domingo, 20 de dezembro de 2009

30. Assentamentos pioneiros

1. "As primeiras fazendas na região de Botucatu"
Foto representativa - derrubada de matas
para formações de fazendas. Do acervo
 de Luiz Carlos de Barros 
A listagem das primeiras fazendas e nomes dos proprietários (SatoPrado) não tem a pretensão em abranger a todos e nem ordem sequencial, sendo algumas identificações possíveis tão somente pelas citações, como divisantes, outras nem tanto. 
Também os autores voltam-se para as ocupações a partir do Turvo, desde as cabeceiras e do Pardo santacruzense, a partir de onde efetivamente o pioneiro-mor José Theodoro de Souza assumiu e estendeu suas posses.
—Para as fazendas botucatuenses, os autores SatoPrado citam e referencial a obra: 'As primeiras fazendas da região de Botucatu' (Pupo e Ciaccia, 2005), vide página em http://www.historiadebotucatu.com.br/livros/primeirasFazendas/indice/indice.htm), que serve de base para alguns dos registros em Razias - Assentamentos pioneiros.—

2. Às margens do Turvo entre São Domingos e o Bairro dos Lemes
Foram os primeiros posseiros e fazendeiros, pelo Rio Turvo, para o sertão propriamente dito de Theodoro, em algum tempo, vinculado a São Domingos, eclesial, jurídica e administrativamente:

2.1. Silvério Gomes dos Reis
Numa escritura de compra e venda de terras, datada de 20 de dezembro de 1845, Silvério Gomes dos Reis adquiriu de Dona Flávia Domitila Monteiro, viúva de Ignácio Dias Baptista, morto em 1838,
"(...) huns campos denominado Turvo e Mattas adjacentes ao mesmo campo no distrito d’esta Villa de...'(a vila é Itapetininga)'... em Sima da Serra de Botucatu (...), a qual parte sua divisa hé a seguinte = principiará nas cabeceiras do rio Turvo, por este baixo thé o ponto da matta onde se considera adjacente ao mesmo campo e por esta matta adiante thé entestar nas flardas do Serrote, e por este adiante athé a supra dita cabecceira do Turvo; ficando livre e d’esta venda qualquer parte que pertença a Invernada da Furquia" (Pupo e Ciaccia, 2005: 61 - D 2, das terras nos Campos do Turvo).—
Forquilha foi bairro rural próximo a São Domingos, para alguns estudiosos, desarrazoadamente, o primitivo nome de São Domingos, conforme o histórico sobre a escritura de doação patrimonial para Lucianópolis (CD: A/A).
Esta transação antecede o pioneirismo mineiro e a propriedade situava-se à esquerda do Rio Turvo. Posteriormente fracionada originou as fazendas de Francisco Silvério dos Santos, Manuel Nunes, José Luiz Corrêa [Correia], Justino Carneiro Giraldes, Sebastião Antonio da Silva, Francisco Esteves Dutra e José Joaquim Cesário.
O Gomes dos Reis foi para adiante, com a família, fixando-se no Ribeirão Vermelho, afluente do Alambari. 

2.2. Marcelino Antonio Diniz
O proprietário  identificado e sua mulher Maria Justina dos Santos venderam a Sebastião Antonio da Silva uma sorte de terras, conforme escritura de 10 de janeiro de 1850:
—"No lugar denominado Turvo Grande, principiando numa barra grande, seguindo pela direita até encontrar terras de José Joaquim, acima da barra do Tamanduá, e daí à esquerda, no rumo do espigão à esquerda, e então até as terras de Justino Carneiro, divisando com Pedro Dutra Pereira. À esquerda da passagem do espigão divisando com o supra disto Justino, daí segue a procurar o Ribeirão ... do veio da Água acima até passar o serviço que Antônio Alves Nantes fez para o comprador, divisando pelo lado direito com Albino de Tal, descendo por outro espigão até as terras de José Borges de Almeida, e pelo lado direito divisa com Joaquim Ferreira de Tal, e então desce pelo veio, divisando sempre com o senhor Borges de Almeida, até as terras de Antônio Romão da Silva, descendo a barra grande onde teve princípios esta divisa" (Pupo e Ciaccia, 2005: 113-114 E 1 Mapa E 1).—
As terras situavam-se à margem direita do Rio Turvo, entre os ribeirões Marimbondo e Água do Romão, limitadas pelas confrontações referidas. O Ribeirão Tamanduá tem sua barra à esquerda do Turvo.

2.3. Manoel Joaquim e Joaquim Manoel de Andrade
Conforme registro de compra e venda de terras, de 19 de dezembro de 1851, os irmãos Manoel Joaquim de Andrade e Joaquim Manoel de Andrade, adquiriram de Francisco Dias Baptista, filho de Ignácio Dias Baptista o Capitão Apiaí, à margem esquerda do Turvo: 
—"[Uma] Fazenda de Campos e Matas no lugar denominado São Domingos. Principiando da barra do Rio São Domingos, e por este acima, até as cabeceiras e daqui em rumo a procurar uma Fazenda que sai do Ribeirão da Forquilha, e por ela abaixo, até onde faz barra no Turvo, e por este abaixo, até encontrar a barra onde teve princípio esta divisa" (Pupo e Ciaccia, 2005: 136 - E 30).—
Manoel Joaquim, posteriormente seguiu para Lençóis Paulista, onde fez história e morreu, enquanto Joaquim Manoel de Andrade rumou para Santa Cruz do Rio Pardo, tornando-se o mais importante nome do lugar. 
Os irmãos Andrade eram primos de José Theodoro de Souza - as mães eram irmãs, Bernardina Jesuína de Santa Catarina Maria Theodoro do Espírito Santo, respectivamente. 
A propriedade situava-se à margem esquerda do Rio Turvo.

2.4. José Joaquim Cesário
A propriedade de Cesário, à esquerda do Rio Turvo, vendida a Antonio Alves Nantes: 
—"(...) [cujas] divizas são as seguintes: principiando no veio d’água, acima divizando pelo lado direito com a Fazenda da Furquilha até a barra da Água da Anta, e ahi segue pelo veio desta até o espigão divizando com a mesma Fazenda, e segue pelo espigão do lado esquerdo divizando com Justino Carneiro Giraldes, até encontrar com as terras de Sebastião Antonio da Silva, e ahi desce espigão abaixo até encontrar com as terras de Francisco Esteves Dutra, desce pelo mesmo espigão abaixo até onde tem um pau du Brazil e um coqueiro, onde tem princípio esta diviza" (RPT/BT nº 133, 02/02/1856, retroativo a 1849, apud Nantes 2007: 77-78).—

2.5. Antonio Alves Nantes
Nantes foi, também, ocupante de um vão de terras "possuidas por posse effectiva feita no ano de mil oitocentos e quarenta e quatro" (RPT/BT nº 134, 02 de fevereiro de 1856, apud Nantes, 2007: 78), no lugar denominado Ribeirão do Barreiro, nas proximidades das nascentes do Turvo, do qual afluente, divisando com Francisco Silverio dos Santos, José Luiz Correa [Correia] e Manuel Nunes. 
A dita posse, à esquerda do Turvo, é divisa antecedente com aquela adquirida de José Joaquim Cesário pelo mesmo Nantes.

2.6. Jeronymo José de Pontes
Apropriou-se, originariamente, de terras às duas margens e vertentes do Rio Turvo, desde São Domingos até Espírito Santo do Turvo, sede de município, no sistema de posse articulada, repassando as terras a quem de direito, ou seja, histórico de anterioridade de domínio para adequar-se às exigências da 'Lei da Terra' (601/1850). 
Sem documento explícito que possa atestar, Pontes teria sido o repassador de terras até os limites do 'Correguinho da Porteira', divisando originariamente com José Theodoro de Souza.
Jeronymo José de Pontes foi casado com a irmã de José Theodoro de Souza, Justina Maria de Ramos, e sogro de José Theodoro de Souza Junior, o Theodorinho, filho do pioneiro-mor.

2.7. José Rodrigues da Silva
Rodrigues da Silva, adquiriu parte da propriedade de Jeronymo José de Pontes:
"Uma sorte de terras na paragem denominada Turvo. Principiando no Rio do Turvo, nas divisas de Francisco Dias Baptista, seguindo pelo espigão acima, até frontear as cabeceiras das Águas, sempre divisando com o mesmo Baptista, cercando as Águas, até encontrar terras de Antonio Vicente de Lima, e daí desce, procurando o mesmo Rio Turvo, num Barreiro Grande, e daqui segue rio acima, até o lugar onde teve inicio esta divisa, divisando sempre pelo lado esquerdo com o mesmo Lima" (Pupo e Ciaccia, 2005: 129-130 E 20). A transação ocorreu em 26 de março de 1851.—
Aos 20 de fevereiro de 1854, Rodrigues da Silva adquiriu outra porção de terras do casal Jeronymo José de Pontes e Justina Maria de Souza Ramos:
"Principiando no Barreiro de Lima, no Rio Turvo, por este acima até a barra do Ribeirão do Campo, quebrando-se pelo Espigão da direita, e ao subir o rio, divisando com José Bernardino da Luz, subindo pelo mesmo espigão, divisando com Francisco Dias Baptista, cercando as águas que vertem para o Ribeirão da direita, divisando sempre com o mesmo Baptista, até divisar com Joaquim Manoel de Andrade, até o Corguinho do Barreiro, onde tem princípio esta divisa" (Pupo e Ciaccia, 2005: 151-152 - Mapas E-51.1 e E-51.2).—
As propriedades, originariamente continuadas e à direita do Turvo, abrangia o Barreiro, denominação atual, na região do ribeirão do mesmo nome.
Consta, ainda, o mesmo Rodrigues da Silva proprietário à esquerda do Rio Turvo: 
"(...) sorte de terras denominada fazenda da Boa Vista, situada no município de Espírito Santo do Turvo, desta comarca, e tendo uma parte na comarca de Agudos, fazenda essa que constituiu-se de todos os terrenos e vertentes do Ribeirão da Boa Vista, também por alguns chamado Ribeirão do Turvo, afluente da margem esquerda do Rio Turvo, e que confronta-se com os imóveis: Santa Barbara do Turvo, Capivary, Onça ou Boca do Campo e com o Rio Turvo" (DOSP, 05/02/1909: 396-397).—
A fazenda seria a antiga Santa Cruz da Boa Vista, cuja sede tornou-se bairro rural, atual Distrito de Domélia  localidade de Domélia, conhecida como Bairro Santa Cruz.

2.8. Joaquim Manoel de Andrade
Este Andrade adquiriu a Fazenda Santa Bárbara do Turvo, ou Santa Bárbara e Turvo, aos 20 de fevereiro de 1854, de Jeronymo José de Pontes e sua mulher Justina Maria de Jesus ou de Souza Ramos, "que estes haviam comprado de José Theodoro de Souza... na paragem denominada Turvo... até o Barreiro do Lima" (Pupo e Ciaccia, 2005: 151 - F 51; F 51-2).
A propriedade tinha as seguintes dimensões e confrontações:
"Principiam do Barreiro, sobem pelo Turvo acima divisando com os successores de Antonio Vicente de Lima, até o Barreiro de cima, daqui quebram à direita por um correguinho acima a rumo, divisando sempre com os successores do finado José Rodrigues da Silva, até as ultimas vertentes de ambas as cabeceiras que cercam esta pequena agua, até divisar com os successores do finado Francisco Dias Baptista - quebram outra vez à direita, divisando sempre com os successores do mesmo finado, até encontrar terras de quem de direito for, e dahi continuam a divisar com os successores de Antonio Vicente de Lima, até dar no Barreiro onde tiveram principio e fim estas divisas" (DOSP, 07/04/1906: 9-10; DOSP, 01/09/1906: 5-6).— 
Citado Joaquim Manoel de Andrade foi casado com Anna Rodrigues de Jesus ou da Silva, e tem nome e história confundidos, pelas tradições, com o homônimo líder santacruzense. 
—A correção somente foi possível com a revelação: "consta que Joaquim Manoel de Andrade deixou viúva sua mulher Anna Rodrigues da Silva ou de Jesus, ou seja, faleceu antes dela. Logo, seria impossível ele ter contraído novas núpcias" (Leite Barbosa, CD: A/A, pentaneto do casal pioneiro, conforme documentos oficiais apresentados a título de colaboração e correção de equívocos entre os homônimos Joaquim Manoel de Andrade).—
Joaquim Manoel de Andrade, citado, era primo de José Theodoro de Souza e de Joaquim Manoel de Andrade – destaque em Santa Cruz do Rio Pardo, posto as mães Mariana Rosa da Assunção, Maria Theodoro do Espírito Santo e Bernardina Jesuína de Santa Catarina, respectivamente, serem irmãs, conforme documentos apresentados por Luciano Leite Barbosa.

2.9. Manoel Antonio Pereira de Lima 
Pioneiro ligado a José Theodoro de Souza foi proprietário de terras às duas margens do Turvo, sendo à direita nas confrontações com Antonio Leme da Silva, da margem esquerda do Ribeirão dos Macacos e São Jerônimo, e Rio Turvo acima até as divisas com Joaquim Manoel de Andrade. À esquerda do Rio Turvo, o território entre a propriedade de José Alves de Lima, e o Bairro Santa Cruz da Boa Vista, atual Domélia.
Em 1853 Manoel Antonio Pereira de Lima doou terras para o patrimônio do Divino Espírito Santo para a formação da localidade de Espírito Santo do Turvo (Gonçalves Melo, 1999: 3), com registro de escritura aos 09 de dezembro de 1873, Livro 7-8 do Tabelião de São Domingos (Apud Gonçalves Melo, 1999: 4).
Seu principal ou mais conhecido herdeiro foi o filho José Antonio Vicente, também José Vicente de Lima ou José Antonio de Lima, em alguns documentos Pereira de Lima (DOSP, Judiciário, 21/09/1949: 19-20), proprietário da Fazenda dos Macacos ou S. Jerônimo.
A terras da Fazenda dos Macacos além das divisas de Espírito Santo do Turvo estão em território parte  de Paulistânia - antiga Bandeirantes.

