindo gravemente a Nepomuceno [?] da Silva" (O Combate, 03/11/1921: 3), ambos integrantes do 7º Batalhão de São Paulo, aquartelado em Santa Cruz, com destino a São Pedro do Turvo, com objetivo de prender o místico autointitulado Frei Manoel (Rios, 2004: 21).
Segundo o Dr. Antonio José da Costa Junior, desafeto de Lista, os dois policiais teriam morrido e um terceiro gravemente ferido (Correio Paulistano, 04/01/1905: 3), situações não confirmadas. 
Maria Antonia, meretriz e dona da casa de prostituições, fazia-se na ocasião acompanhada de Tonico Lista, quando um dos soldados, preterido por ela, invadiu o quarto onde se encontrava o casal, de arma em punho, sendo abatido a tiros. O outro policial, em socorro ao companheiro, também alvejado.
Tonico Lista livrou-se do flagrante quando era Delegado de Polícia o Coronel João Baptista Botelho, (DOSP, 21/05/1892: 5 e 04 de agosto de 1894: 4, nomeação e exoneração do cargo, na devida ordem).
O desenrolar processual ocorreria, ainda, em 1892. A denúncia deu-se aos 04 de julho, pelo Promotor Público Dr. José Balthazar de Abreu Cardoso Sodré; a pronuncia ocorreu aos 23 de julho pelo Juiz Municipal, Capitão Bernardino Pereira Lima, com a confirmação pelo Juiz de Direito, Dr. Augusto José da Costa, em data de 29 do mesmo mês de julho. A prisão efetuou-se em 31 de agosto e o julgamento aos 06 de setembro, pelo Tribunal do Júri, com absolvição por unanimidade, atuando na defesa o advogado Dr. Frederico Carr Ribeiro, e não foi apresentado recurso.

3. Lista surra um sargento do Destacamento Policial de Santa Cruz do Rio Pardo
Inteligente, ambicioso e sinônimo de sucesso em 1900, Lista já estava Capitão da Guarda Nacional, conforme Decreto Estadual de 16 e publicado aos 26 de junho de 1900.
Falecido o Coronel Botelho, líder perrepista apeado do poder, Tonico Lista manteve-se politicamente fiel ao falecido apoiando substituto, o advogado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel que à frente do PRP, dissidente, preparou-se para as eleições gerais de vinte oito de fevereiro de 1903, criou tumultos, lançou protestos, mudou o local de votação para os da grei e simpatizantes, registrou os votos em cartório, e perdeu as eleições.
No ano de 1904, Tonico Lista, acompanhado de capangas, 'surrou violentamente o Sargento Augusto Luiz (?) de Camargo' (O Combate, 03/11/1921: 3), sendo denunciado, pronunciado e julgado livre pelo Tribunal do Júri. 'Dr. Antonio José da Costa Junior informa que a vítima ocupava do cargo de Delegado de Polícia' (Correio Paulistano, 04/01/1905: 3).
Lista revelava o seu lado cruel e intimidatório quando do julgamento do Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, por tentativa de morte contra João Ferreira de Castilho, conhecido por João Costa ou Joãozinho, membro da família de Costa Junior. Na ocasião Lista fez desfilar em Santa Cruz dezenas de seus capangas, "uma grande orgia já preparada antes do julgamento, ja denotava que o réo sahiria da prisão ainda que fosse condenado" (Correio Paulistano, 04/01/1905: 3, de acordo com o Dr. Antonio José da Costa Junior). 

4. Suspeições sobre Lista no assassinato do Capitão Jacob Antonio Molitor
Santa Cruz vivia tempos de violências extremadas desde o fim do século XIX e os primeiros anos do seguinte, com ameaças, imposições, atentados e assassínios, entre os dois grupos políticos perrepistas rivais. Sabia-se, no entanto, que desde agosto de 1904, o grupo no poder, chefiado pelo Dr. Antonio José da Costa Junior e o genro Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, estava debilitado com a suspensão, ex-ofício, do Juiz da Comarca Dr. Augusto José da Costa, substituído interinamente por Moyses Nelli.
A despeito da suspensão sumária do Juiz Augusto José da Costa para o exercício do cargo, o grupo 'sodrelista' fizera-se vitorioso na urnas, e Tonico Lista, candidato, não se elegeu vereador. A oposição denunciou fraude eleitoral e a situação acusou os adversários de violências, inclusive de assassinato, acusando Olympio Pimentel e Tonico Lista pela morte do Capitão Jacob Antonio Molitor.
Molitor, Suplente de Delegado de Polícia, embora não estivesse no exercício do cargo, teria ido até Santo Grande, acompanhado de dois praças, para trazer a ata da eleição municipal até Santa Cruz do Rio Pardo, sede do município e comarca, a mando de Costa Junior, Abreu Sodré e Augusto José da Costa (Correio Paulistano, 03/12/1904: 2, depoimento de Higino Molitor, filho do assassinado).
Desconfiados das intenções de Molitor, Tonico e Olympio encarregaram seus capangas para executá-lo, conforme dezenas de testemunhas arroladas em Inquérito Policial encaminhado à Chefatura de Polícia em São Paulo.
Lista e Pimentel foram presos por 'recomendação' do Dr. Costa Junior, ao Juiz substituto, Moyses Nelli:
"(...) mediante requerimento de um promotor mais instrumento ainda, requeresse a prisão preventiva das pessoas que o dr. Costa Junior quis que ficassem envolvidas no processo, tanto que foram presos, preventivamente, o dr. Olympio Rodrigues Pimentel e o capitão Antonio Evangelista da Silva" (Correio Paulistano, 08/11/1905: 5).
Ambos em liberdade mediante habeas-corpus pelo Egrégio Tribunal de Justiça.

5. Um chefe político firmado na violência
Em 1906 os dissidentes capitaneados por Tonico Lista assumiram controle do Diretório do PRP santacruzense, com o reconhecimento oficial da Comissão Central perrepista (Correio Paulistano, 17/04/1906: 1).
Já em janeiro de 1906, o Presidente da Câmara, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, o Vice-presidente Frederico Carr Ribeiro, o Intendente Henrique Hardt, os Vereadores Lucio de Oliveira Lima e Pedro Paulo Rodrigues, além de cidadãos ligados ao grupo sodrelista, denunciaram arbitrariedades do Delegado Antonio Evangelista da Silva intimando a população não participar do pleito eleitoral de 30 de janeiro de 1906, sob pena de prisão e espancamento (O Estado de São Paulo, 17/01/1906: 1).
A despeito da condição do Dr. Costa Junior como Deputado Federal, e da eleição de Abreu Sodré para a Assembleia Legislativa, em 1907, ambos já não tinham vontades e condições políticas para enfrentamentos ao Lista, embora Costa Junior e Lista confrontarem-se uma vez ameaçando-se e prestes sacarem as armas, apartados por correligionários (Rios, 2004: 79).
Lista, a partir de 1907, acercado de doutores e jagunços, iniciou o poder político absoluto que entendera possuir, "para formar um dos maiores impérios políticos do interior do Estado" (Rios, 2004: 113).
Os adversários o acusavam de encabrestar votos, fraudar eleições, eliminar inimigos, promover incêndio numa das salas da Delegacia de Polícia ou do Fórum, mas nada se provava contra ele, e sua fama correu sertão para além das divisas do estado, espécie de lenda viva que tudo podia e fazia contra adversários e inimigos, ao mesmo tempo que protetor dos colaboradores e asseclas.
Santa Cruz vivenciaria, por mais quinze anos:
"Uma série de odientos crimes viria incitar ainda maior rancor entre as facções políticas, onde as paixões cegavam os homens, e as rixas e vinditas de famílias sucediam, e corroborava-se mais uma vez o velho provérbio dos silvícolas: 'A árvore do esquecimento não pode mais brotar onde o sangue correu'-" (Rios, 2044: 95).
Lista contava com bons advogados, Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, experiente político – vereador, prefeito e deputado, além de ex-promotor; Dr. Antonio França Paranhos; Dr. Vasco de Andrade; e Dr. Pedro Camarinha, a seu tempo; além de Julio Prestes e outros nas defesas de cunho particular. Também lhe aproximavam grandes proprietários rurais e capitalistas, enquanto o mando político era todo seu, bem guardado por jagunços, e com o apoio regional dos coronéis estabelecidos.