2.10. Antonio Lemes ou Leme da Silva
Ajustou propriedade adiante de Manoel Antonio Pereira de Lima onde prosperaram dois bairros rurais, do Leme de Baixo e do Leme de Cima. 
Genericamente se pode dizer a propriedade do Leme entre o Córrego com aquele nome ao Rio dos Macacos, nas divisas com Manoel Antonio Pereira de Lima, à margem direita do Rio Turvo. 
Leme da Silva tem o seu nome entre os pioneiros de Espírito Santo do Turvo (Gonçalves Mello, 1999: 3). 

2.11. José Alves de Lima
Apossou terras confrontantes com José Theodoro de Souza (RPT/BT nº 516, 31/05/1856), desde o deságue do Córrego (Correguinho) da Porteira, rumo às divisas com José da Cunha, passando pelos espigões e fazendo limites às posses de Antonio Lemes da Silva, Manoel Antonio Pereira de Lima e José Antonio Pereira de Lima. 
O Alves Lima já estava morto em maio de 1856, de acordo com 'Registro Paroquial de Terras 516': "divisando com os herdeiros e meeira de José Alves de Lima".

3. No Turvo/Alambari
José Theodoro de Souza ao chegar à região do Pardo e Turvo, no mês de junho de 1851, estabeleceu alguns de seus homens em localidades estratégicas para os cuidados iniciais do sertão. As famílias deixadas em segurança nos centros próximos, como Araraquara, Botucatu, Brotas, Dois Córregos, Jaú e São Domingos, viriam depois.
O pioneiro dividiu o seu latifúndio em cinco grandes porções representadas pelas bacias do Pardo, Turvo, Rio Novo, Pari-Veado e Capivara, reservando a do Turvo, a partir dos ribeirões São João e São Pedro, para si, parentes e amigos mais próximos, e para além, no mesmo Turvo, distribuiu quinhões aos partícipes financiadores das conquistas, conforme combinações.
Ao mesmo tempo o território do Pardo sofreu divisões por aguadas, algumas postas a vendas e outras ocupadas por bugreiros. E o pioneiro procederia, à mesma maneira, em Campos Novos e depois nas demais regiões, uma após outra.
Considerados os acertos que dariam a formação primitiva oficial para o futuro território santacruzense, anotam-se desde logo os primeiros apossamentos, a partir da barra do Alambari, no Turvo, acercando-se das vertentes e contravertentes, inclusas as do Ribeirão Vermelho e o Ribeirão das Antas.
As transações de terras iniciaram-se em dezembro de 1851, pelas famílias nominalmente identificadas por algum membro representante, de acordo com a obra de Pupo e Ciaccia, "As primeiras Fazendas da Região de Botucatu" (2005), sem dúvidas, revelações de aspectos até então obscuros ou ocultos da história regional.

3.1. Messias José de Andrade
Natural de Aiuruoca – MG, filho de João Bernardino da Silveira e de Bernardina Jesuína, batizado aos 31 de agosto de 1813 (Aiuruoca, Livro de 1808/1816, Imagem 130), era irmão de Joaquim Manoel de Andrade, figura de destaque na sociedade santacruzense do século XIX. 
Messias casou-se aos 07/10/1833, com Maria Joaquina Pereira, filha de Manoel Pereira Balbão e de Mariana Esméria (Projeto Compartilhar, Cap. 4º Angela Pires de Moraes)Enviuvado, ainda na Província de Minas Gerais (Eclesial, Pouso Alegre-MG, Óbitos, 1830/1863 Imagem 109 data de 26/10/1840), casou-se com Anna Maria de Jesus.
Assentou-se à margem direita do Rio Turvo, na barra do Alambari, e por este acima em divisas com Gabriel Archanjo de Faria, até a barra do Ribeirão das Antas, onde o encontro com as terras dos Cardoso, de cujo lugar rumo à barra do Ribeirão Santa Clara – afluente do Turvo, à esquerda, e citado divisante com José Theodoro de Souza (RPT/BT nº 518, 31/05/1856). 
O óbito de Messias José de Andrade, ocorrido em São Domingos - sepultamento aos 05/abril/1873, traz o nome Messias Manoel de Andrade por erro de informação (SCRPardo, Livro 1856/1884: 60).

3.2. Manoel Alves dos Reis
Foi dono de terras divisas com Messias José de Andrade e José Theodoro de Souza (RPB/BT nº 518, 31/05/1856), além das confrontações com os Cardoso, no Ribeirão das Antas, e nas demais medidas com Gabriel Archanjo de Faria.
Reis teria, depois, ativa participação nas conquistas de terras adiante do Ribeirão do Capim, e na formação do bairro Dourado, atual território de Assis - SP.

3.3. Joaquim Antonio da Silva
Primitivo possuidor de terras no Ribeirão das Antas - Registro Paroquial de Terras lavrado em Botucatu aos 19 de abril de 1856, com as seguintes confrontações observadas em 1912:
"Começa na barra do Ribeirão da Peroba no ribeirão das Antas, segue pelo veio desse ribeirão acima até um Salto Grande e d'ahi, pelo espigão formado por dois corregos que se acham logo para cima do Salto até a serra, confrontando com uma outra fazenda das Antas [ilegível] Jose Mar [ilegivel] a esquerda pela serra, o espigão do ribeirão Vermelho até frontear a cabeceira do ribeirão da Peroba, confrontando com as fazendas Rio Feio e Ribeirão Vermelho, segue a esquerda procurando a nascente do Ribeirão da Peroba, e pelo veio desta agua abaixo até o ponto onde tiveram inicio estas divisas" (Cidade de Santa Cruz, 30/05/1912: 2).— 

3.4. Antonio Cardoso da Silva
Mais conhecido por Antonio Cardoso, posseiro no histórico 'Logar dos Cardosos', no início das divisas para o município de Santa Cruz do Rio Pardo, em 1872, "Principiando no rio Alambary, no logar chamado dos Cardosos, procuram o espigão e por este abaixo até frontear o ribeirão de Santa Clara" (Câmara Municipal de Lençóis Paulista, 07/11/1872).
A melhor descrição da propriedade foi dada pelo sucessor Manoel de Oliveira Cardoso, em edital de 1909:
—"(...) principia no ribeirão das Antas, e d’ahi sobre pelo espigão da Gralha acima, que contraverte com o espigão do ribeirão da Rosa até o alto encontrando o espigão do ribeirão Vermelho, dividindo com as terras d. Rosa de Tal, e depois dividindo com as terras de Telles Netto e Cia, sempre pelo espigão do ribeirão Vermelho, até o alto da serra dos Agudos, ahi comprehendo todas as vertentes e corregos e aguas affluentes do ribeirão das Antas e limitando-se com quem de direito sempre pelo cume da serra dos Agudos até encontrar as divisas das terras vertentes do ribeirão do Saiote, e descendo pelo espigão deste abaixo comprehendendo as terras da fazenda de Eduardo Porto, pelo espigão que contraverte com o corrego da Barra Bonita até o ribeirão das Antas, e d’ahi por elle abaixo até onde tiveram princípio estas divisas" (Cidade Santa Cruz, 18/09/1909: 3).—
São diversos os membros da família Cardoso citados fazendeiros na região do Alambari, Rio Vermelho e Antas.

3.5. José Luiz Correia Dutra
A família Dutra [Duttra] foi proprietária de terras no Alambari, na altura do Ribeirão das Antas. 
José Luiz Correia Dutra apossou e depois vendeu sua parte a Manoel Pereira [ou Ferreira] Nantes, aos 28 de dezembro de 1857, nas divisas com Joaquim Antonio da Silva, Manoel Pereira e Manoel Dutra Pereira (Pupo e Ciaccia, 2005: 248 - F 92 e Mapa).

3.6. Manoel Dutra Pereira
Apossou terras para a formação da Fazenda Corrente, principiando no Alambari, divisando com Antonio Cardoso da Silva: 
—"(...) pelo espigão acima até o alto da serra divisando com quem de direito for, até encontras com as terras de Manoel Pedro Nascimento, procurando as cabeceiras do corrego da Divisa, descendo pelo rio abaixo até fazer barra no Alambary, atravessando para o outro lado, a procurar o espigão que contraverte com as terras de Manoel Pedro e com o ribeirão da Porteira, subindo por este espigão acima até encontrar com a viuva do finado Silverio Gomes, sempre pelo espigão que contraverte para o Turvo e o Alambary, divisando com este abaixo o mesmo Antonio Cardoso onde teve inicio esta divisa, tudo de acordo com o competente registro" lavrado em Botucatu, aos 02 de abril de 1856, informando posse desde 1848 (DOSP, 27/07/1909: 8-9).—
O citado Córrego da Porteira, exceto prova documental em contrário, não é aquele mencionado pelo sertanista José Theodoro de Souza em sua posse nº 516, de 31 de maio de 1856.

3.7. Maria Thereza D'Ávila
Maria Thereza, viúva de Silverio Gomes dos Reis, aos 14 de agosto de 1857 alienou sua propriedade a Joaquim Antonio da Silva:
—"Principiando na barra do [Ribeirão] Vermelho, pelo veio do Alambary acima, até chegar ao espigão da barra das Antas, e por ele acima até as vertentes do Corgo do Cumbahy, sobe pelo espigão, até ganhar a cabeceira do Corgo da Onça, dividindo com Antonio Moreira da Silva rodeando e descendo pelo Espigão, divisando com Miguel Rodrigues de Moura, até o Ribeirão Vermelho, subindo pelo veio d’água, até o Espigão do Corgo do Carneiro, subindo, divisando com o mesmo Moura, pelo Espigão, até o alto, rodeando, divisa de quem de direito for, até encontrar divisa de Antonio Vicente, e descendo até o Alambary, subindo pelo veio, até onde teve princípio esta divisa" (Pupo e Ciaccia, 2005: 232 - F 74 e Mapa).—

3.8. Manoel Moreira da Silva
Deteve posses nas cabeceiras e vertentes do Córrego Cumbahy e do Córrego da Onça até o Ribeirão das Antas:
"Que as divisas do imóvel são as seguintes: principiando no rio Alambari, subindo espigão acima passando em Santa Cruz, divisando com José Joaquim Cesario, até o alto, e até cercar uma cabeceira que tem o ribeirão da Congonha e ahi divisa com Joaquim Braz e mais para baixo com Francisco Pires, mais para baixo com Joaquim Rosa e passando o ribeirão das Antas, subindo pelo espigão divisa com o mesmo Joaquim Rosa, até o alto e ahi subindo rodêa as cabeceiras do ribeirão da Gralha, com Miguel Rodrigues de Moura e pelo espigão abaixo até o ponto onde se fizer divisa até as Antas e subindo por ele acima até o espigão do córrego da Congonha, divisando com José Luiz Correia até o alto da serra e depois divisa pelo espigão abaixo até o Lambary, divisando com o mesmo José Luiz Correia até o alto e com Antonio Cardoso até o Rio Lambary, onde teve principio esta divisa" (DOSP, 05/05/1912: 1906).—
Valdeci Correa de Freitas, professor e historiador, no título 'Lucianópolis: sua terra e sua gente', destacou:
"O antigo Patrimônio de São Pedro das Antas, depois distrito Policial de Gralha e atualmente Lucianópolis, surgiu da doação de terras feitas por Manoel Moreira da Silva. A escritura de doação foi lavrada no ano de 1862 no cartório da extinta Freguesia de São Domingos (...)."—
Manoel foi casado com Francisca Romana de Jesus e, dentre filhos e filhas nasceu-lhes Antonio Luiz da Silva que se uniu em matrimônio com a prima Anna Severina de Jesus, ascendentes do coautor Celso Prado, lado materno.

3.9. Antonio Moreira da Silva
Teve terras no Córrego Cumbahy, em direção ao espigão, e no Córrego da Onça divisando com Silverio Gomes dos Reis – depois a viúva deste, Maria Thereza D’Ávila.
O Antonio Moreira da Silva, nascido em Alfenas, MG, em 1830, foi casado com Emerenciana Maria de Jesus, e faleceu em Conceição de Monte Alegre, hoje distrito de Paraguaçu Paulista – SP, no ano de 1901, conforme consta em Processo de Inventário, Matrícula sob nº 33, iniciado em 25 de novembro de 1902, no Juízo de Direito/Escrivão de Órfãos, Provedoria da Comarca de Campos Novos do Paranapanema. Foi casado com Emerenciana Maria de Jesus.
—Dentre os herdeiros mencionados em referido inventário consta a filha Anna Severina de Jesus, representada pelo primo/marido Antonio Luiz da Silva, cabeça do casal ascendente do coautor - lado materno.—

3.10. Joaquim Manoel de Andrade Junior
Andrade Junior citado em transação de 28 de dezembro de 1857, proprietário de terras divisantes entre o Turvo, margem direita, às proximidades do Alambari (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F 91 e mapa). 
Pela data da transação, Joaquim Manoel de Andrade Junior era o filho de Joaquim Manoel de Andrade e Anna Rodrigues da Silva, os pioneiros do Turvo.

3.11. Alexandre Theodoro Guarnier
Terras havidas por Guarnier em 1851, divisando com Joaquim Manoel de Andrade Junior e certo Miguel, na localidade à direita do Rio Turvo em direção ao Alambari, que foram vendidas a Hilário Leite da Cunha, aos 28 de dezembro de 1857 (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 - F 91 e Mapa).