6. O assassinato do Coronel João Pedro
Citando alguns dos coronéis coadjutores de Lista, em Chavantes mandavam os irmãos Osório e Azarias Bueno, seus primos vindos de São Simão; em Espírito Santo do Turvo davam as ordens os coronéis João dos Santos Camarinha, Clementino Gonçalves e João Dias Junior; em São Pedro do Turvo estavam os Coronéis Manoel Marques Vieira - o principal deles, e os auxiliares Pedro Leite do Amparo, Joaquim Pedro de Oliveira e Silva, Francelino Manoel da Silva, Benedito Ferreira de Souza e Manoel Pereira Tavares; em Ipaussu, Cristiano Rodrigues da Silva e Mizael Gonçalves de Oliveira dividiam o poder localizado; em Caçador [Ubirajara] era forte o Coronel Porcino de Lima; em Salto Grande mandavam os parentes Virgilio e Lydio Ferreira, primos de Lista, e Pedro Pocay [Pocai]; em Bernardino de Campos, o Coronel Albino Alves Garcia distribuía as ordens; em Ourinho [Ourinhos] Jacintho Ferreira e Sá e Eduardo Salgueiro, ainda unidos, eram os mandatários.
Embora forte e controlador Lista era, às vezes, contestado diante dos muitos interesses regionais, com rebeldias de alguns dos coronéis aliados.O João Pedro, quis fazer-se 'todo poderoso' em São Pedro do Turvo, declarou-se divergente, na tentativa em unificar o coronelato do lugar e foi morto, em 1908, a mando ou pelo próprio também coronel são-pedrense Marciano José Ferreira, como favor prestado ao primo Tonico Lista (Nogueira Cobra, 1923: 253).
Do Coronel Marciano José Ferreira: "Viera de S. Simão para o Paranapanema, em companhia de outros parentes, entre os quaes o cel. Antonio Evangelista da Silva, chefe político de prestígio em Santa Cruz do Rio Pardo" (Nogueira Cobra, 1979: 247, notas 2).

7. O assassinato do Coronel Emygdio José da Piedade Filho
Em Ilha Grande (Ipaussu) agigantava-se o Coronel Emygdio José da Piedade Filho, o Emygdião, como expressiva liderança política a incomodar o prestígio do Deputado Ataliba Leonel, além do afrontamento ao poder de Tonico Lista na Comarca.
Ignorando os mandatários estabelecidos, Emygdião angariava simpatias e apoios de capitalistas e fortes fazendeiros, entre eles o Coronel Cunha Bueno que "Fez séria oposição ao Cel. Antônio Evangelista (Tonico Lista), de Santa Cruz do Rio Pardo" (Zizi, 2007: 2), e o ex-Deputado Cleophano Pitaguary. 
Lista determinou a morte do rival. Amador Nogueira Cobra descreve o assassinato ocorrido aos 23 de janeiro de 1908:
"Piedade viajando pela estrada que passava pelo sitio onde hoje se encontra a villa de Irapé e chegando-se a uma porteira para abril-a, encontrou-a amarrada ao batente; enquanto procurava desatar o nó, recebeu uma bala que lhe atravessou o peito, cahindo morto no mesmo instante" (Nogueira Cobra, 1923: 185. 
Na fuga um dos assassinos teria deixado para trás botas e chapéu, e certo João Custódio, tido mandante do crime, chegou a ser preso porém logrou fuga para homiziar-se no Estado do Paraná (Correio Paulistano, 24/01/1908: 3). O mesmo Custódio, aos 20 de fevereiro de 1908, apresentou-se às autoridades da Comarca de Santa Cruz para declarações ao Delegado de Polícia - Dr. Américo França Paranhos, acompanhado do Juiz de Direito, Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, e em seguida liberado (Correio Paulistano, 25/02/1908: 3).
A polícia prendeu, também, Possidonio Gonçalves Machado Filho - vulgo Machadinho, Alferes da Guarda Nacional, e certo Christiano, como autores do crime e foram a julgamento, todavia as botas e o chapéu apreendidos não lhes serviram, e assim absolvidos por unanimidade (Rios, 2004: 97-101). O Correio Paulistano noticiou a absolvição: "Foi advogado dos réos o dr. Octaviano de Azevedo, que fez uma defesa brilhante, destruindo completamente a accusação" (13/09/1908: 2).
Apenas Ozório Alves de Lara, antigo capanga de Lista, categorizaria, ainda assim, anos depois:
"Que foi o Coronel Antonio Evangelista da Silva o autor da morte de Emygdio Piedade Filho, mas, que não foi processado porque era chefe, e mandava na Justiça, e, em tempo, os jurados eram seus" (...). Não depos isso na ocasião do [facto] por falta de garantias" (O Estado de São Paulo, 25/08/1921: 10, Defesa do Coronel Antonio Evangelista da Silva, Processo Crime – Caso dos Irmãos Rocha).
Machadinho, notório jagunço a mando do Coronel Tonico Lista, já se envolvera antes no assassinato do Capitão Jacob Antonio Molitor, em outubro de 1904.

8. Ultimato ao Juiz de Direito Dr. Francisco Cardoso Ribeiro
O Dr. Francisco Cardoso [de Souza] Ribeiro, Juiz de Direito na Comarca (1905/1909) dizia ter retaguarda na Capital, diante dos tantos crimes suspeitos de mandos ou encomendas, e resolveu inquirir fatos ouvindo partes adversárias, desprezando conselhos para que usasse bom senso e cautela ao tratar-se com Lista. Washington Luiz, então Secretário Estadual de Justiça e Segurança Pública de São Paulo, nomeado em 13 de março de 1906, seria o apoio avocável de Cardoso Ribeiro. 
Cardoso Ribeiro e Lista atritaram-se quando aquele juiz "envolveu um delegado militar, um tenente da polícia, em processo, de que lhe resultou a prisão por 2 anos" (Voz do Povo, 20/04/1920: 2). Tudo teria sido intriga do delegado anterior, Fernando Eugênio Martins Ribeiro, e Lista deu ordem para que o magistrado abandonasse a Comarca, sob pena de represália.
O magistrado, temeroso pela própria vida e de sua família, à noite do acontecimento fugiu oculto numa carroça para transporte de pães, conduzida por João Dalmati até a estação ferroviária de Bernardino de Campos, onde tomou o trem. 
Do acontecido relembra o Informativo Jurídico Migalhas (16/05/2007): 
"Francisco Cardoso Ribeiro teve interessante passagem pela história do município de Santa Cruz do Rio Pardo / SP, na qual foi o segundo juiz. Diz a história que após desavença com um coronel local (Tonico Lista), o juiz Cardoso Ribeiro – jurado de morte – abandona Santa Cruz do Rio Pardo escondido numa carroça usada para entregar pão". 
O Juiz Cardoso Ribeiro, pós-expulsão, foi nomeado Juiz de Direito para Campinas, por arranjo de Washington Luís, e a seguir teve sua permuta autorizada com o Dr. José Martins Bastos, para ocupar a titularidade da Comarca de Taubaté (DOSP, 06/01/1909: 55).
O humilhante acontecimento acompanharia o Juiz Cardoso Ribeiro até 16 de maio de 1932 quando, aos 56 anos, pôs termo à própria vida, não sem antes vingar-se de Lista. 

9. Possível confronto entre Lista e Sancho os mais poderosos coronéis do sertão
Lista enfrentava alguns contratempos em 1911, quando do desaparecimento do primo Coronel Marciano José Ferreira, provavelmente morto, numa trama arquitetada pelo Coronel Francisco Sanches de Sanches, o todo poderoso de Campos Novos Paulista e sertão adiante, crime que perturbou até a capital do país.
Marciano trabalhava como agrimensor de terras no Vale Paranapanema e partes do Peixe, com a técnica em medir espigões secundários como primários, com isso a determinar a área e deixar terras de fora (Cobra, 1979: 249, esclarecendo o método), ou medir espigões ignorando baixadas, para concluir menor o tamanho da propriedade em questão, embora com mais terras. 
Os serviços de Marciano interessavam ao Coronel Sanches e associaram-se, com alguns desentendimentos, até que em 1911 Marciano e sua equipe, em número de trinta pessoas, foram contratados por Sanches para medir e divisar terras nos lados do Ribeirão das Anhumas, adiante das terras dos Medeiros, à época a última sentinela conhecida do sertão. 
Nessa empreitada, durante as medições, o Marciano desapareceu, misteriosamente, de nada a adiantar tantas expedições procurá-lo. Encontraram roupas e armamento, viram restos de fogueira recente à maneira dos brancos, mais nada. 
Entre expedições convocadas constam participações do Exército Brasileiro e dos membros da Comissão Rondon (Nogueira Cobra, 1923: 145), para depois recorrerem ao suspeito Coronel Sanches e seus homens, descritos como:
"(...) os mais afamados conhecedores do sertão, tendo à frente o cel. Sanches de Figueiredo, Domiciano Luiz da Rosa e tantos outros; sua opinião não podia ser fructo de um erro de observação; conheciam perfeitamente os hábitos dos silvícolas, por ter dirigido campanha contra elles durante muitos annos! Com que fundamento regressou Sanches affirmando que, a seu inimigo Marciano, o indígena capturara e conduzira para aldeia? Ninguem deu credito a essa balela" (Cobra, 1923: 251, notas 2).
O Coronel Sanches teria motivos para matar Marciano, porque este teria ameaçado denunciá-lo ao governo central das práticas de dadas e escravização indígena, como informa Nogueira Cobra (1923: 143); no entanto, mais propriamente, acredita-se que o desentendimento, entre Marciano e Sanches, tenha ocorrido em razão das delituosas medidas de terras e divisões entre eles.
Urdiu-se, desde então, a eliminação de Sanches. José Antonio Garcia, o aliado de Tonico Lista em Campos Novos Paulista, teria encomendado o assassinato do coronel campos-novense, ocorrido aos 22 de fevereiro de 1912 (Jacques Sodré, 1951: 12), sendo conhecidos os assassinos Brasiliano da Silveira Castro, foragido na Argentina, e João Antonio de Campos, preso em Pereiras (SP), e que morreu na cadeia antes de ir a julgamento (Justiça Pública: réu João Antonio de Campos e outro, Processo 010/1912 de 03/julho/1912, Platina - SP, Arquivos CEDAP/Assis, Referência III C12, Caixa 25/26).
O crime repercutiu em todo o Brasil e exigiu providências do governo paulista, que então encaminhou para Campos Novos o Alferes João Antonio de Oliveira, cognominado 'Tenente Galinha', que se achava comissionado no posto de Chefe do Serviço de Captura da Polícia de São Paulo. 'Galinha' era famigerado caçador de homens procurados pela justiça ou cometedores de crimes. 
Nogueira Cobra (1923: 233-235), refere-se à presença e objetivos do 'Tenente Galinha' na região, destacando, porém, que além da violência e sem qualquer simpatia granjeada, não apresentou nenhuma solução para o crime, e sobre ele pesava a suspeição pelo sumiço de 30 mil réis que Sanches guardava em sua casa, num lugar de costume, fruto da venda de terras, sendo improvável que na data de sua morte tivesse ele saído com tanto dinheiro na guaiaca.
Tonico Lista, à época Delegado de Polícia em exercício, pediu exoneração do cargo (O Município, 27/08/1913: 1). Como autoridade policial teria vantagens em acobertamento de crimes de seus jagunços, porém seria cobrado pelas autoridades estaduais em solucioná-los, portanto, exonerado, teria maior liberdade em tratar empreitadas com assassinos de aluguel. 
O coronel santacruzense livrou-se logo das suspeições, afinal, de um homem como Sanches, que colecionara tantos inimigos, quaisquer deles que se visse prejudicado, ou sua parentela, seria potencial mandante da execução, "e há notícias de que muitos crimes tinham ligação com este assassinato, segundo relatório do Doutor Cobra. (...) entretanto não nos interessa averiguar tais fatos" (Leoni, 1979: 273-274). 