3.12. Miguel de Tal
Citado posseiro, em 1857, acima da propriedade de Guarnier, de entremeio com o espigão Turvo/Alambari. 
Nada se sabia a respeito desse Miguel, senão a referência dada em 'As Primeiras Fazendas da Região de Botucatu' (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F-91).
Atualmente estudos apontam 'Miguel de Tal' para 'Miguel Francisco Soares', primogênito de Manoel Francisco Soares e dona Ignacia Porcina de Senne.


3.13. Joaquim da Eugênia
Outrora desconhecido na história santacruzense, Joaquim foi dono de terras divisas a Alexandre Theodoro Guarnier, em 1857 (Pupo e Ciaccia, 2005: 247 F-91).
Joaquim da Eugênia, assim distinguido por homonomia de seu parente, trata-se de Joaquim Francisco Soares, casado com Eugenia Maria de Jesus. 

3.14. Francisco de Souza Ramos e João Vicente de Souza
Irmãos de Theodoro, apossadores nas regiões de Caçador [Ubirajara] e partes do território que viria ser o Patrimônio dos Pintos por volta de 1.900, atualmente Ribeirão do Sul.
Não constam os citados irmãos na história de formação das localidades mencionadas, no entanto as divisas de Francisco de Souza Ramos constam no registro da grande posse do irmão Theodoro (RPT/BT nº 516, de 31/05/1856: fls 168-v), e a de João Vicente em outra anotação oficial (RPT/BT nº 520: 31/05/1856, fls 171-a).

3.15. Matheus Leite de Moraes
Nome fortemente ligado a José Theodoro de Souza, Leite de Moraes apossou terras desde a barranca do Rio [Ribeirão] São João "e rodeando as vertentes de um braço do São João até encontrar com terras de Francisco de Souza Ramos, até o veio do rio São João e por este acima até onde principia e finda esta divisa" (RPT/BT nº 519, 31/05/1856).

3.16. Gabriel Archanjo de Faria
Com presença documentada em Pouso Alegre no ano de 1832 (Livro Eclesial, Batismos), Faria beneficiou-se de latifúndio desde onde a margem direita do ribeirão São João, no município de São Pedro do Turvo, espigão e cabeceiras, divisando com Matheus Leite de Moraes pelas vertentes à direita do mesmo ribeirão até as fazendas de Messias José de Andrade e Manoel Alves dos Reis, nos ribeirões das Antas e de Santa Clara. 
O Registro Paroquial de Terras de nº 487 destaca sua propriedade:
—"(...) no barranco do São João, pelo lado direito do Rio, seguindo pelo espigão acima divisando com Mathias [Mateus] Leite de Moraes e rodeando as vertentes com quem de direito fôr atè encontrar com terras de João Albino de Moura, descendo pelo veio de uma aguinha abaixo até o Rio São João, e por este acima até encontrar com terras de Domiciano José de Andrade, subindo pelo espigão acima do outro lado do rio, cercando as vertentes com quem de direito fôr até encontrar com terras de João da Cunha, e descendo até o rio e por este abaixo a onde principiaram estas divisas" (RPT/BT 487, 30 de maio de 1856, Cidade de Santa Cruz, 08/09/1918: 2).—

3.17. João Albino de Moura
Teve terras divisas com Matheus Leite de Moraes, e com o latifúndio de Gabriel Archanjo de Faria, nas contravertentes do mesmo rio São João em direção ao Alambari. Tem seu nome incluso confrontante no Registro de Terras (RPT/BT 487, citado, de 30/05/1856).

3.18. João da Cunha
Possuiu propriedade do outro lado do Ribeirão São João, pelas nascentes e margem esquerda, confrontando-se com Gabriel Archanjo de Faria (RPT/BT nº 487, 30/05/1856).

3.19. Domiciano José de Andrade
Dono de uma fazenda na região do Alambari, permutada com Gabriel Archanjo de Faria, ficando a nova propriedade nas vertentes do Turvo, região denominada Turvo Grande, divisando-se com Manoel José de Jesus e Francisco Nunes, e vendeu parte desta propriedade, em 29 de janeiro de 1856, a Antonio Luiz de Andrade (Pupo e Ciaccia, 2005: 188-189 - F 16); e em 28 de maio de 1856, alienou a segunda parte a Manoel José de Jesus (Pupo e Ciaccia, 2005: 199-200 - F 27-A).
Sua identificação e propriedade constam na citada descrição da propriedade de Gabriel Archanjo de Faria (RPT/BT nº 487, 30/05/1856).

3.20. Outros nomes no Turvo/Alambari
Outros proprietários de terras no Turvo/Alambari constam em mencionadas escrituras como divisantes.

4. À margem esquerda do Turvo 'santacruzense'
Alguns posseiros ou adquirentes de terras, assumiram porções à margem esquerda do Turvo, adiante do Ribeirão de Santa Clara, região que, já em 1862, faria parte do território santacruzense:
—"As divisas combinadas com os moradores, e as mais apropriadas devem ser: Principiando na foz do rio Pardo com o Paranapanema, subindo este até frontiar em linha reta com o ribeiro Santa Clara, descendo este a entrar no Turvo, descendo este athe onde principiou a divisa" (ACMSP, Pasta de Documentos Avulsos para Santa Cruz do Rio Pardo – Carta do Padre João Domingos Figueira, 1864, documento resgatado por José Carlos Pereira de Souza).—
As dimensões, acrescidas, seriam ratificadas na oficialidade das divisas santacruzenses de 26 de outubro de 1872 (Câmara de Lençóis Paulista), e aprovadas por Ato Provincial de 09 de dezembro do mesmo exercício. 

4.1. José Manoel de Cuba 
Cuba aparece num documento datado de 23 de fevereiro de 1857, como proprietário de terras onde a denominada povoação 'Ribeirão dos Cubas', afluente do Turvo, ali fazendo divisas com Antonio Rodrigues dos Santos e Matias [de] Siqueira, sendo certo que a posse este último confrontava com a propriedade de Antonio Martins de Siqueira (Pupo e Ciaccia, 2005: 221-222 – F 56 e Mapa) . 
Antonio Rodrigues Santos e Matias [de] Siqueira repassaram suas terras a Manoel Joaquim Pereira e Carlos José de Ávila [D'Ávila], respectivamente, e estes a José Cordeiro de Godói, em cuja transação, documentada, o nome de Manoel Theodoro de Aguiar como procurador de D'Avila. 

4.2. Joaquim Gomes de Souza
Possuidor de propriedade no Ribeirão do Barreiro, entre os ribeirões dos Cubas e Jacutinga, vendido ao Joaquim José Botelho, no ano de 1867 (Cartório de Notas da Freguesia de São Domingos, Livro nº 3 - fls 78, em 29/11/1867, apud Luiz José Botelho e o Deolice Botelho, 'Genealogia e Reminiscências da Família Botelho, 1ª edição 2015: 93).

4.3. Manoel Francisco Soares
Não se sabe, com segurança, o primeiro posseiro da fazenda Jacutinga; ausências de documentos não permitem informações fidedignas. No entanto, protesto contra venda da 'Fazenda Crissiumal' (Correio Paulistano, 14/02/1892: 3), permite concluí-la parte da primitiva 'Fazenda Jacutinga'
Os mais antigos documentos apresentam a 'Crissiumal' originariamente propriedade de Manoel Francisco Soares em sociedade com João Rodrigues de Oliveira (DOSP, 01/09/1895: 14372-14373).
—Rafael da Silva Franco, antes de adquirir terras no Turvo santacruzense, vendeu uma fazenda em Rio Claro, no ano de 1854, cuja transação registrada em Limeira (SP) e citada pelo Professor Gustavo Pereira da Silva, do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná, artigo 'A dinâmica do enriquecimento paulista no século XIX: das origens à diversificação do capital da família Lacerda Franco', publicação Scielo: Estud. Econ. vol.45 no.2 São Paulo Apr./June 2015, http://dx.doi.org/10.1590/0101-4161201545244gps— 
A Jacutinga, como um todo, sofreu outras divisões postas à vendas como fazendas, partes para José Aleixo de Morais, Rafael da Silva Franco, Antonio Aleixo e Salvador Garcia, além das propriedades menores a exemplo da Fazenda de João Mariano ou Ribeiro da Silva, vulgo João Grosso (DOSP, 03-10-1922: 6400) herdeiros/sucessores, e outros, entre as vertentes do 'Córrego do Beato' e uma das cabeceiras descendo o 'Córrego das Pontesinhas'.
—Considera-se, por mêmores, que tais pequenas porções de terras tenham sido, originariamente, posse única assumida e depois, na década de 1890, repassada ao chefe beato, Chico Gago, para a sede do 'Contingente de Reação', e a parte sobrante dividida entre as famílias de místicos que se avizinhavam por trilheiras e pequenas pontes, daí as referências 'Beato e Pontesinhas', http://celsoprado-razias.blogspot.com.br/2009/12/chico-gago-revolucionario-mistico-ou.html—

4.4. José Aleixo de Morais 
Aleixo de Moraes [ou Moraes] adquiriu terras no Turvo e, em 16/01/1858, repassou-as por venda a Joaquim Lino ou Celestino Pimentel (Pupo e Ciaccia, 2005: 249 - F 93)confrontando com as propriedades de Rafael de Silva Franco, Antonio Aleixo e Salvador Garcia. 
—O comprador Lino Pimentel fora proprietário das fazendas Palmeira - adquirida de herdeiros e meeira de José Antonio Pereira, e a Vargem Grande comprada de João Teixeira Nepomuceno, ambas na região de Botucatu e repassadas, por venda, ao Tenente-Coronel Caetano Ferreira Godinho (Pupo e Ciaccia, 2005: 249 - F 94).—

4.5. Antonio José Pinto 
Proprietário da antiga 'Fazenda [da] Onça'. 
De acordo com documentos anexados em edital de citação aos condôminos, sucessores e herdeiros "a fazenda da 'Onça' foi aposseada em mil oitocentos e cinquenta e registrada em trinta de maio de mil oitocentos e cinquenta e seis, (...), por Antonio José Pinto" (DOSP, 11/08/1898: 7-8).
A fazenda, dividida em duas partes, por volta de 1855, teve uma delas colocada a venda e adquirida pelos compradores, José dos Santos a partir do espigão com as São Domingos e Crissiumal, ambas de Manoel Francisco Soares, sócio e ou sucessores, e fundos com Rio Turvo (DOSP, 17/05/1895: 8-9); Bernardo Tavares da Cunha que repassou sua aquisição a Cypriano Pedroso de Moraes, conforme escritura de compra e venda de 14 de abril de 1856 (Pupo e Ciaccia, 2005: 193 - F 22 e Mapa); e ainda a Rafael da Silva Franco, José Fernandes Negrão e Domiciano José Pedroso com os quais as confrontações de Cypriano.
A outra parte da fazenda foi vendida integralmente ao Capitão Antonio Teixeira Lopes, em 1º de março de 1860: 
—"(...) principiando na barranca do rio Turvo, divisando com a Fazenda das Perobas, dahi segue dividindo com esta fazenda, até encontrar as divisas da Fazenda São Domingos, dahi segue divindo com esta fazenda, até encontrar com as divisas da fazenda do Crissiumal, dahi segue dividindo com esta fazenda até encontrar com a fazenda de João Mariano, vulgo João Grosso, e de outros, até o rio Turvo, dahi segue por este rio até o ponto onde teve começo, abrangendo todas as vertentes do corrego denominado outrora do Beato e um veio, isto é, a metade de suas cabeceiras do corrego denominado das Pontesinhas, conforme sua escritura".—
As muitas fazendas advindas das sucessivas divisões da Fazenda Onça convergiam para dois bairros rurais: 'da Onça e Matão da Onça'.
Em 1909, Balthazar de Abreu Sodré, dono de parte da Fazenda São Domingos e quase totalidade da Fazenda Crissiumal, comprava terras na Fazenda da Onça e abarcava partes litigiosas aproveitando-se da ausência de herdeiros e sucessores, à mesma maneira como se tornara proprietários de outras fazendas.

4.6. José Botelho de Souza
A propriedade denominada Perobas ou Santo Antonio do Turvo pertencera, primitivamente, a José Botelho de Souza, falecido em 1875. O todo, repartido entre herdeiros e sucessores, recebeu diferentes denominações conforme as partes: Santa Izabel do Ipê, Gavirova, Santo Antonio e Estrela, além da própria Perobas.
No ano de 1894, os herdeiros, filhos e genros de José Botelho de Souza, foram representados por João Bonifácio Figueira - filho do Padre João Domingos Figueira, casado com herdeira Maria das Dores de São José, num acerto de dívidas do falecido com o parente Gabriel Botelho de Souza (Livro de Escritura nº 38: 9-91 do 1º Tabelião de Notas e de Protesto de Títulos da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo - SP, cópia gentileza de Luiz Botelho).
O pagamento da dívida com Gabriel Botelho de Souza, em 1894, deu-se mediante cessão de parte da fazenda herdada - 'Perobas'.
O médico, político e fazendeiro Dr. Francisco de Paula de Abreu Sodré adquiriu uma porção de 202 alqueires na denominada 'Fazenda Santo Antonio', divisando com o Coronel João Baptista, 'dono de outra parte Santo Antonio e da Fazenda Estrela', num total de 409 alqueires, todas informadas por José Amandio Sobral, Inspetor da Secretaria dos Negócios da Agricultura, do Comércio e Obras Públicas do Estado de São Paulo, 5º Distrito (Correio do Sertão, 07/02/1903: 1-2; 14/02/1903: 1-2).
O Dr. Sodré alienou a sua 'Fazenda Santo Antonio' ao Carlos Egydio de Souza Aranha, que a denominou Santa Gema. Posteriormente o Sr. José Maria Moreira de Moraes aquisicionou a Fazenda Santa Gema.
São conhecidas outras divisões do todo originariamente de José Botelho de Souza:
—'José Mathias de Almeida Barboza possuiu uma porção na denominada Santa Izabel do Ipê, iniciando-se no Turvo - margem esquerda, repassada a Arlindo Crescêncio Piedade e filhos, por penhora'. O quinhão de José Mathias confinava-se com a Fazenda Santo Antonio'.—
—'Joaquim José Pinto assumiu porção divisando e acompanhando, por um lado a partir do Turvo, com José Mathias de Almeida Barboza'.—
—'Mathias Fernandes de Camargo adquiriu parte do outro lado da propriedade de José Mathias Barboza, também a partir do Turvo'.—
—(Fonte: O Progresso, 14/10/1906: 3).—
    5. Apossamentos do outro lado do Turvo 
    Excluso o processo civilizacional pelo Rio Turvo, com características próprias e, também, voltadas para as regiões de São Domingos, Espírito Santo do Turvo e Santa Cruz do Rio Pardo, o avanço colonizador para São Pedro do Turvo, à margem direita do Rio Turvo, centra-se na pessoa do pioneiro José Theodoro de Souza, com as fazendas inaugurais, os primeiros divisantes e a formação do povoado Capela São Pedro.

    6. No espigão Pardo/Turvo e Pardo 'santacruzense' à direita

    6.1. Fazenda de José da Cunha
    José da Cunha assenhorou-se de terras assinaladas nas cercanias de São Domingos nas proximidades do bairro Santa Cruz [da Boa Vista], atual distrito de Domélia [Agudos], de José Rodrigues da Silva.
    A fazenda de José da Cunha consta no Registro Paroquial de Terras, nº 516, de 31 de maio de 1856, como divisante de José Theodoro de Souza.

    6.2. Fazenda Clarínia
    José Custodio de Souza, de Cabo Verde - MG, foi proprietário de terras no termo de Clarínia – Fazenda Santa Clara, associada à Fazenda Cocais ou Cocaes, por volta do ano de 1857, enquanto seu irmão, Domingos Pereira de Souza, adquiriu posses a partir de divisa comum, pelo espigão, em direção ao Ribeirão dos Cubas, desde as vertentes até a barra no Turvo (Souza, 2012: CD: A/A). 

    6.3. Fazenda Cachoeira ou Pica-pau (Picapau)
    Terras originariamente apossadas por José Bernardes Ferreira, atravessada pelo Córrego Cachoeira, de onde o nome Fazenda Cachoeira, e pelo caminho Santa Cruz/Espírito Santo do Turvo, divisando, entre outros, com as fazendas 'Mandassaia' e a 'Água do Pica-Pau' (DOSP, 20/12/1910: 4059-4060).

    6.4. Fazenda Três Ilhas
    De João Vieira Teixeira e Silva, que provou ter posse primitiva e com morada habitual no lugar, entre os ribeirões Água Limpa e Pica-pau, desde as nascentes com fundos para o Rio Pardo, nas divisas com a Fazenda Cocaes (Correio Paulistano, 19/04/1891: 2).

    6.5. Fazenda Crissiumal
    Propriedade de Manoel Francisco Soares em comunhão com João Rodrigues de Oliveira, 1855, cujas divisas "principiando no ribeirão da Lontra (...) abrangendo as vertentes do Crissiumal (...) e a divisar com a fazenda São Domingos (...)" (DOSP, 01/09/1895: 14372-14373). 
    O edital informa a primeira transação da fazenda, por volta de 1855; e o Ribeirão da Lontra é o atual Córrego da Boa Vista.

    6.6. Fazenda Santa Cruz/São Domingos
    No ano de 1895, já subtraídas as partes genericamente adiante do Ribeirão São Domingos e doações ao patrimônio da Santa Cruz, encontra-se o declaratório de venda da Fazenda São Domingos, por volta de 1855, de Manoel Francisco Soares aos fazendeiros Ignácio Fernandes Garcia e Cyrino Pinto da Fonseca, principiando abaixo da estrada Santa Cruz/Espírito Santo do Turvo - altura das atuais ruas Conselheiro Saraiva com a Euclides da Cunha, daí rumo ao ribeirão e atravessá-lo para seguir divisa com as terras de Faustino Machado de Oliveira (DOSP, 17/05/1895: 8-9), prosseguindo até encontrar com os limites da Fazenda Onça.
    Limitando-se com o mesma Fazenda Onça, a São Domingos rumava às divisas com a Fazenda Crissiumal e, daí, a procurar o ribeirão da Lontra [Água Boa Vista] (DOSP, 17/05/1895: 13584-13585). 
    Parte da fazenda foi doada ao patrimônio da Santa Cruz, portanto, administrada pela Igreja para formar a 'Capela de Santa Cruz do Rio Pardo', depois distrito, sede do município e cidade de Santa Cruz do Rio Pardo. 

    6.7. Fazenda do Ribeirão de São Domingos 
    Faustino Machado de Oliveira apossou terras do outro lado do Ribeirão São Domingos, divisando, em extensão, com a Fazenda São Domingos, de Manoel Francisco (DOSP, 17/05/1895: 8-9), assim observado por volta de 1855, sem pormenores quanto a exata largueza pelo Pardo.
    O posseiro repartiu logo sua propriedade em fazendas menores, colocando-as a vendas. Parte das terras foi adquirida pela família Garcia, ou Garcia de Almeida (Correio Paulistano, 08/02/1906: 5, edital de venda pelo 'bauruense' Dr. Ismael Marinho Falcão).
    De João Paulo Garcia, o casal José dos Santos Coutinho e Rita de Sene (Senne), genro e filha de Manoel Francisco Soares e Ignácia Porcina de Sene, adquiriu sorte de terras, doando vinte alqueires ao Patrimônio do Santo Antonio, conforme escritura lavrada em São Domingos (Livro de Notas, nº 3, fls. 59-v a 60-v, aos 09 de março de 1868, consoante 1º traslado pelo Tabelião da então Santa Bárbara do Rio Pardo, aos 04 de dezembro de 1891).
    Joaquim Pio da Silva, em algum tempo, alienou fração da antiga posse de Machado de Oliveira (Mapa do Patrimônio de Santo Antonio, 1900), denominada Fazenda Monjolinho, depois dividida em três porções conhecidas, uma repassada ao Coronel João Baptista Botelho - atual Vila Fabiano e adjacências, outra a Mathias Ban, cujas posses abrangiam a Fazenda São Domingos, e o que restou ao Joaquim Pio denominou-se Fazenda União.
    Mathias Ban, nos anos de 1950, optou fracionar parte de sua aquisição para formar o loteamento urbano Vila [do] Matias.
    Ainda, de uma parte da fazenda de Faustino Machado de Oliveira formou-se a conhecida Fazenda Santa Cecília, atual Jamaica.
    A título de conhecimento, Faustino Machado de Oliveira e sua mulher Maria Joaquina dos anjos foram proprietários de terras na região de Brotas, vendidas a João Alves de Mira, em 15 de novembro de 1854 (DOU, 09/05/1892: 12-13).

    6.8. Fazenda Salto da Boa Vista/Ribeirão Grande
    A denominada Fazenda Salto da Boa Vista foi posse de Joaquim José Martins, à margem direita do Rio Pardo. O domínio, em algum tempo, teve continuidade do outro lado do Pardo acompanhando o Ribeirão Grande, por isto o nome composto, Fazenda Salto da Boa Vista/Ribeirão Grande.
    Manoel Francisco Soares adquiriu referida fazenda e a repassou, por venda, ao Padre João Domingos Figueira em 1861/1862 (DOSP, 19/03/1898: 23.174).

    6.9. Fazenda São José do Rio Pardo
    Francisco Rodrigues de Freitas houve de José Theodoro de Souza, uma porção de terras com as medições e confrontações dadas em 1908, correspondentes a duas partes do todo primitivo:
    —"Principia na margem direita do rio Pardo, limitando-se com a fazenda o 'Embiraçú', dahi segue até dividir com a fazenda das 'Tres Barras'; dahi segue dividindo com esta fazenda, até dividir com a fazenda da 'Agua Branca'; dahi segue dividindo com esta fazenda, até dividir com a fazenda da 'Barra do Turvo'; dahi segue dividindo com esta fazenda, até dividir com a 'Água da Furna'; dahi segue até dividir com a fazenda denominada 'Poção de Baixo', dahi segue dividindo com esta Fazenda, até dividir com a Fazenda do major Firmino Manoel Rodrigues, depois o rio Pardo; dahi segue dividindo com esta fazenda até a margem esquerda do rio Pardo; e dahi atravessando este rio, até o ponto onde tiveram começo (...)" (DOSP, 16/02/1908: 451).—
    —A fazenda de Firmino era conhecida por Ribeirão Grande de São José (Correio do Sertão, 26/04/1902: 2).—
    A terceira parte originou as fazendas de Joaquim José Martins, João Rodrigues de Oliveira, Joaquim Manoel de Andrade, Francisco Ignácio Borges e Manuel da Silva, este nas confrontações com a Fazenda Furnas – atual região de Ourinhos, onde os limites formados com os antigos proprietários entre os quais, Dona Maria Valéria; certo Francisco; Antonio Graciano e Escholastica Melchert da Fonseca - viúva de João Manoel da Fonseca Junior, conforme edital expedido pelo Juízo da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo de 20 de novembro de 1911, onde exequente Jacintho Ferreira e Sá (A Ordem, edição de 25/11/1911: 2).

    6.10. Fazenda do Embiraçu
    A Fazenda do Embiraçu ou 'Imbiruçu/Imbiriçu' iniciava-se a partir das divisas com a Fazenda São José do Rio Pardo e partes da Fazenda Água das Pedras, abrangendo o Córrego do Imbiraçu [Embiraçu] (DOSP, 16/02/1908: 451).
    O nome da fazenda deu-se pela quantidade de 'paineiras do cerrado', então comum naquela região, de cujos frutos extraíam-se a lanugem para encher travesseiros, almofadas, colchões e acolchoados. 
    O português Joaquim Alves da Silva, morador em Machado (MG) teria adquirido 2.090 alqueires de terras por cinco mil contos de réis, em parte da Embiraçu, sob a garantia de terra boa. Chegou com a família em 1864 e, "Ao descobrir um cerrado, onde é hoje o Posto Cruzadão [Rodovia Orlando Quagliato Km 16], recebeu de volta 500 mil réis" (Família Santos Silva, Encontro, 2000: 2).

    6.11. Fazendas na região de atual Salto Grande 
    Euzebio (Eusebio) da Costa Luz teve posse primária de terras entre as barras do Pardo e Ribeirão dos Bugres, parte do atual município de Salto Grande, abrangendo espigão e vertente do Paranapanema paulista (Pupo e Ciaccia, 2005: 228 F 68). 
    Ainda no local, presente José Francisco de Mendonça "nas margens do Paranapanema, que José houve por posse, há 3 anos, mais ou menos (c. de 1851). Divisando pelo veio da Água com Euzebio da Costa Luz (...) e por cima, na frente do Espigão, com João Mariano" (Pupo e Ciaccia, 2005: 163, E 65). 
    O casal Joaquim José Garcia e sua mulher Anna Vicencia da Fonseca houve terras do pai de Anna Felisberto Rodrigues do Valle, em partes no Ribeirão dos Bugres, aos 12 de agosto de 1856 (Pupo e Ciaccia, 2005: 20 F 33).

    7. Entradas pela margem e vertentes do Pardo à esquerda

    7.1. Fazenda Mandaguahy 
    À margem esquerda do Pardo assentou-se Francisco Martins de Azevedo, desde o Mandaguay pelo divisor do Ribeirão Dourado, à direita, e Ribeirão do Lajeado à esquerda, até o espigão do Pardo com o Paranapanema. 
    No dito lugar Francisco Martins de Azevedo fez posse primária retroagindo data para adequação à legislação vigente, conforme Registro Paroquial de Terras lavrado na então Vila de Botucatu, aos 31 de maio de 1856, "nos termos com as disposições da antiga Lei de terras nº 601, de 18 de setembro de 1850 e de respectivo Regulamento nº 1318 de 30 de janeiro de 1854 ..." (Juízo de Direito da Comarca de SCR. Pardo, edital de 30/10/1903, apud Correio de Sertão, 21/11/1903: 3). 
    Francisco Martins de Azevedo e sua mulher Guilhermina Claudia de Oliveira repassaram a propriedade a Francisco José Paulino, com documentação de compra e venda datada de 03 de março de 1861.
    Consta, a seguir, em documento de 29 de dezembro de 1862 que Francisco José Paulino e sua mulher America Maria de Jesus, alienaram sua propriedade, por permuta, a Francisco Ignácio Borges e sua mulher Anna Rosa de Oliveira, com as seguintes confrontações na vertente do Rio Pardo que:
    —"Principiam na barra do Ribeirão do Mandaguay no Rio Pardo, subindo pelo veio do dito Ribeirão acima até à primeira barra, que é a barra do Ribeirão da Barra Funda, atravessando o ribeirão do Mandaguay, procurando e abrangendo os espigões que vertem para ambos os lados do ribeirão do Mandaguay até as suas ultimas cabeceiras, dahi torcendo à esquerda, cercando cabeceiras e vertentes do Córrego do Meio, hoje conhecido por Corrego da Barra Suja, e dahi descendo pelo espigão que faz contravertente com o ribeirão do Dourado, dividindo com Joaquim Cardoso e outros, até o rio Pardo, e dahi descendo por este Rio abaixo, até a barra do ribeirão do Mandaguay, onde tiveram principio estas divisas ..." (Juízo de Direito da Comarca de SCR Pardo, apud Correio do Sertão, 21/11/1903: 3).—

    7.2. Fazenda do Lageado ou Lajeado
    Salvador Ortiz de Oliveira foi posseiro de terras adiante das cabeceiras do Ribeirão do Lageado [Lajeado], no lugar denominado Córrego Salvador Ortiz, abrangendo as vertentes de ambos os lados até o Rio Pardo, sendo aquele acidente mencionado diviso com então criado Distrito de Mandaguahy (DOSP, 18/08/1905: 1). 
    Ao todo, onde inclusa a propriedade de Ortiz, desde 1895 deu-se a denominação Lageado.
    Ortiz tem registro histórico no sertão em 1858 atestados por assentos eclesiais da Igreja Católica Apostólica Romana para Santa Cruz do Rio Pardo (https://familysearch.org/); depois adquiriu terras de José Theodoro de Souza, em atual município de Paraguaçu Paulista, em 1867, como o primeiro a adquirir terras naquela região (http://celsoprado-razias.blogspot.com.br/2009/12/razias-dos-ortiz-de-oliveira-e-caetano.html).
    Na Lei Provincial nº 51, de 11 de maio de 1877, que decidiu as divisas municipais de Santa Cruz do Rio Pardo, estava a Fazenda Barra Grande, de propriedade do Capitão Mattosinho, pelo ribeirão Barra Grande até a barra do ribeirão do Óleo, compreendendo todas as suas vertentes, daí à esquerda pelo espigão, seguindo as divisas da Freguesia de São Sebastião do Tijuco Preto, atual Piraju, até frontear a barra do rio Itararé no Paranapanema. 
    A Fazenda Barra Grande tornou-se Fazenda Lageado (Lajeado), propriedade do mesmo Capitão Mattosinho (DOSP, 24/04/1895: 13359), território atualmente integrado ao município do Óleo.
    Ainda em 1890 as famílias e os agregados de Salvador Ortiz de Oliveira e de Antonio Soares Monteiro residiam no lugar, além de Francisco Ignácio Borges, Egydio Martins, Silveira e Andrade ([D]AESP, Alistamento de Eleitores, Santa Cruz do Rio Pardo, 1890).  
    O território do Lageado pertence, atualmente, ao município do Óleo.