10. A morte do Capitão José Antonio de Moraes Peixe
O rico fazendeiro José Antonio de Moraes Peixe, ex-suplente de delegado, em 1913 quis rivalizar-se com Lista, praticamente dentro de Santa Cruz do Rio Pardo, sendo tocaiado e morto (Rios, 2004: 109-110). 
Moraes Peixe era homem violento. Vinculado ao grupo político 'sodrelista', em 1902 assassinara, por motivo torpe e sob alegação de legítima defesa, um colono seu – português, colocando-se sob a proteção do Delegado de Polícia, Dr. Fernando Eugenio Martins Ribeiro, o alter ego de Francisco Sodré (Correio do Sertão, 06/09/1902).
Em 1913, o Capitão Moraes Peixe adquirira de Tonico Lista uma gleba no bairro da Serrinha, arrematada em hasta pública, do ausente engenheiro Henrique Kruzmann (DOSP, 13/07/1909: 10), compreendendo desde atual urbana Chácara Peixe até o Pardo, numa área de quase cem alqueires de terras, divisando-se com José Alves de Lara, vinculado ao Coronel Lista.
Peixe teria invadido parte das terras de Lara, a não importar-se que Lista não toleraria tal petulância em cima de um amigo. 
Antigas lembranças dão conta que Peixe tinha uma amante, por nome Avelina (Rios, 2004: 110), a quem costumava visitar algumas noites, e, numa delas, foi tocaiado e morto, ficando o episódio marcado porque um dos assassinos, ao chutar a cabeça do cadáver, arrancou-lhe a peruca: o Peixe era careca.
Oficialmente e diferente do relato de Rios, o crime ocorreu na madrugada de 20 de setembro de 1913, quando o Capitão Peixe, após assistir filme no Cinema São Luiz, dirigiu-se para a chácara onde residia, quando emboscado e alvejado por tiros, com morte instantânea. A Dona Emerenciana – esposa de Peixe, que se achava na residência e um sobrinho que se encontrava no Hotel Peixe, ouvindo as detonações se dirigiram para o local, desconfiados de assalto, "porque andavam mais ou menos prevenidos, após o roubo que ha bem pouco fizeram ao cap. Peixe" (Cidade de Santa Cruz, 21/09/1913: 2). 
O mandante do crime seria Lista, conforme documento expedido pelo judiciário santacruzense que: 
"(...) com a cumplicidade de seu cunhado Alfredo Antonio Gonçalves, vulgo Nenê Narciso, mandou assassinar ao fazendeiro José Antonio de Moraes Peixe, cujo inquerito está em andamento. Para afastar as suspeitas, Antonio Evangelista da Silva fez uma viagem a S. Paulo, deixando ordens criminosas, que foram foram fielmente executadas" (O Combate, 03/11/1921: 3 – expediente forense). 
Tonico Lista livrou-se das acusações e o caso jamais elucidado.

11. A onda de violências - morto o Coronel Pocay
O Coronel Pedro Sylvio Pocay, de Salto Grande, foi morto no ano de 1913, num crime bem engendrado e nunca esclarecido. Para alguns, Pocay intentava ocupar o lugar do Coronel Sanches, algo inadmissível para o Tonico Lista.
Em 1914 Lista determinou aos capangas, Christalino Rodrigues da Silva e João de Paula Garcia, que invadissem o domicílio do Capitão Theodorico José Teixeira Franco, renomado músico local, para agredi-lo fisicamente, ocasião que o facínora João de Paula apunhalou a vítima, sem causar-lhe a morte (O Combate, 03/11/1921: 3 – expediente forense). 
Num segundo atentado o Capitão Theodorico Franco sofreu atentado numa noite, pouco depois que deixara a Igreja, e o inquérito policial não prosperou. Atribuiu-se o atentado ao grupo de Tonico Lista, considerando o Capitão ferrenho oposicionista, situação confirmada em 1921 quando a União dos Artistas de Santa Cruz do Rio Pardo que "adheriu ao Partido Municipal, demittindo o regente sictuacionista e acclamando o Capitão Theodorico Franco para o substituir" (A Ordem, 02/06/1921: 1).
Benedicto Carmagnani era credor de Lista, quantia de 260 réis, e intentou recebe-la, em abril de 1915. Lista sentiu-se irritado e bateu de cacete em Carmagnani que, querendo bater-se em retirada deparou-se com João Evangelista Neto, filho de Lista, de 13 anos de idade, "que empunhava uma garrucha, apontando para a victima" (O Combate, 03/11/1921: 3 - expediente forense). 
O Coronel Albino Alves Garcia, líder em Bernardino de Campos, "passou a divergir do sistema político do Coronel Lista" (Rios, 2004: 114), em 1917, na pretensão de tornar a localidade vinculada ao recente município de Ipaussu. Lista não temeu investir num atentado corretivo contra Alves Garcia, noticiado até na Capital (Correio Paulistano, 01/11/1917: 9).
Expediente forense de Santa Cruz do Rio Pardo (Apud O Combate, 03/11/1921: 3), relata que no mês de fevereiro de 1918, Lista mandou invadir a residência do médico Álvaro Camera que, atemorizado, deixou a cidade. O facultativo recusara dirigir-se até um esconderijo para atender o capanga Joaquim Alves de Lara, ferido numa emboscada. 
No mês de setembro de 1919 certo João Rapello, após concluir seu trabalho nas obras da Igreja Matriz, procurou pelo responsável Tonico Lista para receber o seu dinheiro combinado. O Coronel zangou-se e agrediu verbalmente o cobrador, e depois, tomando o 'rabo-de-tatu' das mãos de um dos presentes, surrou impiedosamente o Rapello. 
Na lavratura do Boletim de Ocorrência, "O delegado de policia, dr. João Francisco de Oliveira, fez sentir á victma o risco de vida que corria, se insistisse em instaurar inquerito sobre o facto" (O Combate, 03/11/1921: 3 - expediente forense).