    7.3. Fazenda [do] Óleo
    Consta a Fazenda do Óleo como propriedade primária de João Alves Braga, no ano de 1852 (DOSP, 17/05/1896: 10).
    Alves Braga vendeu a fazenda, em partes iguais, a Joaquim Marques do Valle e a Joaquim Luiz Dutra, sabendo-se, por citação:
    "Que as divisas da fazenda do 'Óleo' sempre respeitadas desde 1852, são as seguintes: Principiando no primeiro Salto, no logar denominado - Barra Grande e seguindo pelo veio da Água acima do lado direito, divisando com tres florestas, constando de tudo quanto vérte até divisar com Daniel (ou seus successores) e seguindo pelo espigão abaixo até a dita Barra Grande e por ella - abaixo divisando com Antonio Pedro (ou seus successores) até onde tiveram principio estas divisas" (DOSP de 17/05/1896: 10).
    O Decreto Estadual número 205 de 06 publicado em 14 de junho de 1891 (DOSP), que cria o distrito de Paz do Óleo, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, informa a Fazenda Novo Niagara como propriedade do Dr. José Alves de Cerqueira Cesar, político perrepista, que ocupou o governo paulista, e pelos menos seus filhos Julio, José Alves e Bento residiram em território santacruzense.
    As terras da outrora Fazenda do Óleo estão inseridas no município de igual nome. 

    7.4. Fazenda Douradão
    Um vão entre posses de terras correspondentes às fazendas Mandaguari, Óleo, Lageado e Ribeirão Grande ou Salto da Boa Vista, foi assumido por Francisco Fernandes, nas cabeceiras do Douradão ou Água de Chico Fernandes, e Joaquim Pereira nas vertentes até a barra da água de Joaquim Pereira, aonde seria erguido um bairro rural por nome Douradão.
    Em 1879 chegava à região o comprador de terras Manoel Joaquim de Lemos, vindo de Avaré, e que por lá se fixou, fracionando a propriedade para vendas e, assim, atrair interessados em estabelecer fazendas para as primeiras grandes lavouras e criação de gado. Lemos teria doado uma porção de terras, cinco alqueires, para a expansão do bairro (Biblioteca IBGE: Bernardino de Campos - SP).
    Com o anúncio da passagem da Estrada de Ferro as famílias deixaram o Douradão e se transferiram para a Figueira, aonde seria a gare, que se tornou Bernardino de Campos.

    7.5. Fazenda do Pires
    O capitalista e arquiteto José da Costa Allemão Coimbra, em 1857, adquiriu de Francisco de Paula Moraes, genro de José Theodoro de Souza, uma gleba de terras à margem esquerda do Rio Pardo (DOSP, 18/09/1909: 4310-4311). 
    A citação de 1909 revelava as dimensões da propriedade, atualizada com os novos divisantes proprietários: 
    —"Principiando na barra do Rio Pardo, dividindo com Silvestre de Andrade, dahi segue pela linha de perimetro da divisão, passa o rio por Tolle Irmão e Comp, na qual, além de Henrique Hardt e outros, foi condonimo o mesmo Silvestre até encontrar as divisas da sorte de terras pertencente a Delfino de tal, já fallecido, e outros, entre os quaes Luiz Marciliano da Silveira e Joaquim Ricardo Marques; dahi segue dividindo com essa sorte de terras, até encontrar as divisas da sorte de terras pertencente aos herdeiros ou successores de Delfino da Cunha, fallecido e outros; dahi divizando com essa sorte de terras, segue até encontrar as divisas da fazenda Boa Vista, de propriedade de D. Guilhermina da Conceição; dai, divizando com esta fazenda, segue até encontrar a linha de perimetro da divisão da fazenda Barreirinho, promovida pelo coronel Antonio Martins de Oliveira; dahi segue pela linha do perimetro desta fazenda até encontrar, cercando as cabeceiras do 'Ribeirão dos Pires', a linha do perimetro da demarcação e divisão a fazenda 'Figueira', promovida por Antonio Rabello; dahi segue por essa linha até o Rio Pardo, abrangendo uma pequena agua com todas suas vertentes que existe para baixo da barra do Ribeirão dos Pires, dahi segue Rio Pardo acima até o ponto de partida".—
    Allemão Coimbra, muito rico e com outras atividades, deixou nesta fazenda o agregado Francisco Pires de Souza, "que desde na maior parte das águas foi morar" deu-se ao lugar a denominação 'Água dos Pires' (DOSP, 18/09/1909: 4310-4311). Allemão Coimbra também adquiriu a Fazenda Coimbra - atual município de Ibirarema. 
    Em 1863 o proprietário colocou ambas as fazendas a vendas, conforme publicações no Correio Paulistano (01/08/1863: 3 e outras edições), e sem concretizar negócios empreendeu viagem para a Europa, porém vindo a falecer em África os bens ficaram para sua viúva, meeira e herdeira e aos descendentes, à exceção de Henriqueta da Costa Allemão Coimbra e herdeiros - residentes no exterior, que então repassaram a 'Água do Pires' à empresa Alves de Azevedo e Companhia, e deu-se longa disputa judicial com o agregado Francisco Pires de Souza. 
    No ano de 1921 o hebdomadário 'Cidade de Santa Cruz' anunciava: "Fazenda dos Pires - (Villa Zerrener) - Comunico aos pretendentes que já estão sendo cortados pelo agrimensor os lotes de terrenos da fazenda dos Pires e que restam poucos à venda. Americo França Paranhos." (edição de 13/03/1921: 6).
    Os lotes ofertados eram datas, chácaras e sítios, destacando-se proprietários Albino Trevisan - nome agregado à história santacruzense, e Francisca de Assis Schramm - a viúva citada em Edital do Juízo de Direito da Comarca de Santa Cruz do Rio Pardo (A Cidade, Ano XIX nº 264, 22 de abril de 1928: 3).
    Zerrener ou, mais propriamente 'Zerrener - Bülow e Cia', de sociedade entre o dinamarquês Adam Dimitrik von Bülow e o alemão João Carlos Antônio Frederico Zerrenner - por abrasileiração, atuava no ramo de exportação de café, especulação imobiliária e exploração capitalista, bastante conhecida por assumir o controle acionário da 'Cervejaria Antarctica [Antártica]'.

    7.6. Fazenda Salto da Boa Vista
    O conhecido Capitão Martinho Dias Baptista Pires requereu regularização de parte de terras adquiridas de Luiz Antonio Rodrigues, situada dentro da gleba denominada Fazenda Salto da Boa Vista, também conhecida por Fazenda Ribeirão Grande, ou Fazenda do Padre. 
    Assim constam as descrições referentes à Fazenda Salto da Boa Vista, que:
    —"A) pertenceu outr'ora a Joaquim José Martins e a sua mulher [Maria Francisca da Conceição], os quaes, conforme se vê do documento sob numero seis, venderam-na a Manoel Francisco Soares. B) Que Manoel Francisco Soares e sua mulher, conforme se vê do documento sob numero cinco, por sua vez venderam dita fazenda ao padre João Domingues Figueira. C) Que por fallecimento do padre João Domingos Figueira foi a mencionada fazenda avaliada pela quantia de dez contos e quinhentos mil réis, conforme se vê do documento número quatro, e partilhada entre os herdeiros legatarios seguintes: João Bonifacio Figueira; Manoel Gomes Nogueira, por cabeça de sua mulher Bemvinda Carolina do Espirito Santo; Luiz Antonio Rodrigues, por cabeça de sua mulher Mariana Rosa do Amor Divino, documento numero tres; José Joaquim Gomes, por cabeça de sua mulher Maria Innocencia da Conceição; José Chrisante Figueira, hoje mais conhecido por José Baptista; Antonio Emilio Rodrigues, tambem hoje mais conhecido por Antonio Baptista, e Rosalia de Tal. D) Que as divisas da fazenda sempre respeitadas por todos, desde mil oitocentos e cincoenta e seis, são as seguintes: - Principiando na [nesta] comarca de [no] Salto da Boa Vista, para o lado direito, subindo a rumo até o espigão até vencer o alto, fazendo divisa com José Ferreira Pinto, fazendo quadra, descendo pelo espigão abaixo até confrontar entre meio da barra e do Salto do Dourado, descendo a rumo, atravessando o Rio Pardo, sóbe o mesmo rumo até vencer o alto, dividindo de um lado e outro do Rio Pardo com João Baptista Negrão, subindo sempre pelo meio do espigão, ficando comprehendidas todas as vertentes para o ribeirão das Pitangueiras, descendo pelo espigão abaixo até o Rio Pardo, divisando com José Ferreira Pinto, atravessando o rio Pardo até onde tiveram principio estas divisas, conforme se vê dos documentos numeros cinco e seis" (DOSP, 19/03/1898: 6).—
    O Capitão Martinho Pires, no início do século XX, colocaria à venda sua fazenda – parte dos Pires e do Salto Bonito.

    7.7. Fazenda (Sesmaria) das Antas 
    O sertanista, Tenente Urias Emygdio Nogueira de Barros (1790-1882), "foi senhor das seguintes sesmarias: (...); Rio Verde, na Faxina; Antas, em Lençóis, onde hoje está a povoação da Ilha Grande no município de Santa Cruz do Rio Pardo (...)" (Leme, 1905: 403 - Volume VI). Herdou-as do avô materno, José Monteiro de Barros.
    Vistas considerações históricas, tais sesmarias foram outorgadas em 30 de abril de 1725 e 9 de dezembro de 1725, respectivamente, a Luiz Pedroso de Barros, com propósito de povoamento e desenvolvimento da agricultura e criação. As terras foram repassadas a José Monteiro de Barros, avô materno de Urias.
    Estima-se, para a Sesmaria das Antas, extensão de três léguas de terras dentro dos atuais limites de Ipaussu até Chavantes, Distrito de Irapé (Tapi'irape – Caminho das Antas), com largura de uma légua a partir da margem paulista do Paranapanema.
    A região tornou-se porção da grande posse de José Theodoro de Souza (DOSP, 03/08/1909: 23-24 referências), antes de ser repassada a fazendeiros compradores.
    Por volta de 1860 estabeleceram-se na região, mais propriamente para Ilha Grande - Ipaussu, João Antonio Justino, vulgo João dos Santos, e João Correa de Miranda, [em alguns registros com o nome João Corra de Miranda - provável erro ortográfico], e deram início à história de Ilha Grande, depois Ipaussu.

    7.8. Fazenda Cachoeira 
    A Fazenda Cachoeira, Cachoeirinha ou Igarapé da Cachoeira, originou-se do desmembramento da grande posse do bandeirante José Theodoro de Souza, parte onde outrora a Sesmaria das Antas.
    No ano de 1887 uma porção foi adquirida por João Ignácio da Costa Bezerra, negociante em São Sebastião do Tijuco Preto - Piraju (A Província de São Paulo, depois 'O Estado de S. Paulo' - 'Estadão', 30/10/1883: 1), e outras por João Francisco Machado, Joaquim Custódio de Souza e mais famílias, para se formar um povoado, visto em 1900 como Santana da Cachoeira, mas já conhecido como Irapé, corruptela de Caminho das Antas. Custódio de Souza foi o doador de terras para o patrimônio.
    O bairro em 1909 teve reconhecimento oficial como Distrito de Paz, sob o nome Irapé, no município de Santa Cruz do Rio Pardo, com previsão de ali passar a estrade de ferro, todavia, pelas dificuldades topográficas, se construiu uma gare, dita provisória, alguns quilômetros atrás denominada 'Chave antesque, efetivada, se tornou Chavantes.

    7.9. Fazendas Jacu, Furnas, Paredão e Chumbeada
    Os avanços pelo Paranapanema, notoriamente entre 1850 e 1851, atingiram a região de Ilha Grande – Ipaussu, com João Antonio Leal, que permutou sua propriedade  "no lugar denominado Ilha Grande, nas margens do Paranapanema", com o posseiro João da Cruz Pereira dono de "Uma sorte de terras na barra do rio Itararé, que houve de Vitoriano Garcia" (Pupo e Ciaccia, 2005: 168 - Mapa  E 72, 30 de dezembro de 1854).
    Na mesma região de Ilha Grande (Ipaussu) na parte compreendida entre o Rio Paranapanema e o espigão, em direção à atual Ourinhos, consta a "fazenda denominada Jacú sita no districto de paz de Ilha Grande e faz parte da grande posse feita por José Theodoro de Sousa, em mil oiticentos e cincoenta e quatro (...). Que a fazenda 'Jacú' divide com o rio Paranápanema de um lado, de outro com a fazenda 'Furnas', e de outro com as fazendas 'Paredão' e 'Chumbiada'-" (DOSP, edição de 03/08/1909: 23-24). 
    Partes das mencionadas fazendas situavam-se divisas ou mesmo inseridas na antiga Sesmaria das Antas, inclusas na posse maior de José Theodoro de Souza (RPT/BT nº 516, 31/05/1856), sendo a Fazenda Furnas também conhecida por Salto do Turvo e chegava à margem esquerda daquele rio, acima de sua barra no Pardo, nas divisas com o já citado Manuel da Silva, ou seja, parte da antiga Fazenda de Faustino Machado de Oliveira. 
    Em 1882 o Coronel Francisco Dias Baptista requeria "processo  de medição de terras no lugar denominado Salto do Turvo, no districto de Santa Cruz do Rio Pardo" (Correio Paulistano, Atos da Presidência da Província de São Paulo, de 04 e publicado aos 08/03/1882: 3).
    A Fazenda Jacú, após fracionamento e das transmissões 'intervivos e causa mortis', pertenceu parte ao fazendeiro Joaquim Antonio Graciano e sua mulher Maria Sabina de Jesus, conhecidos doadores de terras para a formação de Jacarezinho - PR, e outra porção ao Dr. Antonio José de Macedo Costa Junior, mantida a denominação Fazenda Jacu.

    8.  Avanços e fixações pelas retaguardas
    À retaguarda das fazendas Mandaguary, Lageado e Óleo, estavam presentes certo Nunes, Domingos Faustino de Souza e João Antonio Graciano, desde Cerqueira Cesar [Três Ranchos] a São Berto, enquanto José Campanhã e Manoel Caetano, conforme Relatos Capuchinhos (Apud Montagner, 2008) são vistos entradores pioneiros pela margem paulista do Rio Paranapanema, região do atual município de Piraju, com o apoio de Joaquim Antonio de Arruda.
    Posteriormente o Arruda viria ser oficializado um dos fundadores de Piraju, aonde veio residir tão logo a região pacificada e iniciado o aldeamento do Tijuco Preto. 
    De São Berto [São Bartholomeu], o Nunes seria Ignácio Nunes Maciel, casado com Anna Barbosa de Lima, vendedores de terras aos José Nunes de Oliveira e Francisco de Paula Nunes, "na paragem denominada São Bartholomeu, vertentes do Paranapanema havida por posses (...)" (Pupo e Ciaccia, 2005: 220 F-54).
    Nas proximidades de atual Jurumirim fez entrada o Pedro Rodrigues, no Salto Bonito; Ignácio Pereira de Assis, na Água do Letreiro; e Francisco Pereira divisante com ambos (Pupo e Ciaccia, 2005: 173 - E 79). 
    Após Piraju os avançadores, pela vertente do Paranapanema paulista, firmaram-se na região de Timburi onde assentados sob a liderança de Maria Prudencia de Oliveira, vulgo Maria Ferreira, firmando-se por lá os irmãos Joaquim e José Ribeiro Tosta; Pedro Rodrigues, João Antonio Leal - conhecido por João Delgado, e seu irmão Daniel; João Rodrigues, Salvador Rodrigues e Juca Euzébio, juntamente com Vitoriano Garcia, desde o Rio Itararé, além de Benedito de Tal, vulgo Chapéu de Couro, que repassou terras a João Batista de Paiva. 
    Algumas citações informam o histórico timburiense, com as chegadas de famílias adquirindo terras de herdeiros e sucessores:
    —"A posse de Água Preta foi feita por João Antônio Leal; a água do Poço do Dourado foi apossada por Domingos Antônio de Lima e da Areia Branca por João da Cruz Pereira. A Água do Palmital pertenceu, inicialmente, a José Alves Machado, do Rio de Janeiro, que por sua vez foi vendida a Domingos Pereira Fernandes, de Botucatu, a cujos herdeiros pertenceu a maior fazenda deste Município. Um deles, o Major José Pereira Fernandes, deu ao Retiro o nome de Santa Cruz do Palmital. Estava, assim, estruturada a povoação do nascente Distrito" (Melo apud Prefeitura Municipal de Timburi, 1973: 1).—
    Os avanços, notoriamente entre 1850 e 1851, atingiu a região de Ilha Grande - Ipaussu, com João Antonio Leal, o que dava a Soares garantia a mais contra possíveis represálias indígenas a partir do Paraná. Numa escritura de troca de propriedades, de 30 de dezembro de 1854, menciona-se "Terra de João Antonio Leal: no lugar denominado Ilha Grande, nas margens do Paranapanema", que faz permuta com João da Cruz Pereira dono de "Uma sorte de terras na barra do rio Itararé, que houve de Vitoriano Garcia" (Pupo e Ciaccia, 2005: 168 - E 72).
    Adiante das terras de João Antonio Leal e sucessores, ocorreram os avanços sobre as terras da Sesmaria das Antas, e das originárias para as Fazendas Jacu, Chumbiada ou Chumbeada, Paredão e Furnas ou Salto do Turvo, na região Ilha Grande [Ipaussu], parte compreendida entre o Rio Paranapanema e o espigão em direção à atual Ourinhos, para prosseguimento ao Turvo, acima de sua barra no Pardo, nas divisas com o já citado Manuel da Silva, e o prosseguimento do outro lado do Pardo, em direção a Salto Grande.
    Percebe-se, nisto, todos os cuidados dos invasores brancos com as partes do Vale Paranapanema paulista, cercando-se os pontos estratégicos e os levantamentos de fortalezas, ou bases de apoio às frentes em avanços sobre territórios indígenas, assim a impedir surpresas de cercos pelas retaguardas até concluída a Guerra, quando então os líderes aquinhoados com suas porções de terras e repasses de partes aos envolvidos na aventura, conforme combinações, e que fizeram chegar os parentes e os agregados, ou, então, que negociaram suas sortes, para assim o princípio povoador de cada uma das regiões conquistadas.
    Para além do Turvo, Soares contava com o bandeirismo triunfante e bem protegido de José Theodoro de Souza, enquanto pelo espigão do Pardo até as barrancas do Turvo estavam os Andrades, parentes ou sobrenomes iguais, como Damaso, João Bernardino, João Manoel, José Manoel, José Ribeiro e Messias José, todos envolvidos em transações de terras (Pupo e Ciaccia, 2005: 310 – Índice Onomástico), ou assumindo partes recebidas por patrocinamentos da empreitada de 1850/1851.

    9. Outras referências
    Para a efetivação da conquista sertaneja proposta, adiante da Serra de Botucatu, entre o Tietê e o Paranapanema, foram assumidas estratégias idênticas; por exemplo, a região de Itatinga foi tomada dos índios a favor dos pioneiros José Pinto de Oliveira e Antonio Francisco da Silva, que fizeram erigir a Capela ao orago São João Batista [de Itatinga], até a fixação dos familiares e a primeira comitiva comandada pelo Major Francisco Gomes da Silva Prado e o Coronel Eduardo Lopes de Oliveira (Apud Polo Cuesta, Itatinga, 2001: 7). 
    O povoado garante sua origem oficial a partir de 1875, contudo faz sentido a tradição que diz 'Pedra Branca - Itatinga', situar-se em trilha tropeira vinda do Paraná e ser, antes, habitada por quilombolas e índios que estariam, em meado do século XIX, impedindo os fazendeiros apossar terras, motivação da passagem civilizadora de Theodoro e seu bando. 
    No local denominado Água Clara fizeram posses o Alferes Manuel Gomes de Faria e Antônio Joaquim Mendes que, em seguida, trazem os parentes e famílias interessadas em adquirir fazendas e povoar a região. Os proprietários, então, doam terras para a formação do patrimônio da Capela de São Manuel, constante em documento de 19 de abril de 1870 (Apud Polo Cuesta, São Manuel, 2001: 11). 
    Outra versão dispõe que a atual São Manuel, "origina-se da concentração de um grupo de pacíficos lavradores, que começaram a surgir desde 1848" (Tenor, 2002: 28/10), portanto antecedente à passagem avassalante de Theodoro, numa aparente contraposição a Marins que menciona a localidade como conquista de Theodoro, ajuizando possibilidades que os índios ameaçavam ali a presença branca, exigiu-se assim a entrada de Theodoro e seu bando, com finalidades de desocupação territorial.
    Pratânia tem sua origem por ordem do Capitão Gomes Pinheiro, pensada em 1842 como "um bom lugar para ser povoado" (Marins, 1985: 23), e então o "Seu núcleo original começou a se formar nas terras da Fazenda da Prata de propriedade de José Gonçalves de Araújo, de Aureliano Feliciano Vieira e do coronel Jorge Gomes Pinheiro Machado" (IBGE, Cidades: Pratânia).
    As terras agudenses foram repassadas ao empreendedor mineiro Faustino Ribeiro da Silva que teria feito habitar o lugar por homens partícipes diretos na empreitada de José Theodoro de Souza e Tito Correa de Melo, segundo tradições pela descendência da família Caetano [da Silva] - envolvida na Guerra aos Índios, até que o próprio Faustino chegasse ao local, em 1852, à frente de um grupo de mineiros, como trabalhadores livres em troca de terras, além de seus muitos escravos para a cultura de café e abertura de fazendas. 
    Faustino doou terras para a fundação do povoado de São Paulo dos Morros Agudos, e fez erguer outros bairros rurais dentro de sua imensa propriedade, deixando as famílias mais próximas dos locais de trabalho.
    Sebastião Pereira, Pedro Francisco Pinto – também chamado Pedro Francisco Franco, e os irmãos Rodrigues de Campos – Antonio e Francisco, assumiram as 'Terras dos Baurus', todos aquinhoados com partes onde se ergueriam as fazendas Flores e Grande, ponto de partida para a ocupação territorial de Bauru.
    Unanime:
    —"Dentre aqueles que primeiro se aventuraram a percorrer os sertões bravios, (...) os historiadores são unânimes em apontar dois nomes, que ficaram na memória de muitos, como os posseiros do movimento do desbravamento e colonização daquelas regiões inóspitas, domínio dos íncolas e de feras selvagens. Trata-se, respectivamente, de Pedro Francisco Pinto e Sebastião Pereira. (...) Essas incursões partiram de Botucatu" (Bauru de Ontem, 1987: 7).—
    O hoje município Estância Hidromineral Águas de Santa Bárbara, antes Santa Bárbara do Rio Pardo, para alguns outrora identificado por Quarteirão dos Marques, como zona eleitoral em 1859. foi apossado por financiadores do bando de José Theodoro de Souza, a exemplos de 'José Marques do Valle, Carlos [Carrito] Bernardino de Souza e o Coronel Francisco Dias Baptista' - este pelo filho Pedro Ignácio Baptista buscador de gentes em Minas Gerais. 
    De acordo com Francisco Marins quanto aos avanços da tropa de Theodoro a partir da Serra de Botucatu, o professor José Ricardo Rios, informa que o pioneiro "fundou Santa Bárbara do Rio Pardo" (Rios, 2004: Introdução), evidentemente por alguém de suas fileiras.
    A conquista do sertão não foi de maneira mansa e pacífica, mas os historiadores, ainda arraigados no conservadorismo histórico para o Vale Paranapanema, relutam em falar das razias em territórios indígenas e nas práticas das dadas, com algumas referências que tais seriam práticas isoladas. 
    Memorialistas, escrevendo mais para o engrandecimento de famílias locais, da mesma forma refutam fossem 'bugreiros' a maior parte dos posseiros primitivos do sertão centro sudoeste paulista, em regiões apontadas prioritárias na 'Guerra ao Índio'. A história resgatada, com fartas documentações divulgadas pelos autores (SatoPrado e outros), comprova que muitas propriedades originárias entre 1851/1856, surgiram como divisão do butim "entre os componentes da caravana dos civilizadores" (IBGE - Enciclopédia dos Municípios Brasileiros - EMB, 1965: 99-100, texto de Moreira Franco), para a região de Avaré, sistema que não foi diferente em outras áreas, afinal os bugreiros ou os envolvidos na conquista das terras, não participariam da empreitada gratuitamente. 
    Ainda, cumprem observações que vastas áreas conquistadas tiveram sempre um primeiro nome de posseiro, parente ou imediato de Theodoro, e com o qual divisavam demais propriedades, retroagindo datas informativas de posses, em causa da Lei sobre as Terras nº 601/1850, além de sugerir posseiros diversos. Os principais  nomes regionais, quase todos eram parentes, aparentados ou vinculados pelo compadrio.
    No rastro dos conquistadores, bugreiros, financiadores ou adquirentes, chegaram os ocupadores de terras,  principalmente das Minas Gerais, por um caminho até o rio Tietê, entre os portos Potunduva, distrito atual de Jaú, e Lençóes, em Lençóis Paulista, para daí o trajeto aberto até as margens do Turvo, no qual lugar elevada a Capela do Rio Turvo, depois Espírito Santo do Turvo.
    De uma das caravanas de frentes de ocupações : "Atraz, nas vertentes do rio Pardo ficaram o Coronel Francisco Dias Batista, José Marques do Vale, Jorgino Marques, João Gonçalves Ferreira, José Ferreira Maciel, Carlos Bernardino de Souza, Joaquim Luiz Dutra, José Pinto Cardoso, etc" (Giovannetti, 1943: 72).
    Dos citados por Giovannetti, José Marques do Valle, Carlos [Carrito] Bernardino de Souza e o Coronel Francisco Dias Baptista, todos com respectivas famílias, agregados e escravos, estão contados, juntamente com Pedro Ignácio Baptista, o Capitão Apiaí (Antunes, 2002: edição nº 9), entre os primeiros moradores de Santa Bárbara do Rio Pardo, proprietários de terras naquela localidade fundada pelo próprio José Theodoro de Souza – (Rios, 2004: Introdução), ou por ele disponibilizada.
    Jorgino Marques, João Gonçalves Ferreira, José Ferreira Maciel, Joaquim Luiz Dutra, José Pinto Cardoso, e outros, não se fixaram em Santa Bárbara, nem acompanharam Theodoro até a Capela de São João [São Pedro do Turvo], daí situá-los entre o Bairro de Santa Cruz da Boa Vista, hoje Domélia e a Capela de São Pedro, enquanto as famílias, Marques, Gonçalves, Dutra e Cardoso se encontravam entre as demais pioneiras para Santa Cruz do Rio Pardo. 
    —A  fazenda Santa Cruz da Boa Vista, propriedade de José Rodrigues da Silva, por publicação do Decreto Estadual nº 9.775, de 30 de novembro de 1938,  mudou denominação para Dona Amélia, outrora bairro rural pertencente ao município de Santa Cruz do Rio Pardo. Por ato oficializado pelo Decreto-Lei Estadual nº 14.334, de 30 de novembro de 1944, Dona Amélia tornou-se Domélia, corruptela do nome da proprietária da fazenda no local, a viúva Dona Amélia Augusto Ferreira.—
    Desta maneira a presença desbravadora no sertão oeste paulista se revelou na abertura de caminhos e fundações de povoados. Coube aos desbravadores adentrar campos e matas, abrir picadas e enfrentar índios remanescentes, requerer posses e fundar capelas, muitas jamais além de arranchamentos, algumas que evoluíram para bairros rurais hoje extintos, aquelas elevadas a distritos e outras hoje às condições de cidades.
    Documentos de zonas eleitorais dos 'Quarteirões de São Domingos (Lista Geral dos Votantes, para 1859)' apresentam nomes para o Turvo e o Pardo, líderes de frentes de ocupações. Domingos Pereira de Souza está inscrito no Rio Turvo - Espírito Santo, seu irmão José Custódio de Souza no Rio Pardo, numa povoação extinta na paragem do Capivara; e são dezenas de nomes de eleitores em centenas de possuidores de terras para o trabalho ou negociações futuras, e destacados os irmãos Souza, porque da descendência de Domingos viriam os primeiros presbiterianos na região, então estabelecidos no Ribeirão dos Cubas, em Santa Cruz do Rio Pardo, e Custódio foi o pioneiro do plantio cafeeiro, fazenda Santa Clara, depois Clarínia, também em Santa Cruz do Rio Pardo. A propriedade dos Souza encontravam-se para uma só gleba, inclusa a Fazenda Cocaes.