12. O emblemático caso Foschini/Dr. Giraldes
Em 1919 a reação regional 'anti-Lista' estava forte, com risco da oposição ganhar o pleito em Ourinhos, pelo oposicionista Fernando Foschini, ligado a Jacintho Ferreira e Sá.
Tonico Lista era o prefeito santacruzense e Eduardo Salgueiro o de Ourinhos, quando aos 30 de outubro de 1919, véspera das eleições previstas, aconteceu uma tocaia para matar Fernando Foschini, porém este, reagiu e liquidou um dos agressores, um policial, e reconheceu o outro que fugira. A situação - pró Lista ganhou o pleito eleitoral em Ourinhos, sob as suspeições de fraudes e violências.
Sobre o atentado em Ourinhos as versões são, ainda hoje, controversas. Para alguns Fernando Foschini teria assassinado um policial desarmado, conforme declaração às folhas 65-verso, em Inquérito Policial sobre a ocorrência (Rios, 2004: 131), e inventado a história de atentado, acreditada por muitos. 
Sob a alegação de legítima defesa Foschini contratou o advogado Francisco Giraldes Filho, decidido a apontar o sobrevivente e revelar o ordenador da tocaia. Lista considerou desaforo o Dr. Giraldes aceitar causa contrária aos interesses santacruzenses. 
No Clube 21 de Abril, situado no Largo do Jardim, em Santa Cruz do Rio Pardo, Tonico Lista ao ser cientificado das pretensões de Foschini e Giraldes teria ameaçado espanca-los, e tal pronunciamento deu-se nas presenças de Benedicto Xavier e Francisco Vidal.
O Coronel repetiria a ameaça em São Pedro do Turvo ao próprio Dr. Giraldes, que este poderia ser espancado e Foschini morto, num encontro na residência do Dr. Mesquita Barros, onde em discussão a partilha da Fazenda Anhumas, de propriedade da viúva Deolinda Cândida Coelho. 
Pouco depois o Dr. Giraldes foi agredido por João de Paula Garcia e Nabor de Lara Toledo, na gare de Chavantes, no dia 18 de novembro de 1919, por ordem de Tonico Lista. Nabor mantinha Giraldes sob a mira de um revolver e um porrete, enquanto Garcia chicoteava a vítima que, após caída, foi violentamente espancada, às vistas de quarenta ou mais testemunhas.
Todos os acima identificados foram ouvidos em inquérito policial, intencionalmente mal conduzido pelo subdelegado, dizem, para livrar Lista de responsabilidades, e o chefe político em Chavantes, Ozorio Bueno, avocava para si a intelectualidade e a responsabilidade do crime.
A história revela silentes a Justiça e a Segurança Pública aos detalhes e divulgações de cada crime, entre 1909 a 1920, quando nem juízes, promotores ou delegados de polícia, nomeados, podiam permanecer na Comarca sem o beneplácito de Lista.
A situação, no entanto, agravou-se com a morte de Fernando Foschini, noutra emboscada, aos 08 de abril de 1920, sendo Lista suspeito de mando.

13. As ondas de ameaças, atentados e assassinatos continuam
Por fonte os expedientes forenses feitos publicar na imprensa (O Combate, 03/11/1921: 3), alguns outros acontecimentos são relatados sobre Tonico Lista.
Em 1º de janeiro de 1920 o Coronel "tentou aggredir, de revólver em punho, o menor Heitor Pimenta, havendo nesse dia intervenção da policia, para que não se consummasse o crime". O crime ou tentativa jamais tornou-se esclarecido.
No mês de fevereiro de 1921, Lista "mandou cinco ou seis capagangas, armados de carabinas, com o fim de obrigar Severino José de Moura, a sahir com sua familia, das terras que possue no sitio denominado 'Agua do Serrado', onde reside ha 30 annos". 
O relatório finaliza que o Coronel Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista, "é publicamente indigitado como autor material e moral de inúmeros crimes, violencias e atentados, conseguindo sempre, graças á sua habilidade, furtar-se á acção da justiça". 
Os predomínios de Lista chegavam a Platina através de seus primos os coronéis Azarias Gomes Ferreira e Joaquim Ferreira de Lima. Também a região de Palmital esteve sob influência de Lista: "O municipio de Palmital é governado pelos prepostos de Tonico Lista (...)" (O Combate, 21/09/1921: 1-3), onde dividiam mandos José Machado e Cândido Dias de Mello. 
Machado e Dias de Mello divergiram-se em 1922, após a morte de Lista, e Cândido matou Machado no episódio que ficou conhecido como a 'Guerra dos Coronéis'.

14. Combinações malandras para suprimir Tonico Lista
O rumoroso caso Foschini/Dr. Giraldes ganhou destaques na imprensa paulista, quando o eleito Presidente do Estado de São Paulo, Washington Luiz, tomou posse em 1º de maio de 1920, e nomeou o Dr. Francisco Cardoso Ribeiro o seu Secretário de Justiça e Segurança Pública, aquele outrora Juiz de Direito em Santa Cruz do Rio Pardo, posto a correr pelo coronel Tonico Lista.
Cardoso Ribeiro veio à forra contra o seu verdugo, com as nomeações do Dr. Arthur Mihich como Juiz de Direito da Comarca, o Dr. Ricardo Gubletom Daunt para a Promotoria, e como Delegado de Polícia, o temível Dr. Coriolano de Araujo Góes.
Ainda fizera mais o Dr. Cardoso Ribeiro, somando-se ao Coronel Arlindo Crescêncio Piedade na fundação do Partido Municipalista em Santa Cruz, aos 13 de março de 1921, para oposição ferrenha ao Coronel Tonico Lista, e como veículo de comunicação partidária municipalista, a criação do semanário 'A Ordem', aos 14 de abril de 1921.
Em matéria intitulada 'Um bom meio de se destituir directorios e vingar passadas mágoas', de autor santacruzense -
"O dr. Cardoso Ribeiro, no intuito de 'depor', agora, o sr. Antonio Evangelista da Silva usou desse 'truc' muito politico sertanejo, dando mão forte aos inimigos do dr. Antonio Evangelista da Silva e dahi a creação do partido 'opposicionista' local, capaz de escalar o poder" (O Combate, 19/03/1921: 1). 
Presente em Santa Cruz, o delegado Coriolano assumiu as investigações sobre o espancamento do Dr. Giraldes e, de imediato, descartou Ozorio Bueno como mandante ou que este tivesse de espontânea vontade prestado favor ao seu chefe, para assim fazer recair a culpa diretamente sobre Tonico Lista, Dr. Américo Paranhos e Francisco Rodrigues Costa, fundamentado nas declarações da vítima e do testemunho de Eufrazina Silva Brito, a Dona Nenê, que teria presenciado conversas dos indiciados e a ameaça dada por Lista. 
O Delegado firmou maior convicção por supostas contradições dos responsabilizados e dos precedentes de Tonico Lista, para encaminhar processo 'Dr. Giraldes' ao Promotor Público, aos 23 de janeiro de 1921, caso amplamente divulgado pela imprensa.
O Promotor Daunt ofereceu denúncia contra "Antonio Evangelista da Silva, Dr. Américo F. Paranhos e Francisco Rodrigues Costa, respectivamente presidente, secretario e membro do directorio situacionista local, assim como Nabor Lara Toledo e João de Paula Garcia" (O Combate, 27/04/1921: 1). 
Para a Promotoria estava evidente a participação dos citados membros do Diretório do PRP na decisão do espancamento a Giraldes, e Lista debateu-se exaustivamente sem se livrar da suspeição de mandante do atentado.
Também sobre Lista recaia o aconselhamento e o mando para o assassinato de Foschini, neste caso já presos, por ordem judicial, os suspeitos mandantes e executores, aguardando julgamento: Eduardo Salgueiro – Prefeito; José Antonio Rabello - Vice-Prefeito; Affonso Salgueiro - 1º Juiz de Paz; e João Rodrigues Junior - Vereador, todos residentes e domiciliados em Ourinhos, e mais os executores Francisco da Silva Coelho - 1º Delegado Suplente no lugar e o facínora José Manoel de Avilla. 
Dr. Coriolano intentava envolver o Coronel Lista no crime perpetrado contra Foschini, e a oposição não dava tréguas ao acusado e atacava os advogados pela coragem em defendê-lo. Lista contratara os melhores causídicos do país para sua defesa: o Dr. Julio Prestes, o Dr. Altino Arantes – a seus tempos chefes do governo paulista, e mais o Dr. Raphael Corrêa de Sampaio, professor e dos maiores nomes em Direito do Brasil, além de atuante deputado federal. Atuava, ainda, o santacruzense Pedro Camarinha.
Em apuros, Tonico Lista denunciou Coriolano em forjar provas, levando referida autoridade buscar formal e testemunhado desmentido dos presos suspeitos do caso Foschini, expediente registrado no Cartório de Registro Geral, Livro 1 A de Registro de Títulos, folhas 460 nº 1032. Na Seção Coluna Livre do jornal Estado de São Paulo, Lista acusou o Delegado Coriolano de apresentar os presos ao Dr. Francisco Sodré Filho, "afim de incutir nosso espirito para que digamos que foi o senhor Antonio Evangelista da Silva quem aconselhou o assassinato de Fernando Foschini" (A Ordem, 02/06/1921: 3).
O delegado optou pelo não indiciamento de Lista no processo de mando da morte de Foschini, porém não desistiu da intenção em prender o Coronel, pelo espancamento de Giraldes, e o diário O Estado de São Paulo, edição de 16 de julho de 1921, trouxe a condenação de Lista que, então, recorreu da sentença.
Lista viu-se excluído do caso Foschini, porém os acusados mandantes foram condenados a vinte e um (21) anos de reclusão e os executores a trinta (30) anos (A Ordem, 02/06/1912: 1-2, com reportagem própria e transcrições de jornais da capital), depois absolvidos num segundo Júri aos 24 de novembro de 1922, também em Santa Cruz, presidido pelo mesmo Juiz Arthur Mihich. A apelação do Promotor Público não reformou a segunda sentença.

15. O atentado aos irmãos Rocha
Tonico Lista defendia-se das acusações de outros quinze processos de crimes de morte e atentados, todos desarquivados, alguns possivelmente forjados, refeitos ou extintos, escolhidos apenas aqueles de maior impacto, com testemunhos seguros, quando lhe recai responsabilidade de mando na emboscada aos irmãos Rocha.
Segundo as tradições e de acordo com Rios (2004: 121-124), certa feita ocorrera aparente briga de bar, entre José Bispo e José Alves de Lara, conhecido por Juca, na venda de João Máximo, nas imediações do Chafariz. Bispo e Máximo eram parentes, descendentes de João Antonio Justino – ou João dos Santos, tido cofundador de Ipaussu, sendo José Bispo, tipo simplório, a apregoar que sua família fora destituída da herança de Justino pelos ladrões de terras. 
Numa das alocuções de Bispo, o Juca sentiu-se ofendido e surrou violentamente o arengador com cabresto que trazia às mãos. Se acalmado por Máximo não se sabe, Juca Lara teria desafiado qualquer defensor ou ofendido pelo seu ato, que lhe viesse tirar satisfações.
Os irmãos Rocha, Cyrillo, José, Laurindo e Pedro, filhos de Julio Antunes Rocha, resolveram interpelar o Juca Lara, que não sustentou a provocativa dada, e a humilhação sofrida despertou ira da família Lara, conhecida por Ludovico, contra os Rocha, principalmente de Joaquim Ludovico que vivia no estado do Paraná, desde que para lá fugira após assassinar José Antonio de Moraes Peixe, em 1913.
Joaquim Ludovico face aos acontecimentos, ou por ordem de Lista, retornou a Santa Cruz, ignorando que o patrão encomendara sua morte aos irmãos Cyrillo e José Rocha que, cientes da sua presença no lugar, tocaiaram e alvejaram-no a tiros, homiziando-se os agressores na Fazenda Mandaguahy, aguardando inquérito policial. Joaquim sobrevivera.
No período das eleições de 1919, quando não podiam ser presos, os Rocha viriam à cidade, dizem, por sugestão de Lista, através do serviçal José Adão, que teria avisado a Joaquim Ludovico, onde estivesse, que os Rocha deixariam a Mandaguari. 
Joaquim armou-se e, de tocaia, atingiu José Rocha, vindo este a morrer pouco depois de socorrer-se na residência de certo Antonio Paulista, revelando o autor do disparo que o vitimara. 
O delegado Coriolano entendeu a ação ser trama de Lista para eliminar desafetos ou inconvenientes, e, posto isto, promoveu a seleção de diligências em adequação e sintonia com o Juiz Arthur Mihich e o Promotor Público Ricardo Gumbleton Daunt, para incriminar e condenar o coronel como mandante do crime.
Lista desembarcou na Estação Ferroviária, aos 09 de outubro de 1921, vindo de São Paulo, onde morava, para assumir a Prefeitura – sob pena de abandono do cargo, sendo preso de imediato por ordem do Juiz Arthur Mihich (Despacho de Pronúncia de 08/10/1921).
Os acontecimentos alcançaram manchetes e notícias em jornais da Capital e do interior, destacando-se os locais, 'Cidade Santa Cruz' - situacionista, 'Trabuco' - oposicionista e satírico, e 'A Ordem' - de oposição crítico-oportunista. 
Na publicação pelo hebdomadário 'Cidade de Santa Cruz' (19/12/1921), sob o título 'Aos meus companheiros', Lista desprezava adversários "Quanto ao meu assassinato, que os nossos inimigos pregam e propalam pelas esquinas e pela imprensa, peço aos meus correligionários que não se preocupem com isso. Eu não temo essas ameaças, nem lhes dou ouvidos" (Rios, 2004: 154). 
O Coronel livrou-se da sentença condenatória. O Juiz da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo cometera um erro que foi a revisão no corpo de jurados, sob o pretexto de elevação do nível - preceitos da Liga da Defesa Nacional, com isso descartados suspeitos partidários do coronel, ou seja, para os advogados de Lista no quadro dos jurados estavam apenas os declaradamente contrários ao réu. 
Ainda que enfraquecido à vista dos adversários, Lista retornou forte na política local; reorganizou o partido para as eleições de 29 de abril de 1922, aos cargos de deputados e senadores do estado.

16. O tiroteio defronte à Câmara Municipal
A antecedência do pleito de 1921 mostrou-se extremamente agitada. O hebdomadário 'O Trabuco' trouxe ameaça à integridade física do Coronel Lista, rechaçadas por Avelino Taveiros através do 'A Cidade'. 
Na véspera das eleições os eleitores já haviam sido arrebanhados e postos no denominado 'curral' onde permaneceram aguardando o momento de votação, e na manhã 29 de abril já havia fila, e, de repente, o início do tiroteio tendo como alvo o Coronel Lista que escapou ileso.
Adversários se divergem quanto a origem dos fatos: "A oposição nos atacou havendo mortes e feridos. (...). A provocação partiu do dr. Ataliba Vianna", telegrafou Lista ao Presidente do Estado de São Paulo, requerendo urgentes providências. A oposição, pelo advogado Dr. Ataliba Pereira Vianna – Secretário do Partido Municipal, também comunicara a mesma autoridade, que: "Antonio Evangelista da Silva, presidente do directorio situacionista, á porta da casa da eleição, com mais de cincoenta capangas, impede a entrada dos eleitores do partido municipal, a tiros de revolver, havendo varios mortos e feridos" (Correio Paulistano, edição de 30/04/1922: 4, ambas as citações).
Do entrevero contou-se os mortos, João Cunha, Antonio Andrade e João Paula Garcia; e os feridos Chrystalino Rodrigues da Silva, Aristides Rodrigues da Silva, Armando Alves Lara, Manoel Claudino de Oliveira e Arlindo de Castro Carvalho. 
Affonso Celso de Paula Lima, Delegado Regional – Botucatu, e Victor Brenneisen, Delegado em lugar de Coriolano de Araujo Goes Filho, comunicaram a Secretaria da Justiça e Segurança Pública:
"Já foi concedida a prisão preventiva de Evaristo Ferreira Sousa, autor da morte de Antonio Andrade; de João Fleury, autor da morte de João Paulo Garcia; de Aristides Rodrigues Silva e João Machado Silva, autores da morte de João Cunha; e de Cyrillo Antonio Rocha, autor dos ferimentos graves em Armando Alves Lara. Foi negada a prisão preventiva de Antonio Evangelista da Silva, Durvalino Oliveira Silva e Gustavo Antonio Silva, continuando o inquerito regulamentar" (Correio Paulistano, 07/05/1922: 3). 
Também foram presos: Rachid de Queiroz, José Rachid de Queiroz, Gustavo Antonio da Silva, Chrystalino Rodrigues da Silva e Arlindo de Castro Carvalho.
Outros nomes seriam acrescidos ao rol de acusados, todos julgados e absolvidos aos 10 de outubro de 1925, com apelação para o Supremo Tribunal, com provimento do recurso e novo julgamento ocorrido em 24/25 de novembro de 1927, os réus absolvidos no crime comum, porém condenados por crime político, onde Evaristo Ferreira de Souza, Chrystalino Rodrigues da Silva, Rachid Queiroz, João Fleury, João Machado e Aristides Rodrigues da Silva, receberam pena de quatro anos de prisão, cada um, e Arlindo de Castro Carvalho, Gustavo Antonio da Silva e José Rachid Queiroz, penalizados em dois anos e seis meses de reclusão. Nova apelação, agora dos condenados, e outro julgamento, com absolvição definitiva aos 21 de julho de 1927 (Diario Nacional, São Paulo, 25 e 26/11/1927, páginas 8 e 2, respectivamente).
Lista, prefeito, prestou declarações, justificou-se, e incriminou a oposição. O chefe oposicionista, Coronel Arlindo Crescencio da Piedade, Juiz de Paz, culpou a situação. 
As opiniões entre situação e oposição estavam divididas, apenas a certeza que o Coronel corria risco de morte, por atentado. 
Tonico Lista colecionara inimigos, dentro e fora de Santa Cruz, não somente políticos, que bem poderiam atentá-lo. Sabia disto, mas não lhe convinha fazer-se acompanhar de sua guarda pessoal, sem riscos de confrontos e deles ser acusado e 'metido a ferros'.
Num artigo publicado pelo jornal 'O Estado de São Paulo' (14/12/1922: 20, artigo assinado de F. Assis), Lista procurou pelo Secretário da Justiça e Segurança Pública do Governo do Estado, seu arquirrival Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, com a promessa de contar à disposição um policial militar como segurança, designado o soldado da então Força Pública, Francisco Alves, posto à disposição da Delegacia de Polícia de Santa Cruz do Rio Pardo, na condição de Ordenança do Delegado Victor Brenneisen (Correio Paulistano, 10/07/1922: 2).