    10. Ocupações fracassadas e retomadas 

    10.1. Campos Novos
    Estabelecidas as distribuições de terras no Turvo, Theodoro fez uma viagem a Minas Gerais, certamente em busca de parte de sua família e promoções de vendas de terras no sertão paulista. Em 27 de abril de 1852 Theodoro, na ida ou retorno da viagem, fez parada em São João da Boa Vista para o registro de doação de terrenos para a futura São Pedro do Turvo. Estava acompanhado de sua mulher, Dona Francisca Leite da Silva, Euzebio da Costa Luz e outros.
    Após o retorno o pioneiro pôs-se às demarcações efetivas das terras apossadas, descrevendo os acidentes geográficos e nominando os divisantes, por ele mesmo estabelecidos, para os registos paroquiais conforme a legislação em vigor. Nessa bandeira de reconhecimento determinou o entradismo ocupacional para frente do Ribeirão do Capim, São Pedro do Turvo, no ano de 1855, com acampamento nas proximidades de um riacho por ele denominado Água da Barraca. De vencida os índios, "as casas ergueram-se dos quatro lados da praça, em cujo centro se levantou a capellinha" (Nogueira Cobra, 1923: 45)à beira do caminho vindo de São João Batista, depois São Pedro do Turvo, sob a invocação do orago São José, acrescido do topônimo Rio Novo, instalando-se no lugar os bugreiros para amanhamento regional. 
    Theodoro então concluiu os levantamentos e realizou a obrigação dos registros de suas terras em Botucatu, aos 31 de maio de 1856, data limite para tal procedimento.  
    De posse dos registros o pioneiro fez sua ultima viagem conhecida ao chão mineiro para recrutamento de interessados em trabalhar e povoar as terras do grande sertão ainda desocupado. Consta João Vicente, já estaria no sul mineiro preparando as comitivas e aguardando a chegada do irmão, para convencer de vez e com documentos aquelas gentes das vantagens oferecidas.
    Apesar de bom número de terras vendidas, muitos adquirentes somente mais tarde resolveram assumir as propriedades, e, no decorrer de quase uma década, ainda chegavam compradores, aparentados e outros para se estabelecerem adiante do Turvo, nas adjacências do rio Novo (Nogueira Cobra, 1923: 34). As notícias da forte resistência indígena impediam as famílias meterem-se numa aventura daquelas, e as compras tornaram-se investimento e escrituras de posses foram negociadas.
    O assentamento familiar em Campos Novos [São José do Rio Novo] foi extremamente complicado. Os índios expulsos de outras regiões ali se reagruparam inamistosos, além dos Caingangues intolerantes ante a presença branca através de surpreendentes e violentos ataques noturnos, e depois recuavam para o Vale do Peixe, onde fixados e dominadores. Ainda assim, apesar das dificuldades em habitar a região, aos 04 de fevereiro de 1859 era batizado em São Domingos o menino Salathiel,  nascido 'no Bairro São José do Rio Novo', filho de Antonio Cassiano Pereira e Anna Maria Tereza (Eclesial, Certidão expedida pela Curia Diocesana de Ourinhos - SP.. B: A/A). 
    O povoado sustinha-se capenga, com resistência centrada numas poucas famílias protegidas por bugreiros, sob contratação, grupos de quatro a seis homens fortemente armados, que rondavam em círculos as matas adjacentes, para prevenir presença indígena e onças.
    A despeito destes cuidados, as tradições apontam terrível embate entre a capangada e os índios, no ano de 1861, com os brancos abandonando o lugar em retirada para São Pedro do Turvo. Talvez o Theodoro não tivesse prestado atenções devidas, ávido por venda de terras na região de Bauru.
    A Guerra com o Paraguai (1864-1870), no entanto, despertou as atenções do pioneiro para a reconquista da região camposnovense, afinal tinha terras para vender e precisava dar reputação do lugar, com segurança garantida, através de repetidas incursões exterminadores de índios "ajudado pelos filhos e genros, pelo cunhado João da Silva, e pelos primeiros imigrantes"  (Nogueira Cobra, 1923: 45), fazendo recuar os sobreviventes para além da Serra do Mirante, proximidades da atual Echaporã. 
    —Documentos resgatados, pelos autores, atestam que João da Silva e Oliveira não era cunhado de José Theodoro de Souza, tão somente procurador durante algum tempo.—
    Levantou-se um novo povoado:
    "A villa actual não é a mesma que teve início logo apoz a formação do patrimônio. A primitiva [de 1855] começou à beira da estrada que vem do Turvo, a seis legoas deste, precisamente alli onde inda hoje se vê, erguido, o symbolo da Redempção, única recordação que ficou. Tudo mais foi transferido para 2 kilometros adeante, à margem esquerda do Rio Novo, onde permaneceu e pouco se desenvolveu o outro núcleo" (1923: 28-29).—
    A presença de Theodoro indicava segurança, por fazer-se acompanhado sempre dos mais destemidos e cruentos comandantes bugreiros, como o cunhado e procurador João da Silva, o genro Francisco de Paula Moraes, o filho José Theodorinho, além dos irmãos Francisco de Souza Ramos e João Vicente de Souza, entre outros. Alguns bugreiros tornaram-se fazendeiros unindo-se aos outros, adquirentes, que chegavam.
    Nas cercanias de São José do Rio Novo, já em 1864, surgiram as primeiras fazendas, a de Antonio Botelho de Carvalho, no ribeirão Jacutinga; Joaquim Pereira de Toledo, dono da Fazenda Grande, nas vertentes do rio Novo; João Lopes, assentado na Fazenda Ribeirão Santo Antonio; Antonio Alves Nantes, na Fazenda Santa Rosa, e compraria depois a Fazenda do Paiol; a Fazenda Manoel José era de Manoel José de Jesus; e a Fazenda Campo do Meio foi doada por Theodoro a um casal protegido, com respectivos rebentos que, diziam, Theodoro os tinha por filhos, sentimento de paternidade do pioneiro que se transformou em malícia – (Apud Nogueira Cobra, 1923: 32-33).
    Seguindo demais transações, pelo mesmo Nogueira Cobra, à página 34, Joaquim Alves de Lima no Taquaral, tributário do Pari, junto aos Campos do Veado, onde a posse de Francisco de Souza Ramos, irmão de Theodoro; Pedro Alves de Moraes vendeu sua propriedade a José da Costa Allemão Coimbra, sob a denominação Coimbra. Outra fazenda vendida ficava junto às vertentes do rio Capivara, mas seu comprador, Francisco Osório de Oliveira, em 1864 ainda não aparecera para reclamar os direitos, adquiridos numa transação levada a efeito na localidade de São João da Boa Vista, onde morava, quando por lá passara Theodoro em 1852 ou 1856.