17. Atentado fatal contra o Coronel Tonico Lista 
No dia oito de julho de 1922, acompanhado por Francisco Alves, o Coronel Antonio Evangelista da Silva cumpria a mesma rotina sempre que se encontrava em Santa Cruz: levantou cedo e se dirigiu ao armazém do amigo Mizael de Souza Santos, 'Zaeca', para ler jornal, conferir apontamentos da municipalidade ou mesmo particular, quem sabe, ou apenas para colocar conversa em dia com os amigos.
Lista aparentava tranquilidade, sentado à mesa, de costas a porta do armazém à Rua Saldanha Marinho, quando Francisco Alves disparou dois tiros atingindo o Coronel antes de por-se em fuga pela Rua Conselheiro Antonio Prado, em direção à Câmara Municipal. Lista, mortalmente ferido, ainda teve forças para apoiar-se ao batente da porta e fazer fogo e acertar um tiro no assassino, num dos ombros, ferimento não fatal.
Tonico Lista foi socorrido e, por decisão médica imediata, conduzido para São Paulo, acompanhado pelo facultativo Dr. Pedro Cesar Sampaio, numa composição da Sorocabana, especialmente fretada, vindo a falecer, durante a viagem, por hemorragia causada por tiro de revólver que lhe perfurou o  os rins e o estômago. 
Ditam que o Dr. Cardoso Ribeiro, ciente que Lista, moribundo, estava em trânsito ferroviário, teria ordenado parada da composição na estação de Pantojo, lugar próximo a Mairinque, para passagem e manobra do comboio que conduzia as tropas de São Paulo para as frentes de combates no sul-matogrossense, como desdobramentos do Levante de Copacabana, de 05 de julho de 1922. 
A morte do Coronel ocorreu na madrugada de 09/07/1922, às 2,30 horas, próximo a estação de São Roque.
O corpo de Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista, após o laudo cadavérico foi sepultado no Cemitério do Araçá, aos 10 de julho de 1922.
O assassino, soldado Francisco Alves, declarou vingança pessoal, em honra da família, por questões de terras, que Lista teria usurpado de seu avô, Jeremias Lopes dos Santos, morador na região de Bernardino de Campos, versão não comprovada.
A ingenuidade de Lista em confiar no Dr. Cardoso Ribeiro facilitou sua eliminação física.
A defesa de Francisco Alves alegou 'delírio magnaticida provocado por acesso agudo de embriagues', que teria bebido dois lavrados - copo cheio - de pinga, enquanto Lista estava no no local. Livre, o Alves deixou a comarca, dizem, com bom dinheiro pelo serviço prestado, e teria morrido, na Revolução de 1932, por desentendimento pessoal, extra campo de batalha. 

18. A quem interessava a morte de Lista?
O Coronel jamais temeu colecionar inimigos, e dentre eles o Juiz de Direito Francisco Cardoso Ribeiro, obrigado pelo chefe político deixar a Comarca; e este é o apontamento de dois pensadores santacruzenses, Professor Wilson Gonçalves e o Professor José Ricardo Rios.
O Juiz Cardoso Ribeiro adquirira poderes suficientes para determinar o atentado contra Lista, segundo o Wilson Gonçalves, sobrinho da mulher do Coronel, que sabia o suficiente, através do círculo familiar, para não duvidar da participação daquele magistrado (Gonçalves, CD: A/A), mas não apresentou uma pista segura.
Também Rios, filho e neto de contemporâneos amigos de Lista, aponta para a mesma linha de raciocínio e, igualmente, não elucida o crime nem identifica o autor, mas deixa indicativos que conduzem ao Juiz Cardoso Ribeiro, ao menos para suspeições.
Outro que teria motivo e condições para matar o Coronel Lista era o também Coronel Arlindo Crescêncio Piedade, pelo assassinato do irmão Emygdio José da Piedade Filho, cujas suspeitas recaíam sobre o antes companheiro político e amigo. 
Nesta linha investigativa os autores não desprezam as declarações do Coronel Arlindo Crescencio da Piedade, junto a Delegacia de Polícia de Santa Cruz do Rio Pardo, quanto aos acontecimentos de 29 de abril de 1922:
"(...) que com a posse do Dr. Washington Luís a presidência do Estado e conseqüente posse do Dr. Cardoso Ribeiro na pasta da Justiça e Segurança Pública, o povo de Santa Cruz tomou o alvitre a organizar um partido político em opposição ao Coronel Antonio Evangelista da Silva, vulgo Tonico Lista, o que foi feito e a que deram o nome de Partido Municipal, sendo, então, o declarante convidado a assumir a presidencia do Directório" (Rios, 2004: 160-162). 
O declarante, Piedade, fez questão em identificar-se com o Juiz – então Secretário de Governo, Dr. Francisco Cardoso Ribeiro, desafeto poderoso do Coronel Tonico Lista, além da verdade que ele próprio, Piedade, tinha motivo para atentar contra o vitimado.
O juiz Cardoso Ribeiro e Arlindo Crescêncio Piedade, amigos e da mesma grei política, ambos com fortes razões para a eliminação física do Coronel, sabiam que para qualquer viabilidade político-partidária em Santa Cruz, Tonico Lista teria que ser supresso, a qual preço fosse, e o mistério do seu assassinato encerra-se nas combinações entre Ribeiro e Piedade.
Não sem razões a Justiça Pública acusou Arlindo Crescêncio da Piedade Filho, como mandante do assassinato de Lista (A Ordem, 10/08/1922: 1): 
"Processo Crime - Por seus advogados drs. Pedro S. de Sampaio Doria e Ataliba Vianna, foi apresentada a defesa do tenente Arlindo Piedade Filho, no processo crime que lhe move a Justiça Publica, que o accusa de mandante do homicidio do coronel Antonio E. da Silva. 'Os autos com o parecer dr. Promotor Publico, já subiram a conclusão do M. Juiz para sentença'-".
Os advogados Pedro Soares de Sampaio Dória e Ataliba Vianna atuaram na defesa do acusado mandante, Arlindo Piedade Filho, e o causídico Francisco da Silveira Filho a favor de mandatário Francisco Alves. Pela parte auxiliar atuaram os Drs. Leônidas Arantes Barreto e Wanderico Gonçalves Pereira (Correio Paulistano, 10/08/1922: 2). 
Mas o Promotor Público, Dr. Ricardo Gubletom Daunt, já estava transferido para a Comarca de Itápolis, conforme Decreto do Governo de São Paulo de 24 de julho de 1922 (Correio Paulistano, 25/07/1922: 5), embora ainda permanecesse por algum tempo em Santa Cruz, até concluir o processo, nível local, contra Arlindo Piedade Filho, então pronunciado.
Através de recurso interposto o suposto mandante foi despronunciado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Seis anos após a morte de Lista, Arlindo Piedade Filho faleceu por doença (Correio Paulistano 18/01/1926: 6). 

19. Tramas cuidadosamente urdidas e surpreendentes para a morte de Lista 
19.1. Do Ataliba Leonel Rolim prestigioso chefe político regional 
Desde 1903 o Coronel Ataliba Leonel, advogado e então vereador pirajuense, uniu os coronéis regionais em torno de seu nome para Deputado Estadual (legislatura 1904/1906), todavia teve seu nome obstado em Santa Cruz do Rio Pardo, município e comarca, pelo Deputado Federal Dr. Antonio José da Costa Junior, o irmão e genro deste, Dr. Augusto José da Costa - Juiz de Direito, e o outro genro, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, Presidente da Câmara Municipal e chefe político entre os anos de 1902/1907. 
Contou, no entanto, com os votos da dissidência perrepista santacruzense liderada pelo advogado Dr. Olympio Rodrigues Pimentel e o então futuro Coronel Antonio Evangelista da Silva, o Tonico Lista, homem de índole violenta e formador de bando, que abertamente desafiava os detentores e capangas do poder local.
Ataliba, eleito deputado, fez nomear o Lista como Delegado de Polícia em Santa Cruz do Rio Pardo, com o apoio da liderança da Comissão Central do PRP, isolando os detentores do poder político local. 
Lista não tinha complacência com os adversários. Em janeiro de 1906, o Presidente da Câmara, Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré, o Vice-presidente Frederico Carr Ribeiro, o Intendente Henrique Hardt, os Vereadores Lucio de Oliveira Lima e Pedro Paulo Rodrigues, além de cidadãos ligados ao grupo sodrelista, num abaixo assinado, denunciaram as arbitrariedades daquele Delegado de Polícia que intimidava os eleitores para não participar do pleito eleitoral de 30 de janeiro de 1906, eleições para Câmara Federal, sob pena de prisão e espancamento (O Estado de São Paulo, 17/01/1906: 1). 
Costa Junior não se elegeu deputado federal em 1906 (legislatura 1906/1908, posse em 03 de maio de 1906). No entanto, viria ser o indicado pelo PRP para disputar e se eleger Deputado Federal para assumir vaga em decorrência da morte do Dr. José Rebouças de Carvalho, eleito pelo 4º Distrito. 
s ações do Delegado Lista beneficiaram os interesses e prestígios de Ataliba junto aos membros da Comissão Central do PRP, e então Lista e os dissidentes assumiram controle do diretório partidário perrepista santacruzense, com o reconhecimento oficial da Comissão Central do PRP (Correio Paulistano, 17/04/1906: 1), iniciando violenta perseguição aos adversários, na denominada 'política de bugre'.
Tonico Lista, sem dúvidas, era protegido de Ataliba Leonel. Aliás, chegou ao topo do poder como chefe político, graças a manobra do padrinho; talvez tivesse condições em se fazer sozinho os caminhos da dominação política local, mas não o fez.
A família Costa Junior/Sodré ainda detinha o mando político santacruzense pelas eleições municipais de 1904, porém o grupo estava abatido. 
Lista revelou melhor o seu lado cruel e intimidatório quando o julgamento do Dr. Olympio Rodrigues Pimentel, por tentativa de morte contra João Ferreira de Castilho, conhecido por João Costa ou Joãozinho, membro da família de Costa Junior. Na ocasião Lista fez desfilar em Santa Cruz dezenas de seus jagunços, "uma grande orgia já preparada antes do julgamento, ja denotava que o réo sahiria da prisão ainda que fosse condenado" (Correio Paulistano, edição de 04/01/1905: 3, palavras do Dr. Costa Junior).
Ataliba prestigiou Lista sobre os demais coronéis da região causando dissensões e alguns coronéis assassinados: o João Pedro, em São Pedro do Turvo; Emygdio José da Piedade Filho, primo de Ataliba, tocaiado e morto; Francisco Sanches de Figueiredo, o todo poderoso de Campos Novos Paulista e adiante; e o Pedro Pocay, de Salto Grande; e o Coronel Albino Alves Garcia severamente espancado.
Todos os assassinados eram opositores a Ataliba Leonel, inclusive seu primo Piedade Filho, expressiva liderança política independente em Ipaussu, aliado dos fazendeiros locais, Cunha Bueno, Melchior, Cleophano Pitaguary – ex-deputado por Santa Cruz, e os nominados 'coronéis menores', de maneira a incomodar o prestígio político de Ataliba, além da afronta ao poder de Tonico Lista na Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo.
Mais para os lados de Ourinhos, em 1917, Jacintho Ferreira e Sá aliava-se aos políticos adversários de Lista, consequentemente de Ataliba, para o êxito da tramitação processual administrativo da elevação de Ourinhos à condição de município, etapa conclusa em 13 de dezembro de 1918, sem o voto de Ataliba Leonel "que não compareceu à sessão e não justificou a ausência" (Del Rios, 1992: 30-31). Ferreira e Sá vinculava-se a Fernando Foschini numa frente anti-Lista e Ataliba Leonel; aos 08 de abril de 1920, Foschini não resistiu a um segundo atentado e foi morto.
Para o sociólogo cubano/americano, Mauricio A. Font:
"(...). Na região Médio-Sorocabana um relativamente novo e crescente chefe [regional] chamado Ataliba Leonel estava ganhando a mão superior [se tornando politicamente poderoso] em relação a chefes tradicionais de partido, Olavo Egydio e Rodrigues Alves, com base nos territórios estabelecidos de Campinas e São Manuel, respectivamente. Curiosamente, Ataliba Leonel era aliado do clã liderado por Fernando Prestes e seu filho Julio, que controlava a região Baixa Sorocabana. Os inimigos de Ataliba Leonel, incluindo [os políticos do] estado de São Paulo, falavam de sua facção como uma camorra, uma gangue abarrotada de políticos propensos a usar o terror para dominar a vida política em tais condados [territórios] de Santa Cruz do Rio Pardo, Piraju, Bernardino de Campos, Xavantes, Ourinhos e Assis – que estavam em uma área de expansão relativamente recente na média Sorocabana". 
"Vários casos de conflito na região da Média Sorocabana foram relacionados à concorrência interzonal sobre o crescimento dos municípios fronteiriços. Em Ourinhos, um território na fronteira do Estado do Paraná, o partido composto por uma facção descontente do PRP [fez-se oposição] alegando dominância. Como resultado, o chefe da oposição [Fernando Foschini] afiliado com um magnata da região foi assassinado em um crime em que o prefeito [Eduardo Salgueiro], o presidente [do partido], vários vereadores, e todos os membros da situação, foram acusados e indiciados (...). O principal magnata foi o Cel. Barbosa [Antonio Barbosa Ferraz] proprietário de grandes extensões de terras no Paraná. O 'cacique' morto chamava-se [Fernando] Foschini, administrador de uma grande fazenda de café. O partido [unificado], como nova situação, aliou-se a Ataliba Leonel e Altino Arantes no Comité Executivo do PRP. Apesar do escândalo, foi confirmado com a direção local. A responsabilidade final para o crime recaiu sobre Antonio Evangelista da Silva, o líder local, que contou com o apoio do Comitê Executivo do PRP, e continuou a ser o detentor do poder reconhecido".
(Font - Mauricio A, Coffee and Transformation in Sao Paulo, Brazil, 2010: 160-162, vertido para o português (Google Translate), com adicionais entre colchetes).
Tonico Lista, cabecilha à frente de seu bando, era o braço armado regional mais eficiente a favor do Comitê Central do PRP, e em troca mantinha o poder absoluto em seu feudo – Santa Cruz do Rio Pardo, município e comarca. Lista abrigava-se à sombra de Ataliba Leonel e os caciques perrepistas.
O Lista, eleito vereador nas eleições de 30 de outubro de 1919, posse em janeiro de 1920, foi o escolhido Prefeito Municipal: "Na verdade, Leonel pessoalmente nomeou o chefe local Tonico Lista como prefeito, quando ele também retirou o chefe local da polícia que apoiou o grupo de oposição" (Font, op.cit).

19.2. Os problemas entre Lista e Ataliba em Santa Cruz do Rio Pardo
A vitória de Washington Luiz em 1920, para o governo de São Paulo, esperançou a região Média Sorocabana pela proximidade de Ataliba Leonel com o eleito; no entanto, também era vinculado ao novo governo paulista o Juiz de Direito, Francisco Cardoso Ribeiro, o nomeado Secretário da Justiça e Segurança Pública, e isto nada bom para Santa Cruz do Rio Pardo.
Ora, Cardoso Ribeiro era aquele Juiz de Direito que, em 1909, atritara-se com o Coronel Tonico Lista em Santa Cruz do Rio Pardo e se viu obrigado, humilhado, deixar a comarca escondido numa carroça de entrega de pães até a Estação de Bernardino de Campos. Jurou vingança.
O Juiz feito Secretário no Governo Washington Luiz viria à forra contra o seu verdugo, Tonico Lista, ao nomear Juiz de Direito da Comarca o Dr. Arthur Mihich (Correio Paulistano, 28/07/1920: 5); o Dr. Ricardo Gumbleton Daunt como Promotor Público (DOSP, 05/08/1920: 1); e o temível Delegado de Polícia, Dr. Coriolano de Araujo Góes, para Chefe Policial (Correio Paulistano, 28/07/1920: 1). Aos três, a missão em suprimir o Coronel Lista.
Fez mais o Dr. Cardoso Ribeiro, aliando-se ao Coronel Arlindo Crescêncio Piedade e outros opositores de Tonico Lista, em Santa Cruz do Rio Pardo para a fundação do Partido Municipalista, aos 13 de março de 1921:
"O dr. Cardoso Ribeiro, no intuito de 'depor', agora, o sr. Antonio Evangelista da Silva, usou desse 'truc' muito politico sertanejo, dando mão forte aos inimigos do sr. Antonio Evangelista da Silva e dahi a creação do partido 'opposicionista' local capaz de escalar o poder" (O Combate, 19/03/1921: 1). 
Aos 14 de abril de 1921 entrava em circulação o hebdomadário 'A Ordem' como veículo de comunicação partidária municipalista, e o cerco fechava-se em torno do coronel e mandatário santacruzense, restando afastá-lo do seu protetor Ataliba Leonel, isto a cargo do Diretório Central do PRP: 
"É voz corrente que o Deputado Ataliba Leonel é quem tem grandemente concorrido para o resultado desastroso de tais decisões em favor do partido chefiado pelo famoso Tonico Lista (...)." 
"O caso eleitoral que pode interessar o referido deputado não explica o seu procedimento, porque a oposição que se levanta em massa em Santa Cruz tem declarado, com a responsabilidade de nomes respeitáveis, que está ao lado da Comissão Diretora e que seu único intento é derrubar o Lista, chefe político que afirma o diretório oposicionista, galgou as posições que ocupa graças a uma série de nefandos crimes".
"Por outro lado, não temos ainda elementos seguros para acreditar que o interesse do sr. Ataliba Leonel em proteger o Lista seja a sua cumplicidade na ação nefasta deste chefe político, como se propala em Santa Cruz do Rio Pardo e circunvizinhanças" (O Combate, 19/04/1921: 1).
Ataliba abandonou Lista à sanha de seus adversários e Lista sentiu-se traído. Sem dúvidas Cardoso Ribeiro abocou-se com Ataliba Leonel acerca de Lista, a não excluir aí a participação do chefe do executivo paulista, Dr. Washington Luiz. 
Decepcionado Lista se preparava para deixar Santa Cruz do Rio Pardo, desfazendo-se dos bens para residir em São Paulo, onde já instalada a família, dividindo seu tempo entre Santa Cruz e a Capital.
Aos 09 de outubro de 1921, ao desembarcar na estação ferroviária vindo de São Paulo, onde morava, para assumir a Prefeitura, sob pena de abandono do cargo, foi preso por ordem do Juiz Arthur Mihich (Juízo de Direito, Despacho da Pronúncia de 08/10/1921).
O Coronel livrou-se da sentença condenatória. O Juiz da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo cometera um erro que foi a revisão no corpo de jurados, sob o pretexto de elevação do nível - preceitos da Liga da Defesa Nacional, com isso descartados suspeitos partidários do coronel, ou seja, para os advogados de Lista no quadro dos jurados estavam apenas os declaradamente contrários ao réu. O despronunciamento de Lista se deu aos 05 de dezembro de 1921 (O Combate, 06/12/1921: 1).
Ainda que enfraquecido, Lista retornou forte na política local, reorganizando o partido para as eleições de 29 de abril de 1922, aos cargos de deputados e senadores do estado, seus candidatos que não eram aqueles indicados por Ataliba. Na ocasião o Coronel Lista teria sido alvo de um atentado, com pronta reação num intenso tiroteio defronte à Câmara, com o saldo de três mortos e diversos feridos.
Tonico Lista sofreu um segundo atentado, aos 08 de julho de 1922, desta feita ferido de morte consumada na madrugada de 09 dos mesmos mês e ano, 'por hemorragia causada por tiro de revólver que lhe perfurou o estômago e os rins'.
"(...) Tonico Lista, na sua zona de mandonismo político, continuava a pontificar, poderoso e temível...até que, um bello dia, morreu varado pelas balas de um soldado da Força Pública. Foi, então, que as insígnias de chefe político, vagas com o desaparecimento trágico do saudoso Tonico Lista, passaram a ornar a jaqueta do sr. Ataliba Leonel" (Diário Nacional, 20/06/1930: 3, 'Uma história antiga... ', cujo autor a insinuar o Dr. Cardoso Ribeiro metido nos acontecimentos). 
O suspeito mandante Arlindo Crescêncio Piedade Filho, pelas combinações, pronunciado na Comarca foi despronunciado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