    10.2. Bauru
    Os Caingangues rondavam o alvo por noites seguidas amedrontando os moradores, com incendiamentos de ranchos, matanças de animais domésticos, principalmente os cachorros que lhe denunciavam presenças, e os cavalos e muares; destruíam as lavouras e, nas oportunidades, atacavam e chacinavam os brancos com ferocidade, mutilando os corpos e carregando partes.
    Essas ações Caingangues apavoravam os sertanejos, indistintamente, entre os rios Tietê e o Paranapanema, especialmente em terras de Bauru e São José do Rio Novo, pelas proximidades do Rio Feio/Aguapeí e do Peixe, respectivamente, onde facilmente escondiam-se.
    Anotadas as violências de combates entre índios e brancos em São José do Rio Novo, inclusive com o fracasso ocupacional, para os lados de Bauru as dificuldades não foram menores. Relatório oficial de 21 de abril de 1858, do Presidente da Câmara Municipal de Botucatu, Francisco de Paula Vieira, ao Conselheiro José Joaquim Fernandes Torres, Presidente da Província de São Paulo, não deixava dúvidas das quantas ocorrências em 1857:
    "Verá V.Excia, pelo mapa junto que a Villa de Botucatu se acha colocada junto à fralda da Serra, havendo de distância da mesma Villa a foz do rio Turvo com o rio Pardo 36 leguas, pouco mais ou menos, habitadas; sem que tenha outro centro de administração de justiça e de socorros espirituais q. esta Villa, e com falta de estradas. Nas margens do rio Tiete 18 ou 20 leguas achão-se habitadas até o lugar denominado 'Campos Novos' lutando-se com as mesmas dificuldades acima expendidas. Levo à consideração de V.Excia, q. são as mais urgentes, pois o estado de desesperação dos indígenas tem feito com q. desde agosto p.p. até ha pouco, 14 a 16 famílias tenham abandonado seu sítios; dos quais estavam na posse de seus domínios há anos; tem também havido conflictos, nos quais para mais de sette chefes de famílias teem sido mortos, alem dos estragos q. os mesmos indígenas tem feito nas margens do Tiete, lugar dos Campos Novos, já devastando, já atacando. Entre alguns moradores atacados citarei o cidadão Felicíssimo Antonio Pereira, q. por, escapou com sua familia. Não havendo segurança alguma para os habitantes daqueles lugares, q. vêem continuadamente suas vidas e fortunas expostas aos indígenas, a quem longe de fazerem o menor mal, até deixão nos lugares por elles infestados objetos que mais aprecião, citando entre outras pessoas que isto teem feito os cidadãos capitam Lourenço Dias Portela, e o já referido Felicíssimo. Este estado de cousas é sem duvida muito grave e por isso deve merecer a atenção do Exmo. Governo da Provincia. A outra necessidade, Exmo. Snr. é a falta de comunicação; o terreno de cima da serra é daquelle dotado pela natureza de facil meio de comunicação, sem grande dispendio do Cofre Provincial: mas que precisão ser attendidas estas necessidades com urgencia pelo Exmo. Governo, na certeza de q. será muito coadjuvado pelos habitantes daquelles lugares, porem precisando de um homem pratico em tais trabalhos para lhes dar uma direcção".— 
    Francisco de Paula Vieira mencionou outros graves problemas:
    "Entre outras comunicações cito a de Campos Novos aos Campos de Guaiandaba, onde reside um numero de 40 a 50 familias inteiramente isoladas; calculo a distancia entre estes campos de 16 a 20 leguas; vivendo estes indivudos na margem esquerda do Tiete vão buscar todos os socorros necesssarios à Villa de São Bento de Araraquara, com grandes difficuldades, motivadas pelas enchentes do Tiete, e pelo estado estado apestilencial em q. se acha durante alguns mezes (...) sendo isto egualmente ocasionado não só pela proibição da Lei das terras, como também por ser infestadas pelos indigenas da Serra dos Agudos e suas immediações, lembrando a V. Excia. tanto a abertura desta estrada como o estabelecer rancho de 4 a 5 leguas de distancia um dos outros para comodidade dos viandantes. Lembro também a V. Excia. q. se tirará alguma utilidade em abrir-se duas picadas paralellas não só para conhecimento do terreno e vias de communicações, para melhor poder observar os indigenas daquelles lugares; depois que estes conhecerão que não se penetrava mais em as matas (o que tem observado depois da prohibição da Lei das terras), têm tornado mais audazes em seus ataques, e que, talvez o trabalho destas picadas concorra para que elles se tornem mais doceis para com os habitantes, e que procurem as relações de amizade por nós tão desejadas. Não só os habitantes daquelles lugares terão grande utilidade com essas communicações como o Exmo. Governo" (Donato, 1985: 110-111, transcrição).—
    Relatório Oficial da Repartição Geral das Terras Públicas, do Ministério dos Negócios do Império, 1859, Rio de Janeiro, prestou que: 
    —"(...) no sertão de Botucatu, em matas que demoram entre os rios Tietê e Paranapanema, existem selvagens indômitos (...) que não perdem ocasião de hostilizar os moradores das fazendas e lugares que mais perto ficam (...) a moradores da margem do rio Batalha (...) e da fazenda Alambary, no termo de Botucatu, a 40 léguas dessa vila. Posteriormente a essas atrocidades foi salteada pelos índios a freguesia de São Domingos; mas os moradores repeliram-nos, obrigando-os abandonar na fuga diversos objetos, muitos dos quais tinham sido roubados" (Tidei Lima, 1978: 77).—
    Daqueles e outros acontecimentos, alguns com mortes violentas, os registros soaram alarmantes, como o trucidamento de Pedro Francisco Pinto; a fuga de Felicíssimo Antonio de Souza Pereira com os familiares que, abandonaram a fazenda e escaparam dos ataques indígenas; a morte de uma mulher [esposa de Faustino ou Fortunato da Silva Bueno – as fontes divergem] e cinco filhos, com outros dois gravemente feridos; graves ferimentos aos trabalhadores de Joaquim Corrêa de Toledo, 'alguns inutilizados'; um filho e uma filha de João Mendes, atacados à traição e empalados.
    No mesmo relatório consta que, às cabeceiras do Dourado um grupo de índios foi surpreendido, após matança de dois sertanejos, ainda a desmembrar um deles para lhe tirar as botas.
    Ainda consta a narrativa que os sertanejos Jerônimo Pinto Gonçalves e os irmãos Antonio e Joaquim Ferreira foram mortos com requintes de crueldade; Modesto Antonio da Silva foi achado nu, no Avanhandava, com ferimentos profundos, enquanto seus companheiros fugiram.
    Os acontecimentos associam-se e são acrescidos:
    "Pedro Francisco Pinto é trucidade. Felicíssimo Antonio de Souza Pereira e a familia abandonam a fazenda e escapam dos ataques por milagre. A mulher de Faustino Silva Bueno perece com cinco filhos e outros dois ficam gravemente feridos às mãos dos brutos. Agredidos, trabalhadores de um grupo de Joaquim Corrêa de Toledo, reagem, ficando alguns inutilizados. Um filho e uma filha de João Mendes, atacados a traição, acabam empalados. Nas cabeceiras do Dourado, sertanejos em perseguição dos índios, que mataram duas pessoas, ainda os encontram descarnando uma perna para tomarem a bota que a calçava. No Avanhandava é achado nú, e apresentando ferimentos profundos, o corpo de Modesto Antonio da Silva, de uma turma que a tempo logrou fugir. No Alambary e no Batalha as propriedades foram abandonadas, depois de morrerem, em breve período, pelo menos sete chefes de família. Aí mesmo tem lugar, pouco depois, outros quinze a dezesseis morticínios. Só de uma vez, em ponto diferente, também num assalto sete pessoas, e outras tantas ficaram feridas. No Batalha, no Alambary, no Dourado, no Avanhandava, por toda parte uma série de tropelias, de depredações, de carnificinas..." (José Fernandes, apud Tidei Lima, 1978: 72-73).— 
    Tais relatórios são postos em dúvidas, por exageros ou argumentos para justificar ataques preventivos contra indígenas, porque apresentados sem causas ou motivações, afinal que reação outra teria o índio em ver seu território invadido e morto seu povo? "Exagerado ou comedido, o relatório do Paula Vieira levantava ecos ou ecoava o preparo de contra-ataques organizados aqui e ali" (Donato, 1985: 108).
    Por essa época, também a família e os agregados de Pedro Ribeiro Nardes, na região desde 1834, teriam sido atacados por índios, salvando-se o pioneiro e família, chegando ao Rio Grande do Sul, após passagem por Castro - PR.
    De alguns desforços indígenas contra os desbravadores, isolados ou não, revertiam-lhes violentas perseguições impostas pelos brancos, sob a justificativa de apenas se defenderem; era o que diziam os fazendeiros, sempre.
    No entanto, entendendo que nem Xavante, Caiuá, ou mais corretamente seus destroços tribais, podiam opor-se diante dos conquistadores, antes a eles quase sempre se sujeitavam, as ações e reações dos brancos, portanto, diziam respeito quase tão somente aos Caingangue opoentes às invasões de suas terras.
    O governo ciente ser quase inevitável o massacre aos Caingangues, às pressas fez convocar a Felicíssimo, em 1858, para detalhar aquele seu antigo plano de 1856 e de como recuar os índios, para depois do rio Paraná, sem violências desmedidas, afinal, dizia-se, o governo desejava tanto salvar o índio, com o menor dano possível face confronto com o branco, quanto afastar sua ameaça o mais longe possível do oeste paulista.
    Projeto apresentado, discutido e aprovado, inclusive as recomendações de governo dos cuidados aos índios enfermos ou feridos, velhos, mulheres e crianças que não conseguissem partir mais adiante, deveriam ser conduzidos para algum aldeamento na região, com pleno conhecimento e concordância de Felicíssimo.
    O acordo mereceu comunicado oficial do Presidente da Província de São Paulo, José Joaquim Fernandes Torres, justificando despesas, mencionando o voluntariado de Felicíssimo e seu grupo para referida empreitada, a proposta da abertura de estrada de Bauru [ou Campos Novos de Bauru], até Campos de Avanhandava para se chegar a Mato Grosso e, com tal rede de comunicação, de vez afastar o perigo indígena, de acordo com 'Relatório Oficial de 1859, da Presidência da Província de São Paulo, pela Imprensa Oficial Paulista, 1929: 582/583'. Tidei Lima transcreve tal Comunicado às páginas 81/82 (1978), acrescido de complementos do relatório e comentários próprios.
    Felicíssimo retornou à região de Bauru, no ano seguinte, 1859, "à frente de 135 homens divididos em três grupos, todos bem armados" (Donato, 1985: 108), para praticar terrível massacre contra indígenas, visto por ato de vingança pela derrota que lhe foi imposta em 1856, para se tornar conhecido em todo Império como exterminador de índios, a maioria mulheres e crianças, dando subsídios aos jornais de oposição e causa maior de sérios embates políticos entre conservadores e liberais, com isso a exigir urgentes medidas das autoridades.
    O bugreiro Felicíssimo meteu-se em dificuldades com a justiça por ordem expressa do Governo Imperial, em causa de treze ou dezesseis baixas, oficiais, causadas aos Caingangue. Tradições, no entanto, apontam maior número de índios chacinados.
    Fracassados os intentos de Felicíssimo, os índios retornaram mais ameaçadores, motivando outros relatórios quanto aos iminentes perigos novamente com o requintes de crueldades daqueles que, pelo temor imposto, atravancam de vez o progresso sertanejo. Os fazendeiros não mais esperaram dilações de governo, antes convocaram José Theodoro de Souza para pacificar a região.
    Documentos oficiais atestam presença de Theodoro em terras de Bauru, região do rio Batalha (Apud Tidei Lima, 1978: 70 e outras referências), sinal de massacre indígena em curso, a informar Tidei Lima que:
    "pouco depois, o Juiz Municipal de Botucatu denuncia uma chacina na 'região do rio Batalha', perpetrada, entre outros, por José Theodoro de Souza, 'velho sertanista, notável pela sua vida tragueira e ainda mais notável pelo temor que seu nome inspira nos selvagens, pelas barbaridades por ele praticadas nos encontros com os índios tem tido'. Acrescentou ainda o magistrado que 'esta imensa área na sua quase totalidade tem sido apropriada e vendida por José Theodoro de Souza e pelos irmãos Francisco e Antonio de Campos. É pois manifesto que essas pretendidas posses são a causa da destruição do índio que em direito é melhor possuidor dos terrenos'-"(Tidei Lima, 1979: 83).—
    As denúncias do magistrado deram em nada, Theodoro não era Felicíssimo e tinha proteção política e influência necessária, através do Capitão Tito Correa de Melo, para debelar o caso. Em 1861 a região de Bauru estava relativamente pacificada, e os primitivos posseiros retornaram para suas propriedades, a exemplos de Vicente Martins, Luiz Francisco Gomes, e outros, além dos bugreiros e os citados irmãos Campos.
    Para apaziguar de vez os ânimos jurídicos, políticos, indigenistas e imprensa, Theodoro compareceu junto ao Governo da Província de São Paulo, em 1862, acompanhado de uns tantos índios representantes de tribos, com a ideia de um aldeamento em Salto Grande do Paranapanema, sob a direção dele próprio, com a proposta do aldeamento compulsório ao indígena como solução para os conflitos e interesses.
    Na ocasião o pioneiro entregou às autoridades provinciais as principais reivindicações dos sertanejos, num abaixo assinado que dizia das hostilidades indígenas e a sugestão de aldeamento à maneira sugerida pelo  mensageiro. Apresentou, ainda, os declaratórios de sua idoneidade e dos relevantes serviços prestados por ele no sertão, às próprias expensas, como abridor de estradas, fundador de povoados, empregador em suas propriedades, colaborador com a fé católica e pacificador de índios.
    Os documentos oferecidos estavam firmados pela Câmara Municipal de Lençóis Paulista, pela Subdelegacia de Polícia e Guarda Nacional de São Domingos, inclusive declaração de idoneidade de Theodoro assinada pelo padre André Barra, que serviram de instrução no processo de criação do Aldeamento pretendido para Salto Grande do Paranapanema (ALESP, CD: A/A), ratificados pela Câmara Municipal e a Igreja de Botucatu.
    A tal viagem de Theodoro foi tão bem sucedida que impressionou a quase todos, por exemplo, Dr. Joaquim Antonio Pinto Junior, Político, Historiador e Advogado dos Índios, autor da obra 'Memoria sobre a Cathechese e a civilisação dos indigenas da Província de S. Paulo' (1862), para quem Theodoro apresentou-se: 
    —"(...) um homem de coração bem formado, que se tem constituído protetor dos índios, que lhe dão até o nome de pai; ele, as expensas suas, os conduziu a esta capital, para apresentá-los ao Governo; é ele que os auxilia em suas necessidades mais urgentes; é em sua fazenda que encontram todos os socorros; de uma modéstia a toda prova, não faz ostentação de seus serviços" (Apud Giovannetti, 1943: 129).—
    Esta apresentação de Theodoro e os índios perante autoridades, igualmente influenciaria João Mendes Junior, em 'Os Indígenas do Brasil', sobre Theodoro – como: "um dos maiores posseiros das regiões do Paranapanema, foi o sertanejo José Theodoro de Souza" (Apud Giovannetti, 1943: 129).
    A proposta do aldeamento para Salto Grande, bem ao gosto do governo, da oposição e dos organismos indigenistas, evitaria a matança de índios, principalmente com o envolvimento dos bugreiros agora no ato de convencimento dos indígenas reduzirem-se, num só lugar, ou mesmo aprisionando-os com tais propósitos.

    11. Das sórdidas maquinações contra os indígenas
    Relatório do Presidente da Província de São Paulo, de 1857, trazia denúncia do padre Tristão Carneiro de Mendonça "expondo diversos atos de violências praticadas contra os indígenas de Bauru e Paranapanema" (Tidei Lima, 1978: 82-83). Ao mesmo tempo os fazendeiros justificavam suas ações como preventivas ou reativas às atitudes dos índios que massacravam os brancos e obstavam o progresso.
    A solução estaria num aldeamento, dirigido por sertanista, para encerramento dos confrontos entre brancos e índios, objetivo principal para a escravização indígena legalizada. Este era o plano de Theodoro entregue às autoridades.
    As frentes de ocupações precisavam de mão de obra escrava para trabalhar o sertão, e o aldeamento a isto se prestaria, como conjunto de soluções, para se burlar a legislação a respeito da escravização indígena, e os bugreiros e preadores se transformariam em elementos de convencimento ao índio aldear-se, cabendo ao administrador repassá-lo aos interessados em colaborar com a Instituição, na educação e profissionalização do bárbaro, com isso a evitar extermínios ou guerras desiguais entre índios e fazendeiros, mascarando de certa forma a matança e o tráfico de mão de obra escrava nativa, proibida por lei. O parecer favorável das autoridades ao Aldeamento em Salto Grande bem veio a calhar às pretensões dos fazendeiros, que tinham pressas em cuidar suas terras e livrá-las de vez do perigo indígena à solta nas matas, sem problemas com os políticos e a imprensa. Vide, dos autores, 
    http://celsoprado-razias.blogspot.com.br/2009/12/razias-escravidao-indigena-e-os.html.
    As notícias dos feitos de Theodoro em Campos Novos e Bauru, além do aldeamento autorizado, chegaram às Minas Gerais e Rio de Janeiro e regiões mais antigas de São Paulo, e foram muitos os interessados no sertão centro sudoeste paulista, especialmente em causa da Guerra da Tríplice Aliança, ou Guerra com o Paraguai, com as famílias fugindo do recrutamento para as frentes de batalhas.
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