20. A vida pessoal e familiar de Lista
Dos familiares diretos do Coronel Lista são conhecidos os pais, a irmã e o marido desta, José Nestor de França. 
São descritos demais parentes, 'vindos da região mogiana', membros das famílias, Baptista, com representação em Afonso Celso; Baptista Bueno - destacados Ozório e Azarias; e Ferreira – cujo nome José Marciano foi o mais conhecido. Outros familiares e agregados também residiram em Santa Cruz do Rio Pardo e região. 
Lista fizera-se próspero comerciante e fazendeiro na região, cafeicultor maior, 'grileiro de terras' e exercente chefe político - visto bandoleiro pelos adversários, cognominado 'Ciganinho' (Rios, 2004: 87) - por imaginário uso de trajo tipo pala para esconder uma carabina, ou pelo o 'anticiganismo como sinônimo daquele que obra o mal'. 
Dizia-se que o pala era característica de vestuário usado por Lista para identifica-lo Chefe, de acordo com informe partidário municipalista publicado em 'A Ordem, de 21/04/1921'.
Ainda jovem Tonico Lista teve relacionamento com a meretriz 'Maria Antonia do Espírito Santo', dona de casa de prostituições, que entrou para história por estar ao seu lado, na fatídica noite de 10 de junho de 1892, quando Lista, em alegada e aceita legítima defesa por júri popular, assassinou um policial e feriu outro, ambos da Escolta da Diligência e Captura da Força Pública de São Paulo, de passagem por Santa Cruz. 
Tonico Lista casou-se com Dona Guilhermina Brandina da Conceição, viúva do Coronel João Baptista Botelho, no religioso aos 17 de julho de 1904 e no civil em novembro de 1913 quando "effectuou-se no dia 18 do corrente o acto civil do consorcio do cel. Antonio Evangelista da Silva, acatado chefe político neste municipio, com a exma. d. Guilhermina Brandina da Conceição" (Correio Paulistano, 19/10/1897: 3). O casal teve os filhos: 'João (1905), Rita (1907) e Alice (1909)'. O regime do casamento foi com total separação de bens (Escritura Pública de venda e compra de terras - Fazenda Douradinho que faz Antonio Evangelista da Silva à Mitra Diocesana de Botucatu, 01/08/1916: 1). 
Noticiários, denúncias e as tradições indicam que Tonico Lista sempre andou cercado de capangas; até sua mulher era acompanhada, desde os tempos do Coronel Botelho, por certo 'Luiz de Saia' - assim conhecido pelo hábito de usar aquele tipo de vestimenta em vez de calças, e bem escondia alguma arma de fogo e ou outra qualquer. 
No mês de fevereiro de 1922, o Coronel adquiriu imóvel residencial em São Paulo à rua Itambé (Correio Paulistano, 04/02/1922: 7), para onde transferiu sua família, permanecendo ele em Santa Cruz onde era o prefeito. Já residia na Capital desde 1921.
Lista vendera a maior parte dos seus bens, inclusa a Fazenda Mandaguahy, o que faz pressupor ideação em retirar-se do lugar, após cumprimento de mandato político. Por conseguinte, 'seria mero boato que Dona Guilhermina envolvera-se com o Juiz Arthur Mihich, por isto sua retirada do município'.
Dona Guilhermina, enviuvada, assumiu matrimônio com Victor Ressi, em São Paulo, sem deixar descendentes. Faleceu em Santa Cruz, com idade de 64 anos, aos 18 de junho de 1829, e seu óbito noticiado na Capital onde destacara-se figura proeminente na sociedade paulistana (Correio Paulistano 19/07/1929: 7).
Diante da magnitude usufruída em vida, Guilhermina morreu particularmente pobre, com apenas três prédios urbanos em Santa Cruz, um na Rua Benjamin Constant, e outro na Rua Emygdio José da Piedade, sendo ao fundo deste o terceiro imóvel à atual Rua Catarina Etsuko Umezu (Cartório 2º Tabelião de SCR. Pardo, Livro 113 – 1º Traslado, Folhas 164; gentileza de Benedicto Celso Severino Martins).
Dos descendentes reconhecidos as notícias são poucas. João, ou Joãozinho, morreu solteiro em Santa Cruz do Rio Pardo, por volta de 1986. Em sua juventude assassinou o primo Luis Besana, que tentava apartar uma briga sua.
As filhas, casadas, foram residir em São Paulo. Rita casou-se com Dr. Ataliba Piedade Gonçalves, e Alice contraiu matrimônio com o advogado Dr. Celso Vieira (Documentos cartoriais). 
Celso Vieira, filho de Pedro Augusto Vieira e Francisca Vieira, experimentou carreira política em 1933 candidatando-se a Deputado Federal - Constituinte, pelo Partido da Lavoura santacruzense, obtendo a 6ª Suplência da sigla (Annaes da Assembléa Nacional Constituinte, 1934: XVI). Ocupou cargos públicos, incluso Censor de Imprensa em São Paulo, sendo reconhecido orador e membro do Partido Constituinte; residiu por alguns anos em Santa Cruz, onde exerceu a advocacia, além de fazendeiro. No ano de 1950, outra vez sem sucesso, disputou vaga para a Câmara.
Carta publicada pelo semanário Debate, edição de 18 de março de 2012, revelou em Lisboa - Portugal, "Pedro Francisco do Valle Vieira Filho, nascido de Pedro Francisco do Valle Vieira, neto de Celso António Evangelista Vieira, bisneto de Alice Evangelista Vieira [casada com Celso Vieira] e, assim, trineto do Coronel Tonico Lista".

20.1. Um filho não reconhecido
Conjunto de memórias transmitidas oralmente indicam relacionamento amoroso entre o Coronel Tonico Lista e sua prima, 'Maria Rita da Conceição', nascida em Caconde (SP), filha de Manoel Coelho da Silva e Maria Balbina de Lima. 
Maria Rita aos vinte anos de idade, moradora com a família em Santa Cruz, engravidou-se do parente Lista nascendo-lhe Benedicto, aos 02 de julho de 1902. Tonico não reconheceu o filho, então 'natural de Maria Rita de acordo com o Registro Cartorial nº 2175, de 12 de julho de 1902, e Eclesial de Batismo nº 5878, de 12 de julho de 1902'. 
A jovem Maria Rita, em 1910 foi desposada por Gustavo José Marques, que aceitou Benedicto por legítimo filho. 
Do Gustavo José Marques, sabe-se, nascido em Conceição da Boa Vista - MG, no ano de 1864, filho de Manoel José Marques e Anna Luiza do Nascimento. Em Santa Cruz do Rio Pardo Marques, trabalhou como Fiscal da Câmara, do qual pediu demissão em janeiro de 1905 (O Progresso, 29/02/1905: 2); e seria partícipe político ou simpatizante do grupo 'sodrelista' (Correio do Sertão, 10/10/1903), proprietário de terreno urbano e Capitão da Guarda Nacional (A Cidade, 18/07/1926: 3). 
Benedicto trabalhou no Fórum de Santa Cruz do Rio Pardo, como Oficial de Justiça (DOSP, 25/01/1955), foi casado com dona Izabel Bueno Barboza e deixou por descendência a família Bueno Marques. Morreu em 1968, e deixou descendentes.
Cá e acolá noticiam-se outros possíveis procedentes de Tonico Lista fora do matrimônio.
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